Archive for the 'Gestão do Esporte' Category

Gestão do Esporte em Fortaleza/CE

No último fim-de-semana tive a honra de lecionar a disciplina de “Comunicação Estratégica no Esporte e Mídia” para a turma de pós-graduação em Gestão do Esporte da “Gestão Mix Sports Business”/Faculdade Vale do Jaguaribe, em Fortaleza/CE.

Foram diversos temas abordados, teoria e exemplos práticos para uma turma bastante especial. Agradeço o carinho e empenho de todos os alunos.

Conquistadores da América

O ano foi repleto de grandes acontecimentos no futebol. Entretanto a novela da final da “Taça Libertadores da América” pessoalmente deixa-me triste. Alguns sabem da relação pessoal que tive com a taça ao transportá-la para Assunção, em um roteiro cinematográfico. Fico macambúzio por conta dos casos de violência, pelas indecisões, pela falta de profissionalismo, pelo desserviço e falta de zelo em relação ao futebol da América do Sul.

É pública a forte influência de alguns clubes e federações na Confederação Sul-Americana de Futebol, em detrimento de outros. É escancarado na história o benefício que alguns tiveram nas competições continentais. Um “prende e manda soltar” característicos de um sistema corruptor e corruptível.

A gestão do futebol na América do Sul é reflexo da sociedade local, salvo exceções. Raras exceções.

As corriqueiras cenas de policiais com escudos a protegerem os futebolistas que batem o escanteio, dos estádios que caem aos pedaços, dos atrasos em função de quedas de energia e os inchaços das competições para satisfazer elites políticas só servem para justamente ficarem no passado. Um dia, lá atrás, isso fez parte. Os europeus devem ter aprendido com Heysel, Hillsborough e Valley Parade. O futebol de alta competição atual não aceita estas situações mencionadas no início deste parágrafo. Isso não é romântico e não dá nenhum glamour ao torneio. Dá, na verdade, vergonha.

Ademais, decide-se que a grande final do principal torneio de futebol de clubes da América do Sul será fora daqui. Será na capital da Espanha, Madri. Cidade que por séculos foi sede do domínio espanhol nesta parte do mundo. Das inesgotáveis mágoas e rancores que o Sul da América, os povos nativos e adotivos, muitos deles, têm pela Península Ibérica.

Quem conquistaria a América, afinal? Os campeões ou a cidade apontada para receber o segundo jogo da final? Sinceramente, fico sem saber. A novela é longa e os seus capítulos diários desenham um enredo cujo vencedor não vai ser o protagonista.

river

Torcedores do River Plate (ARG) no Monumental, estádio onde devia ter sido disputado o segundo jogo da final da Taça Libertadores da América (Foto: Metro Jornal)

A protagonista da decisão será esta indecisão arrastada por dias! O resultado é que todos os sul-americanos perdemos.

Sem quaisquer coitadismos ou terceiro-mundismos, é incoerente, doloroso e dolorido golpe para os sul-americanos a decisão da Taça Libertadores América ser jogada fora daqui. Independente de ser em Madri, Miami ou em Doha.

Ao mesmo tempo é um prêmio. É um prêmio a tudo aquilo que não conseguimos ser.

Com tudo isso, não sei se aprenderemos com os acontecimentos. A ânsia pelo poder, a ganância e o dinheiro não podem valer mais que o ser humano, que um campeonato melhor organizado, com garantias aos atletas e aos torcedores.

É preciso voltar-se para o mercado, atender as demandas do público, em vez de atender as demandas vindas da forte influência de alguns clubes e federações dentro da Confederação Sul-Americana de futebol.

Em tempo: enquanto escrevia esta crônica, tive acesso a uma notícia que dizia o CA River Plate recusar-se a jogar a final da “Taça Libertadores da América” em Madri. No mínimo ridículo. Gesto de criança mimada. Joguem e resolvam isso logo.

Em tempo 2: esta novela condena a candidatura sul-americana para a Copa do Mundo de Futebol de 2030.

Encontro de Gestores de Futebol Americano

No último dia 23 de Setembro participei do Encontro Nacional de Gestores de Futebol Americano, na FECAP, em São Paulo, evento organizado por Lucas Rossetti, grande incentivador da modalidade no Brasil.

Encontro (28) (FILEminimizer)

Foto: Chiarini Jr.

Na ocasião, falei sobre o sistema esportivo do Brasil, em como se organiza o esporte no país e foi feita uma comparação com outros modelos, como o norte-americano/canadense.

Parabéns ao evento, organizadores e participantes!

9º CBGE

Na semana passada estive envolvido na organização da nona edição do Congresso Brasileiro de Gestão do Esporte, cuja instituição anfitriã foi o Instituto Federal do Ceará (IFCE). O evento foi um grande sucesso, com mais de 200 participantes e 94 trabalhos apresentados.

IMG_4391

Na ocasião, tive a oportunidade de realizar workshop sobre “Marketing e Comunicação Estratégica em Organizações Esportivas”. Obrigado ABRAGESP (Associação Brasileira de Gestão do Esporte) pelo convite. Uma grande honra em contribuir com o evento.

Aula de Apresentação

No último dia 5 realizei uma aula de apresentação do curso de Pós-Graduação em Administração e Marketing Esportivo da Estácio. Em pouco mais de duas horas procurei apresentar um pouco sobre a panorama da indústria do esporte no Brasil, conceitos de marketing, gestão e de comunicação estratégica no esporte.

Estácio_5_Set_2018

Foi uma aula bastante produtiva e que gerou inquietações entre os presentes. A todos eles, o meu Obrigado! Aos que ganharam os livros sorteados, os meus parabéns.

Até a próxima oportunidade!

Convite para aula: “A Indústria do Esporte”

Dia 5 de Setembro estarei na Estácio (unidade Bela Vista em São Paulo/SP) para apresentar o curso de pós-graduação em Administração e Marketing Esportivo, com aula que tem como tema: “A indústria do Esporte: Gestão, Marketing e Comunicação” da Estácio.

A inscrição é GRATUITA através do link abaixo na arte do evento. Conto com a presença de todos:

Aula_ESTÁCIO

Jiu Jitsu Brasileiro é Poder Brando

BJJFILIPINAS

Jiu-Jitsu Brasileiro nas Filipinas

Neste último texto do ano ainda levanto alguns pontos sobre o esporte como “poder brando”, o soft power (Nye, 1990). São fontes de poder intangíveis, como cultura, ideologia e demais instituições, em detrimento das formas de poder tradicionais, como a militar (“hard power”). Usa-se o “soft power” para conseguir o que se quer sem usar o “hard power”. É capaz de moldar, influenciar e determinar as crenças e desejos dos demais. Com isso se alcançam objetivos para uma política externa através de meios não materiais.

Imagino o quanto o futebol inglês colabora com a imagem do Reino Unido pela Europa com o “Brexit” em curso. Ou então o apoio à independência catalã em função da diplomacia pública que exerce o FC Barcelona. Sem falar do Qatar e Emirados Árabes Unidos com seus patrocínios milionários e conglomerados esportivos que estão por disneificar* o esporte.

Foi com esta tempestade cerebral que tomou boa parte do meu tempo livre – ou de trabalho – nas últimas semanas, que comecei a refletir onde estão a diplomacia pública e o poder brando do Brasil. No esporte. Face à irrelevante atuação brasileira na política internacional, a diplomacia pública exerce importante papel na projeção do país pelo mundo. Não apenas na política, mas na opinião pública. As telenovelas, por exemplo. No entanto, dentro do esporte, a seleção de futebol outrora excelente instrumento de relações públicas, já não possui tanta força. Marta foi eleita a melhor do mundo por muitas vezes consecutivas recentemente. Entretanto, o futebol feminino – infelizmente – não possui semelhante projeção como o masculino. Existe sim, uma grande oportunidade com Neymar, Gabriel Jesus e uma eventual conquista da Copa 2018. Mas não, não é suficiente.

E então eu abro o facebook e vejo a postagem de um conhecido meu, instrutor de Jiu-Jitsu, que vive em Oslo (Noruega), com uma foto da franquia da academia da família Gracie. Na parede, uma bandeira do Brasil e a foto do Sr. Hélio Gracie. Na fachada, a inscrição: “Brazilian Jiu Jitsu” (BJJ). Uma pesquisa de 30 minutos na internet foram suficientes para constatar o quando que a luta é admirada no mundo todo, com milhões de seguidores, que carrega o nome e o pavilhão do Brasil. Ademais, com uma cultura de valores que colaboram com a imagem do país (sobretudo quando a bandeira está exposta). Pena não ser tão popular como é o futebol. Sem sombra de dúvidas é o principal representante de uma diplomacia pública brasileira.

HELIO

Com tudo isso, é mais que na hora para que haja maior integração entre o esporte brasileiro e a política externa do país. Afinal, são atores como o BJJ que fazem muito mais que embaixadas e diplomatas espalhados mundo afora.

bjj gracie

Em tempo: o BJJ é condição “sine qua non” para ingressar nas Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos. Para crescer na hierarquia militar daquele país, é necessária a aprovação no exame para subir de faixa.

* Disneificação (Disneyfication): processo pelo qual tem se transformado o futebol em função da aquisição de clubes/equipes/franquias de diversas modalidades dentro de conglomerados empresariais. Caso do Liverpool FC (Inglaterra) cujo dono é também proprietário dos Red Sox de Boston (beisebol) e no caso do futebol, Manchester City FC e New York City FC pertencem ao mesmo grupo. Existem outras “holdings” também, como a do Atlético de Madrid (ESP) com o do Club San Luís (MEX).



%d blogueiros gostam disto: