O Esporte como Mediador de Conflitos (?)

Nos próximos dias, semanas e quiçá meses, a opinião pública internacional falará muito bem, “babará o ovo” para Nicolas Sarkozy, Presidente da França, um dos responsáveis pelo fim do seqüestro de Ingrid Betancourt pelas FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular) e pela aproximação dos líderes Israelense e Palestino afim de chegarem a um acordo de paz que, segundo o Premiê de Jerusalém, “nunca esteve tão próximo”. Sarkozy, por estes atos, poderá ser visto como um líder compromissado com a paz mundial, um Chefe-de-Estado responsável e, pelos franceses, como aquele que está a reposicionar a França no cenário geopolítico mundial, como nos áureos tempos da Legião Estrangeira. Enfim, palmas a ele.

Recentemente a UEFA (União Européia de Associações de Futebol) tentou aproximar armênios e azeris – inimigos históricos – ao colocá-los no mesmo grupo de apuramento para o Europeu de Seleções de 2008. Não deu certo. Um país não aceitou jogar contra o outro. O esporte não serve como mediador de conflitos, apesar de muita gente pensar o contrário. O que pode haver é uma aproximação entre as duas partes, uma amenização do impasse, mas nunca o fim dele por completo. Neste blog já foi falado sobre a partida de pólo aquático entre húngaros e soviéticos pelas Olimpíadas de 1956, logo após a violenta supressão soviética à Revolução de Budapeste. Qual jogador magiar não entrou naquela piscina sem se lembrar deste fato? Obviamente que nenhum. E na Copa do Mundo de 1998, aquele jogo entre os EUA x Irã: não adiantaram as flores, as placas e demonstrações de amizade antes da partida quando, após seu final, com a vitória dos persas por 2 a 1, a TV estatal iraniana coloca o Aiatollah ao vivo, em uma mensagem a dizer que o povo do Irã é capaz de vencer o grande satã (os EUA).

Confraternização entre estadunidenses e iranianos em jogo da Copa de 98 (Fonte: AP)

Um dos sonhos de Havelange não cumpridos enquanto presidia a FIFA, foi o de realizar uma partida entre Israelenses e Palestinos. O esporte sim é um instrumento para a paz e confraternização dos povos, mas pensar que ele sozinho é capaz de pôr fim a anos, décadas e séculos de hostilidades, é inocência em demasia.

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