Archive for the 'Curiosidades' Category

O “Derby” do futebol angolano

No Sábado dia 9 de Fevereiro estive no estádio 11 de Novembro (a. k. a. “Gigante do Camama”), em Luanda/Angola para o grande clássico do futebol local: Primeiro de Agosto versus Atlético Petróleos (Petro). As informações do jogo eram escassas, soube por um post do Primeiro de Agosto no facebook, apenas. O estádio estava a cerca de 40km de onde eu estava hospedado e o transporte era bastante restrito. Procurei por uma agência de turismo que fizesse o serviço, entretanto o preço mais barato que consegui para ele foi de R$650,00. Com o ingresso incluído, “diga-se de passagem”.

Inviável.

Em um gesto de boníssima vontade, o irmão deste que vos escreve ofereceu de levar-me ao jogo. Na sexta-feira que antecedeu a partida, sim encontrei na internet informações sobre o derby, como o preçário dos ingressos, hora de venda e abertura dos portões. Pois bem.

Amanhece o Sábado e, por precaução, chego ao estádio pelas 11 horas. Compro o ingresso: 1500Kz (R$15,00). Bom, diante de muito tempo livre, restava dar uma volta pelo “Gigante do Camama” e registrar alguns momentos com vídeos e fotografias. Não demorou bastante para ver um furgão da Rádio Nacional de Angola (RNA). Por curiosidade fiquei ali a assistir o programa de antevisão ao grande clássico do futebol local. Minutos depois sou abordado pelo produtor da emissora, que me convida a fazer uma participação. Pedido atendido e fui entrevistado pelo grande locutor, Jornalista Sr. Carlos Pacavira.

Depois de encerrada a minha participação, pretendia – agora sim – dar uma volta por fora do estádio (construído para a Copa Africana de Nações de 2010). No entanto, paro para conversar com torcedores e não demora muito para termos uma roda ali de três ou quatro a falar sobre futebol: de Angola, do Brasil e do mundo. Conversa vai, conversa vem, chega um novo pedido para participar da emissão de rádio, desta vez dentro do “Jornal de Sábado” da mesma Rádio Nacional de Angola. Após esta participação, sou convidado a estar com a equipe da RNA desde as cabines de imprensa. Acompanharia o derby desde lá.

E assim foi. Aos poucos a torcida começou a chegar. Dos 50 mil lugares, 35 mil foram preenchidos e o barulho era ensurdecedor. O Primeiro de Agosto (fundado em 1977) é o clube das Forças Armadas de Angola. Seus torcedores são conhecidos como os “Rubro-Negros”. O Atlético Petróleos surge em 1980, nasce da indústria petrolífera e dos seus sindicatos. Popularmente é conhecido como “Petro” e seu escudo é um dos mais bonitos que já vi.

O jogo termina 1 a 0 para os Rubro-Negros, com o gol marcado ao final do primeiro tempo. Uma experiência única e talvez indescritível. Preparei um vídeo que em breve poderá ser visto. Por enquanto fiquem com a prévia dele:

Simplesmente inesquecível. É como resumo o dia em que vivi o derby do futebol de Angola.

Lá da Armênia

Sou um grande fã do Papa Francisco.

Outro grande gesto dele foi dizer no último domingo que a primeira grande matança do Século XX foi o Genocídio Armênio (1915-1923), levado a cabo pelo Império Otomano. A Turquia herdou grande parte deste Império e não reconhece este fato. Por isso mesmo condenou o discurso do Papa e retirou o seu diplomata da Santa Sé, a fim de explicações.

Os armênios foram o primeiro povo que se constituiu como nação oficialmente Cristã. Tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. Há muito mais descendentes de armênios espalhados pelo mundo. Diante do protagonismo político e econômico da Turquia, esse genocídio foi por muito tempo esquecido. Menos pelos armênios e descendentes. E agora, pelo Santo Padre! Em tempo: uma das contrapartidas para a Turquia ser aceita na União Europeia é o reconhecimento do Genocídio e pedido de desculpas formais.

A diáspora do povo armênio é consequência da perseguição dos Otomanos. Muitos deles vieram para o Brasil, Argentina, Estados Unidos e França. Por aqui pelo Brasil, contribuíram bastante para o esporte nacional:

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Kiremitdjian, ou simplesmente, Marcelo Djian, foi zagueiro do Corinthians, Lyon, Cruzeiro e Atlético Mineiro. Fábio Mahseredjian, um dos maiores profissionais em preparação física do futebol na atualidade. Krikor Mekhitarian, um dos maiores enxadristas do país. Na Argentina, David Nalbandian é notável tenista.

David Nalbandian

David Nalbandian

A Armênia é conhecida como a “Nação do Xadrez”. Entretanto, mundialmente temos como exponentes daquele país: Henrikh Mkhitaryan, atacante do Borussia Dortmund; Gokor Chivichyan é renomado treinador de MMA, que reside em Los Angeles/EUA; Karo Parisyan compete no MMA; Armen Nazaryan foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, na Luta Greco-Romana; e Arsen Julfalakyan, medalha de prata na mesma modalidade, em 2012.

Não nos esqueçamos do Genocídio Armênio cujo início completa 1 século neste ano.

Viva esse grande povo!

A África na Beira do Campo

Acontece na Guiné Equatorial a Copa Africana de Nações. Pela publicidade no perímetro do campo podemos entender boa parte da dinâmica daquele continente.

Não é um lugar conhecido pelo poder aquisitivo da população e consequentemente pelo consumo de bens, sendo a telefonia móvel e alimentação, as mais comuns. Por isso temos uma operadora (Orange), uma empresa de telefones (Samsung) que posiciona um dos seus produtos (Galaxy), os salgados Doritos e os refrigerantes Pespi. O país-sede do torneio é conhecido pela produção de petróleo, logo, entende-se a ‘PanAtlantic’ (empresa estadunidense de extração de petróleo) e a IFD-Kapital (banco que financia projetos de exploração de petróleo) terem as marcas vinculadas ao torneio.

A África é conhecida por ter diversos ambientes, vegetações, ecossistemas: desertos, savanas e florestas equatoriais. A Nissan produz automóveis para esses vários tipos de terreno a um preço mais acessível que outras marcas para boa parte da população. O número de imigrantes africanos pelo mundo é muito alto e certamente acompanham a Copa Africana de Nações, com uma demanda de enviar quantias de dinheiro para auxílio aos familiares que ficaram em seus países de origem. Tem-se uma instituição de transferência de valores: Nasuba. Em caso desses imigrantes quererem investir por lá – o que acontece bastante – e necessitarem de algum financiamento, existe o Stanbic (Standard Bank).

Simples. Entendemos boa parte da dinâmica africana por simples publicidades à beira do campo no principal torneio do maior esporte jogado por lá.

Oh my Drone!

confusao-servia-albania-reu4

Um drone (pequeno helicóptero não tripulado) invadiu ontem o espaço aéreo do estádio do Partizan, em Belgrado, no jogo de futebol entre as vizinhas Sérvia e Albânia, pelo apuramento ao Campeonato Europeu de Seleções Nacionais (Eurocopa). Levava consigo uma bandeira com mapa da ‘Grande Albânia’, que toma parte do território sérvio, com a inscrição: “Autonomia”. Claro, os sérvios não gostaram e um jogador saltou e colocou abaixo drone e bandeira. Alguns albaneses, em reprovação ao ato contra a bandeira, partiram para cima do sérvio. Depois disso viu-se uma batalha campal, invasão de campo e consequente suspensão da partida.

O fato lembrou-me o episódio da bandeira croata no mundial de basquetebol de 1990. À época, a Iugoslávia se desintegrava: croatas, eslovenos, sérvios, bosníacos, macedônios, montenegrinos e kosovares não se entendiam e os movimentos separatistas ganhavam mais força. Ao mesmo tempo os iugoslavos tornam-se os campeões mundiais no basquete. Na comemoração, um jovem invade a quadra com a bandeira da Croácia. Vlade Divac, pivô de origem sérvia, tira a bandeira das mãos do jovem e a joga ao chão. Seu colega de equipe Drazen Petrovic (de origem croata) não gosta da atitude e rompe a amizade com Divac. Tudo isso é contado no documentário “Once Brothers”, da ESPN.

As tensões nos Bálcãs são seculares. Se antes as hostilidades eram transferidas para a conflito bélico, hoje é através do esporte, um dos principais instrumentos de representação nacional.

Soccer Politics

Foto/tweet que vale mais que mil palavras:

Charles Hagel, Secretário de Defesa dos EUA conversa ao telefone com Tim Howard, goleiro da seleção estadunidense, para cumprimentá-lo pelo bom desempenho diante da equipe da Bélgica, apesar da derrota por 2 a 1 no Mundial FIFA 2014.

Como Secretário de Defesa, ele telefonou para “cumprimentá-lo pelas defesas”! 🙂

Easy Way

Obama é exemplo de estadista acessível, que faz a política de um jeito simples e de certa maneira, carismático, sem segredos, como se fosse mais alguém como nós, do jeito que tem mesmo que ser feito. Fazer isso com o esporte como tema, ainda melhor, pois atinge milhões de pessoas ao mesmo tempo com um custo relativamente baixo ao tocar o emocional de cada um.

Além de ser fã de diversas modalidades esportivas, ele acompanha o ‘Sunday’ e o ‘Monday Night Football’ (tradicional transmissão da rodada do futebol americano às segundas-feiras) e joga o ‘Fantasy Football’ (espécie de ‘Cartola FC’ de lá). No video abaixo, ainda Senador, ele faz um “pronunciamento” de introdução à transmissão de um jogo dos Bears da sua terra natal, Chicago:

No mundial FIFA do Brasil, ele acompanhou alguns jogos da seleção estadunidense dentro da própria Casa Branca:

ObamaSoccer

Mais recentemente ele foi desafiado pelo twitter pelo Primeiro-Ministro belga, Elio di Rupo, em algumas caixas de cerveja no jogo entre EUA x Bélgica pelo mundial de futebol. Obama não respondeu ao desafio pelo twitter. Os norte-americanos perderam e, na última sexta-feira (12 de Setembro) ele enviou para a embaixada da Bélgica em Washington, duas caixas de Samuel Adams para di Rupo, com uma carta escrita à mão, com o selo da Casa Branca.

Aposta aceita, perdida e paga, assim como em qualquer aposta entre quaisquer pessoas pelo mundo todo.

De efeito mundial, um jeito eficiente, simples e fácil de fazer política.

20 Anos Reais

Era Copa do Mundo. Senna tinha acabado de falecer, o Brasil tinha passado por um conturbado processo de impeachment presidencial e o que ocupava o lugar de Collor de Mello era Itamar Franco. Fernando Henrique Cardoso era Ministro da Fazenda. O Brasil jogaria as oitavas-de-final contra os EUA – na casa deles – no dia 4 de Julho, data magna deles.

Em 1º de Julho de 1994 – além de ser aniversário do meu amigo varginhense Tiago Almeida -, o Brasil adotava o Real como moeda, para sepultar uma economia inflacionada que corroía salários e prejudicava o dia-a-dia de todos. Lembro-me dos ‘zeros’, da correção monetária, das siglas, das máquinas de remarcação de preços. Eram marcantes as compras do mês e dos supermercados vazios no final deles.

Eu tinha 12 anos, mal entendia disso tudo, mas no meu universo o Plano Real definiu ali pra mim que, a prazo, 1 era 1, 5 era 5 e 10 era 10. Com o tempo os preços ficariam mais caros em função do valor agregado e dos preços dos serviços embutidos neles. Não tenho dúvidas que ter passado por isso serviu muito para compreender o mercado e me sair melhor nas aulas de macroeconomia.

O Brasil não seria o mesmo se não fosse o Plano Real, que estabilizou a economia para dar as mínimas condições de crescimento para o país. O crescimento do esporte brasileiro não seria igual sem essa política monetária, que permitiu a organização financeiros através de planejamento e projetos de longo prazo, por ter como base a estabilidade de preços.

Feliz 1º de Julho.

Nota-de-1-real-20131029213803

 

 



%d blogueiros gostam disto: