É com satisfação que coloco aqui o primeiro post de 2010. Com maior satisfação ainda em nele tratar sobre o clube que torço, o E. C. XV de Novembro de Jaú. Satisfação triplicada a minha em receber uma boa notícia sobre a gestão do XV.
Não falo do “Galo Avante”, ou dos patrocínios. Para começar o assunto, vamos voltar a 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos EUA. Em um jogo da seleção brasileira de futebol feminino, ocorreu uma substitução. Não me lembro a equipe adversária, tampouco a jogadora substituída, mas sim quem substituiu: “Michael Jackson”. Obviamente não foi o cantor, ou alguém homônimo. Entretanto a televisão oficial das Olimpíadas gerou os caracteres e alguém leigo e super desavisado poderia pensar que Michael Jackson havia trocado de sexo, dedicado ao futebol, naturalizado brasileiro e estar a atuar pela seleção de futebol feminino do Brasil. Lembro-me bem de ver na TV: “Brazil. Substitution. In: Michael Jackson”. Hilário e ridículo.

Marileia dos Santos, vulga “Michael Jackson” (esporte.ig.com.br)
No dia-a-dia você não chama um renomado cardiologista de “Zerbininho” (em alusão ao grande médico Dr. Zerbini) ou um jurista da atualidade de “Realezinho” (em alusão ao Dr. Miguel Reale). Chamá-lo pelo nome ou pelo nome de família demonstra profissionalismo e seriedade. As Forças Armadas adotam esta postura, por exemplo.
Foi o que aconteceu no XV. O treinador, Sr. Felício Cunha, proibiu alcunhas bobas, como “Romarinho”, “Manteiga” ou “Asprila”, com o intuito de conferir mais profissionalismo ao departamento de futebol do XV.
Este blog discute propriamente o profissionalismo no âmbito do desporto e iniciativas como estas são básicas e essenciais para o bom ambiente de trabalho: seriedade com espírito de corpo, camaradagem e produtividade. Se você, paciente leitor, estiver em seu escritório, não chama o seu funcionário ou colega de trabalho de “Russo” ou “Chulapa”. O que isso significa? Profissionalismo.
Só no Brasil isso acontece. OK, existem exceções. Na Espanha, 2 exceções: Xavi e Guti. E olha lá! Só. Sim, há quem possa dizer que na Argentina chamam o Verón de “Brujita”; Simeone de “El Cholo”; Carlos McAllister de “El Gringo”. Na Bolívia, Etcheverry de “El Diablo”. Entretanto, nos jogos, nos treinamentos, nas entrevistas, eles são: Juan Verón, Diego Simeone, Carlos McAllister e Marco Etcheverry. Por que? São futebolistas profissionais. Profissionais.
Há quem possa dizer que as alcunhas dão graça ao futebol. O que dá graça ao futebol é o que é jogado dentro do campo e bem gerido além das quatro linhas. Proibir estas alcunhas/apelidos é sinal de boa gestão.
Sábia atitude, Professor Felício Cunha!