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A Gripe da Bola

Gripe suína, tipo A, H1N1, o que seja, está sendo um susto pelo mundo todo. Mobilizou organismos de saúde, autoridades e confederações continentais de futebol, quando a bola redonda não parece ter nada a ver com a gripe.

Por conta disso as equipes mexicanas – o México foi o país onde esta gripe teve origem – foram impedidas de disputar partidas da Taça Libertadores em casa, para evitar a exposição dos atletas estrangeiros aos riscos de contrair a doença. Como não podiam jogar em casa, equipes como o San Luís e o Chivas Guadalajara buscaram países vizinhos para jogar. Os vizinhos recusaram a presença delas. Diante do impasse, a Confederação Sulamericana de Futebol decidiu pela eliminação das equipes do México. Consquentemente, São Paulo FC  e Nacional de Montevideu passaram de fase sem mesmo jogarem.

Equipe do CD Chivas Guadalajara, eliminada da Taça Libertadores’09 (si.com)

Com essa decisão ridícula, a Federação Mexicana de Futebol ameaça já não mais participar da Taça Libertadores de 2010. É ridícula mesmo pela incapacidade do organismo realizador da competição em criar as condições necessárias para a realização dos jogos sem tornar os jogadores mexicanos uma ameaça. As viagens para e a circulação de pessoas no México não parou devido à gripe. Aquele país e os seus nacionais foram tratados com extrema deselegância, como se qualquer um que tivesse contato com um mexicano pudesse ficar “gripado”. Ridículo pra baixo!

Nessa linha de pensamento o Brasil com os seus clubes nem poderiam jogar a Libertadores! Há o risco de os jogadores de equipes estrangeiras contraírem dengue. Todos sabem deste risco, desde cidadãos brasileiros até os turistas gringos. No entanto, nem todos ficam com dengue. Da mesma maneira que a gripe lá do México.

Quem perde com isso é a futebol. Perde a Taça Libertadores em competitividade, projeção, visibilidade e patrocínio. A Liga e os clubes Mexicanos são exemplos de organização dentro da América Latina, o público de lá apaixonado pelo futebol e grande mercado consumidor.

Lamentável!

Numeritos

Malta, hoje este blog atingiu as 15 mil visitas! Muita gente pelo mundo gosta de dados, que seguem: desde o seu início (30/09/2007) esta página teve em média 26 visualizações/dia. Aumento de 26x sobre a projeção inicial (1 visita/dia). São recordes atrás de recordes. Capaz!

Grato pela paciência.

Jogo de Ganha-Ganha

Adriano no CR Flamengo. “Marketing, marketing, marketing”, diz o senso comum. Sim, tem algo disso. Na falta de recursos e meios para reforçar o plantel para o campeonato nacional, o clube recorreu ao BBB (Bom-Bonito-Barato): Adriano.

Adriano com Zagallo, quando no Flamengo (torcidaflachiclete.com.br)

Bom: ninguém discute a qualidade de Adriano, como futebolista;

Bonito: Adriano é conhecido no mundo todo. A presença dele promove a repercussão do clube, o que pode aumentar a demanda pela transmissão das partidas no Brasil e no mundo, cobertura da imprensa internacional e visibilidade global ao Flamengo = aumento da receita da venda de camisas e produtos oficiais (?!). Claro, se a instituição souber trabalhar isso.

Barato: depois da polêmica rescisão de contrato com a Internazionale, dificilmente algum clube estaria disposto a contratá-lo e correr certos riscos. Adriano quer ficar em casa. O CR Flamengo está na casa dele, é o clube dele e está sem dinheiro. Adriano também precisa trabalhar. Logo, nada melhor que Adriano assine pelo clube.

Empresários vinculados ao clube vão bancar o salário dele.

Relação ganha-ganha: ganha o CR Flamengo com qualidade e visibilidade a baixo custo. Ganha Adriano, que precisa trabalhar e voltar bem aos campos, ainda mais em um grande clube.

Se Adriano vai ou não dar certo, é outra história. Duvidava de Ronaldo no SC Corinthians, mas estava errado. Houve muito planejamento no retorno de Ronaldo. Havia toda uma equipe para prepará-lo. Adriano no CR Flamengo, não sei. Talvez o mesmo planejamento e preparação sejam necessários, nos moldes como foi feito quando da curta passagem dele pelo São Paulo FC. Ou então os resultados serão outros.

A Little Box of Surprises / Una Caixeta de Sorpreses*

* – “Uma Caixinha de Surpresas”, em inglês e catalão 

Jogaço o de hoje pela Liga dos Campeões da UEFA. O gol de Iniesta nos descontos provou mais do que nunca que o jogo só termina quando acaba. Naquela altura do gol todos tinham o Barcelona como morto. Messi desnorteado. Dani Alves desconcentrado.

Iniesta, autor do gol do FC Barcelona sobre o Chelsea FC (esporte.ig.com.br)

Eis que a partir de uma defesa de Valdés surge um contra-ataque, sem grandes pretensões, mas que dá em gol. E em questão de segundos – assim  como na vida – tudo muda. Em questão de segundos o torcedor do Chelsea não mais precisa pensar em planejar a viagem que faria à Roma para ver a final. A polícia precisará repensar o plano de evacuação dos torcedores, já que sairão irritados. Hiddink não precisa mais se preocupar tanto em conciliar a seleção russa com o clube londrino. Abramovich chora os milhões de euros que deixam de entrar nos cofres da equipe.

Já dizem por aí que a final da Liga Europeia de clubes já tem um placar: Nike 2 x 0 adidas. Capaz! É claro, é óbvio e indiscutível que a marca americana vai prevalecer no jogo, visto que faz o uniforme dos dois finalistas e segundo pesquisas, é a forma de patrocínio mais eficiente.

Se considerarmos a bola do jogo, o placar fica 2 x 1 Nike, já que é adidas. 2 x 2 se o Anderson (Man Utd) fizer um golaço, arrancar a camisa e mostrar o tech-fit da empresa alemã. Se o C. Ronaldo perder um pênalti e escorregar na cobrança, 2 x 1 adidas. Afinal, vocês se lembram do Terry na final da Liga dos Campeões da Europa no ano passado? Que marca ficou em evidência na escorregadela? A Umbro da chuteira de Terry. Se Messi fizer um gol de carrinho, no último segundo e selar a conquista do título, ponto para adidas.

O estádio Olímpico de Roma, onde será a final da UCL’2009 (aboutroma.com)

Enfim, a decisão do próximo 27 de maio vai ser um prato cheio para a ação das empresas na busca de que suas marcas sejam vistas. Não só Nike e adidas. A primeira marca está em vantagem, entretanto o jogo só termina quando acaba e enquanto a bola for redonda, tudo pode acontecer.

Olho Gordo

Há cerca de 1 ano este blog aqui colocou que Madri considera o Rio de Janeiro como a principal concorrente para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A cidade brasileira seria capaz de atrair os votos dos seus países vizinhos, cujos imigrantes são excelentemente tratados (?!) na capital espanhola.

Logos das cidades candidatas aos Jogos Olímpicos de 2016 (lazeresportes.com)

Existe uma suspeita de espionagem por parte da candidatura madrilenha durante a visita da comitiva do COI no Rio de Janeiro, no início deste mês. Os organizadores da postulação fluminense já disseram que vão levar este caso ao COI.

Madri se considera favorita a ser sede dos jogos de 2016, por ser o coração do 3º idioma mais falado no mundo, o castelhano. Pequim foi sede em 2008, centro da cultura chinesa e do mandarim, a língua com mais falantes; Londres será em 2012, centro da cultura anglo-saxônica e do 2º idioma mais falado no planeta. Madri, portanto, estaria na sequência.

Olho gordo, disputa acirrada. Briga de cachorro grande. Gostaria que fosse o Rio, mas na onda da “Obamamania”, vai dar Chicago!

Questão de Bom Senso

Não, não é o slogan antigo de uma marca de cigarros! Em sua coletiva após o jogo, Ronaldo reclamou da desorganização que foi a cerimônia de encerramento do campeonato paulista. “Microfonadas” e “fogo”, enquanto ele queria comemorar com os companheiros e a torcida.

O que aconteceu é espelho da organização da direção do futebol brasileiro. A imprensa que, competitiva e na ânsia da informação, quer ser a primeira a registrar a felicidade (ou não do atleta). Dirigentes que estão ali no campo sem motivo aparente – apenas pelos motivos deles mesmos – e, por terem influência, seus parentes e amigos estão ali também. Ridículo.

Para quem trabalha por mais bom senso na gestão do esporte, ninguém melhor que Ronaldo – um perito na questão, por tudo que conquistou e exemplos que viveu – para questionar os organizadores. Organização é questão de bom senso: respeito aos jogadores, aos torcedores, aos patrocinadores (ninguém quer ter a sua marca associada à confusão), aos veículos de comunicação (todos querem a notícia e no fim eles têm) e aos telespectadores (em um domingo com a família e amigos, também ninguém quer ver tragédia pela TV).

Disse ele ainda que não queria consertar nada ou “botar ordem”. Querendo ou não, ele botou.

Taça Quente

Excelente o campeonato paulista de 2009. Boas equipes, estrelas, competitividade, mas que sempre ganha um clube da capital. Bom, este é um outro papo.

O campeonato paulista foi tão quente que a cerimônia de entrega da Taça na verdade foi um show pirotécnico. Os fogos misturados aos papelitos branco e preto provocaram chamas que atingiram o elevador em que estavam o Secretário dos Esportes de São Paulo, o Ministro do Esporte, o representante da Federação Paulista, o presidente do Corinthians (?) e o capitão alvi-negro, com a taça. Muito bem organizada e rápida a cerimônia até o elevador e o fogo.

Qual o motivo de colocarem um elevador lá? Algumas ideias são ótimas, muito bem-vindas, mas a de colocar um elevador, não. 

Ademais, o que o presidente do Corinthians estava fazendo lá? Ele comprou o clube? Ele entrou em campo, literalmente? Não fica bem para alguém que propunha uma atitude diferente da de “cartolas” como Eurico Miranda e Dualib.

Como foi dito, a cerimônia estava correndo muito bem. O episódio do elevador (o fogo foi consequência) pegou mal. A ausência daquela antiga taça da fachada do Palácio dos Bandeirantes também.

SE Palmeiras campeão em 1993, com a taça do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista) (palestrinos.uol.com.br)

Em tempo: “O título é bom para atrair patrocínios e rendimentos, e com eles melhorarmos as condições de treinamentos e melhorarmos a equipe” (Mano Menezes, logo após o jogo). Sensato, no mínimo!

Campeões

SC Corinthians Paulista, campeão estadual de São Paulo’2009. Como sempre, a fornecedora de material esportivo do clube (Nike) confeccionou camisas alusivas à conquista para os jogadores vestirem-nas quando do recebimento da taça.

Felipe, goleiro (guarda-redes) corinthiano, patrocinado pela adidas, não vestiu a camisa e permaneceu com o tech-fit da empresa alemã que utilizou durante o jogo, por baixo do uniforme.

Parabéns aos campeões do Corinthians, 26 vezes campeão paulista!

Lembrar é Preciso

O futebol ocupa um grande espaço na mídia, sem dúvida. Como consequência, outras modalidades ficam em segundo plano. O basquete, atualmente, nem se fala. Quem faz parte da seleção? Há alguns anos sabíamos quem era quem, quem jogava onde e por aí vai. Quiçá apenas a feminina. Campeonato nacional nem ouvimos falar.

É a taça da Copa do Mundo de futebol que vem, são os 50 anos da conquista da Copa de 58 na Suécia. Tudo muito bem lembrado e celebrado. Merecidamente lembrado e celebrado! Também poderia ser os 50 anos da conquista do mundial de basquete em 1959, no Chile. Em uma época em que o basquetebol (bola ao cesto, como diria o meu avô) brasileiro atravessa por um período de vacas magras, nada melhor que lembrar e tomar como exemplo herois como Amaury, Bispo, Wlamir.

Selecção brasileira de basquete, campeã mundial de 1959, no Chile (cbb.com.br)

É preciso lembrar para resgatar o orgulho, quebrar este paradigma atual, trabalhar e crescer. O basquete do Brasil é grande, bicampeão mundial, repleta de gente com muito talento, mas sem perspectivas porque a sua organização está na mesma.

O que Não Tem Preço

Impagável o Colo-Colo x Palmeiras de ontem, em Santiago. Jogo digno de Libertadores: campo lotado, pressão, papelitos, cânticos ensurdecedores, faixas e coreografias. Bom jogo tanto do lado chileno quanto do paulista.

Palmeiras x Colo-Colo, quando foi no Palestra (borgesluciano.blogs.terra.com.br)

Antes de tudo, boa organização e jogo limpo, apesar do atraso na entrada da equipe palmeirense e da expulsão de Marcão. Os patrocinadores que não eram do torneio estavam cobertos e não havia faixas penduradas nos alambrados, a não ser aquelas com as cores do clube, que atravessam o anel do estádio.

Ao final do jogo, uma aparente tranquilidade. Vitória da equipe brasileira por 1 a 0. Os chilenos reuniram-se no meio do campo, conversaram por uns instantes. Os paulistas foram cumprimentá-los – depois de comemorarem a vitória – e os dois clubes saudaram os 30 mil espectadores.

Qualidade, organização e respeito: quem dera todos os jogos da Libertadores serem assim!


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