O Dia Seguinte

Vou escrever este texto em primeira pessoa mesmo e colocar as minhas impressões sobre o grande dérbi lisboeta (Sporting x Benfica), que tive a oportunidade de ver ontem, ao vivo, em Alvalade. Talvez seja o último enquanto morador do velho mundo. Ah, o título deste texto é o nome de um programa desportivo de TV que passa às segundas-feiras por aqui, nos moldes do “Terceiro Tempo” (Record) e do “Cartão Verde” (TV Cultura).

Foi realmente um dérbi em sua essência: duas equipes de enorme tradição e com grande número de – fanáticos – seguidores. A entrada foi confusa. Pensava que isso era típico da América do Sul, mas não. Em Madrid, no Atlético x Real também foi confuso. Mas ontem levei 1:30h na fila para entrar devido ao inadequado esquema de policiamento para a entrada dos torcedores visitantes e a demorada entrada destes torcedores visitantes. A área para eles reservada é ocupada em sua maioria pelos membros das torcidas organizadas (no caso os “Diabos Vermelhos” e os “No Name Boys”). Os adeptos (como se diz por cá) visitantes “comuns” misturam-se com os locais, mas sem dúvida alguma em muito menor número e muito mais reservados que os donos-da-casa.

Estádio José de Alvalade, do Sporting (Fonte: pontapedesaida.com)

Devido à intensa demora, houve muito empurra-empurra e à entrada viam-se discussões de torcedores com a polícia e os stewards. Uma briga logo foi contida pela segurança. A separação das torcidas aqui não é como no Brasil. Uma – frágil – grade separa os visitantes dos locais. Ao lado desta grade há uma fila de 3 tipos de força: os stewards, os spotters da polícia e a própria polícia. Os stewards contém, separam e procuram dissipar algum tumulto. Não sendo possível, atuam os spotters. Em último caso, age a polícia. Ao meu ver, um esquema de segurança frágil e delicado. Entre a torcida visitante e a torcida local, há apenas esta grade e a fila com as pessoas que fazem a segurança. Ou seja, entre os torcedores locais e visitantes, existe, no máximo, 1 metro. Se toda a massa resolver investir contra a grade e a segurança, o pior aconteceria. Fiquei na divisa entre as torcidas. Por analogia, era como se estivesse em um dos lados da fronteira entre Israel e a faixa de Gaza.

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Estávamos bem próximos aos torcedores visitantes (crédito: Felipe Corbellini)

E ontem o dérbi teve todos os ingredientes para essa segurança ir abaixo. Eram 45 mil pessoas.

A começar pela entrada. A revista foi aquém do esperado, pela cautela que um dérbi requer. Além disso a região destinada aos torcedores do Benfica parecia estar superlotada. Era muito fácil alvejar outros torcedores com copos ou sanduíches. Para piorar (ou melhorar), o jogo foi intenso, com a vitória do Sporting por 3-2. Um gol mais bonito que o outro. Tudo isso serviu de fator para início de tumulto e provocações. Ao final do jogo não faltaram cadeiras arrancadas, discussões, xingamentos, gritos-de-guerra e ameaças de derrubar aquela grade que citei acima. Eu inclusive não saí imune. Perguntem ao meu amigo Felipe, que esteve comigo lá ontem.

Sporting-Benfica, Grêmio-Inter, Atlético-Cruzeiro, Boca-River, Newell’s-Central, Roma-Lazio, XV de Jaú-Noroeste. Um dérbi é um dérbi, seja aqui, seja na China. Aqui realmente a violência é menor, muito o Brasil tem para aprender com o que se passa por aqui. Mas, que na Europa não há violência nos estádios, que não existem cambistas, batedores-de-carteira, flanelinhas no estacionamento e tudo é muito organizado, é uma treta!

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