“Major Premier League”

Um dia propuseram que as ligas – principalmente de futebol – européias adotassem um modelo estadunidense em sua forma de disputa. A característica principal deste modelo é a não existência do chamado “rebaixamento”, que consiste no descenso da equipe para disputar, no próximo ano, um torneio de menor nível técnico para, se obtiverem um bom desempenho nele, voltarem ao escalão máximo da modalidade em termos de competição.

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A NFL (futebol americano) e suas equipes (Fonte: nfl.com)

Os defensores do modelo dos EUA dizem que a inexistência do descenso permite um maior planejamento do clube em termos de infra-estrutura, direcionamento estratégico, profissionalização dos quadros diretivos e os salários dos jogadores mais nivelados (o que permite um maior planejamento financeiro). Sem dúvida, isso é observável nas ligas de basquete (NBA), futebol americano (NFL), beisebol (MLB) e futebol (MLS) naquele país, por toda a promoção que existe em torno de um jogo, de um torneio e de como o desporto lá é realmente um prestador de serviços. Este é o modelo principalmente dos Estados Unidos e Canadá e que o México tem procurado adotar, obviamente, adaptado à sua realidade, completamente distinta.

Realidade esta que permite o ascenso e o descenso. A mesma realidade que há na Inglaterra, em Portugal, na Argentina, no Paraguai, enfim. Se houvesse uma liga “fechada” (modelo dos EUA), dificilmente os Queen’s Park Rangers disputariam a “Premier League”; ou na Argentina o CA Temperley a “Nacional A”. A busca e a necessidade de estarem na primeira divisão – para conseguirem maiores receitas com bilheteria e direitos de transmissão pela TV – também podem permitir ao clube a necessidade de criar um planejamento estratégico, uma estrutura profissional do seu corpo diretivo, trabalhar com a paixão do adepto e sócios da instituição como o licenciamento, merchandising de produtos oficiais e outras campanhas de marketing como o no Brasil conhecido por “Sócio-Torcedor”.

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Torcida do Temperley (grande Bs As), das divisões inferiores do futebol argentino (Fonte: intercele.com.ar)

Quando um torcedor compra uma temporada inteira de bilhetes, ele sabe que corre o risco de ver a sua equipe rebaixada para uma divisão inferior e um clube, mesmo estando em uma dessas divisões inferiores, pode manter ou aumentar a sua renda com a venda de ingressos. O Corinthians – até onde sei -, tem conseguido fazer isso em simultâneo com a reestruturação da sua direção, que tem se mostrado mais profissional, transparente e com objetivos mais claros. O Manchester City FC é outro caso: antes mesmo de ser comprado por magnatas tailandeses e árabes, de ter a evidência que possui hoje, o clube, depois de algumas temporadas fora da primeira divisão inglesa passou por um processo de reerguimento que culminou com a construção de um novo estádio (Cidade de Manchester) e a volta à “Premier League”. A mesma coisa não aconteceu ao Leeds United: depois de gastar, gastar e gastar, chegar às semi-finais da Liga dos Campeões em 2000, o clube não saldou suas dívidas e mergulhou em uma crise que o levou às profundezas da terceira divisão inglesa. Um dia é capaz que voltem e revivam momentos de glória, como em 1992.

O Manchester City FC (Fonte: www.mcfc.co.uk)

Tal retorno do Leeds pode realmente acontecer, desde que a sua direção perceba que o esporte também é um prestador de serviços, como um teatro ou um concerto musical. É necessário cativar o público, o seu público. O torcedor não ser visto apenas como apaixonado, mas também como potencial consumidor. Assim sendo, a instituição poderá investir, por exemplo, em infra-estrutura, em comodidade. Terá margem de manobra para montar uma boa equipe. Riscos de rebaixamento sempre existirão. Se todos os clubes adotarem esta política, o nível de competitividade aumentará. Claro que haverá os clubes que, por terem maior torcida e estarem localizados em centros mais ricos e populosos, terão condições de estabelecerem melhores plantéis.

O modelo dos EUA de disputa de campeonatos é particularmente deles e lá deve ficar. Talvez não daria certo na América do Sul, Japão ou Europa. Entretanto, campeonatos nestes continentes, com o mediatismo e dimensão estadunidenses, combinado com um modelo de subida e descida de divisões, são sim possíveis.

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