Archive for the 'Torcidas' Category

Renovação

Quando ouvimos, lemos ou falamos a palavra que dá título a este post, logo pensamos em um plantel de alto-rendimento. Como este espaço trata de outros temas relacionados ao esporte, a renovação aqui tratar-se-á de símbolos do esporte.

capQuando este blogueiro ganhou o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de futebol de 1991 – eu tinha 9 anos -, disse intrigado ao pai: “Pai, existem 2 Flamengos!”. Meu pai logo tomou o álbum e disse: “Não, este é o Atlético Paranaense”. Eu havia acabado de confundir o distintivo do rubro-negro paranaense com o do “clube mais querido do Brasil”, como vocês podem observar aqui ao lado. Hoje, o escudo da equipe do Paraná mudou e lembra muito mais o Clube Atlético Paranaense do que o Clube de Regatas do Flamengo.

E é esta a função de um símbolo. Representar uma instituição, seus valores, sua história, seu legado e inclusive o Everton0palmarés (através das estrelas). Ele deve ser de fácil lembrança e identificação e quanto mais limpo, em consequência menos visualmente poluído, melhor.

Nesse sentido, Everton, Roma e Paris St-Germain (PSG) repensaram seus escudos. Notem que o nome e o que dá identidade ao clube estão valorizados nas novas versões. No Everton, o nome e a torre. ‘Roma’ ocupou o lugar do ASR (Associazione Sportiva Roma). Quem olhava para o símbolo antigo do clube e não soubesse da história da loba e sequer fazia ideia da sigla abaixo do desenho, também não saberia identificá-lo enquanto entidade do esporte.

psgPara o PSG, a mesma coisa. A cidade de Paris é muito maior que o clube. Vincular-se mais ao nome desse município-alfa é projetar a cidade em nível mundial, o que conecta com os investimentos que têm sido feitos dentro de campo.

asromaNão tão radicais têm sido no Brasil o Cruzeiro, o Flamengo e o Corinthians. A equipe mineira consultou a torcida, que prefere as estrelas da constelação soltas na camisa, e não presas a uma circunferência. A torcida do clube carioca prefere a sigla ‘CRF’ fora do escudo, enquanto que os paulistas optaram por excluir as estrelas do símbolo e valorizar exclusivamente a âncora, o timão e os remos.

Essas mudanças se dão com a intenção de se comunicar melhor com o torcedor/consumidor. E quem não se comunica, se estrumbica!

Uma Grande Jogada

A grande jogada da última quarta-feira  (ontem, 30 de Janeiro de 2013) é valorizar a manifestação popular dos torcedores no futebol através da avalanche, quando os eles – no topo das arquibancadas da linha-de-fundo – correm para trás de uma das balizas, quando marcado um gol. Falar que isso é moda ou imitação estrangeira, é não conhecer sobre a cultura do esporte e de seus fãs.

Claro que na América do Sul isso é mais comum no Chile, Uruguai, Argentina. Na Europa, disseminada pelos ‘Commando 84’ do Olympique de Marselha; era entre os ‘Ultras Sur’ do Real Madrid e a ‘Frente Atletico’, do Atlético de Madrid. Em Portugal era feita, por exemplo, pelos integrantes dos ‘Panteras Negras’ do Boavista. Essas manifestações deixam o espetáculo mais bonito e apaixonado, entretanto perigoso. Após o rompimento das grades do novo estádio do Grêmio, ontem, durante uma ‘avalanche’, proibi-la não vai inibi-la. Que permitam fazê-la, mas com segurança. No jogo de Porto Alegre aquelas grades não iam suportar tanto peso.

A decisão de participar dessas manifestações – que são parte do espetáculo – é de cada torcedor. Se proíbem-nas, o próximo passo é não permitir os torcedores de saltarem. Já pensaram nisso? Que a segurança seja reforçada, portanto. E aproveitem para fazer como se faz no Japão, onde usam os pulos dos fãs na geração de energia elétrica para o estádio.

Flor da Escócia

“…and sent him homeward,

to think again”

Este é um trecho do hino da Escócia, cuja população poderá pensar de novo e escolher no final de 2014 pela independência ao Reino Unido, de que faz parte de 1707. O acordo para o referendo foi celebrado ontem entre o Primeiro-Ministro Britânico David Cameron e o presidente do Parlamento Autônomo Escocês, Alex Salmond.

Esportivamente, o que ganha ou perde o Reino Unido com a separação da Escócia? Não ganha nada. Perde pouco. Opa, em parte! No esporte-motor perde muito: Jim Clark, David Coulthard, Ian e Jack Stewart são ótimos exemplos. Os escoceses competem para o Comitê Olímpico Britânico, que reúne Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. São poucos os atletas escoceses bem sucedidos nas Olimpíadas. O rúgbi e o futebol são duas modalidades em que a nacionalidade escocesa é bastante exaltada e não competem sob bandeira britânica. Diferentemente dos galeses do Swansea e do Cardiff, que atuam na Liga Inglesa, Celtic e Rangers jogam o campeonato escocês e fazem, para muitos, o maior clássico do futebol mundial, entre clubes. Os torcedores do Celtic são em sua maioria católicos e anti-monarquistas, por isso levam bandeiras da Irlanda (catolicismo) e Escócia (nacionalismo); adeptos do Rangers são monarquistas/leais e carregam consigo a Union Jack (bandeira do Reino Unido).

Sporting CP x Glasgow Rangers FC 10.04.2008 002

Torcida do Rangers

Celtic

Torcida do Celtic

Economicamente o Reino Unido não perde significamente com a independência escocesa. Ademais, ela não significa o rompimento de todos os lados. Uma saída pacífica solidifica uma relação de confiança que certamente vai se refletir em todos os aspectos da sociedade da Grã-Bretanha. Diferentemente do processo como houve com a Irlanda (Eire), cuja independência só foi possível através de uma Guerra (1916-1921), cujos resquícios que persistem até hoje através, por exemplo, do IRA (Exército Republicano Irlandês).

Na Península Ibérica, a Catalunha representa boa parte da economia espanhola; e não vai ser falando em catalão que um novo país conquistará novos mercados, sobretudo o latino-americano. Ou seja, Barcelona e a Catalunha precisam de Madri e do Rei. No esporte, o Barcelona só existe porque existe o Real Madrid. E vice-versa. Um faz o outro. Se querem independência, como demonstraram no último clássico, que se preparem para jogar contra o Sant Andreu, Hospitalet ou o Gimnàstic. Jogaços! É nos momentos de crise econômica que os grupos defensores da autonomia mais se fazem valer para convencer a população que a independência é a solução. E em catalão eles não vão chegar a lado algum.

Como diz uma amiga: que se joguem todos juntos e abraçados.

Não é este o caso da Escócia, que tem uma oportunidade única em 2014, como diz o seu próprio hino:

“But we can still rise now,

and be a nation again!…” 

Sem Fim

A morte de dois torcedores em decorrência das brigas entre torcidas em São Paulo no último fim-de-semana trouxe à tona novamente a discussão sobre a atuação das torcidas organizadas, a violência e da atuação do poder público.

Dizem que a polícia devia fazer isso ou aquilo e que o Governo devia ter atuado de uma determinada maneira, com o objetivo de eliminar esse tipo de violência no esporte, especificamente o futebol. Àqueles que acreditam nisso, lamento dizer: essa violência não vai terminar. Continuará por existir. Se alguns torcedores forem conduzidos à clandestinidade, isso pode ser pior: grupos de torcedores poderão, com o tempo, a cada dia parecerem-se mais com seitas, estabelecendo-lhes a condição de uma quadrilha e que, em um caso extremo, a constituição de um ‘estado paralelo’.

Dentro dos estádios a violência é sim capaz de ser reduzida. Novas políticas de aquisição de ingressos para os jogos – como, por exemplo, dar prioridade aos sócios ou aumentar o preço dos bilhetes – e atuação policial preventiva podem preservar o esporte. Imaginar que as brigas de torcedores, longe dos recintos de jogos, pode terminar, é inocência. É portanto preciso fazer com que estes enfrentamentos não envolvam inocentes. Para isso sim, é preciso da intervenção policial.

Série do Discovery, “Football Factories”, sobre as torcidas na Sérvia e na Croácia

É ruim pensar assim, mas necessário para encarar esse problema da violência em decorrência do esporte, de frente, para preservar o torcedor comum, aquele que realmente consome o esporte, sobretudo o futebol.

 

De Visita

O jornal inglês “Daily Telegraph” elegeu os 5 estádios de futebol mais “hostis” do mundo. Ou seja, aqueles mais capazes de intimidar a equipe visitante. Apenas um brasileiro. Nenhum argentino! Nenhum chileno!! Nenhum paraguaio!!!
Torcida Verde

Torcida Verde

Eles lá colocaram o estádio do Borussia Dortmund (Signal Iduna Park) como o primeiro. Em seguida, o San Paolo, do Nápoli, da Itália. Em terceiro, o Ali Sami Yen, do Galatasaray (Turquia). A quarta e a quinta posições estão para o Mestalla (Valência) e o São Januário (Vasco), respectivamente.

Bem podíamos saber o critério e método utilizados para a escolha. Os do Nápoles,   do Galatasaray e do Vasco, tudo bem. São mesmo ambientes inacreditáveis. Entretanto observem abaixo quem o diário deixa de fora.

A Argentina possui vários exemplos e estádios que podem ser considerados como mais “hostis”. Levo em consideração que a tal “hostilidade” dá-se apenas através de cânticos de incentivo e vibração dos torcedores. Pode até ser uma visão romântica dessa situação. Nomeio o Parque Independência, do Newell’s Old Boys, o La Bombonera, do Boca e o Alfredo Beranger, do Temperley, como referências. Na Polônia, o campo do Legia Varsóvia. Em Portugal, o Alvalade, estádio do Sporting, repleto, é realmente um ambiente fantástico.

La Bombonera

La Bombonera

No Brasil, inúmeras torcidas se fazem valer de local, como a do Corinthians, Ponte Preta e Atlético Mineiro. A do Bahia está em primeiro em vibração desde o hino do clube. A reportagem não deixa claro quais são os fatores considerados para considerar o estádio “hostil”. Se levássemos em conta a informação que o repórter utilizou, o Hillsborough (onde morreram 96 torcedores do Liverpool em 1989) e o Heysel (Bélgica, final da Liga dos Campeões da Europa de 1985) poderiam ser considerados também. Não foram.

Estudar o ambiente e universo das torcidas é bastante interessante, desde que elas unicamente cumpram o papel de torcer pela equipe. A seguir um anúncio de TV na Argentina que promove as partidas da 2ª Divisão local. E não deixe de responder a enquete abaixo do vídeo!

Os Devotos

Já dizia Eduardo Galeano que jogar sem torcida é como dançar sem música. Com razão. Às centenas, aos milhares eles enchem as bancadas e dão vida, cor e voz ao espetáculo. Há quem prefira ficar nos camarotes, sentado, confortável. Ha quem queira ficar em pé, gastando toda a saliva a cantar e berrar por amor e devoção ao clube. Abaixo, o “Ultras Tito Cucchiaroni” da Sampdoria, de Gênova:

ultrastito

Existem maneiras de torcer. No Reino Unido, os mais devotos juntam-se atrás dos gols (as “Kops”), onde os preços são mais em conta e por isso vêm de camadas sociais mais humildes. São os mais carnavalescos: cantam, gesticulam, berram, aplaudem e vaiam. Sempre em pé, cada família, cada bairro e cada localidade com a sua bandeira. Foram das Kops que muitos dos hooligans surgiram, infelizmente. Completamente diferente dos devotos que compram seus lugares à frente do campo. Abaixo, a ‘Kop’ do Liverpool:

kop

Na Europa do Mediterrâneo os mais carnavalescos são identificados como sendo parte do movimento “Ultra”: promovem grandes coreografias, cantos e são pró-ativos em cobrar algo da direção do clube. Podemos citar a Torcida Verde do Sporting (Portugal), os Ultras Tito Cucchiaroni (Sampdoria, Itália) e o Commando Ultra’84 (Marselha, França). Os ultras são as torcidas organizadas do Brasil, e as barras bravas da Argentina, que nasceram no contexto do regime militar em ambos os países, em que o agrupamento de pessoas em torno do futebol não era mal visto pelos governantes. Surgiram nesta época os Gaviões da Fiel (Corinthians) e a Torcida Jovem (Botafogo). Era durante o governo do General Videla que surgia a “La 12” do Boca Juniors, e no Chile os “Los de Abajo” marcavam presença no estádio Nacional nos primeiros anos do regime de Pinochet. Em seguida, foto dos ‘Bukaneros’ do  Rayo Vallecano (Vallecas/ESP):

rayo

Como dizia um antigo dirigente do Atlético de Madrid: “O futebol é bom para que as pessoas não pensem em coisas ruins”. Quais coisas ruins? No contexto em que foi proferida esta frase, as coisas ruins eram conspirar contra o governo ou organizar greves. Hoje em dia estes grupos supracitados pensam coisas ruins e agem de maneira ruim. Quando pensamos em torcidas organizadas, Ultras e afins, relacionamos à violência, infelizmente. Muitos dos objetivos e princípios das organizadas e dos ultras vêm se perdendo ao longo do tempo. Além da intervenção do governo, é preciso que os próprios grupos repensem e revejam isso. Só o esporte, só o futebol será prejudicado porque à medida em que a violência aumenta, o torcedor deixará de freqüentar os estádios. Resultado: milhares de empregos diretos e indiretos que não são criados e milhões em dinheiro que deixariam de circular, porque o espetáculo já não interessa mais a ninguém. Não deixemos isso acontecer.

Abaixo, ‘La Guardia Imperial’, do Racing Club (Avellaneda, GCBA, Argentina)

LA GUARDIA IMPERIAL


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