Archive for the 'Sem-categoria' Category



Uma Tragédia Anunciada

O que aconteceu no estádio da Fonte Nova, em Salvador, no domingo passado (25/11), é o reflexo do descaso e desrespeito para com o torcedor em um país que será sede de uma Copa do Mundo. Quarenta pessoas caíram de uma altura de 20m depois que o chão de uma das bancadas cedeu. Com a queda, sete pessoas morreram. As imagens são impressionantes, não apenas da tragédia, mas também do tamanho do vão, bastante pequeno para 40 torcedores caírem. Sobrelotação, sem dúvida alguma.

  

No mundo e principalmente no Brasil existem pessoas – que devem entender muito de engenharia e segurança – que dizem que estádios como o Maracanã, o Mineirão e o Morumbi estão aptos para receberem a Copa. Ver um jogo e pagar para o “flanelinha” R$200,00 para cuidar do seu carro é um indicador de um estádio digno para receber uma partida de tão importante evento? Não. Parar o seu carro a quilômetros de distância do estádio e estar vulnerável a brigas e confusões durante o trajeto a pé também não é nada bom. Isso fora o torcedor não poder contar com transportes públicos, eficientes, suficientes, lugares numerados e demorar meia hora para sair do estádio. O contexto brasileiro neste quesito, para variar, é vergonhoso. Quem já teve a oportunidade de freqüentar estádios europeus, norte-americanos ou japoneses sabe do que isso se trata. 

A realização de Brasil x Uruguai no último dia 21/11 deixou a desejar. Nada sobre a partida, mas sim à organização. Atrasos e confusões, antes, durante e depois do jogo. Imprensa no gramado, o que é inaceitável. É preciso mudar este conceito e é para isso que existem as coletivas de imprensa após cada encontro. Alem disso faz-se necessário reprimir a ação dos cambistas e “flanelinhas”, que nada mais são do que frutos da má organização do futebol e do esporte em geral. Se para o Europeu de 2004 demoliram os principais estádios para a construção de novos, como o da Luz, o de Alvalade e o do Dragão, não faz sentido manter os principais estádios brasileiros, medíocres, para o maior evento do planeta, daqui a 7 anos. Daqui a ainda 7 anos, quando os conceitos de engenharia e segurança serão muito mais apurados e avançados do que os atuais, em que o Brasil está ainda muito aquém.

  

Depois os brasileiros dizem que os portugueses são “isso”, ou “aquilo”. Eles não mediram esforços para fazerem a melhor Eurocopa da história. Colocaram abaixo os lendários estádios da Luz e das Antas, que em termos de “lendas” nada devem a qualquer estádio brasileiro. Hoje em dia eles são incomparáveis, com serviços que cativam e fidelizam o público. Há muita coisa para se aprender, muita coisa para se mudar, muitas pessoas que devem largar o cargo que ocupam. É preciso pensar e respeitar o próximo. Isso foi o que não aconteceu no caso da Fonte Nova. Pensou-se mais no dinheiro. Sete pessoas precisaram morrer para que tomassem a decisão de derrubar um estádio que estava condenado. E pelo Ministério Público.  

Um tremendo desrespeito.

Uma Copa do Mundo para o Brasil

Muitos sabem: daqui a menos de sete anos o Brasil será palco do segundo maior evento do planeta: a Copa do Mundo de futebol. Candidato único de um antiquado sistema de rodízio de continentes – já posto abaixo -, figuras folclóricas do futebol brasileiro e da política nacional estiveram em clima de oba-oba na sede da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para o anúncio oficial e acabaram por celebrar o óbvio, como se a escolha do Brasil tivesse sido muito difícil. Só de imaginar o superfaturamento das obras e o rombo no orçamento que houve nos Jogos Panamericanos deste ano e pensar que isso pode se repetir para o Mundial 2014, porém em proporções muito maiores, já é decepcionante. Pensar que muitos grupos de interesse serão favorecidos em detrimento de toda uma sociedade, também. Que a organização da Copa será marcada por uma guerra de egos e disputas pelo poder, não há dúvidas. A partir disso tudo, realizar um Mundial de futebol seria um disparate e há aqueles que dizem isso mesmo e com razão. Existem muito mais pontos em que o governo deveria dar prioridade em vez de concorrer a ser a sede de uma Copa. Como montar um evento desta magnitude se não há no país uma infra-estrutura adequada para receber um turista? Sem falar na segurança, nos transportes e em educação.

Por outro lado, a realização de um Mundial pode ser vista como uma oportunidade para que muita coisa mude no país. Para tal, são necessários: vontade, boa vontade e visão. Uma Copa do Mundo não é feita apenas de estádios. Muito se fala deles, mas como pensá-los se não há um sistema adequado de transportes (rodo, ferro, aero e metroviários) que permita um torcedor se deslocar para ver um jogo ou um espetáculo com conforto e segurança? Caso queiram estádios modernos, porque então “remodelar” Maracanãs e Morumbis, ultrapassados, cujas reformas ainda os deixarão aquém dos grandes estádios do mundo? Basta comparar. É preciso aproveitar esta oportunidade de receber um evento de tamanha importância para planejar a urbanização das cidades do país e investir na infra-estrutura de transportes (ressuscitar as ferrovias, solucionar pelo menos até lá a crise da aviação nacional e melhorar as estradas) e com isso realmente integrar o país. É uma oportunidade também para que o governo invista em educação. Para algo tão importante como uma Copa, é preciso que a população esteja preparada para ser a anfitriã. A China investiu maciçamente nos últimos anos na educação dos seus cidadãos tendo em vista a realização das Olimpíadas de 2008.  

  

Se tudo isso realmente acontecer, o número de empregos que será criado é incalculável, muita renda será gerada antes, durante e depois do Mundial. Em suma, é uma grande oportunidade para o país crescer. Se o Produto Interno Bruto da Alemanha aumentou com a organização da Copa do Mundo do ano passado, os efeitos poderão ser muito maiores no caso brasileiro. Caso o Brasil consiga organizar a maior Copa de sempre e dar a si mesmo a chance de crescer, é preciso muita seriedade e comprometimento. Vai ser necessário começar do zero em tudo. Não adianta nada a cidade ter a melhor rede hospitalar do país, se não está ao alcance de todos. Não adianta também a cidade ter os cartões-postais mais famosos, porque cartões-postais não fazem copas do mundo. Começar do zero nos estádios. Estádios novos, isso mesmo. Reformar o Maracanã sob a alegação que daria um “charme” para o torneio? Não se sabe desde quando o charme de algum estádio é responsável por um bom mundial. Se até Wembley, palco da maior conquista esportiva da Inglaterra (Copa de 66), foi demolido! O Maracanã nem por isso (perdemos em 1950), muito menos o Morumbi. Que o Mundial de 2014 seja, como o Presidente mesmo disse, para argentino nenhum botar defeito, mas que também não seja um evento feito apenas “para inglês ver”.

Palpitacos Ovalados Confirmados

 

Quartas-de-Final da Copa do Mundo de Rugby: 

África do Sul 37 x 20 Ilhas Fiji

Argentina 19 x 13 Escócia 

Semi-Finais: 

Inglaterra x França (13/10 – Saint Denis)

Argentina x África do Sul (14/10 – Saint Denis) 

Saudações ovaladas!

Palpitacos Ovalados

Segue o Mundial de Rugby, o terceiro maior evento esportivo do planeta em termos de audiência, depois da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos. Nesta edição o torneio é disputado na França. 

No início da competição os especialistas da bola oval apontavam como favoritas as seleções do hemisfério sul: África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. O favoritismo se confirmou com as pífias apresentações dos ingleses e franceses na fase de grupos.  Porém, a ovalada mostrou-se desta vez tão imprevisível quanto o esférico, e ontem os resultados das quartas-de-final foram surpreendentes: 

Austrália 10 x 12 Inglaterra

Nova Zelândia 18 x 20 França

  

As duas seleções européias estão classificadas para as semi-finais. Os míticos All Blacks (como são conhecidos os neo-zelandeses) estão fora, assim como os australianos, bi-campeões mundiais e atuais vice-campeões (perderam para a mesma Inglaterra na final). Hoje acontecem mais jogos e aponto a África do Sul e a Argentina como as futuras semi-finalistas. Caberá a estas duas seleções representarem o hemisfério Sul: 

Argentina x Escócia (16h00 – horário de Brasília)

Ilhas Fiji x África do Sul (10h00 – horário de Brasília) 

Depois veremos como tudo correu. Os jogos no Brasil são transmitidos pela ESPN Brasil. Para quem quiser saber mais sobre o torneio e sobre esse esporte, que nasceu junto com o futebol:

www.rugbyworldcup.com

www.bhrugby.com.br

Saudações ovaladas!

O Salto do(a) Puma

           O grupo PPR, detentor de marcas como a Gucci, Stella McCartney e Yves Saint-Laurent anunciou a compra de 27,1% da marca Puma. É o primeiro passo para a completa aquisição da empresa alemã. O valor do negócio foi estimado em €1,5bi.. A Puma é uma das maiores empresas no mercado de roupa desportiva, junto com a Adidas e a Nike e está em franca expansão visto que quase chegou à falência em meados da década de 90. 

         A empresa nasceu de uma ruptura dos irmãos alemães Dassler. Adolf fundou a Adidas enquanto a Rudolf criou a Puma, que no início dedicou-se exclusivamente à fabricação de chuteiras, calçando jogadores como Eusébio e Pelé. Depois de passar por uma forte crise há cerca de 10 anos, a reestruturação deu-se a partir da associação da marca ao mundo da moda. À medida em que foi obtendo êxito nessa área, voltou com novo fôlego ao mundo do desporto. Na Copa do Mundo de 2006 ela foi a marca que mais vestiu seleções no certame e foi uma equipe vestida por ela, a Itália, que conquistou o mundial. Vale ressaltar que houve um investimento maciço da Puma nos representantes africanos deste torneio, seja pelo futebol que demonstram ou pela simpatia que conquistam do público. 

          Há quem diga que a aquisição da Puma pela PPR será vantajosa para as concorrentes Nike e Adidas, uma vez que, por ser um consórcio que detém marcas do mundo da alta costura, a Puma irá dedicar-se mais a este conceito. Ledo engano. Pelo contrário, será uma “injeção” de capital na empresa, acirrando ainda mais esta concorrência que está se fechando cada vez mais no triângulo destas três marcas.

Baku?

          Alguém sabe onde fica Baku? Claro que alguns devem saber. Essa cidade já apareceu em filme do 007[1] e Carlos Alberto Torres lá viveu quando era treinador da seleção do país cuja capital é…Baku.            

          Bom, Baku é a capital do Azerbaijão – mais um país terminado em “ão” para a sua coleção -, uma pequena ex-república soviética localizada no Cáucaso, à beira do mar Cáspio, rica em petróleo e gás natural. Possui estreitos laços com a Turquia, tanto é que as pessoas torcem para times turcos como o Galatasaray e o Fenerbahçe. Bom, você aí na frente do ecrã deve estar se perguntando o porquê disso tudo.            

         No que diz respeito ao mundo do desporto, Baku vai lançar uma candidatura para os Jogos Olímpicos de 2016. Chicago demonstrou interesse, também Lisboa e Madrid. Esta última havia tentado para sediar os jogos de 2012.  Quais seriam as chances dessa cidade do Cáucaso em receber o mais importante evento desportivo do planeta?             Nenhuma chance. Apesar de todo o legado desportivo herdado da ex-União Soviética, por ser um país com relativo êxito no judô, no iatismo e no voleibol feminino (em termos europeus), Baku e o Azerbaijão não oferecem o mínimo de condições necessárias para receber um evento de tamanha relevância. O país, por exemplo, vive sob uma ferrenha ditadura desde a sua independência (1991) e está em conflito armado com a vizinha Armênia. Mais do que ser sede dos jogos, o Azerbaijão quer obter projeção internacional. Uma vez que sua capital seja candidata, o mundo tomará conhecimento desta atrevida ex-república soviética, que quer romper com o passado isolacionista, com o tradicionalismo Islâmico e se voltar para o ocidente.             

      Com tudo isso, creio que a partir de agora alguns já sabem ou sabem mais sobre o Azerbaijão e sobre a gloriosa Baku.


[1] 007 O Amanhã Nunca Morre;

Vocações e Condições

“Não jogamos bem. Não temos jeito nenhum para o futebol, ao contrário dos negros.”(“Futebol no Cimo da Montanha” – Courrier Internacional, nº97, 9-15/Fev 2007, p.39) 

Esta frase é atribuída a Miguel Ángel Dacomée, um menino Quéchua da vila de Quiroga, uma pequena localidade dos Andes equatorianos. Tal afirmação levanta a diversas questões, dentre as quais a tendência para a prática de determinada modalidade desportiva. Não teriam mesmo os indígenas vocação para o futebol?         

Vê-se o exemplo desse país andino de pouco mais de 10 milhões de habitantes. O Equador nos últimos anos tem se destacado no desporto-rei, qualificando-se para os dois últimos Mundiais (2002 e 2006). Ao se analisar a seleção equatoriana tendo como base estas Copas do Mundo, observa-se que a afirmação do menino tem validade uma vez que a maioria dos jogadores são negros, salvo alguns brancos como Kaviedes, Ambrossi e Mora e apenas um jogador de descendência indígena: Edwin Tenorio. Além disso o maior jogador da história do Equador e ícone do futebol latino-americano, Alex Aguinaga, era branco.           

Dentre todas as seleções da América do Sul que se qualificaram para um Mundial na história, pouquíssimas possuíam em seus quadros jogadores indígenas. Mestiços de segunda ou terceira geração sim, como o chileno Zamorano (Mundial 98) e a maior parte do time da Bolívia no Mundial 94. Nesta linha de raciocínio o Paraguai seria uma exceção uma vez que a maioria de seus titulares descendem dos índios Guaranis. Bom, teriam os Guaranis portanto maior pré-disposição às atividades desportivas diferentemente de outros troncos indígenas como os Quéchuas, Incas e Aimarás?          

Com tudo isso, há de se levar ainda em conta inúmeros fatores como desempenho em nível dos clubes e também o fator altitude para explicarmos êxitos relativos à seleção e clubes bolivianos e peruanos – países em que a maioria da população é indígena. Agora, não teriam mesmo os índios vocação para o futebol ou seria uma conseqüência da condição marginal que eles ocupam na sociedade latino-americana? Vocação pelo visto têm, mas condições não.


Blog Stats

  • 159.735 hits