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As 12 Rainhas

Durante os últimos dias o mundo – por que não? – acompanhou de perto a babação de ovo de 17 cidades brasileiras para a comitiva da FIFA/CBF/Ministério do Esporte, com o objetivo de serem escolhidas como cidades-sede do Mundial de Futebol de 2014. A cada cidade visitada, uma surpresa: um mimo, uma dança, enfim. Beirava o ridículo. São as 17 cidades que concorrem a 12 vagas de cidades-sede: Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba; São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte; Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Brasília; Rio Branco, Manaus, Belém; Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. O que será que é preciso para ser sede?

Mais que influência política e pujança econômica, claro. Se tivermos como base a Copa da Alemanha de 2006, Rostock e Dresden foram as únicas grandes cidades que ficaram de fora. Nos EUA durante o Mundial de 1994, lembro-me de Atlanta, Seattle e Denver, como grandes cidades que foram deixadas de lado (mesmo Atlanta sendo sede da Coca-Cola, principal patrocinador da FIFA).

Por enquanto o mundial do Brasil está muito incipiente, com projetos baseados em maquetes e em desenhos. Se pelo menos cerca de 60% daquilo que foi planejado e desenhado sair dos papéis, já vai ser uma vitória.

Complexo viário da Cidade do Cabo (www.development.co.za)

Faltam 5 anos para 2014. São apenas 5 anos. São 5 anos para o país investir em transportes, comunicações, turismo, segurança, educação, turismo e emprego. Muito será preciso ser feito para o país ter condições de receber o segundo maior evento do planeta. É aquilo mesmo dos 50 anos em 5 de JK. Pior ainda, talvez 100 anos em 5.

Pelo visto, vários estádios serão reformados. Discordo disso pelos gastos excessivos. É mais barato construir um novo do que reformar um antigo. Se querem saber como se constrói um estádio, que conheçam o trabalho feito por Portugal para a Euro’2004. Para potenciar o uso de um estádio, que saibam como este trabalho é conduzido nos EUA e no Canadá. Se o Brasil quiser potenciar a incorporação de um estádio dentro do espaço urbano, conjugado com os transportes e as comunicações, é preciso aprender com o Japão. Assim sendo, de que adianta um estádio com 40000 pessoas em uma cidade em que até o fuso horário atrapalha? Para que fazer sede a capital de um estado que não possui posição de destaque no cenário sócio-econômico nacional? 

Para uma cidade ser sede de um mundial é preciso levar em conta, em primeiro lugar, a sua acessibilidade. Depois levamos em consideração itens como importância econômica, indicadores sociais e potencial turístico. Em último lugar – mas não menos importante -, a importância dos clubes locais para o futebol nacional.

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A cidade de Manaus, capital do Amazonas (manaus.am.gov.br)

Levando em linha de conta estas variáveis, vejamos as três capitais do Norte que concorrem: Rio Branco, Manaus e Belém. Manaus supera as outras duas, apesar de não ter contado recentemente com clubes na primeira divisão nacional. Com relação às capitais do Centro-Oeste (Goiânia, Brasília, Cuiabá e Campo Grande), provavelmente serão duas as escolhidas, que serão Brasília (pelo fato de ser a Capital Federal) e Campo Grande (mais fácil acesso, porta de entrada do Pantanal e fronteira com 2 países, potenciando o turismo).

No Nordeste a concorrência é forte. Fortaleza, Recife e Salvador são as capitais dos 3 principais estados daquela região. Natal, portanto, está em desvantagem. No sul e no sudeste, todas as cidades postulantes estão adequadas principalmente às variáveis de acessibilidade e palmarés desportivo e, portanto, serão certamente escolhidas.

Projeto do estádio do Mineirão para a Copa de 2014 (ademg.mg.gov.br)

Com isso, na opinião deste blogueiro, analisadas e levadas em consideração todas as variáveis, as 12 rainhas escolhidas para 2014 serão: São Paulo (onde provavelmente será o jogo de abertura), Rio de Janeiro (onde será a final*), Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Campo Grande e Brasília.

Será interessante saber como será o processo de escolha. Que os membros da comitiva saibam realmente escolher as cidades-sede e que as escolhidas façam o melhor. Porque um evento como a Copa do Mundo pode mudar um país.

* – item que será tema para outros textos

Gaelia

Quando vinculamos modalidades esportivas aos seus países de origem, pensamos no futebol americano aos EUA. O rúgbi e o futebol à Inglaterra. O sumô ao Japão. A bocha à Itália. E por aí vai. Neste caminho, nada tão irlandês quanto o futebol gaélico.

O futebol gaélico (fonte: www.gaa.ie)

Jogado praticamente apenas na ilha da Irlanda – República da Irlanda (Eire) e Irlanda do Norte (Ulster) – e em lugares do mundo em que a presença de irlandeses é forte (Nova Iorque), o futebol gaélico é uma mistura do futebol com o rúgbi, com o hóquei em campo e também com o handebol. À primeira vista parece confuso. Mas não, é apaixonante.

Durante o domínio britânico naquela ilha e a diáspora irlandesa (que fez a população da ilha cair de 10 para 3 milhões de habitantes), a modalidade quase foi extinta. No final do século XIX um empresário nacionalista de Dublin financiou um campeonato para incentivar a sua prática entre os mais jovens. A popularidade do esporte era, com isso, reconquistada.

No início da década de 1920, durante a guerra de independência da Irlanda, soldados ingleses – em resposta a um atentado contra oficiais de inteligência do exército britânico –  entram no estádio de Croke Park, em Dublin, durante um jogo de futebol gaélico. Resultado: foram mortos 13 torcedores e 1 jogador da equipe local, episódio que ficou conhecido como o “Bloody Sunday” (não confundam com a canção do U2). Desde então, nenhuma outra modalidade – ainda mais inglesa – poderia ser jogada naquele estádio.

O “Bloody Sunday” só viria a aumentar a paixão do irlandês pelo seu futebol, o gaélico.

É um esporte praticado apenas por amadores, muito longe de se tornar profissional. A Federação conta com o apoio de empresários e do governo da República da Irlanda. O estádio de Croke Park é um dos maiores e mais modernos do mundo. A sua arquitetura combina vanguarda ao passado da Irlanda, ao não cobrir e assentar um dos setores do estádio, conhecido por “Hill 16”, em memória aos caídos do levante popular da Páscoa de 1916, durante a 1ª Guerra.

O “Hill 16” repleto de torcedores do Dublin (fonte: longford.gaa.ie)

Quanta história, hein? Apesar de ser amador, o futebol gaélico é a modalidade mais popular da Irlanda, motivo de orgulho para todos e gerador de milhares de empregos. É exemplo de resultado obtido pelo trabalho executado quando feito com orgulho e paixão.

Nota

Caros leitores, malta fixe e campeã mundial!

Por motivos profissionais, há muito não se escreve por cá.  Entretanto esta página volta a partir de hoje à rotina em sua actualização. Por enquanto visitem a secção “de Letra”. 

Saudações (quinzeanas) a todos!

Pelo Mundo…

São as conseqüências do sucesso, da globalização e dos projetos do São Paulo “Internacional” Futebol Clube: um palestino flagrado com a camisa tricolor em pleno conflito do Oriente Médio.

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(fonte: www.globoesporte.com)

Opa! Esperem lá, queridos leitores!!! Qual a providência a ser tomada pelo fato de o palestino vergar uma camisa pirata do São Paulo? O que valeria mais e o que valeria a pena? A internacionalização do clube ou o combate à pirataria? Claro que os dois, de maneira combinada.

Antes víamos anônimos em zonas de conflitos bélicos ou campos de refugiados com camisas como as do Chacarita Juniors, Los Andes, Barcelona, Manchester United, Radium de Mococa e Juventus. E agora o São Paulo!

Onde será visto o São Paulo da próxima vez?

Ousar é Fazer

Há algumas semanas deixei como pergunta no quiz qual clube londrino tinha como lema a frase: “Ousar é fazer”. Esta frase me fez lembrar outras duas que vi no quartel do Exército em Foz do Iguaçu (PR): “Só os que ousam realizam. Só os que organizam são bem sucedidos”.

 

“Ousar é fazer” é o lema do Tottenham Hotspur FC, de Londres (fonte: tottenhampn.podbean.com)

Se o Brasil quer organizar uma Copa sem precedentes, se querem mudar a gestão e a visão do esporte nacional, se queremos mudar o país para melhor, é preciso ousar. Na história existem inúmeros exemplos daqueles que ousaram e tiveram êxito. Para começar, eles ousaram. O que foi preciso para ousar? Começar fazendo.

Nesta altura todos falam do São Paulo, campeão brasileiro, exemplo no esporte nacional, profissional ou amador. Poderia até soar como modismo continuar falando dele, mas não. A sua direção apostou em um modelo para torná-lo um grande clube. Isso há cerca de vinte anos. Passou períodos de vacas gordas e magras. Não seguiu, mas ditou tendências. Hoje tornou-se referência para os clubes da América do Sul, sem grandes injeções de dinheiro vindos dos bolsos de algum extravagente mega-investidor.

Roman Abramovich, investidor do Chelsea (fonte: www.soccerlens.com)

Vamos sair do futebol e olhar para aquelas empresas que se destacaram no meio de tanta crise porque o mundo passou recentemente. Foram poucas, sem dúvida. Vamos olhar para países como a Coréia do Sul, que saíram da condição de subdesenvolvimento para poderem dar aos seus cidadãos as condições necessárias para viverem em bem-estar.

O que clubes como o São Paulo, empresas e países fizeram para serem tão bem-sucedidos? A resposta é: fizeram. Ousaram e fizeram. Não bastou apenas fazer, mas sim fazer com ousadia. Portanto, se o Brasil quer crescer, quer mudar para melhor, ser referência para mundo seja no esporte (prática e direção), na economia e na política, é preciso ousar.

Neste ano que entra, é o que desejo a todos que acompanham este blog. Mais ousadia em 2009!

10 mil

Hoje este blog atingiu as 10000 visualizações! Meta conseguida antes do Natal! Para os que gostam de números, desde que “O Esporte e o Mundo” está no ar, foram em média 22 visitas/dia. Obrigado!

Boas Festas

Malta campeã do mundo,

ficam aqui os votos de um Feliz Natal e um 2009 repleto de trabalho, saúde, realizações e felicidades! Que tudo aquilo que queremos resgatar no Natal esteja realmente presente nas nossas mentes, nos nossos corações e nas nossas ações por durante o ano todo! Que não fiquemos apenas nas palavras.

Saudações quinzeanas a todos!

rumo às 10 mil visualizações!

Assim Caminha a Humanidade

Nesta semana me perguntaram sobre o que eu achava da apresentação do Ronaldo Nazário (“Fenômeno”) no Corinthians. A minha resposta provocou a ira de quem perguntou, de como eu poderia ser conivente com situações em que os interesses pessoais, financeiros, de imagem, de lucro, estiveram acima da lealdade, da fidelidade, de respeito e – em alguns casos – até mesmo da pátria! Para quem fez esta pergunta, se o Ronaldo fosse mesmo adepto Rubro-Negro, jamais teria assinado contrato com qualquer outro clube.

Apresentação de Ronaldo Nazário no Corinthians (fonte: www.dgabc.com.br)

Tentei em vão convencê-lo que a tendência não é mais esta. A renda, o dinheiro, os interesses comerciais e financeiros atualmente representam muito no mercado desportivo, sobretudo no futebol. São cada vez mais raros os exemplos que mostram o contrário. Há pouco tempo perguntaram a um jogador do Newell’s Old Boys (Rosário, ARG) para quem ele torceria em uma partida entre dois outros clubes, cujo resultado definiria o futuro da sua equipe no torneio. O atleta foi enfático: “Eu sou do Newell’s. Não vou torcer para ninguém se não for o Newell’s”.

Quem fez aquela pergunta do início deste texto para mim é membro de um movimento Ultra de um clube. Os Ultras são conhecidos pelo caráter contestador e lutam à sua maneira contra a interferência do mercado no futebol e no clube que apóiam. Mas o futebol é popular, logo é midiático e, logo, vende.  Para os fins que ele é usado, aí já é outra história para um outro texto. A grande maioria dos torcedores, desde que suas equipes ganham alguma coisa, já se acostumaram com esta lógica.

Os Ultras do Sporting Lisboa (fonte: www.torcidaverde.pt)

Adeptos como ele também são raros. O máximo que pude fazer foi ouvi-lo e sugerir que lesse “O Futebol ao Sol e à Sombra”, de Eduardo Galeano, para compartilhar com o autor sobre a “imaculalidade” do futebol. De puro ainda no futebol, acredito que existam apenas a paixão de boa parte dos torcedores e aquela paixão demonstrada pelos jogadores uruguaios ao vestirem a Celeste Olímpica.  Preferi não falar mais nada.  

E não percam…dia 26, logo após o dia de Natal…a Barclays Premier League estará bombando!

A Crise e a F1

Falam por aí que a crise econômica por que o mundo passa chegou à Fórmula 1. Nesta semana a montadora Honda anunciou a sua saída do circo. Isso significa menos equipes e menos patrocínios. Entretanto esta notícia não é o prenúncio de um possível agravamento da situação.

Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (fonte: www.itu.int)

A F1, o automobilismo, o esporte em geral têm uma saída. Uma não, peço desculpas. Tem algumas. Uma delas até há pouco tempo achavam que era a China. Provavelmente o seu circuito sairá do calendário por falta de público e patrocínio. O negócio da China é formar atletas e o seu politburo não agüenta sustentar eventos como este. Uma “capitalistíssima” prova de F1 não é assunto para os “comunas” chineses.

O circuito de Xangai, da F1 (fonte: www.xpb.cc)

A rica Abu Dhabi será a segunda localidade do Oriente Médio a receber o circo de Ecclestone (F1), ao lado do Bahrein. Não vai demorar para que o petróleo árabe organize uma equipe. Se a crise aumentar, serão organizadas mais corridas naquela região. Temos lá a Arábia Saudita, o Kuwait e o Omã como potenciais anfitriões. Um pouco mais a leste temos a Índia, com um incrível potencial: 300 milhões de milionários e 500 milhões de habitantes que fazem parte da classe média. Uma “scuderia” eles já têm, a Force India. Vamos um pouco agora à Ásia Central. Ao Cazaquistão, para ser mais exato. Eles querem se mostrar para o mundo. Planejaram a capital do país (Astana). Têm um time no Tour de France de ciclismo. Caso queiram os cazaques não demorarão muito para construírem um autódromo e se oferecerem à FIA para receberem uma prova.

Astana, a capital do Cazaquistão (fonte: www.baltitravel.com)

A crise não chegou à F1. Poderá até chegar, mas saídas existirão. Incerto mesmo só para os pilotos que aspiravam ocupar os lugares de Barrichello e Button na Honda.

O 13º Goleiro (Guarda-Redes)

Recebi de presente nesta semana o primeiro número da edição brasileira de uma excelente revista, a Four-Four-Two. Há nela muita coisa do que se trata este blog, mas uma matéria me chamou a atenção. Para a publicação, existem 12 goleiros que mudaram a história do jogo de futebol. Grobbelaar, Ceni, Yashin, Gatti, Fillol, Carrizo, Zamora, dentre outros. Faltou um.

Impossível não falar de Chilavert. Dizem que uma boa equipe começa por um bom goleiro. Levou bem longe os times por onde passou. Conquistou uma Taça Libertadores com o até então modesto Vélez Sarsfield. A seleção paraguaia, com ele, esteve em dois mundiais (1998 e 2002). Bom capitão, um líder em campo. Esteve à frente de uma excelente geração de futebolistas paraguaios como Arce e Santa Cruz. Além das defesas, fazia gols. Sua marca foi recentemente batida por Rogério Ceni.

Bom, este texto vai ser curto porque de futebol mesmo, do jogo e das qualidades e habilidades técnicas dos jogadores, este blogueiro cá nada sabe. Só mesmo queria expressar a admiração por Chilavert como jogador de futebol. Por isso o incluiria na lista da revista como o 13º guarda-redes a ter mudado a história do balípodo mundial.


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