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Enquanto isso na Margem Sul do Rio da Prata

Segue paralisado o campeonato argentino da primeira divisão, o Torneio Apertura. Seria a gripe A1N1 o motivo para isso? Seria um pedido do Maradona para somar forças para os jogos da Argentina para o apuramento ao Mundial FIFA 2010 na África do Sul? Não, nada disso. O motivo é a dívida que cada clube possui com os investidores e o poder público, seja com as municipalidades, governos provinciais e governo federal.

CA Lanús vs. CA Velez Sarsfield, pelo Apertura’07 (ole.com.ar)

Imbecil a medida de atrasar o início do campeonato. A medida não vai tão cedo solucionar o problema. O torneio vai atrasar, os clubes não vão sanar as dívidas e vão “empurrá-las com a barriga”. Talvez (talvez!) pudesse ser sugerida a perda de pontos ou o rebaixamento, a obter a promoção à primeira divisão apenas quando as pendências forem resolvidas. Muitas vezes, sanções como estas fazem com o que o clube realize um planejamento econômico-desportivo a longo prazo com o fim de quitar as dívidas e obter resultados desportivos que possam trazer recursos à organização.

Até agora quem perdeu com o atraso foi a torcida e investidores. A TyC (Torneos y Competencias) rompeu com a AFA (Associação do Futebol Argentino) e não transmitirá o certame. Assim sendo, não há patrocinadores e consequentemente repasse dos direitos de transmissão para os clubes.  Pela legislação argentina, o Estado que transmitirá as partidas através da TV pública. Convenhamos que não houve tempo hábil da emissora estatal planejar a transmissão de um campeonato que está entre os 5 principais do planeta (segundo a IFFHS).

Pode ser uma medida equivocada a do atraso do início do torneio. Porém, é uma medida. Como uma iniciativa, é digna de um parabéns. Caso contrário, os clubes trabalharão em um ciclo vicioso, com efeito de uma “bola-de-neve”.

Libertário Sonhador III

Que o esporte ganhou uma dimensão global, isso é inegável. O apuramento das telecomunicações e do fluxo de pessoas tornou o mundo menor. Dentro disso também o futebol se inclui.

Talvez o primeiro registro de como o futebol se tornou global tenha sido em Moçambique. Está bem, você pode dizer que os clubes sul-americanos espelhavam-se nos ingleses quando iam escolher algum nome: Juniors, Rangers, Wanderers, Athletic, Sport e isso já definia o quanto global estava a modalidade. Mas da Inglaterra veio o futebol! Digo Moçambique por ser – à época – uma remota localidade africana, que tinha uma equipe de jovens chamada “Os Brasileiros”, que revelou um dos maiores futebolistas de todos os tempos, Eusébio. Anos mais tarde ele brilharia pelos campos do mundo a vestir uma camiseta encarnada, ou a do Benfica ou a de Portugal.

E é a globalização por que passa o futebol – há bons muitos anos – que me chamou a atenção recentemente em minha cidade natal. Lá há um clube amador de futebol cujo nome homenageia há mais de 40 anos um campeão da Copa Libertadores da América. Chamou-me a atenção pelo tempo que persiste esta homenagem e pelo histórico de rivalidade no futebol entre os dois países, que não permitiria tal “luxo”.

Estudiantes de La Praça - Jaú-SP- Brasil 001

O Estudiantes de La Praça FC, em Jaú-SP, em homenagem ao CA Estudiantes de La Plata (ARG)

Tudo muito curioso, bem como o Boca x River que há no sertão de Pernambuco. Assim segue o futebol sul-americano, repleto de curiosidades e possibilidades.

PS: Para saberem mais: https://virgilioneto.wordpress.com/2010/02/01/estudiantes-de-la-praca-f-c/

“Fator Campo”: A Influência sobre a Decisão do Árbitro

No futebol – assim como em outras modalidades – todos reconhecem a importância de se jogar em casa. Campo e rotina conhecidos, relação topofílica entre o ambiente e o futebolista, e a maioria da torcida a favor. Torcida que incentiva, empurra, vibra e influencia não apenas no desempenho da equipe, mas também nas decisões do árbitro.

Nueva Chicago

Torcida do Nueva Chicago (Argentina)

Estudo revela que quanto maior a assistência do estádio em uma partida de futebol, maior a marcação de faltas para a equipe local (DOWNWARD; JONES, 2007). À medida que aumenta o número de torcedores locais no estádio, o árbitro fica mais sujeito a anotar as faltas para os anfitriões. É óbvio que com a torcida local mais numerosa, as reclamações, as vaias, as gesticulações, as provocações e as ameaças serão mais intensas e, desta maneira, acabarão por influenciar na decisão do juiz. Em muitas destas vezes vão ocorrer equívocos e um dos lados vai se sentir prejudicado. Sem hipóteses de que o árbitro volte em sua decisão, o jogador, sentindo-se injustiçado, vai recorrer à violência. Por sua vez, um ambiente hostil é capaz também de gerar hostilidade nos torcedores e a violência ser verificada nas arquibancadas (LEE, 1985).

O estudo foi realizado na Inglaterra, onde quase todos os estádios, salvo alguns, têm o mesmo formato e pouca distância entre o campo de jogo e a plateia. Ademais, os torcedores visitantes são colocados no local de pior acústica do estádio, para que suas canções, vaias e reclamações sejam abafadas, maximizando as manifestações do público “dono da casa”, mesmo pouco numerosa. Tudo isto se aplica à América do Sul e ao Brasil, mesmo que aqui a arquitetura de seus estádios é bem diferente da de seus vizinhos. Aqui há uma distância maior entre o gramado e o público, ao contrário do que acontece em muitos países da região.

Assim sendo, a FIFA (Federação Internacional de Futebol), Federações Nacionais e organismos locais adotaram medidas de segurança nos estádios, tendo em vista não apenas a preservação do torcedor – fazendo com que ele frequente mais o estádio – mas também a própria preservação do jogo. A equipe sim pode ser incentivada e influenciada pelo público, mas não a equipe de arbitragem, responsável pelo andamento da partida, cumpridora da legislação do futebol. Por deter este poder, usa em princípio a cor preta em seus uniformes, como símbolo da imparcialidade, assim como os juízes de Direito.

 

É por isso que a entidade máxima reguladora do futebol estabeleceu regras tendo em vista preservar o jogo. Dentre elas estão a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, determinação de uma distância mínima entre o campo de jogo e a arquibancada, a implantação de uma fossa ou instalação de uma cerca de, no mínimo 2,20m entre os dois ambientes. Quaisquer medidas que não sigam estas recomendações só seriam aprovadas após vistoria de peritos. O que acontece na Inglaterra, por exemplo.

 

Entretanto, não é a distância do gramado, a altura de uma cerca ou a existência de uma fossa que impedirá alguns torcedores de provocar e intimidar juízes, auxiliares (“bandeirinhas”) e assim influenciar o jogo, o que a FIFA teme. Com isso, muito tem sido investido na formação e treinamento dos árbitros (principais e auxiliares), para que fiquem alheios ao “fator campo” bem como os próprios treinadores preparam os seus jogadores, para serem mais ou menos favorecidos nos jogos. Por mais que se coloquem medidas para atenuar a manifestação da torcida local, que possa interferir na decisão do árbitro, ela não vai acabar. Com o passar do tempo o público pode se tornar mais consciente do papel do árbitro mas, enquanto isso não acontece, a equipe de arbitragem precisa estar bem preparada para os diversos cenários, bem como o gestor do esporte para potenciar a preservação do público. E do jogo.

Libertário Sonhador II

A sociedade atual que se reflete no universo esportivo, nos coloca um cenário em que é cada vez mais rara a demonstração de amor, fidelidade e orgulho a um clube, uma instituição e a um país.

Milhões de dinheiro são gastos na contratação de atletas, no patrocínio aos atletas. Outros milhões são projetados em vendas, em número de telespectadores, em quantidade de bilhetes vendidos, de bebidas e comidas consumidas dentro de um estádio, pavilhão, onde houver um evento esportivo.

Os valores cada vez mais estão sendo perdidos. Levar vantagem nas situações tornou-se uma convenção. Dar-se por esperto em detrimento de outra pessoa, também.

Concordam comigo os pedagogos do desporto que, aliado à formação do atleta, está também a formação da pessoa, do caráter deste atleta. E são também cada vez mais raras as demonstrações de probidade, honradez e caráter nesse meio.

Juan Verón, a serviço dos Estudiantes de La Plata (sportsillustrated.cnn.com)

Uma das últimas demonstrações desta natureza foi a de Juan Verón, campeão da Libertadores da América em 2009. De nada adiantou correr o mundo a jogar futebol e obter sucesso. Era preciso voltar às origens e jogar no clube em que o pai foi tri-campeão da Libertadores (1968-69-70), simplesmente para honrá-lo. Não se aguentou e foi ao choro logo do final da partida. E para Verón certamente não há dinheiro, clube ou patrocínio no planeta que pague por essa conquista.

Libertário Sonhador

Estavam Simón Bolívar, D. Pedro I, Solano López, San Martín, Artigas e O’Higgins em uma sala, vendo pela TV o jogo entre Estudiantes vs. Cruzeiro na última quarta-feira, dia 08 de Julho.

Muito bonita a festa que antecedeu o primeiro jogo da final da Taça Libertadores da América em 2009. Realmente digna de um grande torneio e de uma grande decisão. Quiçá um esboço de uma mudança para promover o torneio e gerar mais rendimentos para os clubes participantes.

Cruzeiro (Brasil) e Estudiantes (Argentina) decidem a Taça. Obviamente, os países com clubes com maior probabilidade de fazerem uma final. Não digo isso pelo historial e palmarés dos países no torneio, mas sim pelo número de vagas destinadas aos dois. Cerca de 5 ou 6, contra 2 uruguaios, 2 chilenos ou 2 clubes colombianos.

Infelizmente esta é a saída para atrair mais visibilidade, audiência, patrocinadores e, consequentemente, renda. Brasil e Argentina são os mais populosos e com as maiores economias, logo, mais audiência e poder de compra. A entrada de clubes mexicanos deu-se também nesse sentido, mas a gripe A1N1 azedou o “guaca mole” e fechou a fonte da Conmebol.

A Taça Libertadores é injusta com o número de vagas distribuídas aos países. É sim possível o contrário, com a quantidade igual de clubes para todos os países, ou então reduzir os brasileiros e argentinos, através de um pool de patrocinadores e venda antecipada de direitos de transmissão. Aliado a isso, uma política de promoção do certame pelo mundo todo da “competição mais difícil do mundo”, de acordo com a “Freunde”, revista alemã de esportes.

Ao longo da semana falaremos mais da Libertadores.

Realeza Galática

Indecente o montante gasto pelo Real Madrid na construção do plantel para a próxima temporada.  Kaká, Cristiano Ronaldo e vários outros para tirarem a hegemonia do FC Barcelona, o maior rival, em território europeu.

Jornais europeus noticiam a ida de Kaká ao Real Madrid CF (imgs.sidneyrezende.com)

Indecente e irresponsável. Irresponsável não no sentido que será um dinheiro gasto e que não haverá retorno. Muito pelo contrário: Manuel Pellegrini – o técnico chileno contratado para o cargo – saberá formar uma grande equipe, que muito em breve estará a disputar os principais títulos daquele continente. Irresponsável no sentido de ser este um dinheiro que não será investido nas categorias de base e de formação do clube, essenciais para a manutenção de um trabalho a longo prazo de uma organização desportiva.

Como sempre diz o grande professor Dr. Gustavo Pires, “infelizmente no esporte os projetos decorrem dos resultados e não são os projetos que dão origem aos resultados”. E no Real Madrid vai ser assim. Diferentemente do que houve no FC Barcelona, quando os projetos levados a cabo pelo clube culminaram na conquista da Liga dos Campeões UEFA 2009, por exemplo.

Fora isso, acrescenta-se o esforço de Michel Platini – presidente da UEFA – em regulamentar o indecente e irresponsável mercado do futebol. Vai ser preciso, para preservar o esporte e a essência do jogo.

Contra-Giro

Sobre a Gestão do Esporte.

Vejo este embate que ocorre entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e as escuderias muito de longe. A criação de uma liga independente de automobilismo, que contaria com Ferrari, BMW, Renault e McLaren, chamaria muito a atenção, como já chama. Entretanto, uma Liga sem o selo da FIA perderia poder de barganha com patrocinadores e meios de comunicação. Em outras palavras, perderia reconhecimento.

Max Mosley, presidente da FIA (www.0-60mag.com)

Assim sendo, cedo ou tarde um acordo entre a FIA e as equipes vai ser celebrado e tudo continuará como estava. Não “como está”. “Como está” é o problema, pois a concentração de poder de Max Mosley (presidente da FIA) é o motivo do imbróglio.

Um Viva à Coreia do Norte!

Realmente acredito que nunca a Coreia do Norte mereceria um “viva”, mas pelo feito desta semana, sim. Eles, que estão no ano 91 (o ano zero dos norte-coreanos é o do nascimento do “Grande Líder”, falecido em 1994) comemoram a classificação para a Copa do Mundo FIFA África do Sul 2010.

Kim Jong Il, o “Querido Líder”, filho de Kim Il Sung, o “Grande Líder” da Coreia do Norte (fonte: AP)

Em meio a testes de armamentos nucleares e declarações de prontidão para um conflito bélico, a Coreia do Norte arrancou um empate sem gols da Arábia Saudita. Mas antes disso, os norte-coreanos foram favorecidos pelo empate da Coreia do Sul.

Bem, as duas Coreias estão em guerra declarada, mas sem conflitos efetivos. São rivais históricos, entretanto os sul-coreanos deram uma mão aos vizinhos do norte. Mesma língua, mesma etnia, mas inimigos. Difícil imaginar situações como esta.

Seleção norte-coreana de futebol (fonte: kcna.com)

Agora é aguardar pelo jogo Estados Unidos vs. Coreia do Norte durante a Copa do Mundo de 2010. É óbvio que a FIFA vai manipular o sorteio dos grupos! Quer jogo melhor que esse para mostrar ao mundo que o futebol promove a paz? É só lembrar o Irã vs. Estados Unidos do Mundial de 1998; o Portugal vs. Angola do Mundial de 2006 e os Argentina vs. Inglaterra dos mundiais de 1998 e 2002 (o de 1986 foi para prolongar a guerra).

As 12 Rainhas – Parte II

Na parte I deste texto – escrito há alguns meses – este blog indicava as 12 cidades-sede para o Mundial 2014 no Brasil. Entretanto não foram aquelas as 12: Cuiabá venceu a disputa contra Campo Grande; Natal bateu Florianópolis.

A análise da escolha das cidades-sede ainda será feita: o que levou terem escolhido Cuiabá e Natal em vez de Campo Grande e Florianópolis, respectivamente?

Ficam por enquanto os votos de muito trabalho e sucesso às populações de cada uma das “12 Rainhas”! Parabéns!

Era dos Extremos

Greve de fome dos jogadores da UD Rio Maior, em Portugal. Não recebem há meses e o salário deles é, em média, de 600 euros. Ao mesmo tempo Cristiano Ronaldo recebe um salário recheado de zeros. Sem tirar os méritos do jogador do Manchester United, mas é apenas um exemplo para ilustrar que apenas uma parte do que ele ganha por mês garante mais que 600 euros por mês para cada jogador do Rio Maior.

No Brasil, Belluzzo prepara um estudo que propõe teto salarial nos clubes de futebol do país, assim como ocorre nas ligas norte-americanas. É a ideia de Platini (presidente da UEFA). Nobre iniciativa, mas não aplicável no momento. É preciso que todos os clubes se interessem por esse projeto e façam parte dele.

Na Ucrânia o extremamente famoso e com grande palmarés Shakhtar Donetsk conquista a Taça UEFA e ao mesmo tempo constroi um estádio de US$811 milhões. Já lá no Amapá o principal clube tem que pagar para um hotel para usar o único campo bem conservado do estado, para treinar. E não podem usar chuteiras. O estádio “Zerão” (leva esse nome porque a linha do meio-de-campo está sobre a linha do Equador) está condenado.

Estádio “Zerão” em Macapá (AP) (photopocket.com)

Tudo isso fora inúmeros outros sacrifícios e dificuldades que clubes e futebolistas de todo o mundo enfrentam para ganhar a vida e sustentarem suas famílias. É como está hoje o mundo, é como está hoje o  futebol: marcado pelos extremos.


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