Imigrantes da Bola

Há uma semana a Espanha sagrou-se campeã da Europa de seleções. No elenco, uns catalães, outros andaluzes, madrilenhos, mas todos espanhóis. Com exceção de um: Marcos Senna, espanhol “adotado” de São Paulo. É o primeiro brasileiro campeão da Europa em termos de seleções, mas não o primeiro estrangeiro a triunfar ao atuar pela nacional de um outro país.

Começamos na Copa de 1934, quando inúmeros jogadores uruguaios e argentinos e inclusive um brasileiro (Anfilóquio “Filó” Guarisi) com descendência italiana foram convocados. Naquele ano, a Itália ganhou a Copa, em casa. Em 1962 o meu conterrâneo Ângelo Sormani, também disputou o mundial, no Chile, pela Itália, uma vez que os pais eram italianos. Sem falar nos anos 90, quando o brasileiro Oliveira fez sucesso jogando pela seleção da Bélgica e Paulo Rink pela da Alemanha. Os casos mais recentes mostram Deco, Bosingwa e Pepe (brasileiro, congolês e brasileiro, respectivamente) a jogarem por Portugal; o argentino Camoranesi – campeão mundial em 2006 – pela Itália; Colautti, ítalo-argentino a atuar pela seleção de Israel. Para não falar de Brasileiros como Rui Ramos e Wagner Lopes a jogarem pelo Japão!
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Ângelo Sormani campeão da Europa 68/69 (cortesia acmilan.com)

Atraídos pelos salários e visibilidade, jogadores latino-americanos e africanos cada vez mais passam a atuar nas ligas de futebol da Europa, do Japão e dos Estados Unidos. Aproveitando-se pelo fato de apresentarem descendência – em certos casos não – e da demora em serem convocados pelas seleções de seus países de origem, vários jogadores vêem-se muitas vezes na situação de se mudarem de pátria, como nos casos acima citados. Isso certamente não é bom para o futebol e a FIFA já começou a trabalhar em cima disso, para a formação de futebolistas locais e, mais longe, da prática do esporte em países como a Itália e a Espanha.

Enquanto o futebol latino-americano for extremamente clientelista e ignorante em relação ao produto que possui em ‘mãos’, as seleções dos países com as ligas de maior evidência estarão sendo mais e mais disputadas por aqueles jogadores “renegados” nas equipes nacionais de seus respectivos países. Assim sendo, cada vez mais haverá os “imigrantes da bola”.

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