Gaelia

Quando vinculamos modalidades esportivas aos seus países de origem, pensamos no futebol americano aos EUA. O rúgbi e o futebol à Inglaterra. O sumô ao Japão. A bocha à Itália. E por aí vai. Neste caminho, nada tão irlandês quanto o futebol gaélico.

O futebol gaélico (fonte: www.gaa.ie)

Jogado praticamente apenas na ilha da Irlanda – República da Irlanda (Eire) e Irlanda do Norte (Ulster) – e em lugares do mundo em que a presença de irlandeses é forte (Nova Iorque), o futebol gaélico é uma mistura do futebol com o rúgbi, com o hóquei em campo e também com o handebol. À primeira vista parece confuso. Mas não, é apaixonante.

Durante o domínio britânico naquela ilha e a diáspora irlandesa (que fez a população da ilha cair de 10 para 3 milhões de habitantes), a modalidade quase foi extinta. No final do século XIX um empresário nacionalista de Dublin financiou um campeonato para incentivar a sua prática entre os mais jovens. A popularidade do esporte era, com isso, reconquistada.

No início da década de 1920, durante a guerra de independência da Irlanda, soldados ingleses – em resposta a um atentado contra oficiais de inteligência do exército britânico –  entram no estádio de Croke Park, em Dublin, durante um jogo de futebol gaélico. Resultado: foram mortos 13 torcedores e 1 jogador da equipe local, episódio que ficou conhecido como o “Bloody Sunday” (não confundam com a canção do U2). Desde então, nenhuma outra modalidade – ainda mais inglesa – poderia ser jogada naquele estádio.

O “Bloody Sunday” só viria a aumentar a paixão do irlandês pelo seu futebol, o gaélico.

É um esporte praticado apenas por amadores, muito longe de se tornar profissional. A Federação conta com o apoio de empresários e do governo da República da Irlanda. O estádio de Croke Park é um dos maiores e mais modernos do mundo. A sua arquitetura combina vanguarda ao passado da Irlanda, ao não cobrir e assentar um dos setores do estádio, conhecido por “Hill 16”, em memória aos caídos do levante popular da Páscoa de 1916, durante a 1ª Guerra.

O “Hill 16” repleto de torcedores do Dublin (fonte: longford.gaa.ie)

Quanta história, hein? Apesar de ser amador, o futebol gaélico é a modalidade mais popular da Irlanda, motivo de orgulho para todos e gerador de milhares de empregos. É exemplo de resultado obtido pelo trabalho executado quando feito com orgulho e paixão.

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