Traje à Rigor

Sobre a indústria dos uniformes do futebol, desenvolvimento e alcance das últimas décadas

Uma das primeiras coisas que pensamos sobre “marketing esportivo” são os uniformes das equipes de futebol com os seus patrocinadores. Sobre as marcas nas camisas, isso é tema para outro texto. Este se atenta às camisas especificamente. Elas mudaram muito ao longo dos anos, trouxeram mais identidade aos clubes e conexão com os torcedores. Virou moda e é uma indústria muito lucrativa. Não à toa as grandes marcas querem ser fornecedoras dos principais clubes, haja vista o volume de vendas.

Enquanto o futebol era em “preto-e-branco”, os uniformes eram muito básicos, de apenas uma cor, com poucos desenhos e formatos. Ao passo que as telecomunicações se desenvolveram, não só a TV tornou-se em cores (nos anos 1970), mas os uniformes também. Dizem que a televisão em cores foi o principal fator que contribuiu para a escalada de criatividade nos equipamentos de futebol que aconteceu desde então. Ao passo que a indústria da modalidade crescia, as transferências de futebolistas passaram também a ser mais comuns. A associação de um deles a uma determinada camisa e a certo patrocinador, de acordo com a temporada, fazia o torcedor querer ainda mais algo do clube.

Kevin Keegan com o Hamburgo, de rosa, observado pelos futebolistas do FC Barcelona em amistoso de 1977. Os alemães venceram por 6 a 0. (foto: reprodução/divulgação)

Quer seja como forma de chamar a atenção de um determinado público-alvo, conferir identidade ou posicionar o clube em relação a um assunto, o uniforme de futebol deixou de ser apenas uma camisa. O aumento do número dos movimentos sociais levou vários grupos a se envolverem com determinados clubes. Além disso, o desenvolvimento da indústria da moda levou a um inevitável encontro com o futebol. Com os futebolistas de renome cada vez mais formadores de opinião, exemplos de ideais éticos e estéticos para uma sociedade, a popularidade de um naturalmente se envolveu com o alcance do outro. E vice-versa.

Com tudo isso, a camisa é parte importante do “marketing esportivo” do futebol. Ingenuidade pensar ser somente porque carrega a marca de um patrocinador. A camisa comunica, ela faz chegar a mensagem. Ao uniforme atribuem-se características intangíveis – inegociáveis e sem preço -, confere-se identidade, dedica-se lealdade, recordações são resgatadas e dá-se valor. Valor, com “V” maiúsculo.

Quanto mais valor a camisa agregar, mais significado para o torcedor haverá. Do mais fanático ao mais consumidor. Como o conteúdo do futebol é infinito, esta indústria dos equipamentos esportivos também não terá fim.

Quando o futebol retornar

texto escrito em 27 de Abril de 2020

O mais importante entre as coisas menos importantes

Parece que se está numa contagem regressiva para o retorno às atividades do dia-a-dia. Daqui a algumas semanas abrandam as normas de isolamento social, setores do comércio e indústria retornam às atividades com algumas restrições, em meio à desconfiança de muitos e indiferença à pandemia de outros muitos também. Enquanto a Argentina encerrou o campeonato nacional e sugere uma temporada que começa em Janeiro, por cá cogita-se e vislumbra-se o retorno ao calendário, em sugestão vinda do topo. Não do topo do futebol!

Quando o futebol retornar, que seja com cautela, para os futebolistas, colaboradores e torcedores. A temporada foi interrompida, preparação e resultados não são mais os mesmos conforme o planejamento estabelecido no início do ano e que estava sendo posto em prática. As expectativas dos torcedores também não serão as mesmas. Claro, paixão e lealdade são inalteráveis, mas as prioridades serão outras: a economia precisa voltar à normalidade, a empregabilidade, a capacidade de produção, as pessoas mais próximas que demandam os nossos cuidados.

Bolas

Foto: reprodução/divulgação

Quando o futebol retornar, que os valores tenham sido repensados. Difícil, não? Mas não impossível. Que o respeito seja palavra de ordem e colocado em prática. Ele não pode ser usado para desviar a atenção em relação a outros problemas, o futebol é serviço público, importante para a sociedade e formador de opinião. Em tempos delicados, tem que dar o exemplo e servir. O futebol é importante, claro que é. No entanto, esta época de quarentena tem mostrado que há muito mais elementos importantes, instituições e patrimônios como a família, a solidariedade, o próximo e as normas de convívio social. Quisera tudo isso seja transferido ao futebol! Por que não pensar nisso? Pensar no respeito ao torcedor adversário e ao Árbitro (às leis), por exemplo. O futebol nos impede de sermos solidários? (Aliás, o que nos impede?) Não, claro que não.

Por que não ser tudo isso quando o futebol retornar?

Arrigo Sacchi uma vez mencionou que o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes. Certeiro. Já uns dizem que há tempo para tudo. E é isso, aos poucos tudo retornará à modalidade e o futebol vai reconquistar o destaque na cobertura das grandes mídias. Portanto, quando o futebol retornar, que volte mais humano, com respeito, e que transmita os valores esportivos que, quando da idealização da modalidade há mais de um século, deram a tônica para tornar-se o esporte que tanto amamos.

Por que não ser um difusor de boas práticas e bons costumes? Não há motivos para não ser.

Em tempo, a frase da semana:

“Dizem que o futebol não tem nada a ver com a vida do homem, com as suas coisas mais essenciais. Sinceramente, não sei o quanto essa gente sabe da vida; mas de algo estou certo: não sabem nada de futebol.”

Eduardo Sacheri,  escritor argentino.

Em tempo 2: texto em memória da amiga Letícia Fava, vítima da COVID na última semana. Querida amiga, obrigado pela confiança e carinho. ATÉ SEMPRE!

 

Produção de Podcasts

Entre as atividades que desenvolvo está a da produção de podcasts. Um deles é o “EsportePédia”, que desenvolvo com o Ale Ferrer, sobre curiosidades de temas relacionados ao esporte. Durante a quarentena temos produzido alguns episódios, entre os quais:

E este:

Para além deste podcast, produzo com os amigos Luís Kolle, Luiz Haas e Thiago Santos o podcast “Em Jogo”, sobre Gestão e Marketing do Esporte. Assim como o “EsportePédia”, deixo-vos aqui os últimos dois episódios:

Mais um:

Muito obrigado por terem lido este texto até o fim.

Evolução e Curiosidades dos Artigos Esportivos

No episódio 13 do EsportePédia, eu e o Ale Ferrer falamos sobre como esta indústria evoluiu ao longo dos anos, tenho como ponto-de-partida as chuteiras na Copa do Mundo de Futebol de 1954, na Suíça. Das chuteiras pretas, às coloridas; dos uniformes-padrão ao envolvimento com a indústria da moda. Tudo o que mudou ao longo de décadas e muitas curiosidades que envolvem os artigos esportivos nas diversas modalidades.

Confiram mais um episódio da “Enciclopédia do Esporte”:

Gestão do Esporte: integração entre Academia e Mercado

Eu, o Thiago Santos, o Luís Kolle, o Luiz Haas e o Lucas Toniazzo analisamos sobre a integração entre ensino, pesquisa em Gestão do Esporte e o mercado para o Gestor do Esporte. O que falta para andarem mais juntos? Os dois “mundos” são fechados? Faltam oportunidades?

Confiram este bate-papo que é o quinto episódio do podcast “Em Jogo”:

Podcast sobre Gestão do Esporte

Participo de mais um projeto que é o de um podcast sobre Gestão do Esporte, o “Em Jogo”, com os amigos Luís Kolle, Luiz Haas e Thiago Santos. Semanalmente lançamos um episódio que debate temas do universo da gestão e do marketing do esporte.

“Em Jogo” porque no esporte há bastante coisa em jogo, quer seja dentro dos campos, das quadras, matames, ringues, quer seja fora dele também. Justamente isso que vamos discutir, debater, refletir e, humildemente, gerar as inquietações que naturalmente possam surgir. Na realidade tudo isso começou no ano passado e a ideia foi retomada sob outro aspecto recentemente.

Eis o quarto episódio, acerca da formação em Gestão do Esporte.

Além de estarmos no soundcloud, o “Em Jogo” está no Spotify e na apple podcasts.

Obrigado!

Regras que mudaram os esportes

No episódio 12 do podcast “EsportePédia”, este blogueiro e Alê Ferrer comentaram em pouco menos de uma hora sobre algumas regras que transformaram o mundo dos esportes.

Por exemplo, antes não havia no basquete a cesta de três pontos e nem o ‘shotclock’, tempo para executar uma jogada. Há pouco mais de 20 anos no voleibol havia a lei da vantagem. No futebol, até os anos 1990, o goleiro podia agarrar com as mãos as bolas recuadas e, até a Copa do Mundo FIFA 1970, não existiam os cartões amarelo e vermelho.

Algumas curiosidades e muito mais neste bate-papo divertido. Confiram:

Episódio novo do podcast do “EsportePédia”

O autor deste site trabalha em um projeto chamado “EsportePédia”, e um dos seus produtos é um podcast. É realizado em conjunto com dois grandes amigos, o Chico Dudu e o Ale Ferrer.

Já temos mais de dez episódios em que contamos alguns casos sobre o envolvimento do esporte com a política e algumas curiosidades intrigantes. Por isso do nome: “EsportePédia”, espécie de “Enciclopédia do Esporte”.

No décimo primeiro episódio, eu e o Ale Ferrer contamos a curiosa história do porquê de as bases das traves da Copa do Mundo de futebol masculino de 1978, na Argentina, terem sido pintadas de preto, mostradas na foto abaixo:

Foi um sinal de protesto. Saibam mais sobre o tema no podcast do “EsportePédia”, disponível nas principais plataformas (Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts) ou então no link a seguir:

SuperCopa do Brasil 2020

No último fim-de-semana estive em Brasília para trabalhar na Apresentação do Esporte como locutor do “Estádio Nacional de Brasília – Mané Garrincha” na “SuperCopa do Brasil 2020”, entre o Clube de Regatas do Flamengo e o Club Athletico Paranaense, respectivamente o campeão da série A do Campeonato Brasileiro de 2019 contra o vencedor da Copa do Brasil da mesma temporada.

O jogo foi promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um trabalho diferente, rápido, bastante corrido e de grande concentração porque era apenas um jogo. Obrigado “SP2 Brazil” pela confiança e convite.

O rubro-negro carioca venceu por 3 a 0 para um público de 48.009 (quarenta e oito mil e nove) torcedores.

Arena Ice Brasil

Na Quarta-Feira (29/1) a convite da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), estive na recém-inaugurada “Arena Ice Brasil”, em São Paulo, para falar aos praticantes e adeptos dos esportes no gelo sobre as novas mídias e a Gestão do Esporte.

A Arena Ice Brasil está localizada no Morumbi, em São Paulo, e é o primeiro empreendimento voltado aos esportes de gelo na América do Sul. Conta com três pistas de curling com tamanho oficial, pista de patinação e de hóquei no gelo, cafeterias, restaurante, lojas especializadas nas modalidades lá praticadas, coworking e serviços diversos.

Um empreendimento ousado, bastante interessante e que certamente dará certo.

Aliás, já deu: saiu do papel e tomou forma.

Em tempo, lembrei-me de uma frase que gosto de recordar:

“Só os que ousam, realizam. Só os que organizam são bem sucedidos.” (Anônimo)

Crédito da foto: CBDG (com Marcelo Unti/CBDG ao centro e Bruno Fontanelli/Font Sports à direita)



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