Uma Copa para o Brasil (Oportunidade Perdida)

texto de 12 de Novembro de 2007 para o extinto vejau.com.br

Muitos sabem: daqui a menos de sete anos o Brasil será palco do segundo maior evento do planeta: a Copa do Mundo de futebol. Candidato único de um antiquado sistema de rodízio de continentes – já posto abaixo -, figuras folclóricas do futebol brasileiro e da política nacional estiveram em clima de oba-oba na sede da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para o anúncio oficial e acabaram por celebrar o óbvio, como se a escolha do Brasil tivesse sido muito difícil.

Só de imaginar o superfaturamento das obras e o rombo no orçamento que houve nos Jogos Panamericanos deste ano e pensar que isso pode se repetir para o Mundial 2014, porém em proporções muito maiores, já é decepcionante. Pensar que muitos grupos de interesse serão favorecidos em detrimento de toda uma sociedade, também. Que a organização da Copa será marcada por uma guerra de egos e disputas pelo poder, não há dúvidas. A partir disso tudo, realizar um Mundial de futebol seria um disparate e há aqueles que dizem isso mesmo e com razão. Existem muito mais pontos em que o governo deveria dar prioridade em vez de concorrer a ser a sede de uma Copa. Como montar um evento desta magnitude se não há no país uma infra-estrutura adequada para receber um turista? Sem falar na segurança, nos transportes e em educação.

Por outro lado, a realização de um Mundial pode ser vista como uma oportunidade para que muita coisa mude no país. Para tal, são necessários: vontade, boa vontade e visão. Uma Copa do Mundo não é feita apenas de estádios. Muito se fala deles, mas como pensá-los se não há um sistema adequado de transportes (rodo, ferro, aero e metroviários) que permita um torcedor se deslocar para ver um jogo ou um espetáculo com conforto e segurança? Caso queiram estádios modernos, porque então “remodelar” Maracanãs e Morumbis, ultrapassados, cujas reformas ainda os deixarão aquém dos grandes estádios do mundo? Basta comparar. É preciso aproveitar esta oportunidade de receber um evento de tamanha importância para planejar a urbanização das cidades do país e investir na infra-estrutura de transportes (ressuscitar as ferrovias, solucionar pelo menos até lá a crise da aviação nacional e melhorar as estradas) e com isso realmente integrar o país. É uma oportunidade também para que o governo invista em educação. Para algo tão importante como uma Copa, é preciso que a população esteja preparada para ser a anfitriã. A China investiu maciçamente nos últimos anos na educação dos seus cidadãos tendo em vista a realização das Olimpíadas de 2008.

Se tudo isso realmente acontecer, o número de empregos que será criado é incalculável, muita renda será gerada antes, durante e depois do Mundial. Em suma, é uma grande oportunidade para o país crescer. Se o Produto Interno Bruto da Alemanha aumentou com a organização da Copa do Mundo do ano passado, os efeitos poderão ser muito maiores no caso brasileiro. Caso o Brasil consiga organizar a maior Copa de sempre e dar a si mesmo a chance de crescer, é preciso muita seriedade e comprometimento. Vai ser necessário começar do zero em tudo. Não adianta nada a cidade ter a melhor rede hospitalar do país, se não está ao alcance de todos. Não adianta também a cidade ter os cartões-postais mais famosos, porque cartões-postais não fazem copas do mundo. Começar do zero nos estádios. Estádios novos, isso mesmo. Reformar o Maracanã sob a alegação que daria um “charme” para o torneio? Não se sabe desde quando o charme de algum estádio é responsável por um bom mundial. Se até Wembley, palco da maior conquista esportiva da Inglaterra (Copa de 66), foi demolido! O Maracanã nem por isso (perdemos em 1950), muito menos o Morumbi. Que o Mundial de 2014 seja, como o Presidente mesmo disse, para argentino nenhum botar defeito, mas que também não seja um evento feito apenas “para inglês ver”.

compare caro leitor este texto, escrito em 12-11-2007 com os dias de hoje

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