Palavras que Valem

Um dos trabalhos de conclusão de curso dos meus alunos é sobre o “media training”, que consiste em a pessoa ser treinada e preparada para poder se comportar diante da imprensa e perante um público que o acompanhará. Deve ter cuidados com a postura, com as palavras, com o traje e com o olhar. Deve estar pronto para quaisquer perguntas e responder o suficiente para sanar a dúvida do entrevistador. Sem rodeios, sem vícios de linguagem, objetivo.

Atualmente o media training é muito comum no meio esportivo, afinal o esporte está cada vez mais profissional e movimenta muito dinheiro. Os atletas e dirigentes representam uma instituição e em função disso conferirão, através das suas condutas e das suas palavras, a imagem desta instituição. Quanto mais ela se preserva e prepara os seus profissionais para as situações de exposição pública, melhor a sua marca fica conhecida no mercado. Entretanto se o atleta dá entrevistas de brinco, chinelo e camiseta regata – como acontece em muitos casos -, a última imagem que o público terá da instituição será o de profissionalismo.

Dessa maneira percebe-se o porquê de clubes estrangeiros de futebol preferirem muito mais argentinos a brasileiros. Profissionalismo. Com raríssimas exceções (Tevez), o argentino sabe falar muito melhor que o brasileiro. É pouco comum vermos argentinos, uruguaios e paraguaios perderem-se em festas e bebidas, ao contrário dos brasileiros. Enquanto em muitos casos os demais Sul-Americanos esforçam-se a falar a língua do País local, o brasileiro tem tradutor e outros serviços, “cheio de quereres”, como diria meu amigo Luizão. Recentemente via um programa de entrevistas na Fox Sports Argentina, bem descontraído. O entrevistado no estúdio: um jovem goleiro do All Boys, da 1ª divisão local. All Boys, pessoal, All Boys! Com o merecido respeito, mas alguém que não fanático conhece os All Boys? Ora, eu não sabia distingui-lo (o goleiro) dos apresentadores, tamanha a desenvoltura do atleta. No Brasil isso é bem menos possível.

Não venham com a desculpa sobre a origem socioeconômica do atleta. Lá eles também vêm em sua maioria de condições bem humildes.

É preciso refletir sobre isso, afinal as palavras valem milhões e são capazes de construir a imagem de uma organização.

No entanto eu não queria dizer isso: media training para atletas no Brasil é indicador de subdesenvolvimento. Significa um esforço em preparar o atleta para vendê-lo a um mercado mais rico e que gerará mais rendimentos para a instituição aqui no Brasil, já que não consegue através de outras maneiras.

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