Sobre o Duelo do Prata

Ontem jogaram Argentina vs. Uruguai, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Tempo bom, relvado excelente, atmosfera única. Tudo nas melhores condições para receber o maior clássico entre seleções do planeta ao lado de um Argentina-Brasil. Pensava-se que haveria um problema: os jogadores. Os próprios que fazem o espetáculo.

Os capitães uruguaio e argentino antes da final da Copa do Mundo de 1930. Notem o figurino do árbitro (fonte: auf.org.uy)

Como assim os jogadores? Se forem analisados os somados 22 iniciais celestes e alvi-celestes, quase todos atuam no futebol europeu. Pensava-se que não seria visto um típico jogo sul-americano: ríspido, catimbado, de extrema técnica e toque de bola. Imaginava-se que não seria vista uma partida digna daquelas com Francescoli, Nazassi, Schiaffino, Gradín e Varela pelo lado oriental; Houseman, Sivori, Kempes, Rattin e Lostau pelo lado argentino. A corrupção, individualismo e amadorismo do corpo diretivo do futebol sul-americano (clubes e federações), somados ao câmbio desfavorável fazem com que os melhores jogadores da América do Sul partam para atuar em canchas do Oriente Médio, Europa, Japão e até da América do Norte!

Jogadores uruguaios (fonte: auf.org.uy)

Tal expectativa foi em vão. Viu-se realmente um grande jogo, um típico duelo do Prata, com San Martín e Artigas (heróis argentino e uruguaio, respectivamente) a assistirem de camarote. Mais de 10 cartões amarelos, mas nenhuma expulsão. Isso é obvio, foi um jogo entre gentlemen ! Noventa minutos muito bem disputados, brigados a cada centímetro do campo, a cada gota de suor (ou sangue, como preferirem), a cada fio rasgado da camisa. Tudo indicava que os argentinos goleariam com dois gols (golos) anotados logo ao início do encontro. Mas quem um dia na história da humanidade duvidou da garra uruguaia? Nem Napoleão na sua prepotência e arrogância duvidaria disso. Foi assim que os orientais descontaram, ao recuperarem em uma bola que até o Fundo Monetário Internacional, em meio a esta grave crise financeira que passa o mundo, dava por perdida.

CA Boca Juniors x CA Peñarol, pela Taça Libertadores de 1979 (fonte: Conmebol)

Oxalá um dia os jogadores que promoveram o duelo do Prata de ontem voltem a atuar nas canchas da América do Sul. Com seriedade e profissionalismo isso vai acontecer, mas muito há de se mudar antes. O esporte, principalmente o futebol, é um potencial gerador de serviços, empregos e rendimentos diretos e indiretos. E, sem dúvida, mais espectáculo ainda.

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