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Tensão na América Latina II

A semana que entra também será tensa para a América Latina em termos de seleções nacionais, com os jogos válidos pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. A terra vai tremer na quarta-feira (18), por exemplo, quando brasileiros e argentinos medirão forças em Belo Horizonte. Mas dentre todos os jogos, chamo a atenção para um deles: Bolívia x Chile, em La Paz.

“Em breve quero banhar-me em um mar boliviano” (Hugo Chávez, presidente da Venezuela)

A área marcada em verde com traços em lilás foi a parte conquistada pelo Chile à Bolívia

Final do século XIX, Guerra do Pacífico. A Bolívia perde o acesso que tinha ao Oceano Pacífico para os chilenos. Eis o significado do jogo. Desde então os bolivianos tentam pela diplomacia recuperá-lo e mostrar ao mundo que o seu povo está disposto em lutar por essa causa. Uma partida de futebol, em casa, contra os vizinhos e rivais do Chile, que em 1884 lhes vetaram o mar é uma excelente oportunidade para tal demonstração. É quando os bolivianos, em uníssono, cantam: “Bo, bo, bo! Li, li, li! Via, via, via! Viva Bolivia por toda su vida con su litoral!” Um maneira de intimidar os chilenos, além da altitude.

“O Mar nos Pertence por Direito. Recuperá-lo é um dever” (Força Naval Boliviana)*

Evo Morales estará lá hoje presente neste jogo, sem dúvida alguma. Ademais, depois de tantos impasses, a FIFA retirou a proibição sobre a realização de jogos acima dos 2500 metros de altitude. Uma conquista pessoal do presidente daquele país, cujo feito certamente será lembrado antes da partida. Mais uma oporunidade para a realização de uma cerimônia cívica com o intuito de exaltar um Estado que sofre com a atuação de movimentos separatistas, como o da província de Santa Cruz. Entretanto, vale lembrar que Michelle Bachelet, a Presidente do Chile, na condição de patrona do mundial Feminino FIFA Sub-20 deste ano, esteve desde sempre ao lado da causa boliviana.

Evo Morales, Presidente da Bolívia, jogando futebol na altitude

Se este jogo estará marcado pelos acontecimentos do passado e anseios do presente? Sim, claro. Porém, se a Bolívia hoje joga a 3.577 metros de altitude, deve agradecer também ao Chile. A saída para o mar fica para depois, ou para nunca. Não vai ser através de um jogo de futebol que Antofagasta será reconquistada. Não mesmo. 

PS: A Bolívia e o Paraguai são os únicos países sem acesso ao mar e que têm uma Marinha.

  

 

Tensão na América Latina

Brasil e Equador já estão em atrito desde a última quinta-feira. O México já declarou apoio aos tupiniquins enquanto que os argentinos já manifestaram ficar ao lado dos equatorianos. Cidades como Quito e o Rio de Janeiro já estão mobilizadas para o choque. Nas ruas de Copacabana, nos cafés-da-manhã de cada padaria do Méier, nos happy-hours dos bares da Zona Sul, o assunto não é outro. Nas rodas de conversa da Praça de San Francisco e nos populares encontros do Mercado La Mariscal, em Quito, o assunto também não é outro senão os grandes embates que envolverão os dois países.

Visualização dos dois países. Antigamente o Equador fazia fronteira com o Brasil

Resquícios daquele 29 de janeiro de 1945, quando o Brasil reconheceu peruano parte do território do Equador? E que por muitos anos a embaixada Brasileira era apedrejada nesta data? Não. Mas é um conflito entre países Latinoamericanos. Os Libertadores da América devem estar furiosos em seus túmulos. San Martín, Bolívar, Miranda, O’Higgins, Artigas, López, Villa, Zapata e D. Pedro I do Brasil, extremamente atentos aos próximos acontecimentos que definirão o futuro deste continente.

Alguns dos Libertadores da América

Calma! Não é uma guerra, mas os Libertadores devem estar se revirando em suas tumbas! Certamente também estão acompanhando o desenrolar de um torneio continental de futebol, feito em suas homenagens. Desde o início da década de 60 eles prestam atenção neste acontecimento que mobiliza milhões de pessoas nesta importante região – pelo menos esportiva – do planeta. Claro que cada um tem a sua preferência: Solano López já vibrou bastante com o Olímpia (1979, 1990, 2002); O’Higgins com o Colo-Colo (1991), Artigas já festejou por 8 vezes com o Nacional e o Peñarol! San Martín, por sua vez, perdeu as contas: só com o Independiente e com o Boca Juniors, foram 13 anos no mínimo em que ele zombou dos demais Libertadores. Simón Bolívar não teve muito sucesso: Atlético Nacional em 1989 e Once Caldas em 2004, apenas. Já D. Pedro I do Brasil – que segundo ele com exceção dos títulos de Grêmio e Inter que são clubes-comparsas de Bento Gonçalves -, também comemorou bastante!

Cenário típico das arquibancadas de um jogo pela Taça Libertadores

Enfim, a final da 49ª Taça Libertadores está aí: Fluminense FC vs. Liga Deportiva Universitaria de Quito. E vai haver um campeão inédito. Brasil e Equador estão apostos para acompanhar estes embates que refletirão toda a essência do futebol Latinoamericano: vai ser um misto do jogo dos negros, do futebol do altiplano andino, do estilo carioca, da raça gaúcha (através do técnico do Fluminense) e do jogo criollo dos 7 argentinos nesta final (6 pela LDU e 1 pelo tricolor do Rio). D. Pedro I do Brasil vestirá o manto branco, verde e grená confeccionado pela adidas, enquanto que Simón Bolívar usará aquele “U” com fundo azul e vermelho feito pela Umbro. Sem dúvida que verão a final da Libertadores, juntamente com os demais Libertadores, que estarão à espera de uma temporada melhor no próximo torneio.

 

Este Filme Eu Já Vi!

Surpreende o mundo a recente onda de violência xenófoba que tomou conta principalmente das townships de Johannesburgo. Muitos imigrantes, em sua maioria vindos do Zimbábue e de Moçambique, foram vítimas de agressões, sob a acusação de roubarem os empregos dos sul-africanos e gerarem instabilidade naquele país. Para terem uma idéia, em uma semana 10 mil moçambicanos retornaram ao seu país natal.

Imigrante tem sua casa destruída pelos distúrbios ocorridos em Johannesburgo

Dentro de 2 anos a África do Sul será a sede do 2º maior evento do mundo, o Campeonato Mundial de Futebol. Diante da instabilidade sócio-político-econômica de alguns de seus vizinhos, cada vez mais a tendência é a de aumentar o fluxo de imigrantes para aquele país africano, imigrantes estes que habitariam as periferias de cidades como a do Cabo, Durban, Pretória e a própria Johannesburgo. Incrível e contraditório é que esta manifestação ocorre em um país em que há cerca de 15 anos ela era legalizada, ao discriminar os negros, em favor de uma elite política e econômica branca (apartheid)! A África do Sul, com estes acontecimentos, mostrou ao mundo a sua intolerância, quando a opinião pública internacional pensava que a história havia ensinado o contrário, através dos erros cometidos no passado. Se não houver por parte do governo de Pretória uma política forte de geração de empregos, restrição da imigração e programas de integração das comunidades estrangeiras à sociedade local, a violência tende a continuar. Organizar um mundial de futebol sob estes aspectos não vai ser nada bom para a África do Sul. Como durante o apartheid, muitos países poderão se voltar contra aquele país, não apenas em termos esportivos, mas também em econômicos e políticos. O boicote a produtos indonésios é um exemplo, quando da ocupação do Timor Leste, hoje país independente. Também o da soberania sudanesa diante das atrocidades que são cometidas em Darfur.

Vítimas da crise humanitária no Darfur, Sudão

Apesar disso tudo, a FIFA não está preocupada com estes acontecimentos e o mundial de 2010 está garantidíssimo. Nenhum fato de tal natureza será visto, relatado ou percebido durante os 30 dias de mundial. Bom, até lá tomara que toda essa violência xenófoba tenha terminado! Há 30 anos a Argentina vivia um regime militar sangrento, com milhares de desaparecidos políticos e organizava uma Copa do Mundo. Muitos foram contra aquele torneio, mas em vão. Os interesses monetários, particulares e econômicos falaram mais alto. Baseados na campanha “Nós argentinos somos direitos e humanos”, a Junta Militar encabeçada por Videla garantiu, junto com a FIFA, a realização da Copa. Não adiantou em nada Cruijff tê-la boicotado – a Holanda perdeu a final – e a seleção sueca ter caminhado com as Mães da Praça de Maio junto à Casa Rosada.

Videla (ao centro) garantiu o Mundial de 78 na (para a) Argentina

É inocência pensar em como a FIFA é conivente com isso, uma vez que este organismo não está interessado com estes acontecimentos. O governo da África do Sul vai assegurar a realização da Copa, e seus dirigentes não são tolos em querer perder esta mina de ouro que é o Mundial. Nos resta torcer para que a estabilidade volte naquele país, já tão assolado com a segregação.

 

Cinemateca Desportiva

Quando se pensa em esporte, se pensa também em movimento. Se for levado em conta que a palavra “cinema” vem do grego “kinos” (movimento), quer dizer que há portanto uma reciprocidade entre essas duas artes. E há. Bom, esse texto é escrito na altura em que decorre o 61º Festival de Cannes, com filmes que têm o esporte como tema.

“Olympia” (1938), de Leni Riefenstahl

As primeiras películas baseadas em assuntos esportivos surgiram nos EUA, na década de 50, mais precisamente com beisebol. Claro que existiram antes produções cinematográficas como a de Leni Riefenstahl e o filme oficial dos Jogos Olímpicos de Berlim (1936), mas não da mesma vertente como por exemplo a de “O Corintiano” (1966), com Mazzaropi. Talvez o primeiro filme brasileiro deste tipo (posso estar enganado). Na outra vertente (de filmes mais técnicos), os do “Canal 100” poderiam sem dúvida alguma serem incluídos.

“O Corintiano”, com Mazzaropi

Cinema atrai multidões. O esporte também. Sábios aqueles que casam estas duas artes. No boxe, filmes como “Rocky”, “A Menina de Ouro” e “Poder de um Jovem” (este último é da África do Sul). No críquete, o indiano “Lagaan”. Nos esportes de inverno, que tal “Jamaica Abaixo de Zero”? Fora os de basquete ou de futebol americano, que os EUA produzem por atacado! Claro, não poderiam faltar os de futebol. Quando é ano de Copa, lançam-se vários. “Gol!” e “O Jogo de Nossas Vidas” são apenas alguns dos muitos exemplos.

Denzel Washington em: “Duelo de Titãs” (futebol americano)

Filmes como estes são capazes de transmitir exemplos, lições de vida, construção de mitos, valorização de ídolos e difusão de valores. Que mais produções como estas sejam incentivadas, uma vez que o cinema é capaz de completar o esporte, contextualizando-o em nossas vidas.

PS: Se quiserem uma dica sobre um filme de futebol, fiquem com o espanhol “Días de Fútbol” (2003)

Novo Agradecimento (versão 2.0)

Dá-lhe malta!

Mais uma marca atingida, a de 2.000 visitas. Neste momento (13/05 – 18h40 GMT) o blog contabiliza 2.002 visitas. Com mais postagens aumentam as palavras-chave nos sites de busca, e este é um dos motivos por mais mil visualizações em um menor espaço de tempo.

De uma maneira ou de outra, meu muito obrigado! As saudações seguem sendo Quinzeanas!

Abraços a todos.

O Mais Religioso dos Templos

Religião. É sobre isso que vamos conversar agora neste texto. Mais precisamente sobre templos. Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Taoísmo, Xintoísmo, Budismo? Que nada! Sinagogas, Igrejas, Mesquitas? Não também. Esses templos recebem milhares de pessoas em muitas ocasiões por mais de uma vez na semana. E não são também os templos da Igreja Universal! São palcos da mais extrema loucura e paixão individual. Um templo onde se pode pronunciar – sem temer acusações ou julgamentos – o mais chulo dos palavreados. Um lugar onde o amor pode se transformar em ódio e vice-versa em questão de minutos.

O templo do Parque Central, no Uruguai. Ao fundo, devotos do Nacional de Montevidéu.

Este templo é o estádio. Não digo apenas estádios de futebol, o mesmo é válido para o Rugby em Twickenham (Inglaterra), para o críquete no estádio de Mohali, no Punjab (Índia). Para os esportes gaélicos no Croke Park em Dublin (Irlanda). Templos para 30, 50, 80, 120 mil devotos poderem extravasar e celebrar toda o seu amor e fidelidade à sua religião…ops, clube! Em muitas ocasiões os templos são invadidos por seguidores de uma outra religião! E só no esporte para acontecer isso de uma maneira pacífica (em boa parte das vezes nem tanto). Os 70 mil corinthianos presentes no “tricolor” Maracanã em 1976 são uma prova disso. São os únicos templos religiosos em que as pessoas podem sair de lá completamente arrasadas depois de um culto (missa/celebração…): os brasileiros com a final da Copa de 1950, perdida em casa. 

A invasão corinthiana ao Maracanã, em 1976

Quem é do Boca Juniors diz que o seu estádio, o “La Bombonera”, não treme. Ele na verdade pulsa. Atleticanos e Cruzeirenses brigam pelo Mineirão. Para quem é da Moóca, nada mais peculiar que as bancadas da Rua Javari, do Juventus. Milan e Inter, na Itália, dividem o mesmo templo. Para quem é do Inter, o nome do templo é Giuseppe Meazza. Para os do Milan, San Siro. Duas religiões em um templo apenas. Os do Millwall (Londres) chamam seu estádio por “nossa casa”.

The Den: orgulho para os torcedores do Millwall

Dizem que os avanços tecnológicos e o aumento da violência farão com que as pessoas percam a fé e a religiosidade. Afirmação muito equivocada. A religião depende de seus seguidores e fará de tudo para que continuem a freqüentar estes templos e confessarem a fé. O devoto precisa fazer isso ao vivo porque tem a necessidade de compartilhar este momento com seus semelhantes, em comunhão, em união. E não há lugar melhor para isso ser feito do que em um templo. Em um estádio!

 

 

¿Cachay?*

Vos escrevo de longe. Mas não deixo de acompanhar o desporto tupiniquim. Não sou palestrino, mas fiquei contente com a conquista do Paulista pelo Palmeiras. Mais contente ainda pela figura-mór do Parque Antarctica: Valdivia. O chileno é o “cara”! Representante digno do futebol sul-americano, alguém que faltava para quebrar a tendência truculenta do balípodo brasileiro. Valdivia promove o futebol como deve ser jogado, com alegria e para o gol.

“El Mago” Valdivia, pelo clube atual, o Palmeiras

Não gostaria de jogar contra ele, que deve ser muito chato. Imaginem o que ele deve falar para os marcadores! O que ele provoca, o que ele catimba! Imaginem o quanto ele deve ser chato! Potenciem isso pelo fato de ele ser chileno – que no Brasil tem fama de catimbeiro – e multipliquem por ele jogar no Palmeiras! Valdivia foi a alma palestrina neste torneio e para o Brasileiro promete. O que vai ter de marcador sendo expulso por cair em suas palavras, seus gestos e encenações. Isso tudo não vai caber em súmula alguma.

Don Elias Figueroa, pelo Inter: outro chileno de sucesso no futebol do Brasil

E para o futebol chileno, o que isso significa? Uma renovação depois daquela geração de 1998 (Salas, Tapia, Zamorano). Uma esperança para se qualificarem para a Copa de 2010. Se conseguirem tal feito, não há dúvidas de que o chileno do Palmeiras será o motor desta seleção, aliado aos jovens que conseguiram chegar às semi-finais do último mundial sub-20. Em boa hora, porque um país que já foi 3º lugar na Copa de 62 e que teve jogadores como Figueroa, Leonel Sánchez e Caszely merece estar sempre despontando no futebol mundial.

Caszely pelo Colo-Colo: “peitou” Pinochet em não querer jogar a Copa de 74

Valdivia vem honrando “la roja” pela América do Sul. E quiçá pelo mundo.

¿Cachay?

* – “entendeu?” (em chileno)

 

Páginas de Esporte

Neste texto daremos um giro pelo mundo e conhecer um pouco sobre os jornais que tratam unicamente do esporte. Apesar de no Brasil não ser tão famoso, alguns periódicos desportivos são os diários mais lidos em certos lugares. Até há pouco tempo, a “Gazeta Esportiva” era a única, atualmente disponível apenas na edição online. O “Lance!” nasceu em 1997, com um novo conceito de formato e leitura, o que cativou o público e mantém um constante crescimento. Vejamos em outros países.

Logo do “Lance!”

Na França, o “L’Equipe” é um dos jornais mais lidos e um dos mais completos em termos de modalidades. Falam sobre futebol, basquete, natação, ginástica, Rugby e até xadrez! Na Itália existe o rosado “Gazzetta dello Sport”, com suas páginas em cor-de-rosa, isso porque durante a II Grande Guerra o papel dessa cor veio ser uma alternativa barata ao papel branco, mais caro. A aceitação entre os italianos foi boa e a mudança é mantida até hoje.

A “Gazzetta” e suas páginas em cor-de-rosa

Na Espanha, o “Marca” foi criado por Franco, na década de 30, para divulgar os clubes madrilenhos e com isso fortalecer a unidade nacional a partir de Madri. E isso acontece até hoje. Mais tarde, “El Mundo Deportivo” e “Sport”, diários catalães, surgiram para dar maior cobertura a outros clubes, como o Barcelona e o Espanyol. Em Portugal, “A Bola” é o diário mais lido entre os lusos. O mais lido, independentemente da abordagem do jornal! Porém, este é o mais benfiquista dentre os três, já que há também o “Récord” e “O Jogo”, sendo este último mais nortenho do que lisboeta.

“A Bola”: o jornal mais lido em Portugal

Vamos cruzar o Atlântico rumo à América do Sul. Poderia citar o “Tercer Tiempo”, de Santiago do Chile. O “Ovación”, de Montevidéu. Mas nada incomparável com o “Olé”, de Buenos Aires. Sim, senhores. Aquele jornal que vive tirando sarro do Brasil, que contrata jovens jornalistas, recém-formados, com aquela rivalidade à flor-da-pele para escrever poucas e boas do futebol tupiniquim!Mas cá entre nós: é uma rivalidade sadia e engraçada!

O “Olé” depois da última Copa América (3 a 0 Brasil sobre a Argentina)*

Experimentem e acessem as páginas desses jornais que foram citados. Vale muito a pena observar como cada país vê o esporte (principalmente o futebol). Nota-se claramente que a maneira como vemos o jogo é muito mais parecida com a dos nossos hermanos do que com a dos europeus! Bem, boa leitura a todos!

*Q.E.P.D.: Que en Paz Descanse

As Olimpíadas e o Tibete

Com as manifestações pela independência do Tibete e ações de tibetanos contra o percurso da tocha Olímpica pelo mundo, os palpiteiros de plantão dizem que os Jogos Olímpicos não podem ser palco de manifestações políticas. Ora, porque não dizem também para os atletas deixarem de representar seus respectivos países e que não sejam mais tocados os hinos durante as premiações! Isso já é uma manifestação política! Que diga Cuba, que diga a Coréia do Norte ou os países que recém conquistaram a independência.

Misha, mascote dos Jogos de Moscou’80: o esporte para a promoção do regime político da ex-URSS

Um boicote sim, seria uma atitude contra os ideais Olímpicos, mas isso não impede de os atletas poderem se manifestar politicamente dentro da competição. De acordo com Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, o atleta deve competir pela honra da sua pátria. Assim sendo, como se impede de, por exemplo um competidor sérvio, nos próximos Jogos de Pequim, manifestar pela reanexação da província do Kosovo? Afinal, é a pátria que está em causa. Ele, como pessoa pública em seu país, se tiver a consciência disso, não vai deixar passar em branco, assim como o gesto “Black Power” dos atletas estadunidenses nos Jogos do México, em 1968.

Tommie Smith e John Carlos protestam pelos direitos civis nos EUA durante os Jogos de 1968

As Olimpíadas são o maior evento do mundo! Daí uns acrescentam: “esportivo”! Que interessa se é esportivo ou não? O esporte não é apenas lúdico. Este blog mostra claramente isso nos demais artigos. Mais uma vez: as Olimpíadas são o maior evento do mundo, capaz de reunir mais países do que a própria Organização das Nações Unidas. Um evento em que todos estão de igual para igual na condição de atletas (claro que uns mais preparados que outros), independentemente de possuírem armas nucleares e afins. Portanto, não há melhor lugar e evento para os Tibetanos protestarem pela sua independência! Os Jogos Olímpicos chamam a atenção do mundo e é uma oportunidade para o Tibete se mostrar ao planeta e divulgar a – segundo eles – hostil ocupação chinesa desde 1959.

Torcedores sérvios protestam pela reanexação da província do Kosovo, recém-independente

Não há como separar esporte e política. O meio esportivo sempre será palco de manifestações como as vistas ultimamente. Vide a Guerra Fria e a recusa dos países africanos aos jogos de Montréal. Como escrito acima: o que não pode haver é um boicote. E não haverá, porque hoje em dia existem contratos a serem cumpridos e compromissos de bilhões de dólares assumidos. É muita ingenuidade pronunciar que esporte e política não podem se misturar.

 

 

Agradecimento

Companheiros dos meus devaneios e disparates,

quero agradecê-los pelas 1000 visitas registradas hoje. Até este momento em que vos escrevo, este blog contabiliza 1014 visualizações. Tendo em conta que ele existe há 177 dias, são cerca de 5,73 acessos diários. Isso, para quem esperava pelo menos 1 por dia, está 473% acima do resultado previsto.

Obrigado!


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