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As Abelhas de Presidente Prudente¹

¹Prudent President Bees, tradução em alusão a como são conhecidas as equipes desportivas profissionais nos EUA

Por falta de apoio do poder público local, o Grêmio Recreativo Barueri fez as malas e mudou-se para a cidade de Presidente Prudente, no extremo oeste do estado de São Paulo. Se não fosse pelos nomes em português, poderíamos pensar que uma notícia como esta estaria vindo dos Estados Unidos, em que as equipes desportivas profissionais atuam como franquias e mudam de cidade: se as coisas não correm bem comercialmente em um lugar, logo vão para outro. Assim foi com os Los Angeles Raiders, que transformaram-se em Oakland Raiders; assim foi com o Vancouver Grizzlies, que hoje é o Memphis Grizzlies.

Foi o que o Barueri fez. Mudou-se de cidade, foi para Prudente. Centro importante, mas que hoje vive tempos muito diferentes de quando contava com a Prudentina e o Corinthians (vulgo “Corinthinha”), nas principais divisões do futebol de São Paulo.

Algo como o ocorrido pode dar certo? Não! No Brasil, não. O êxito de uma organização desportiva também depende de fatores sociais como a relação com a base de torcedores e os vínculos da instituição com o lugar. Qual então a relação do Barueri com Presidente Prudente, municípios separados por mais de 600 quilômetros? Nenhuma. Quantos jugadores nascidos em Prudente o quadro do Barueri vai usar? Até agora, onde se sabe, nenhum.

Mudar o nome não vai resolver. As cores e o passado vão sempre recordar Barueri. Também o projeto inicial, o estádio moderno que chamam-no “Arena” e que ficará para trás, certamente como um “elefante branco” para a prefeitura da cidade que a equipe abandonou.

Os políticos de Presidente Prudente não têm nada a perder. Jogos em sua cidade durante o ano 2010 contra grandes clubes de São Paulo e do Brasil atrairá turistas e rendimentos à cidade. Entretanto, se o Barueri/Prudente for rebaixado, a história poderá ser outra e essa mudança de cidade, repensada. Para além disso, a distância da capital pode prejudicar o clube, que perderá força política e mercado consumidor.

Lembram-se do Matsubara de Cambará (PR) que se mudou para Londrina? Resultado: o clube hoje depois de uma licença, está na 3ª divisão do paranaense, mas manda os jogos em Cambará.

Símbolo da Sociedade Esportiva Matsubara (seeklogo.com)

Em países com uma cultura de clubes como a nossa, a sul-americana e a europeia, não há como isso funcionar. O clube está muito associado às suas origens sócio-econômicas e geográficas.

A Importância da Marca

A Confederação Brasileira de Basketball assinou nesta semana contrato com a Nike para fornecimento de equipamentos para as seleções brasileiras masculina e feminina. Há 9 anos a Champion (não) fornecia.

No contrato pode não haver um patrocínio financeiro em espécie, mas a CBB ganha em muito em qualidade do produto, fornecimento, distribuição e comercialização em nível nacional e mundial. É certamente uma marca mais presente na indústria do esporte que a anterior, e isso pode ajudar a conduzir o basquetebol brasileiro a uma maior projeção.

Em suma, o patrocínio da Nike agrega valor ao basquetebol brasileiro. Aproxima a modalidade dos seus fãs e torcedores (consumidores) através da distribuição e comercialização de artigos, que são elementos fundamentais para este momento de transição por que sua gestão atravessa.

Pelas Bandas da Moldávia

A Moldávia é mais conhecida por ter sido lá que Paul Gascoigne abaixou as calças de Paul Ince antes de um jogo da Inglaterra com a seleção local em Chisinau. Isso já tem muitos anos!

Os Pauls. Ince e Gascoigne pela seleção inglesa (goiena.net)

Acontece que um clube local inovou em sua gestão, em como ganhar dinheiro. Provavelmente conseguirá uma vaga para a Liga dos Campeões e para isso ofereceu um posto para jogador de futebol, desde que pague 1 milhão de euros. Não é preciso ser um craque, basta ter dinheiro e não apresentar problemas de saúde. Provavelmente jogará ao lado de grandes expoentes do futebol (do lado adversário, obviamente), entrará em campo com o estádio repleto, a ouvir o hino da Liga dos Campeões da UEFA (De Handel, Zadok the Priest).

O clube certamente não passará de fase em torneios continentais de alto nível. Dificilmente a pessoa que pagará este valor jogará por 90 minutos. Entretanto, é uma boa iniciativa para saldar dívidas e implementar novos projetos desportivos.

O clube em questão (www.escudosfc.com.br)

Certamente a equipe perderá competitividade, mas de irregular nisso, não há nada, o clube está sendo bem claro. Não há manipulação de resultados, corrupção ou dopagem, fatores que prejudicam o esporte.

Alcunhas

É com satisfação que coloco aqui o primeiro post de 2010. Com maior satisfação ainda em nele tratar sobre o clube que torço, o E. C. XV de Novembro de Jaú. Satisfação triplicada a minha em receber uma boa notícia sobre a gestão do XV.

Não falo do “Galo Avante”, ou dos patrocínios. Para começar o assunto, vamos voltar a 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos EUA. Em um jogo da seleção brasileira de futebol feminino, ocorreu uma substitução. Não me lembro a equipe adversária, tampouco a jogadora substituída, mas sim quem substituiu: “Michael Jackson”. Obviamente não foi o cantor, ou alguém homônimo. Entretanto a televisão oficial das Olimpíadas gerou os caracteres e alguém leigo e super desavisado poderia pensar que Michael Jackson havia trocado de sexo, dedicado ao futebol, naturalizado brasileiro e estar a atuar pela seleção de futebol feminino do Brasil. Lembro-me bem de ver na TV: “Brazil. Substitution. In: Michael Jackson”. Hilário e ridículo.

Marileia dos Santos, vulga “Michael Jackson” (esporte.ig.com.br)

No dia-a-dia você não chama um renomado cardiologista de “Zerbininho” (em alusão ao grande médico Dr. Zerbini) ou um jurista da atualidade de  “Realezinho” (em alusão ao Dr. Miguel Reale). Chamá-lo pelo nome ou pelo nome de família demonstra profissionalismo e seriedade. As Forças Armadas adotam esta postura, por exemplo.

Foi o que aconteceu no XV. O treinador, Sr. Felício Cunha, proibiu alcunhas bobas, como “Romarinho”, “Manteiga” ou “Asprila”, com o intuito de conferir mais profissionalismo ao departamento de futebol do XV.

Este blog discute propriamente o profissionalismo no âmbito do desporto e iniciativas como estas são básicas e essenciais para o bom ambiente de trabalho: seriedade com espírito de corpo, camaradagem e produtividade. Se você, paciente leitor, estiver em seu escritório, não chama o seu funcionário ou colega de trabalho de “Russo” ou “Chulapa”. O que isso significa? Profissionalismo.

Só no Brasil isso acontece. OK, existem exceções. Na Espanha, 2 exceções: Xavi e Guti. E olha lá! Só. Sim, há quem possa dizer que na Argentina chamam o Verón de “Brujita”; Simeone de “El Cholo”; Carlos McAllister de “El Gringo”. Na Bolívia, Etcheverry de “El Diablo”. Entretanto, nos jogos, nos treinamentos, nas entrevistas, eles são: Juan Verón, Diego Simeone, Carlos McAllister e Marco Etcheverry. Por que? São futebolistas profissionais. Profissionais.

Há quem possa dizer que as alcunhas dão graça ao futebol. O que dá graça ao futebol é o que é jogado dentro do campo e bem gerido além das quatro linhas. Proibir estas alcunhas/apelidos é sinal de boa gestão.

Sábia atitude, Professor Felício Cunha!

Bom Ano

A todos os pacientes deste blog, um 2010 repleto de saúde e conquistas!

Bom Natal

A todos os pacientes deste blog, um bom Natal!

Football-1

Exibição Internacional de Futebol, em Tóquio (Japão), de 19 a 21 de Fevereiro de 2010. Mais informações em:

www.football-1.org/portuguese/general_info.html

Sem Piada

Mundial de Clubes da FIFA, FC Barcelona campeão. Finalmente venceram um mundial de clubes, na 3ª oportunidade. Venceram sem merecerem tanto e festejaram bastante. Parabéns ao clube da Catalunha. Enfim.

Cartaz da Copa Toyota 1999: Man Utd FC x SE Palmeiras (Wikipedia)

“Torneiozinho mixuruca, hein?” Garrincha, após a final do Mundial FIFA 1958, depois de saber que em uma Copa do Mundo não há 2º turno.

Quero aproveitar esta lendária (nos 2 sentidos) frase do Garrincha para fazer o meu comentário sobre o torneio. É ótimo ver clubes da Oceania, Ásia e África a disputar torneios com a grandeza da presença de clubes como o Estudiantes de La Plata, FC Barcelona e Atlante. Entretanto, não há apelo “futebolístico”, em termos de espetáculo mesmo. Não há apelo de público e interesse comercial nestes jogos.

E os clubes sul-americanos e europeus interrompem toda uma preparação para jogar este torneio.

A FIFA pode trabalhar e explorar comercialmente muito melhor um torneio como este se fosse disputado em jogo único, sob o nome de “Taça Europa-América do Sul”, ou “Taça Intercontinental” (mas aí a cadeia hoteleira devia patrocinar o jogo), nos moldes da antiga Toyota Cup. Entretanto isso não vai acontecer, devido à própria missão da FIFA: “Pelo Jogo, Pelo Mundo.”

Ano que vem tem mais.

Como Vovó já Dizia

..quem não tem colírio, usa óculos “escuro”! (Raul Seixas)

Os clubes desportivos no Brasil, em especial os de futebol pouco aproveitam e desenvolvem seu potencial comercial, o seu produto desportivo.

Poucos torcedores têm consciência que ao adquirir um produto oficial do clube, eles contribuirão diretamente com os rendimentos da instituição.

Os dois parágrafos acima, se somados e postos em prática, resultam em receita. Em ações de patrocínio, ações promoionais e relação duradoura da instituição desportiva com aquele que patrocina.

A prestação de serviços também é bem-vinda e gera rendimentos. Comercialização/terceirização de camarotes e prestação de serviços nas instalações e redondezas do clube também é uma iniciativa capaz de gerar rendimentos.

No Brasil conta-se nos dedos quem promove tais iniciativas. E até onde sabemos têm sido bem sucedidos.

O espetáculo desportivo é um produto. Sobre ele há consumo. Para além do espetáculo desportivo, o consumidor está apto a pagar pela marca do clube, pelo conceito, valores e princípios que a instituição desportiva transmite.

Isso vale aos grandes, médios e pequenos clubes, dentro das suas adequações. Onde quero chegar: de nada adianta vender um camarote por um valor elevadíssimo, se a equipe não disputa um torneio de ponta. 

Estádio do Radium, de Mococa-SP (jogosperdidos.zip.net)

Bom, escrevo isso porque ouvi de um amigo neste fim-de-semana uma frase que chamou minha atenção: “fazer o que estava ao alcance”. Pelo contexto da situação por ele colocada – que não vem ao caso citá-la -, eu entendi assim: “cada macaco no seu galho”. Se a instituição é pequena, não pode pôr em prática grandes projetos, deve se adequar à sua força institucional e financeira, caso contrário um resultado adverso pode custar a própria existência da organização. Isso não significa que uma instituição desportiva pequena deva sempre “pensar pequeno”. Não, não. Mil vezes não! Deve “pensar grande”, projetar algo muito forte em longo prazo, ou então, por que razão existe? É preciso ter ambição e trabalhar nela.

Vale aqui a máxima do Barão de Coubertin: “veja longe, fale francamente, aja firmemente.”

Visitem a seção: “Utilidade Pública“.
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