Galo da Comarca, 85 Anos

Jaú, São Paulo, Brasil. Novembro de 1924. Era uma vez alguns amigos apaixonados pelo futebol que resolveram criar um clube. Em homenagem aos 35 anos da Implantação da República no Brasil, resolveram dar à instituição o nome do dia da sua fundação: 15 de Novembro. Nascia o E.C XV de Novembro de Jaú.

XV de Jaú, 1978 (diarioweb.com.br)

Passou este clube a representar o povo da cidade nas competições de futebol pelo estado de São Paulo. Jaú era a sede da comarca da região e quis um dirigente da equipe de uma cidade vizinha, em uma reunião de clubes, arrancar a crista da equipe de Jaú. Rebateu o jauense a dizer: “Isso significa que o XV de Jaú é o Galo da Comarca?”. Foi, porque o XV tornou-se o Galo da Comarca. Da cidade, conquistou a região. Da região, conquistou o estado e, em 1951, passou a fazer parte de uma elite e fazer frente aos grandes clubes.

Naqueles tempos o futebol não se comportava como atualmente. A concorrência era menor, não havia tanto apelo comercial, os salários eram modestos e permitiam ao clube do porte médio de uma cidade do interior administrar as situações.

XV de Jaú, 1979 (diarioweb.com.br)

A cidade viveu tempos melhores, desenvolveu-se. O clube também. Os quadros inferiores revelaram muitos jogadores que fizeram sucesso no Brasil e no mundo: Marolla, Kazuioshi Miura, Afonsinho, Sonny Anderson, Edmilson, Andrei e França, por exemplo. A partir do fim dos anos 1980, o Brasil economicamente abriu-se ao mundo e o futebol também. Com isso surgiram crises sócio-econômicas que condenaram as principais atividades da cidade. O município e o clube empobreceram. No futebol, a cidade do interior não suportou a competitividade com o das grandes cidades, que têm mais torcida, mais visibilidade e, com mais visibilidade, mais empresas para apoiar os clubes (de lá).

XV de Jaú, 1952 (lanceactivo.com.br)

O mercado do futebol ficou agressivo e habitat de inúmeros aproveitadores que, de promessas em promessas, parcerias e esquemas para trazer verbas (odeio estas 3 palavras) no “intuito” de o XV de Jaú reviver e manter-se em bons tempos,  iludiram dirigentes (alguns com boas intenções) e principalmente, a sociedade local. Hoje a comunidade jauense não acredita e não confia na instituição E.C. XV de Novembro de Jaú. Algumas poucas, nobres pessoas,  mantêm a chama acesa e o espírito daqueles jovens jauenses que em 15 de Novembro de 1924 fundaram o XV.

Estádio Zezinho Magalhães (xvdejau.kit.net)

Há muito tempo a cidade de Jaú vive em estagnação econômica. Muitos querem sair dali, para outros lugares, com melhores oportunidades de crescimento profissional. Como acontece atualmente no Uruguai, por exemplo. Essa estagnação, aliada à desconfiança e falta de credibilidade, se reflete no futebol. Inúmeros são os esforços de este cenário ser mudado: atrair novas empresas, criar novos mercados, buscar alternativas, trazer uma universidade, investir em tecnologia. Inovar, com tecnologia e desenvolvimento científico. Em macroeconomia, é isso que faz um país crescer. É isso que fará a cidade crescer. Manter pais, filhos e netos na cidade, criar raízes e perpetuá-las.

É necessário resgatar a auto-estima da cidade, sem esquemas, sem parcerias, sem verba-daqui, verba-de-lá. Sem blá-blá-blá! Danem-se estas pessoas falam muito; e pouco, nada fazem! Dá asco! Tenho nojo! 

Só com (muito) trabalho e amor os resultados virão! Críticas virão, certamente. A única resposta para as críticas: mais trabalho ainda! 

XV de Jaú, 1981 (ecxvdejau.blogspot.com)

E o XV hoje completa 85 anos. Eu trabalho com esportes e torço pro XV. Só que pouco posso fazer pelo Galo, além de torcer. E ontem quis ter com o Presidente do XV para apresentar uma ideia. O XV jogava em Barueri, pelo Campeonato Paulista SUB-20. Precisava vencer o jogo por 2 gols de diferença para passar à próxima fase.

No meio da tarde peguei o trem (em Portugal dizem comboio) lotado na Barra Funda e fui. Estava um calor insuportável. Na ida, havia 2 rapazes na minha frente que conversavam sobre as torcidas dos clubes de futebol. Falavam da torcida do clube X, do clube Y e do clube Z. Até que um deles disse: “E a torcida de Jaú, hein? Deve ser de 5 pessoas apenas”. Eles não sabiam quem eu era, para onde estava indo e o que ia fazer. Para quem gosta, é de lá  e se orgulha do clube, aquilo mexeu comigo. Entretanto, discutir não adiantaria nada.

Depois de 1 hora de viagem e mais alguns minutos de táxi e caminhada, cheguei ao campo. Estava 1 a 1. Mal cheguei e o XV faz 2 a 1. Com 2 jogadores a menos! Incrível. O XV jogava muita bola, demonstrava muito empenho, todas as bolas eram do XV. Ao lado da torcida do Barueri, eu permanecia calado. Bom, devido às duas expulsões do XV, o árbitro deu 5 minutos de acréscimo. No último lance do jogo o Barueri descobriu uma avenida pela esquerda e empatou o jogo. Houve o reinício, mas só houve tempo do juiz apitar o encerramento da partida. Indignação e revolta foi o que os jogadores do XV sentiram, o corpo técnico, os dirigentes e eu. Um amigo meu, preparador físico da equipe estava muito abatido, encostado no alambrado e olhando pro nada. Certamente este não é um bom presente de aniversário.

Entretanto, talvez seja. Ao presenciar toda aquela situação, a vontade que surgiu foi a de querer mudar. O presidente do clube falou o mesmo. O técnico e o preparador físico, também. O melhor presente de aniversário para o XV será o trabalho que toda essa situação irá causar. E tudo que Jaú e o clube precisam, é trabalho.

Antes de tudo, é preciso resgatar a confiança e a credibilidade da sociedade local. O apoio inicial será da sociedade, que dará o respaldo pro XV, sempre, ao comparecer aos jogos, ao adquirir merchandising do clube, ao consumir os produtos dos patrocinadores do XV. Estas iniciativas, aliadas a projetos institucionais de gestão e imagem do clube poderão trazer resultados esportivos. Estes resultados esportivos, em conjunto com atividades de responsabilidade social, devolverão à sociedade local todo o investimento feito por ela no clube.

Muitos falam da ajuda do poder público. Ora, dinheiro público é dinheiro público. A população tem enormes necessidades e inúmeras urgências. Sempre haverá um empresário a querer tirar vantagem da situação se o poder público a ele solicitar uma ajuda ao clube da cidade. E isso, todos sabem, não é correto. O poder público deve fazer aquilo que está ao alcance dele. Nada mais, nada menos. Não adianta choramingar e dizer que os empresários não ajudam. Se não houver credibilidade, transparência e trabalho, ninguém do setor privado desejará vincular a imagem do seu empreendimento à marca do clube, que não servirá de vitrine para nenhuma empresa. Para isso acontecer: trabalho!

Assim sendo, o E.C. XV de Novembro de Jaú deve atuar em 3 frentes, com urgência na frente institucional:

– Institucional (governança, gestão)

– Comercial (marca, base de torcedores)

– Esportiva (resultados esportivos)

É isso. Seja para a cidade de Jaú e seja para o E.C. XV de Novembro de Jaú, apenas com muito trabalho todo este cenário se reverte.

Parabéns, Galo da Comarca!

PS: Apresentei minha ideia para o Presidente do clube. Ele deve ter gostado. Pediu para que levasse adiante. Com trabalho, vamos ver no que dará!

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Esses Dias na História

16 de Janeiro

1605 – Publicado em Madrid a primeira edição de El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha” (Livro I de Dom Quixote) de Miguel de Cervantes

17 de Janeiro

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28 de Janeiro

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1972 – Domingo Sangrento: paraquedistas britânicos abrem fogo contra manifestantes católicos em Derry, Irlanda do Norte, matando 14 pessoas.

31 de Janeiro

1966 – URSS lança a nave espacial não tripulada Luna 9 como parte do “Programa Luna”.

1º de Fevereiro

1987 – Instalada a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) no Brasil, presidida pelo deputado federal Ulysses Guimarães (a ANC trabalhou para a atual Carta Magna da República Federativa do Brasil, em 5-10-1988)

2 de Fevereiro

1914 – Fundação do Paysandu Sport Club, em Belém/PA

3 de Fevereiro

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5 de Fevereiro

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