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Cara Pálida

Ontem pelo rádio ouvi que Franz Beckenbauer colaboraria para as investigações de suborno durante o processo de escolha para as próximas sedes das Copas do Mundo FIFA, na Rússia em 2018 e no Qatar em 2022.

Há motivos políticos atrás disso. Por que falaria disso em altura da provável reeleição de Joseph Blatter à presidência da FIFA? Ademais, poucos se lembram, mas o país mais cotado a receber o mundial de futebol de 2006 era a África do Sul. Foi a Alemanha a eleita, por 1 voto de diferença, com Beckenbauer à frente do Comitê Organizador Local. À época houve suspeita de compra de votos, mas logo isso foi colocado de lado.

A transparência – objetivo dele em colaborar para as investigações – deve começar a partir dele, com o que houve anos atrás.

12 de Junho de 2014

Chegou o grande dia!

Hoje é o pontapé de partida de mais uma situação que coloca o Brasil à prova, como este blog tem tratado nos últimos anos, sobre o mundo visto pelo Brasil e o contrário sobretudo.

Se o País quer ser atuante na conjuntura – em quaisquer dos aspectos – internacional, deve demonstrar sua grandeza ao realizar e organizar este evento. Encarar isso como um legado do Brasil ao mundo. E isso não parte apenas de quem organiza, mas também de todos os que aqui vivem. Afinal somos os anfitriões.

Qual a impressão que queremos deixar para o planeta? Nada mais apropriado do que usar uma expressão do rugby para vislumbrar o Brasil (fora de campo): “vai pra cima, vai por essa, Brasil!”

A Lembrar, a 9 Dias

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele

(Provérbios 22:6)

Guri com bola, NH, 3 Jun 2014

A Dez Dias

2 de Junho de 2014, 9:22h.

Estamos a 10 dias do Mundial de Futebol FIFA. Grande evento esportivo, é verdade. A empolgação ainda é tímida, longe dos dez dias após a escolha do país como sede do evento, em 30-10-2007. O clima vai aumentar conforme a Copa acontecer e a seleção brasileira de futebol avançar.

Nunca vi tanta polícia nas ruas. Os protestos ainda são tímidos. A TV aberta já iniciou a cobertura especial. Aos poucos a Copa tem tomado corpo, ganhado cara. Mas ainda está longe de ser o que era, das reações que provocava na torcida, do clima produzido.

Pelo desenvolvimento das comunicações, o esporte e em especial o futebol está em todas as partes, a qualquer hora. Há menos de duas semanas foi disputada a final do europeu de clubes, com futebolistas do mundo todo. Parecia jogo de Mundial. A oferta de produtos está maior, o que faz da Copa “o evento a mais”, e não “o evento”.

Sete minutos para escrever este pequeno texto, em 2 de Junho de 2014, 9:29h.

Parreira tem Razão

Recentemente o Coordenador Técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlos Alberto Parreira, disse que a CBF é modelo para o mundo em termos de gestão esportiva, o ‘Brasil que deu certo’.

Muitos ficaram contrariados, a grande maioria.

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Obviamente o futebol é domínio público, tudo que acontece com a entidade que administra esse esporte no país, é potencializado e polemizado ao máximo. Mas Parreira tem muita razão. Para o que se dedica a fazer, a CBF faz bem. As seleções nacionais são ótimos produtos, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiros, aos poucos, também tem sido, mas ainda estão longe de outros campeonatos nacionais. É uma instituição financeiramente saudável. Como toda instituição esportiva, serve de plataforma política para muitos e satisfaz interesses de outros tantos. Por conta disso acaba sendo relacionada a diversos escândalos.

Fora isso, Carlos Alberto Parreira tem toda razão. É modelo mesmo. Na minha opinião, eu, este blogueiro, podia fazer mais; e do que faz, podia ser mais bem feito. Com o que faz, já é bem feito (e.g.: Granja Comary) e tem excelentes rendimentos.

O futebol enquanto esporte, jogo, é domínio público. Entretanto a entidade, a instituição, não.

É preciso saber bem separar para entender o que o Coordenador Técnico da CBF quis dizer.

Ensaio do Brasil…Confirmado!

Este texto é o #400

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É com grande alegria e honra que escrevo o texto número 400 deste blog sobre o rugby brasileiro. Em 25 de Abril de 2009 escrevi algumas linhas com o título: “Ensaio para o Brasil”. Falava sobre as grandes expectativas dos hoje Tupis, para o Sul-Americano daquele ano. Os resultados não foram animadores: derrotas de 79 a 3 para o Chile, 71 a 3 para o Uruguai, vitória de 36 a 21 sobre o Paraguai. Foram até tema de anúncio da Topper.

De cinco anos pra cá muito aconteceu. A seleção feminina joga o circuito mundial, o Brasil já recebeu etapa desse circuito, há uma parceria no alto-rendimento com a principal escola de rugby mundial, há uma comissão técnica profissional dedicada aos jogadores, os atletas passam por um processo de profissionalização, campeonatos nacionais transmitidos ao vivo pela televisão e, o melhor de tudo, há uma estrutura profissional consolidada e planejada para o crescimento e desenvolvimento do esporte. Para que houvesse isso hoje, houve muitos bastidores: Leis de Incentivo, SiConv, patrocínios, equipe de trabalho, Centros de Treinamentos, transportes, viagens, preparação, dentre vários detalhes. Para o crescimento de um esporte no Brasil, não tem fórmula mágica. Segredo para isso: trabalho, trabalho, trabalho, no início voluntário, mas mesmo assim, muito trabalho.

Tudo tem dado certo, tudo tem ido pra frente. Isso é o mais importante.

Cinco anos e um dia depois, em 26 de Abril de 2014, no mesmo campeonato Sul-Americano, jogando em estádio digno de receber seleções nacionais, o Brasil vencia o Chile, por 24 a 16, transmitido pela televisão para todo o território nacional. Esta é a realidade hoje. Que venham mais! Obrigado Brasil, obrigado Tupis!

PS: para acessar o texto de 2009, basta ir à ferramenta ‘busca’, aqui um pouco acima à direita neste blog e inserir ‘ensaio do Brasil’; ou ir direto ao link: https://virgilioneto.wordpress.com/2009/04/25/ensaio-do-brasil/

 

 

Preto no Branco

É impressionante como a frequência dos casos de racismo no esporte aumentou. Consequência da crise econômica internacional, do individualismo, da competitividade, que conduzem à agressividade e intolerância. Esses são casos (como o de Dani Alves e o do dono dos Los Angeles Clippers) que conhecemos, que temos notícia, mas há muitos mais que sequer temos ideia. Não apenas contra afro-descendentes, mas por opção sexual, por religião, por etnia, por ser estrangeiro. E isso não é de hoje, é milenar. 

Não há solução em curto prazo para o problema, mas sim como minimizar. E esse tipo de educação, é a que vem de casa.

A ONU e o Esporte

OlympicFlag_0Finalmente. Foi assinada nesta semana em Genebra, acordo entre a Organização das Nações Unidas e o Comitê Olímpico Internacional, que faz desta entidade membro-observador da ONU. A maior organização internacional (em número de países filiados) é agora oficializada como ator em um cenário internacional.

Isso veio tarde, mas o mais importante é que veio. O esporte consegue fazer o que política, diplomacia e boinas azuis não conseguem. Educar, harmonizar, construir bases para um ambiente sadio às crianças para que, em um futuro a sociedade desfrute de estabilidade social, política e econômica. A ONU é a organização internacional mais atuante através dos seus organismos e comitês. No entanto, entidades internacionais de administração do esporte, como a FIFA (futebol), FIBA (basquete) e o COI (Comitê Olímpico Internacional) reúnem muito mais países e conseguem atuar em lugares que a ONU não consegue.

Para finalizar, repito. Um país recém-independente, para ser reconhecido formal e informalmente, toma duas atitudes: filia-se à ONU e participa dos Jogos Olímpicos, respectivamente. Nesta última, uma forma de dizer ao mundo: “Olá, eu existo.”

Interior e Interiores

Este blog se propõe a falar de assuntos do esporte e do mundo, mas gosto de falar do esporte de alto-rendimento distante dos grandes centros do Brasil, sobretudo do futebol.

Há alguns dias o Ituano foi campeão paulista de futebol. Cento e noventa quilômetros dali o XV de Jaú, clube da minha cidade (um pouco menor que Itu), amarga péssima campanha na última divisão estadual. A equipe não é boa, pois não há dinheiro. Não há dinheiro porque não há bons jogos que atraiam torcedores, nem televisão para chamar atenção dos patrocinadores.

Vou aqui apontar alguns fatores que explicam o êxito do Ituano e o insucesso de equipes como o Noroeste, o XV de Jaú e o América (Rio Preto). Em primeiro lugar, gestores em uma escala hierárquica que vivem o dia-a-dia do alto-rendimento. Em segundo lugar, o orçamento (gasta o que se pode). Em terceiro lugar, um grande patrocinador que confia neste gestor e tem o retorno esperado. Em quarto lugar a continuidade do trabalho: o sucesso do CA Ituano não surgiu da noite pro dia. Juninho Paulista há anos está no clube da sua cidade natal. O mesmo destino terá o Mogi Mirim E. C. daqui alguns anos.

As equipes que citei no parágrafo acima e que não tiveram sucesso, perderam uma grande chance, como o Noroeste e o América, de Rio Preto, que tiveram grandes patrocinadores locais. Não é o caso do XV, cuja solução mais imediata é licenciar-se, fazer um balanço e retomar as atividades quando houver planejamento.

Uma Copa para o Brasil (Oportunidade Perdida)

texto de 12 de Novembro de 2007 para o extinto vejau.com.br

Muitos sabem: daqui a menos de sete anos o Brasil será palco do segundo maior evento do planeta: a Copa do Mundo de futebol. Candidato único de um antiquado sistema de rodízio de continentes – já posto abaixo -, figuras folclóricas do futebol brasileiro e da política nacional estiveram em clima de oba-oba na sede da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para o anúncio oficial e acabaram por celebrar o óbvio, como se a escolha do Brasil tivesse sido muito difícil.

Só de imaginar o superfaturamento das obras e o rombo no orçamento que houve nos Jogos Panamericanos deste ano e pensar que isso pode se repetir para o Mundial 2014, porém em proporções muito maiores, já é decepcionante. Pensar que muitos grupos de interesse serão favorecidos em detrimento de toda uma sociedade, também. Que a organização da Copa será marcada por uma guerra de egos e disputas pelo poder, não há dúvidas. A partir disso tudo, realizar um Mundial de futebol seria um disparate e há aqueles que dizem isso mesmo e com razão. Existem muito mais pontos em que o governo deveria dar prioridade em vez de concorrer a ser a sede de uma Copa. Como montar um evento desta magnitude se não há no país uma infra-estrutura adequada para receber um turista? Sem falar na segurança, nos transportes e em educação.

Por outro lado, a realização de um Mundial pode ser vista como uma oportunidade para que muita coisa mude no país. Para tal, são necessários: vontade, boa vontade e visão. Uma Copa do Mundo não é feita apenas de estádios. Muito se fala deles, mas como pensá-los se não há um sistema adequado de transportes (rodo, ferro, aero e metroviários) que permita um torcedor se deslocar para ver um jogo ou um espetáculo com conforto e segurança? Caso queiram estádios modernos, porque então “remodelar” Maracanãs e Morumbis, ultrapassados, cujas reformas ainda os deixarão aquém dos grandes estádios do mundo? Basta comparar. É preciso aproveitar esta oportunidade de receber um evento de tamanha importância para planejar a urbanização das cidades do país e investir na infra-estrutura de transportes (ressuscitar as ferrovias, solucionar pelo menos até lá a crise da aviação nacional e melhorar as estradas) e com isso realmente integrar o país. É uma oportunidade também para que o governo invista em educação. Para algo tão importante como uma Copa, é preciso que a população esteja preparada para ser a anfitriã. A China investiu maciçamente nos últimos anos na educação dos seus cidadãos tendo em vista a realização das Olimpíadas de 2008.

Se tudo isso realmente acontecer, o número de empregos que será criado é incalculável, muita renda será gerada antes, durante e depois do Mundial. Em suma, é uma grande oportunidade para o país crescer. Se o Produto Interno Bruto da Alemanha aumentou com a organização da Copa do Mundo do ano passado, os efeitos poderão ser muito maiores no caso brasileiro. Caso o Brasil consiga organizar a maior Copa de sempre e dar a si mesmo a chance de crescer, é preciso muita seriedade e comprometimento. Vai ser necessário começar do zero em tudo. Não adianta nada a cidade ter a melhor rede hospitalar do país, se não está ao alcance de todos. Não adianta também a cidade ter os cartões-postais mais famosos, porque cartões-postais não fazem copas do mundo. Começar do zero nos estádios. Estádios novos, isso mesmo. Reformar o Maracanã sob a alegação que daria um “charme” para o torneio? Não se sabe desde quando o charme de algum estádio é responsável por um bom mundial. Se até Wembley, palco da maior conquista esportiva da Inglaterra (Copa de 66), foi demolido! O Maracanã nem por isso (perdemos em 1950), muito menos o Morumbi. Que o Mundial de 2014 seja, como o Presidente mesmo disse, para argentino nenhum botar defeito, mas que também não seja um evento feito apenas “para inglês ver”.

compare caro leitor este texto, escrito em 12-11-2007 com os dias de hoje