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A Liga de Futebol da América Latina

Dia desses em uma dessas lives no instagram durante a quarentena, conversava com uma amiga Jornalista a respeito da principal liga norte-americana de futebol, a MLS (Major League Soccer). Ela mencionou a crescente quantidade de brasileiros nas arquibancadas daquele torneio e citamos o proprietário de uma das franquias – o Orlando City -, o também brasileiro Flávio Augusto da Silva. Ainda dentro da conversa começamos a vislumbrar as enormes oportunidades que a MLS possui e lembramos a grande quantidade de futebolistas latino-americanos por lá.

Pois bem. A partir daí comecei a pensar na possibilidade de a Major League Soccer tornar-se, em anos, em espécie de “Liga Latino-Americana”, uma versão americanizada da Taça Libertadores. Daqui alguns anos, com os melhores atletas da região ou com os antigos melhores, que atuavam na Europa e estão em fim de carreira, o principal torneio estadunidense de futebol tem tudo pra ser uma liga das estrelas, a deixar as competições nacionais e continentais em segundo plano.

Há quem diga que posso estar louco. Quero na verdade estar completamente enganado. No entanto, a maneira como isso vem sendo desenhado ao longo dos anos leva-me a acreditar que o rascunho ganhará forma de obra-de-arte. A cada temporada o número de equipes aumenta. Os estádios cada vez mais repletos. Os investidores são expoentes da indústria norte-americana e mundial de entretenimento. Possuem reputação de saberem onde investir. Ademais, com os boatos da eventual saída de Messi do FC Barcelona e transferência para o Manchester City, o clube que pertence a conglomerado que possui franquia na MLS, o New York City FC, que se torna provável destino para onde o craque argentino poderá se dirigir em breve.

Torcida do Los Angeles FC, recente franquia da MLS. Foto: Ringo Chiw/AP

Entretanto, a cereja do bolo disso tudo é a regulamentação do mercado. As ligas de esportes profissionais na América do Norte atuam em um sistema que muitos dizem ser “socialista”: negociam em conjunto patrocínios e direitos de transmissão, negociam e distribuem os jogadores entre as equipes a fim de conferir competitividade ao torneio, na definição mais exata de que “um não existe sem o outro”. Além da regulamentação, as franquias possuem teto salarial para jogadores e dirigentes, a fim de manter a saúde financeira dos agentes envolvidos. Ganham mais se houver mais interesse em audiência, quer seja pela TV ou internet (à distância) ou in loco.

Diante disso, para que as nossas ligas nacionais ou continentais não fiquem em segundo plano, é urgentemente preciso regulamentar o mercado e profissionalizar a indústria do esporte e, neste caso, o futebol. A modalidade está inserida em uma indústria de entretenimento que concorre com centenas de outras opções de lazer, de maneira presencial ou remota. É preciso organizar o mercado local e regional com profissionalismo e excelente trabalho de comunicação integrada. Tudo isso a fim de conferir valor a uma indústria muito importante para o país e região, quer seja para a identidade nacional e regional, quer seja para o potencial que a modalidade possui na geração de emprego, renda e riqueza.



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