Do interior

Feliz Páscoa a todos!

Esporte é investimento. Investimento para a formação pessoal, investimento para o crescimento profissional, investimento financeiro com fins comerciais. Atentemos para este último. Esporte é negócio, é comércio, o torcedor é consumidor. Menos torcedores, menos consumidores, menor o lucro. Menor o lucro, menos competitivas são as equipes profissionais. Se menos competitivas, pior o resultado. Piores resultados, menos ainda o número de torcedores. Diminui ainda mais o lucro.

Kazu, maior jogador do Japão, começou no XV

Kazu, maior jogador do Japão, começou no XV

É isso o que está acontecendo no interior do Brasil, sobretudo em São Paulo. No futebol, a diferença entre grandes clubes da capital e as equipes do interior é muito grande. Nem os que mais têm investimento sobrevivem, como o Comercial e o Botafogo, de Ribeirão Preto; o Noroeste, de Bauru. Elas já não conseguem vencer tanto, não conseguem formar e vender jogadores, cada vez menos torcedores vão aos estádios, pois preferem torcer para as formações da capital, mais ricas, competitivas e vitoriosas.

Com isso, o interior perde a sua identidade, fundamental para o desenvolvimento regional. Identidade gera compromisso, identidade fortalece a construção de uma comunidade e o trabalho em seu benefício, em forma de cooperação e comunhão. Identidade é auto-estima. Não há identidade, logo, corre-se o risco de não haver auto-estima.

Qual a solução? Mantenham-se ao futebol se quiserem, mas trabalhem com o que é de casa. Formem as ‘pratas-da-casa’ e construam, desde a base, essa identidade. Recomecem-na. Ou então, construam essa identidade através de outras modalidades. Exemplo claríssimo disso é a equipe de rúgbi de Jacareí, no Vale do Paraíba. Com garotos de lá, a modalidade tem levado o nome da cidade Brasil afora. O mesmo acontece em São José dos Campos. A ‘Águia do Vale’, a equipe de futebol do São José EC já não chega perto da contribuição à sociedade joseense assim como faz o rúgbi local.

O interior já tem menos habitantes, logo, menos torcedores e, claro, menos consumidores. Quanto mais consumidores, melhor. E o futebol atingiu um ponto em que ou se tem muito investimento – como as equipes do Audax e do Red Bull -, ou mercado consumidor. É possível ter mercado consumidor com o esporte no interior? Sim. Para isso, é preciso recriar a identidade e, com ela, cativar e fidelizar os consumidores.

Escrevo isso por que o meu clube, o XV de Jaú, caiu. Hoje. O que aconteceu com o XV hoje, aconteceu com a Inter de Limeira também, campeã paulista de 1986! E pode ser o destino de outros tantos clubes. O futebol tem solução no interior, sim. Mas acredito no rúgbi como importante fator para a reconstrução de uma identidade com base nos valores que só ele possui.

Feliz Páscoa uma vez mais!

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