A Nacionalizar

Muitos foram pegos de surpresa nesta semana com a nacionalização da Repsol/YPF pela Presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner (CFK). Outrora estatal, a Yacimientos Petroliferos Federales (YPF) fora comprada pela empresa espanhola durante o programa de privatizações levado a cabo pelo antigo Presidente Carlos Menem, durante a década de 1990. Do dia para a noite, a principal empresa de petróleo argentina volta a ser do Estado, sem aviso prévio, sem esclarecimentos, como se fosse um turvo golpe para a tomada de poder. A credibilidade, fundamental para a atração de investimentos externos, fica abalada. Assim sendo, menos recursos entram no País. Menos recursos, menos empregos em longo prazo.

Política populista, sem dúvida alguma. A cada obra o nome da Presidente é exaltado. A disputa – diplomática – das Ilhas Malvinas é outra iniciativa para exaltar o seu governo. O controle da imprensa, é para tentar mantê-la no poder. A estatização da Aerolineas Argentinas é outro grande exemplo.

Fora o populismo, qual seria a vantagem de tudo isso? Controle da tecnologia. Com estas empresas em mãos do Estado, tem o País agora o controle sobre não apenas a exploração de petróleo, mas também sobre a tecnologia em extraí-lo, refiná-lo e distribuí-lo. Dessa forma, pode a Argentina iniciar uma política de auto-suficiência em petróleo, ao formar profissionais especializados capazes de compartilhar o conhecimento através do ensino e da pesquisa. Por isso entende-se inovação. De igual maneira é ter controle da Aerolineas Argentinas, conhecer a frota aérea para o desenvolvimento de uma própria ou então ter a autonomia em criar novos corredores aéreos para o desenvolvimento de políticas para o turismo naquele país.

Como o esporte envolve as massas, e massa significa voto, o esporte, sobretudo o futebol, também entra nessa jogada. O futebol local agora é transmitido pela TV pública para toda a Argentina. Antes, era pela TV por assinatura. Por muito pouco o governo Kirchner não patrocinou um piloto local para fazer parte da Fórmula 1, uma das grandes paixões daquele país, desde os tempos de Fangio e Reutemann. Neste caso, não é domínio de uma tecnologia específica, mas o controle da tecnologia do voto, através do populismo.

Não é papel deste texto julgar as políticas do governo Kirchner, na Argentina. É sim mostrar que o esporte não escapa das estatizações. Próximo passo talvez possa ser o de nacionalizar Messi. Trazê-lo de volta pro Newell’s.

Não duvido nada.

 

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