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Copa do Mundo de Futebol e Poder Brando: Putin

Rússia e Arábia Saudita são muito inimigos na política internacional. Possuem zonas de interesses e influenciam nos assuntos internos de inúmeros países, sobretudo do Oriente Médio. Os sauditas têm como aliados, os norte-americanos. Os russos, portanto, quer seja por herança da Guerra-Fria ou não, procuram contra-balançar a presença estadunidense na região. Resumo: a relação de ambos não é a melhor.

O líder russo, Vladimir Putin, há quase duas décadas no poder, sempre passou uma imagem de liderança, mas também de rigidez, agressividade, intransigência e intolerância. Pouco se sabe da vida pessoal dele, e raramente demonstra emoções publicamente. É pela força bélica e poderio econômico (“Hard Power”) que a Rússia obtém suas vantagens na política internacional. Entretanto, a partir de 14 de Junho, abertura do Mundial de Futebol em Moscou, foi transmitida uma outra imagem: um Putin amistoso, aberto, global e sorridente no discurso de abertura e também ao ver o jogo ao lado do seu similar saudita, o Rei Salman. Este contexto, somado aos 5 a 0 da Rússia sobre a Arábia Saudita, de um modo geral faz com que o planeta tenha uma boa impressão do país-sede da Copa. Não aquele que patrocina ditaduras que restringem as liberdades ou que invade regiões e toma posse delas, como foi com a Crimeia. A prazo, a boa imagem de um país pode se tornar um importante poder de barganha, exemplo de um poder brando (“Soft Power”).

Aliás: se você leu este texto, com base no que você viu no jogo de abertura e cerimônia, a Rússia te causou boa impressão ou mudou aquela que você possui? Se sim, este é apenas o primeiro exemplo do poder brando neste mundial de futebol. A esperar pelos próximos.

Valores em Crise

A bolha estourou. O futebol de alto desempenho no Brasil ficou caro de uma tal maneira que a sua sustentabilidade está inviável. Salários muito altos. De atletas. De membros da comissão técnica. Das comissões de terceiros. Ingressos caros para serviços mal prestados. Violência. Cultura de trabalho nem um pouco voltada para o mercado – a eleição de Eurico Miranda no CR Vasco da Gama é sinal dos tempos. Luís Fernandes, do Ministério do Esporte, ao falar que os estádios construídos para o mundial de futebol estão em plena utilização, é a constatação plena do desconhecimento do próprio ambiente de trabalho.

Parece que todos querem levar uma parte nas comissões, em patrocínio, demissões, contratações. Uma ganância sem precedentes. Os patrocinadores fogem em debandada: Emirates e Sony romperam o aporte à FIFA. No vôlei brasileiro, o Banco do Brasil suspendeu o patrocínio para a Confederação Brasileira de Voleibol depois da constatação de irregularidades no uso dos recursos repassados à entidade. A KIA Motors já não vê vantagem em associar-se ao futebol, em função do baixo retorno e da imagem negativa que a ela pode ser associada.

Essa crise é o reflexo da sociedade. Dos valores invertidos. Da sobrevalorização de quem ganha muito e faz pouco, de quem fala muito e faz muito menos. Dos que se valem de qualquer coisa para promoção pessoal. Do carro que não para na faixa de pedestres, do que usa a vaga para deficientes a fim de favorecimento próprio. Ganância. Da sociedade que não respeita e não se dá ao respeito, que faz com que um deficiente físico suba as escadas de acesso a um voo comercial sem o auxílio de equipamentos. E em pouco mais de um ano seremos sede dos Jogos Paralímpicos!

O futebol explica a sociedade.

Por outro lado, existe esperança. Através de exemplos de quem trabalha. O basquete brasileiro tem dado um grande salto nos últimos anos. Com o acordo entre a NBA e a LNB (Liga Nacional de Basquete), tenho muita esperança de que sejamos contaminados com a cultura de trabalho norte-americana, voltada para o mercado, com teto salarial e regulamentação de todos os agentes.

É preciso valorizar o trabalho. E quem produz. Trabalho e produção movem o mundo adiante.

Money Talks – محادثات المال –

O mercado fala mais alto, quem tem o poder de compra detém as preferências e os produtos precisam se adaptar ao mercado. Nessa linha de pensamento, para conquistar o mercado Islâmico, Real Madrid e Barcelona fizeram significativas mudanças em seus escudos.

O FC Barcelona suprimiu a cruz de São Jorge no quarto quadrante, que também representava as Cruzadas na antiguidade, cujos objetivos eram sobretudo a Cristianização de territórios onde hoje habitam povos de imensa maioria muçulmana.

Historicamente a Casa de Bourbon sempre foi vinculada à Igreja Católica. Pot isso o Real Madrid CF fez algo parecido. Para ter um produto mais aceito entre os Islâmicos, retirou a cruz acima da coroa de seu símbolo.

madrid-escudo

O mercado fala alto, o dinheiro fala alto, e fala em árabe: محادثات المال

O Futebol Explica Santa Catarina

Marcel Mauss em suas obras citava o “fato social total”. Norbert Elias e Eric Dunning escreveram que o esporte é um fato social total, porque dele entendemos a economia, a geografia, dentre outros assuntos. O futebol é uma modalidade esportiva, logo, um fato social total. E pelo futebol entendemos a organização do estado de Santa Catarina.

Santa Catarina tem cerca de 95 mil km² e quase 7 milhões de habitantes. Portugal tem quase a mesma área, mas população de 11 milhões. O Paraguai tem o mesmo número de habitantes, mas 4 vezes maior de tamanho. A capital catarinense, antiga Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, não é a maior cidade e nem a economicamente mais importante.

Santa Catarina

Santa Catarina

Ao tomar o futebol para entender Santa Catarina, consideramos o cenário atual, com 3 equipes desse estado na primeira divisão do nacional de futebol: Criciúma EC (da cidade homônima), AF Chapecoense (Chapecó) e Figueirense FC (Florianópolis); 1 da segunda divisão porém recém-promovido Joinville EC (Joinville) e o outro clube de Floripa, o Avaí – caso terminasse hoje a segunda divisão ele estaria na Série A. Cinco times! Nessa linha de pensamento, estados economicamente mais representativos como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais teriam respectivamente 5 (São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e Ponte Preta), 3 (Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), 2 (Grêmio e Internacional) e 2 (Atlético e Cruzeiro) clubes!

Lance de Criciúma EC x AF Chapecoense

Lance de Criciúma EC x AF Chapecoense

Possui Santa Catarina uma economia bastante diversificada e que se relaciona com a geografia de cada parte daquele estado. O extremo-oeste, cuja cidade mais importante é Chapecó, se baseia na agropecuária (Associação Chapecoense de Futebol). Joinville, no norte, pela indústria pesada (Joinville Esporte Clube). Florianópolis, pelos serviços (Figueirense Futebol Clube e Avaí Futebol Clube). O sul, representado pelo maior município, Criciúma, pela indústria de base (Criciúma Esporte Clube). Cada uma dessas regiões investe à sua maneira no esporte, em comum o futebol de alta competição. O resultado tem sido o êxito de vários clubes daquele estado, cuja representatividade sócio-econômica no cenário nacional está longe de ser protagonista.

O Índio (símbolo da Chape alusivo aos habitantes nativos da região) a matear e o Tigre (símbolo do Criciúma)

O Índio (símbolo da Chape alusivo aos habitantes nativos da região) a matear e o Tigre (símbolo do Criciúma)

Privilegia-se Santa Catarina por haver uma economia bastante diversificada e um vínculo relativamente pequeno do interior com a capital, em comparação com os outros estados da federação. Ademais, a capital não é o principal centro urbano. Nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, os adeptos do futebol torcem para clubes da capital e o investimento em alta competição tem se dado em outras modalidades, como o basquete, o vôlei e o futsal. Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, infelizmente não é longe de Porto Alegre (125km), o que facilita o deslocamento de torcedores a fim de ver jogos que representem o estado deles em competições Brasil afora, em detrimento da dupla CaJu (locais SER Caxias e Juventude EC). Isso não acontece com o migrante Gaúcho do oeste catarinense, que pode ver in loco a Chapecoense, potencializando a ligação identitária com a equipe.

O título deste blog é “O Esporte e o Mundo” e Santa Catarina faz parte dele. Mesmo pequeno de tamanho e em população, faz-se grande pelo exemplo dentro do universo desportivo brasileiro.

Renovação II

O assunto a ser tratado neste texto já falei antes em um outro chamado “Renovação”, escrito no ano passado. É sobre a mudança da identidade visual de uma marca e, no caso deste blog, de uma marca esportiva. Também já escrevi aqui sobre o franco crescimento do futebol nos Estados Unidos, não apenas em alto-rendimento, mas como esporte escolar e opção de lazer para as pessoas.

No vácuo deste ritmo, a ‘Major League Soccer’ divulgou ontem a nova identidade visual da competição a partir do próximo ano. O desenho lembra os escudos de grandes clubes do futebol mundial e as cores são as da bandeira estadunidense. Ademais, pelo nome e pelas cores da marca, fazemos alusão aos outros grandes torneios esportivos profissionais norte-americanos – referências para o universo esportivo -, como o basquetebol (NBA) e o futebol americano (NFL).

Novo logo da MLS

Novo logo da MLS

Momento mais que correto para estabelecer uma mudança nesse sentido, com a finalidade de que o público mundo afora associe o torneio como sendo o “torneio de futebol dos Estados Unidos da América”, sem quaisquer constrangimentos ou restrições por ser o futebol de lá. Os norte-americanos frequentam as principais ligas de futebol do planeta. Os resultados nos últimos mundiais corroboram o que acabei de escrever. Está mais que provado que americano sabe jogar bola.

Sabendo jogar bola, com um produto bem feito (gramado impecável, estádio seguro, confortável e lotado) e conhecimento nas transmissões de futebol pelo rádio e pela TV, é sucesso na certa.

Tio Sam diz: “Yeah, we’ve got Soccer!”

Logo antigo da MLS

Logo antigo da MLS

Logo da NFL (futebol americano)

Logo da NFL (futebol americano)

Logo da NBA (basquete)

Logo da NBA (basquete)

A Cartilha

Foi divulgada hoje parte de uma cartilha para o atleta que faz parte da seleção brasileira de futebol. É um código de conduta e vestimenta, que dentre outras coisas proíbe o futebolista – em serviço da equipe nacional de futebol – se apresentar em traje de passeio, com brincos e acessórios, além de chinelos.

Certíssima a adoção desta cartilha. A entidade é uma organização, com missão, visão e valores/propósitos a serem zelados. O modo de agir, falar e se vestir dos seus integrantes refletem a imagem dela, de como ela é vista, falada e lembrada. A maneira como o futebol brasileiro é reconhecido – independente do 7 a 1 – foi construído dentro de um passado riquíssimo e centenário. Dentro de inúmeras histórias e lendas, que vão desde Friedenreich, Maracanã, da camisa amarela, do canarinho, e que hoje estão em Neymar e demais integrantes do time atual. E são esses que vão passar isso adiante.

O futebol da Noruega não tem a mesma história que o do Brasil. Mas a maneira como os jogadores da equipe norueguesa se comportam e se apresentam, trazem-me boa impressão – não do país – da maneira como o esporte é tratado por lá.

Tudo isso é para o bom andamento da organização, com direitos e deveres para todos. Como qualquer organização, desportiva ou não.

Código de Conduta do Centro de Treinamento do Rugby Brasileiro: acesse aqui

Em um programa de TV desses da hora do almoço, disseram que a cartilha lembra o militarismo. Acredito que nos veículos de comunicação em que eles trabalham também exista um código semelhante, de não poderem trabalhar de bermuda ou chinelo, de se atrasarem, em relação ao vocabulário também. É uma estupidez fazer alusão dessa cartilha a uma rotina militar. Ignorá-la e condená-la publicamente é corroborar o comportamento de uma sociedade individualista, sem valores, consumista, que não respeita faixa de pedestres, que tem o trânsito mais violento do mundo, que corrompe e é corrompida. E que vai votar neste próximo domingo!

“Tamu bem!”

O 'Livro Vermelho', de Mao Tse Tung

O ‘Livro Vermelho’, de Mao Tse Tung


Esses Dias na História

5 de Julho

1914 – O aviador Eduardo Pacheco Chaves fez o primeiro voo entre São Paulo e Rio de Janeiro, em 4 horas e 40 minutos

1922 – Levante dos “18 do Forte”, que teve como motivação buscar a queda da República Velha, cujas características oligárquicas atreladas ao latifúndio e ao poderio dos fazendeiros se opunham ao ideal democrático vislumbrado por setores das forças armadas, em especial de baixa patente como tenentes, sargentos, cabos e soldados

6 de Julho

1967 – “Guerra de Biafra”: forças nigerianas invadem Biafra, dando início à guerra (foi este conflito que dizem que Pelé ‘parou’)

7 de Julho

1985 – Boris Becker torna-se o tenista mais jovem a conquistar o aberto de Wimbledon, na Inglaterra, com apenas 17 anos

8 de Julho

2014 – A seleção brasileira masculina de futebol perde para a sua similar alemã por 7 a 1 na semi-final do campeonato mundial de futebol daquele ano

9 de Julho

***DATA MAGNA DE SÃO PAULO***

1932 – O estado de São Paulo pega em armas contra o governo federal do Brasil em favor de uma Constituinte

2006 – A seleção italiana masculina de futebol vence no jogo final a sua similar da França e conquista pela quarta vez o campeonato mundial de futebol

10 de Julho

1991 – A seleção sul-africana de críquete é readmitida no Conselho Internacional de Críquete, após o fim do regime de segregação racial no país africano

11 de Julho

1960 – Independência do Daomé (atual Benim), Alto Volta (atual Burkina Faso) e do Níger

12 de Julho

1998 – A França conquista o mundial de seleções de futebol masculino pela primeira vez

13 de Julho

1977 – Um blecaute deixa a cidade de Nova York no escuro por 25 horas, causando massivos saques, incêndios criminosos e 2 mil prisões

14 de Julho

1789 – “Queda da Bastilha”: cai a Monarquia na França, é implementada a República

15 de Julho

1975 – Os Estados Unidos e a União Soviética iniciam missão conjunta Apollo-Soyuz

16 de Julho

1950 – O Uruguai conquista pela segunda vez o campeonato mundial de futebol masculino ao derrotar o Brasil em pleno Maracanã, por 2 a 1

2015 – Morre Alcides Ghiggia, autor do segundo gol uruguaio na vitória da sua seleção sobre o Brasil na decisão da Copa do Mundo de futebol em 1950

17 de Julho

1994 – O Brasil conquista pela quarta vez o campeonato mundial de futebol masculino ao derrotar a Itália na decisão por penalidades máximas

18 de Julho

1980 – A TV Tupi, primeira emissora Latino-Americana, sai do ar definitivamente

19 de Julho

1943 – Segunda Guerra Mundial: Roma é bombardeada pela primeira vez pelos aliados. Morrem 617 pessoas; a Basílica de São Lourenço é danificada. O Papa Pio XII deixa a Santa Sé e visita as vítimas

20 de Julho

1969 – A nave Apollo 11 pousa na Lua; Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros humanos a caminhar na superfície do satélite

1988 – Os governos da África do Sul, de Cuba e de Angola concordam com a proposta de conceder a independência da Namíbia

21 de Julho

1904 – Inaugurada a ferrovia Transiberiana (Moscou-Vladivostok), que unia a Rússia ao Oriente, com 9.851km de extensão

22 de Julho

1935 – O presidente Getúlio Vargas cria o programa “A Hora do Brasil”, transmitido obrigatoriamente para todo o país. Mais tarde, o nome mudou para “A Voz do Brasil”

1969 – O Príncipe Juan Carlos é nomeado como o futuro rei da Espanha pelo General Franco

23 de Julho

1929 – O  Fascismo bane todas as palavras estrangeiras da Itália

24 de Julho

1883 – O município de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, torna-se a primeira cidade da América Latina a ter iluminação pública

25 de Julho

1415 – Um exército de cerca de 20 mil soldados portugueses embarca com destino a Ceuta, cidade da costa do norte africano que hoje pertence à Espanha

Mundo Virga

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