Os Devotos

Já dizia Eduardo Galeano que jogar sem torcida é como dançar sem música. Com razão. Às centenas, aos milhares eles enchem as bancadas e dão vida, cor e voz ao espetáculo. Há quem prefira ficar nos camarotes, sentado, confortável. Ha quem queira ficar em pé, gastando toda a saliva a cantar e berrar por amor e devoção ao clube. Abaixo, o “Ultras Tito Cucchiaroni” da Sampdoria, de Gênova:

ultrastito

Existem maneiras de torcer. No Reino Unido, os mais devotos juntam-se atrás dos gols (as “Kops”), onde os preços são mais em conta e por isso vêm de camadas sociais mais humildes. São os mais carnavalescos: cantam, gesticulam, berram, aplaudem e vaiam. Sempre em pé, cada família, cada bairro e cada localidade com a sua bandeira. Foram das Kops que muitos dos hooligans surgiram, infelizmente. Completamente diferente dos devotos que compram seus lugares à frente do campo. Abaixo, a ‘Kop’ do Liverpool:

kop

Na Europa do Mediterrâneo os mais carnavalescos são identificados como sendo parte do movimento “Ultra”: promovem grandes coreografias, cantos e são pró-ativos em cobrar algo da direção do clube. Podemos citar a Torcida Verde do Sporting (Portugal), os Ultras Tito Cucchiaroni (Sampdoria, Itália) e o Commando Ultra’84 (Marselha, França). Os ultras são as torcidas organizadas do Brasil, e as barras bravas da Argentina, que nasceram no contexto do regime militar em ambos os países, em que o agrupamento de pessoas em torno do futebol não era mal visto pelos governantes. Surgiram nesta época os Gaviões da Fiel (Corinthians) e a Torcida Jovem (Botafogo). Era durante o governo do General Videla que surgia a “La 12” do Boca Juniors, e no Chile os “Los de Abajo” marcavam presença no estádio Nacional nos primeiros anos do regime de Pinochet. Em seguida, foto dos ‘Bukaneros’ do  Rayo Vallecano (Vallecas/ESP):

rayo

Como dizia um antigo dirigente do Atlético de Madrid: “O futebol é bom para que as pessoas não pensem em coisas ruins”. Quais coisas ruins? No contexto em que foi proferida esta frase, as coisas ruins eram conspirar contra o governo ou organizar greves. Hoje em dia estes grupos supracitados pensam coisas ruins e agem de maneira ruim. Quando pensamos em torcidas organizadas, Ultras e afins, relacionamos à violência, infelizmente. Muitos dos objetivos e princípios das organizadas e dos ultras vêm se perdendo ao longo do tempo. Além da intervenção do governo, é preciso que os próprios grupos repensem e revejam isso. Só o esporte, só o futebol será prejudicado porque à medida em que a violência aumenta, o torcedor deixará de freqüentar os estádios. Resultado: milhares de empregos diretos e indiretos que não são criados e milhões em dinheiro que deixariam de circular, porque o espetáculo já não interessa mais a ninguém. Não deixemos isso acontecer.

Abaixo, ‘La Guardia Imperial’, do Racing Club (Avellaneda, GCBA, Argentina)

LA GUARDIA IMPERIAL

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