Don’t Go Home!

Ontem torcedores brasileiros do Arsenal FC reuniram-se em São Paulo para verem o jogo da Liga dos Campeões UEFA, contra o FC Porto (POR). Todos vestiam as camisas do clube, acessórios licenciados e outros artigos em referência ao clube londrino. Eram cerca de 20, 30. Ligação com a Inglaterra? Nenhuma. Um ou dois eram ingleses. Outros tinham lá visitado, passado uma época. Entretanto, antes disso, eram torcedores. Diferente da penya barcelonista de São Paulo. 

Em um primeiro momento, a reação foi: “Somos 5 vezes campeões mundiais, a América do Sul é campeoníssima nos mundiais interclubes, mesmo sem jogadores de renome. O que se passa para torcerem a clubes gringos? Gunners, go home!”

Apesar de a América do Sul apresentar uma vanguarda em resultados desportivos mesmo sem tantos recursos, o fator principal que faz com que cada vez mais jovens interessem-se pelo futebol europeu é a prestação de serviços. Se perguntassem para que clube torce uma sala de aula, alguns responderão por clubes que não são brasileiros. Ora, veja bem: um garoto talvez nunca poderá ir até lá para ver um jogo, mas quando for, será bem recebido. Comprará o bilhete em seu país, sentará em um assento numerado, entrará sem maiores complicações, sem constrangimentos, usará instalações limpas e adequadas, não enfrentará tumulto no bar ao comprar um lanche.

Mesmo que não vá, ele, o garoto, em seu país Natal acessará o site oficial do clube, terá todas as informações necessárias em sua língua-pátria e sentir-se-á mais próximo do clube se houver um conterrâneo em suas fileiras.

A diferença está na qualidade do serviço e na atmosfera oferecida ao torcedor. No Brasil não há nada disso ainda. E os clubes que propõem-se a isso tem obtido bastante sucesso. Para além disso, vemos um futebol falado de maneira vulgar e nada inteligente: seja pelas entrevistas de muitos dirigentes, treinadores, jogadores e torcedores; pelos empurrões e cotoveladas nas entrevistas aos jogadores à saída do campo; pelos microfones instalados à beira do relvado a captarem tudo o que dizem e o que não dizem. Não se pode ouvir isso. Aliás, pelo conteúdo, muito do que foi citado deveria ser proibido, porque futebol é programação que as crianças acompanham. Bom, certamente um virá para dizer: “mas é a realidade do futebol!”. A realidade é que o futebol, se é profissional, deve ser tratado com profissionalismo. Logo, em ambientes profissionais, aquilo que é impróprio deve ser proibido.

Pois bem, o resultado desportivo de um clube é importante, sem dúvida alguma. Tão importante quanto é o torcedor, consumidor do serviço produzido pelo clube.

Enquanto isso não for levado a sério, quero mesmo que mais Arsenals, Chelseas, Barcelonas, Portos, Milans e Bayerns tenham torcedores no Brasil, por falta de opção local! “Don’t go home!”*

“Tá tudo pronto aqui é só vir pegar; negócio bom assim ninguém nunca viu.” (Raul Seixas)

*Não vão para casa

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