Copa do Mundo de Futebol e Poder Brando: Putin

Rússia e Arábia Saudita são muito inimigos na política internacional. Possuem zonas de interesses e influenciam nos assuntos internos de inúmeros países, sobretudo do Oriente Médio. Os sauditas têm como aliados, os norte-americanos. Os russos, portanto, quer seja por herança da Guerra-Fria ou não, procuram contra-balançar a presença estadunidense na região. Resumo: a relação de ambos não é a melhor.

O líder russo, Vladimir Putin, há quase duas décadas no poder, sempre passou uma imagem de liderança, mas também de rigidez, agressividade, intransigência e intolerância. Pouco se sabe da vida pessoal dele, e raramente demonstra emoções publicamente. É pela força bélica e poderio econômico (“Hard Power”) que a Rússia obtém suas vantagens na política internacional. Entretanto, a partir de 14 de Junho, abertura do Mundial de Futebol em Moscou, foi transmitida uma outra imagem: um Putin amistoso, aberto, global e sorridente no discurso de abertura e também ao ver o jogo ao lado do seu similar saudita, o Rei Salman. Este contexto, somado aos 5 a 0 da Rússia sobre a Arábia Saudita, de um modo geral faz com que o planeta tenha uma boa impressão do país-sede da Copa. Não aquele que patrocina ditaduras que restringem as liberdades ou que invade regiões e toma posse delas, como foi com a Crimeia. A prazo, a boa imagem de um país pode se tornar um importante poder de barganha, exemplo de um poder brando (“Soft Power”).

Aliás: se você leu este texto, com base no que você viu no jogo de abertura e cerimônia, a Rússia te causou boa impressão ou mudou aquela que você possui? Se sim, este é apenas o primeiro exemplo do poder brando neste mundial de futebol. A esperar pelos próximos.

O time unificado coreano: nova etapa da política externa de Kim Jong-un?

Anteriormente no O Esporte e o Mundo, foi abordada a tensão entre as Coreias em seu confronto nas Eliminatórias para a Copa do Mundo FIFA de 2010, que você lê aqui. Curiosamente, no dia 17 de janeiro, os países anunciaram que teriam pela primeira vez desde a separação da Coreia ao fim da Segunda Guerra Mundial, um time unificado de Hóquei em uma competição internacional oficial, no caso, as Olimpíadas de Inverno de 2018, sediada na Coreia do Sul, em PyeongChang. Tendo em vista as recentes tensões provocadas pelos testes nucleares realizados pelo governante norte-coreano Kim Jong-un e sua interação com o presidente estadunidense Donald Trump, qual poderia ser a intenção por trás desta tentativa de aproximação?

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Rio 2016: a ginasta sul-coreana Lee Goim (direita) em selfie com a norte-coreana Hong Un-Jong (esquerda)

O que se pode afirmar é que de fato a atitude da Coreia do Norte de participar do evento esportivo em seu vizinho ao sul não pode ser desconsiderado do cenário político envolvendo ambos os países. Em seu discurso de ano novo, Kim Jong-un afirmou ter convicção de a Coreia do Sul teria êxito em sediar as Olimpíadas de Inverno, além de propor o diálogo imediato entre as Coreias. O mesmo discurso, transmitido na rede de TV estatal, conteve também manteve a hostilidade aos Estados Unidos e a Trump, afirmando que o país agora possui capacidade de ataca-los com poderio nuclear quando desejar.

O isolamento causado pelas atitudes do líder norte-coreano também pode ser mitigado pela iniciativa, tendo algum tipo de impacto sobre as sanções econômicas que a ONU mantém sobre o país. Representantes de altos cargos na organização internacional como o Secretário-Geral António Guterres, e o presidente da Assembleia Geral, Miroslav Lajcak se manifestaram positivamente sobre a iniciativa. A ida de Kim Jong-un e seu encontro com líderes de outros países e da ONU num evento transmitido para todo o mundo pode ajudar a diminuir o ideário de isolamento total da Coreia do Norte, e reabrir diálogos.

Também, é uma possibilidade para a Kim Jong-un mostrar algum sucesso de seu regime, como o local oferecido para o treinamento do time unificado de Hóquei, o recém-inaugurado Masikryong Ski Resort (foto abaixo).

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Enfim, não é novidade a tentativa de utilizar o esporte na reconstrução do diálogo entre as Coreias, o que já foi visto em outras oportunidades, mas o que se destaca é justamente o contexto no qual a atitude se insere. O inédito time unificado entre as Coreias é criado num momento onde, com a consequência de um grande isolamento e tensão em relação ao país, a Coreia do Norte enfim consegue (palavra deles) obter armas nucleares, o colocando num patamar com apenas outros 8 países. Tendo mão desse trunfo, o país deve passar a reabrir diálogo, negociar. Seus principais objetivos em médio prazo são a retirada das sanções econômicas aplicadas ao país, e a retirada da presença militar dos EUA na Coreia do Sul, e para ambos, a participação nas Olimpíadas de Inverno, onde se compete com amizade, pode ser o início de uma nova fase da política externa de Kim Jong-un.

Filipe de Figueiredo dos Santos Reis, graduado em Relações Internacionais pela PUC Minas.

Contato: filipedefigueiredo@hotmail.com

Jiu Jitsu Brasileiro é Poder Brando

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Jiu-Jitsu Brasileiro nas Filipinas

Neste último texto do ano ainda levanto alguns pontos sobre o esporte como “poder brando”, o soft power (Nye, 1990). São fontes de poder intangíveis, como cultura, ideologia e demais instituições, em detrimento das formas de poder tradicionais, como a militar (“hard power”). Usa-se o “soft power” para conseguir o que se quer sem usar o “hard power”. É capaz de moldar, influenciar e determinar as crenças e desejos dos demais. Com isso se alcançam objetivos para uma política externa através de meios não materiais.

Imagino o quanto o futebol inglês colabora com a imagem do Reino Unido pela Europa com o “Brexit” em curso. Ou então o apoio à independência catalã em função da diplomacia pública que exerce o FC Barcelona. Sem falar do Qatar e Emirados Árabes Unidos com seus patrocínios milionários e conglomerados esportivos que estão por disneificar* o esporte.

Foi com esta tempestade cerebral que tomou boa parte do meu tempo livre – ou de trabalho – nas últimas semanas, que comecei a refletir onde estão a diplomacia pública e o poder brando do Brasil. No esporte. Face à irrelevante atuação brasileira na política internacional, a diplomacia pública exerce importante papel na projeção do país pelo mundo. Não apenas na política, mas na opinião pública. As telenovelas, por exemplo. No entanto, dentro do esporte, a seleção de futebol outrora excelente instrumento de relações públicas, já não possui tanta força. Marta foi eleita a melhor do mundo por muitas vezes consecutivas recentemente. Entretanto, o futebol feminino – infelizmente – não possui semelhante projeção como o masculino. Existe sim, uma grande oportunidade com Neymar, Gabriel Jesus e uma eventual conquista da Copa 2018. Mas não, não é suficiente.

E então eu abro o facebook e vejo a postagem de um conhecido meu, instrutor de Jiu-Jitsu, que vive em Oslo (Noruega), com uma foto da franquia da academia da família Gracie. Na parede, uma bandeira do Brasil e a foto do Sr. Hélio Gracie. Na fachada, a inscrição: “Brazilian Jiu Jitsu” (BJJ). Uma pesquisa de 30 minutos na internet foram suficientes para constatar o quando que a luta é admirada no mundo todo, com milhões de seguidores, que carrega o nome e o pavilhão do Brasil. Ademais, com uma cultura de valores que colaboram com a imagem do país (sobretudo quando a bandeira está exposta). Pena não ser tão popular como é o futebol. Sem sombra de dúvidas é o principal representante de uma diplomacia pública brasileira.

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Com tudo isso, é mais que na hora para que haja maior integração entre o esporte brasileiro e a política externa do país. Afinal, são atores como o BJJ que fazem muito mais que embaixadas e diplomatas espalhados mundo afora.

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Em tempo: o BJJ é condição “sine qua non” para ingressar nas Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos. Para crescer na hierarquia militar daquele país, é necessária a aprovação no exame para subir de faixa.

* Disneificação (Disneyfication): processo pelo qual tem se transformado o futebol em função da aquisição de clubes/equipes/franquias de diversas modalidades dentro de conglomerados empresariais. Caso do Liverpool FC (Inglaterra) cujo dono é também proprietário dos Red Sox de Boston (beisebol) e no caso do futebol, Manchester City FC e New York City FC pertencem ao mesmo grupo. Existem outras “holdings” também, como a do Atlético de Madrid (ESP) com o do Club San Luís (MEX).

O “Conselho de Segurança” do Futebol

Com a classificação do Peru para o mundial de futebol da Rússia no próximo ano, a América do Sul terá 5 representantes no evento. Os outros quatro são Argentina, Brasil, Colômbia e Uruguai. A região tem 10 seleções. Metade delas vai para a Copa. Logo, 50%!

Alta proporção em relação aos outros continentes. A Europa possui 55 membros e teve 14 vagas (25,45%). A Ásia, 47 e 5 vagas (a da Austrália foi na repescagem), 10,64%. A África, 5 vagas entre 56 federações nacionais, 9%. A América do Norte, Central e Caribe, 3 em 41 integrantes (7,3%). A Oceania não teve nenhum classificado entre os seus 14 membros.

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Peru celebra gol que o classificou para o Mundial de Futebol em 2018

É grande a proporção de equipes classificadas da América do Sul. É mercado populoso e com poder aquisitivo, mas incomparável com outras partes do mundo como a Ásia, Europa e América do Norte. Por que tamanha diferença nestas proporções? Levanto aqui algumas hipóteses:

  1. Torneio de seleções mais antigo do futebol, a Copa América, de 1916;
  2. Número de títulos mundiais, vice-campeões e semi-finalistas em Copas (Chile já foi terceiro em 1962), em proporção ao número de equipes na Confederação da América do Sul;
  3. Contribuição com o jogo;

Ainda assim acho bastante alto o índice de 50%. Por que as Américas não têm uma confederação continental apenas? A maneira como a modalidade foi organizada na América do Sul foi completamente diferente da das partes Central e do Norte, bem como das ilhas do Caribe. Por que Suriname, Guiana e Guiana Francesa não fazem parte da Confederação Sul-Americana? Pela organização política, econômica, social e cultural desses países e território ultramarino francês, que estão mais próximos dos do Caribe do que dos da América do Sul.

 

Por analogia, a América do Sul no futebol lembra o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas, que zelam pela manutenção da paz e segurança internacional. Seria a “Liga da Justiça”? É…por aí, vai. Cinco membros do CS são permanentes e possuem poder de veto: República Popular da China, Federação Russa, República Francesa, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e Estados Unidos da América. Os outros 10 países ocupam posição rotativa no CS que dura dois anos.

Se a presença permanente no Conselho e o veto é em preservação à natureza da ONU e da manutenção da balança de poder, tantas vagas para a América do Sul explica-se para preservar uma “balança de poder” do futebol mundial – que atualmente pende muito mais para a ordem econômica do hemisfério norte – e a natureza do jogo, que os sul-americanos receberam e aprimoraram, enquanto que hoje europeus e asiáticos a aperfeiçoaram, ao incorporarem a tecnologia e outros elementos que remontam à Revolução Industrial (1760, 1820 a 1840), como a psicologia do trabalho, os recursos humanos, a produção em série – produtividade, eficiência e eficácia – além da otimização do tempo.

Revolução Industrial que projetou várias modalidades esportivas, entre elas o futebol. Tema para outro texto!

Um Melhor do Mundo Presidente da Libéria

Primeiro país independente da África (1847), fundado a partir de terras compradas pelos Estados Unidos para escravos recém libertados, que desejassem voltar ao continente de origem, teve muito apoio de um ex-presidente norte-americano, James Monroe (1817-1825). É por isso que sua capital leva o nome de Monróvia.

Com uma história marcada por mandos e desmandos no poder, golpes de Estado e bastante violência, nos últimos anos a política liberiana felizmente goza de estabilidade. Nas primeiras eleições livres e diretas, realizadas há 12 anos, a economista Ellen Johnson-Sirleaf (Prêmio Nobel da Paz em 2011) foi eleita (2005) e reeleita (2011). No pleito deste ano, o ex-futebolista George Weah (escolhido melhor do mundo em 1995) atual senador e derrotado nas últimas eleições, venceu e será empossado em breve.

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Weah escolhido melhor do mundo em 1995, pelo AC Milan

Os problemas da Libéria são vários, desde a corrupção até a pobreza extrema da população, endêmica. Entretanto, a aparente tranquilidade na condução das eleições dá um panorama que poucos países africanos possuem, que é o do respeito pela democracia e suas instituições.

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Weah em campanha presidencial

Não vai ser um ex-futebolista que vai resolver as questões que atrasam aquele país, mas enquanto atleta ele o uniu em momentos delicados. Dedicou-se a causas sociais e esportivas na Libéria. Sempre foi bastante atuante politicamente, mesmo dentro de campo, quando era embaixador da ACUNR (Agência das Nações Unidas para os Refugiados), tendo sido ele próprio, refugiado. Sabe a dinâmica da economia de um país desenvolvido. Em termos de Soft Power (poder brando), um importante “Relações Públicas” para a nação. Simbolicamente ele posiciona a Libéria no mundo, o que pode atrair vários investimentos estrangeiros. Ademais, ele sucede uma economista que – aos olhos do mundo – pôs o país de volta à vida democrática.

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Weah em atuação pela Libéria contra a Nigéria, em 2001

Se continuar neste caminho da estabilidade e unidade nacional, a Libéria tem um próspero futuro pela frente. Claro que o futebol é bastante diferente da política, e Weah parece bem saber disso.

O FC Barcelona e o “Soft Power” da Catalunha

De imediato vos lanço um desafio: o que primeiro vem em mente ao ler a seguinte palavra: “Catalunha”? Para muitos, vem Barcelona! Não a cidade, mas sim o clube de futebol.

Joseph Nye (1990) definiu o conceito de “soft power” (poder brando) como sendo aquelas fontes de poder intangíveis, como cultura, ideologia e demais instituições em detrimento das formas de poder tradicionais, como a militar (“hard power”). Usa-se o “soft power” para conseguir o que se quer sem usar o “hard power”, é capaz de moldar, influenciar e determinar as crenças e desejos dos demais. Com isso se alcança objetivos para uma política externa através de meios não materiais.

O sucesso internacional de atletas e equipes esportivas é palco para o desenvolvimento do “soft power”. Isso porque os Estados atraem simpatizantes através dos seus valores e cultura, e fazem um discurso para que o público queira o que eles (os Estados) querem, ao projetar uma imagem específica e criando uma impressão favorável para o mundo. Uma diplomacia pública, que o próprio Nye (2008) define como sendo um instrumento que os governos utilizam para mobilizar recursos para se comunicar com e atrair o público estrangeiro.

Ora, diante de todo o conceito de diplomacia pública e poder brando, em um cenário de uma Catalunha quase ou recém independente, mas sem os recursos materiais do “hard power”, em termos de política externa para região resta o “soft power”.

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O mapa da Catalunha com o escudo do FC Barcelona

Assim sendo, não há dúvidas de que o seu principal embaixador – como sempre foi – é o Futbol Club Barcelona. O esporte claramente contribui para a marca e a imagem do Estado, ao destacar suas qualidades dentro dos pilares formadores de uma nação. Isso faz com que o orgulho nacional/regional seja potencializado através das conquistas do clube, além de projetar uma identidade particular no cenário internacional que pode ser atraente para milhares de torcedores mundo afora (Maguire et al. 2002).

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O presidente do FC Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e as bandeiras da Catalunha e do clube

Não tenho dúvidas de que centenas de milhares de torcedores do FC Barcelona espalhados pelo mundo, sem quaisquer vínculos com a Espanha e a Catalunha, defendem a independência catalã simplesmente pelo afeto que possuem pelo clube.

Em tempo: o Rugby e a Nova Zelândia possuem parecida relação, o que é tema para outro texto.

Referências:

Maguire, J., Jarvie, G., Mansfield, L. and Bradley, J. (2002) Sport Worlds: A Sociological Perspective (Champaign, IL: Human Kinetics).

Nye, J. S. (1990) ‘Soft Power’, Foreign Policy, 80, 153-171

Nye, J. S. (2008) ‘Public diplomacy and soft power’, ANNALS, AAPSS, 616, 94-109

A questão Catalã e o lema de um clube

O lema do clube de futebol Barcelona é “Més que un club” (“Mais que um clube”, traduzido). Isso remete à histórica causa de autonomia e independência catalã em relação à monarquia da Espanha, com sede em Madri. Há algumas décadas, o nome oficial do clube era em espanhol (“Club de Fútbol Barcelona”). Outrora o uso do catalão bastante reprimido, apenas após o fim do governo Franco (1936-1975) a instituição passou a fazer sua comunicação neste idioma, tendo inclusive mudado seu nome oficial para “Fútbol Club Barcelona”.

Haja vista toda uma causa política e por toda uma história – ao mesmo tempo global – desde as origens de seu fundador suíço, a passar pela genialidade de Cruijff, Romário, Stoichkov e Messi; das equipes de basquete e handebol, do trabalho social que fazem na Catalunha e no mundo, “mais que um clube” simboliza bastante o que é o FC Barcelona. Dentro dessa linha de pensamento, não surpreende saber que Neymar – quando futebolista do clube – tinha que aprender o catalão.

Quando dos confrontos contra as equipes de Madrid (Real e Atlético), o “mais que um clube” alcança ainda maior projeção porque a rivalidade atinge níveis extremos. Uma vitória em campo simbolicamente representa a vitória da Catalunha sobre a Espanha, da República sobre a Monarquia, da independência sobre o centralismo. É a aplicação do papel de ser “mais que um clube”, que é o que quer representar – e consegue – o FC Barcelona. É uma identidade.

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FC Barcelona entrou em campo em 1º de Outubro (dia do referendo catalão) com uma camiseta que remonta à bandeira da Catalunha. Foto: Getty Images

Agora, em um cenário que a Catalunha sim, consegue a independência: não teremos mais o duelo Madri x Barcelona, o antagonismo tão forte que gera e vende milhões mundo afora em que dois dos pilares são o centralismo da capital da Espanha e a causa dos catalães. Perde a liga espanhola de futebol, mas também perde o Barcelona. Continuará sendo “mais que um clube”, sem dúvida. Entretanto, qual o propósito disso a partir de então, uma vez que o principal fator motivador (autonomia e independência catalã) foi conquistado? Para quem eles seriam mais que um clube? O Barcelona jogaria uma liga local fraca, os resultados seriam previsíveis, a assistência média de público iria cair na mesma proporção que a projeção o seu futebol pelo planeta. Por consequência, os patrocinadores. Resultado: menores investimentos financeiros.

Há quem diga que agora é preciso redefinir o branding do clube!

Ora, dentro da Sociologia há uma corrente que diz que você só existe porque existe o outro, o rival, o antagonista. Se isso acaba, a motivação para seguir a “marcha” é afetada. Não sou espanhol e tampouco catalão para falar de uma região a que não pertenço. É a análise de uma questão – delicada – dentro do universo do meu trabalho. A causa catalã e a manutenção da soberania espanhola são muito mais que futebol, são muito mais que clubes.

Em tempo: por ironia, na rodada de 1º de Outubro do futebol espanhol, o Real Madrid (clube que mais representa a Monarquia e centralismo de Madri) jogou contra o RCD Espanyol, o outro clube de Barcelona que simbolicamente representa a Monarquia espanhola na Catalunha.

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Esses Dias na História

5 de Julho

1914 – O aviador Eduardo Pacheco Chaves fez o primeiro voo entre São Paulo e Rio de Janeiro, em 4 horas e 40 minutos

1922 – Levante dos “18 do Forte”, que teve como motivação buscar a queda da República Velha, cujas características oligárquicas atreladas ao latifúndio e ao poderio dos fazendeiros se opunham ao ideal democrático vislumbrado por setores das forças armadas, em especial de baixa patente como tenentes, sargentos, cabos e soldados

6 de Julho

1967 – “Guerra de Biafra”: forças nigerianas invadem Biafra, dando início à guerra (foi este conflito que dizem que Pelé ‘parou’)

7 de Julho

1985 – Boris Becker torna-se o tenista mais jovem a conquistar o aberto de Wimbledon, na Inglaterra, com apenas 17 anos

8 de Julho

2014 – A seleção brasileira masculina de futebol perde para a sua similar alemã por 7 a 1 na semi-final do campeonato mundial de futebol daquele ano

9 de Julho

***DATA MAGNA DE SÃO PAULO***

1932 – O estado de São Paulo pega em armas contra o governo federal do Brasil em favor de uma Constituinte

2006 – A seleção italiana masculina de futebol vence no jogo final a sua similar da França e conquista pela quarta vez o campeonato mundial de futebol

10 de Julho

1991 – A seleção sul-africana de críquete é readmitida no Conselho Internacional de Críquete, após o fim do regime de segregação racial no país africano

11 de Julho

1960 – Independência do Daomé (atual Benim), Alto Volta (atual Burkina Faso) e do Níger

12 de Julho

1998 – A França conquista o mundial de seleções de futebol masculino pela primeira vez

13 de Julho

1977 – Um blecaute deixa a cidade de Nova York no escuro por 25 horas, causando massivos saques, incêndios criminosos e 2 mil prisões

14 de Julho

1789 – “Queda da Bastilha”: cai a Monarquia na França, é implementada a República

15 de Julho

1975 – Os Estados Unidos e a União Soviética iniciam missão conjunta Apollo-Soyuz

16 de Julho

1950 – O Uruguai conquista pela segunda vez o campeonato mundial de futebol masculino ao derrotar o Brasil em pleno Maracanã, por 2 a 1

2015 – Morre Alcides Ghiggia, autor do segundo gol uruguaio na vitória da sua seleção sobre o Brasil na decisão da Copa do Mundo de futebol em 1950

17 de Julho

1994 – O Brasil conquista pela quarta vez o campeonato mundial de futebol masculino ao derrotar a Itália na decisão por penalidades máximas

18 de Julho

1980 – A TV Tupi, primeira emissora Latino-Americana, sai do ar definitivamente

19 de Julho

1943 – Segunda Guerra Mundial: Roma é bombardeada pela primeira vez pelos aliados. Morrem 617 pessoas; a Basílica de São Lourenço é danificada. O Papa Pio XII deixa a Santa Sé e visita as vítimas

20 de Julho

1969 – A nave Apollo 11 pousa na Lua; Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros humanos a caminhar na superfície do satélite

1988 – Os governos da África do Sul, de Cuba e de Angola concordam com a proposta de conceder a independência da Namíbia

21 de Julho

1904 – Inaugurada a ferrovia Transiberiana (Moscou-Vladivostok), que unia a Rússia ao Oriente, com 9.851km de extensão

22 de Julho

1935 – O presidente Getúlio Vargas cria o programa “A Hora do Brasil”, transmitido obrigatoriamente para todo o país. Mais tarde, o nome mudou para “A Voz do Brasil”

1969 – O Príncipe Juan Carlos é nomeado como o futuro rei da Espanha pelo General Franco

23 de Julho

1929 – O  Fascismo bane todas as palavras estrangeiras da Itália

24 de Julho

1883 – O município de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, torna-se a primeira cidade da América Latina a ter iluminação pública

25 de Julho

1415 – Um exército de cerca de 20 mil soldados portugueses embarca com destino a Ceuta, cidade da costa do norte africano que hoje pertence à Espanha

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