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A Identidade Nacional através da Copa do Mundo

Já pararam e se perguntaram por que um jogo do Brasil em um mundial de futebol é importante?

Vamos voltar no tempo.

1648: formação de uma das principais instituições para um Estado-Nação, o Exército. Deu-se no contexto da Invasão Holandesa (1624-1654), quando houve a união de três líderes das principais etnias do Brasil naquela época: Vidal de Negreiros (branco, nascido na Paraíba), Filipe Camarão (Indígena) e Henrique Dias (negro nascido no Nordeste), para a Batalha dos Guararapes (19/4/1648). É este o Dia do Exército, quando houve a união das três raças para a libertação do Brasil.

1888: abolição da escravatura. 1889: proclamação da República e com isso o rompimento em definitivo com o passado político de Portugal. A abolição da escravatura ‘insere’ o negro na sociedade brasileira (sabemos que não foi assim e que até hoje não é assim) e a República consolidaria o processo de liberdade e democracia para todas as camadas da população. Também sabemos que não foi bem dessa maneira, mas o propósito era este.

Enquanto o propósito não era concretizado, o Brasil quase se desmantelou. Foram vários levantes e revoluções até a implementação do Estado Novo (1937-1945) por Getúlio Vargas, dentre elas: a Revolução Federalista (anos 1890), Canudos (final do século XIX), Revolta Tenentista (década de 1920) e a Revolução Constitucionalista (1932).

O que era ser brasileiro e pertencer ao Brasil até então? Nada. Eram países dentro de um país. Ademais, apenas uma elite era considerada apta para votar. As Forças Armadas, também estavam restritas a uma elite.

A primeira representação de algo genuinamente brasileiro foi a seleção nacional de futebol da Copa do Mundo FIFA de 1938. Ali estavam brancos (ex.: Bauer) e negros (ex.: Leônidas da Silva) de várias partes do país que conquistaram um grande 3º lugar. A seleção de futebol mostrava-se acessível para toda a população devido às origens de boa parte de seus jogadores, e era a mistura das raças – que Gilberto Freyre pregou em suas obras -, pilar da formação do Exército Brasileiro, instituição primária na constituição de um Estado-Nação.

E daqueles anos até hoje ela tem se mostrado dessa maneira. É a representação de um país multicultural e de vasta extensão territorial. Na necessidade de mostrar isso ao mundo todo e fazer valer a condição de soberania, a Copa do Mundo de futebol torna-se o melhor palco para essa manifestação.

Cara Pálida

Ontem pelo rádio ouvi que Franz Beckenbauer colaboraria para as investigações de suborno durante o processo de escolha para as próximas sedes das Copas do Mundo FIFA, na Rússia em 2018 e no Qatar em 2022.

Há motivos políticos atrás disso. Por que falaria disso em altura da provável reeleição de Joseph Blatter à presidência da FIFA? Ademais, poucos se lembram, mas o país mais cotado a receber o mundial de futebol de 2006 era a África do Sul. Foi a Alemanha a eleita, por 1 voto de diferença, com Beckenbauer à frente do Comitê Organizador Local. À época houve suspeita de compra de votos, mas logo isso foi colocado de lado.

A transparência – objetivo dele em colaborar para as investigações – deve começar a partir dele, com o que houve anos atrás.

12 de Junho de 2014

Chegou o grande dia!

Hoje é o pontapé de partida de mais uma situação que coloca o Brasil à prova, como este blog tem tratado nos últimos anos, sobre o mundo visto pelo Brasil e o contrário sobretudo.

Se o País quer ser atuante na conjuntura – em quaisquer dos aspectos – internacional, deve demonstrar sua grandeza ao realizar e organizar este evento. Encarar isso como um legado do Brasil ao mundo. E isso não parte apenas de quem organiza, mas também de todos os que aqui vivem. Afinal somos os anfitriões.

Qual a impressão que queremos deixar para o planeta? Nada mais apropriado do que usar uma expressão do rugby para vislumbrar o Brasil (fora de campo): “vai pra cima, vai por essa, Brasil!”

A Lembrar, a 9 Dias

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”

(Provérbios 22:6)

Guri com bola, NH, 3 Jun 2014

A Dez Dias

2 de Junho de 2014, 9:22h.

Estamos a 10 dias do Mundial de Futebol FIFA. Grande evento esportivo, é verdade. A empolgação ainda é tímida, longe dos dez dias após a escolha do país como sede do evento, em 30-10-2007. O clima vai aumentar conforme a Copa acontecer e a seleção brasileira de futebol avançar.

Nunca vi tanta polícia nas ruas. Os protestos ainda são tímidos. A TV aberta já iniciou a cobertura especial. Aos poucos a Copa tem tomado corpo, ganhado cara. Mas ainda está longe de ser o que era, das reações que provocava na torcida, do clima produzido.

Pelo desenvolvimento das comunicações, o esporte e em especial o futebol está em todas as partes, a qualquer hora. Há menos de duas semanas foi disputada a final do europeu de clubes, com futebolistas do mundo todo. Parecia jogo de Mundial. A oferta de produtos está maior, o que faz da Copa “o evento a mais”, e não “o evento”.

Sete minutos para escrever este pequeno texto, em 2 de Junho de 2014, 9:29h.

Parreira tem Razão

Recentemente o Coordenador Técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlos Alberto Parreira, disse que a CBF é modelo para o mundo em termos de gestão esportiva, o ‘Brasil que deu certo’.

Muitos ficaram contrariados, a grande maioria.

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Obviamente o futebol é domínio público, tudo que acontece com a entidade que administra esse esporte no país, é potencializado e polemizado ao máximo. Mas Parreira tem muita razão. Para o que se dedica a fazer, a CBF faz bem. As seleções nacionais são ótimos produtos, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiros, aos poucos, também tem sido, mas ainda estão longe de outros campeonatos nacionais. É uma instituição financeiramente saudável. Como toda instituição esportiva, serve de plataforma política para muitos e satisfaz interesses de outros tantos. Por conta disso acaba sendo relacionada a diversos escândalos.

Fora isso, Carlos Alberto Parreira tem toda razão. É modelo mesmo. Na minha opinião, eu, este blogueiro, podia fazer mais; e do que faz, podia ser mais bem feito. Com o que faz, já é bem feito (e.g.: Granja Comary) e tem excelentes rendimentos.

O futebol enquanto esporte, jogo, é domínio público. Entretanto a entidade, a instituição, não.

É preciso saber bem separar para entender o que o Coordenador Técnico da CBF quis dizer.

Ensaio do Brasil…Confirmado!

Este texto é o #400

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É com grande alegria e honra que escrevo o texto número 400 deste blog sobre o rugby brasileiro. Em 25 de Abril de 2009 escrevi algumas linhas com o título: “Ensaio para o Brasil”. Falava sobre as grandes expectativas dos hoje Tupis, para o Sul-Americano daquele ano. Os resultados não foram animadores: derrotas de 79 a 3 para o Chile, 71 a 3 para o Uruguai, vitória de 36 a 21 sobre o Paraguai. Foram até tema de anúncio da Topper.

De cinco anos pra cá muito aconteceu. A seleção feminina joga o circuito mundial, o Brasil já recebeu etapa desse circuito, há uma parceria no alto-rendimento com a principal escola de rugby mundial, há uma comissão técnica profissional dedicada aos jogadores, os atletas passam por um processo de profissionalização, campeonatos nacionais transmitidos ao vivo pela televisão e, o melhor de tudo, há uma estrutura profissional consolidada e planejada para o crescimento e desenvolvimento do esporte. Para que houvesse isso hoje, houve muitos bastidores: Leis de Incentivo, SiConv, patrocínios, equipe de trabalho, Centros de Treinamentos, transportes, viagens, preparação, dentre vários detalhes. Para o crescimento de um esporte no Brasil, não tem fórmula mágica. Segredo para isso: trabalho, trabalho, trabalho, no início voluntário, mas mesmo assim, muito trabalho.

Tudo tem dado certo, tudo tem ido pra frente. Isso é o mais importante.

Cinco anos e um dia depois, em 26 de Abril de 2014, no mesmo campeonato Sul-Americano, jogando em estádio digno de receber seleções nacionais, o Brasil vencia o Chile, por 24 a 16, transmitido pela televisão para todo o território nacional. Esta é a realidade hoje. Que venham mais! Obrigado Brasil, obrigado Tupis!

PS: para acessar o texto de 2009, basta ir à ferramenta ‘busca’, aqui um pouco acima à direita neste blog e inserir ‘ensaio do Brasil’; ou ir direto ao link: https://virgilioneto.wordpress.com/2009/04/25/ensaio-do-brasil/

 

 

Preto no Branco

É impressionante como a frequência dos casos de racismo no esporte aumentou. Consequência da crise econômica internacional, do individualismo, da competitividade, que conduzem à agressividade e intolerância. Esses são casos (como o de Dani Alves e o do dono dos Los Angeles Clippers) que conhecemos, que temos notícia, mas há muitos mais que sequer temos ideia. Não apenas contra afro-descendentes, mas por opção sexual, por religião, por etnia, por ser estrangeiro. E isso não é de hoje, é milenar. 

Não há solução em curto prazo para o problema, mas sim como minimizar. E esse tipo de educação, é a que vem de casa.

A ONU e o Esporte

OlympicFlag_0Finalmente. Foi assinada nesta semana em Genebra, acordo entre a Organização das Nações Unidas e o Comitê Olímpico Internacional, que faz desta entidade membro-observador da ONU. A maior organização internacional (em número de países filiados) é agora oficializada como ator em um cenário internacional.

Isso veio tarde, mas o mais importante é que veio. O esporte consegue fazer o que política, diplomacia e boinas azuis não conseguem. Educar, harmonizar, construir bases para um ambiente sadio às crianças para que, em um futuro a sociedade desfrute de estabilidade social, política e econômica. A ONU é a organização internacional mais atuante através dos seus organismos e comitês. No entanto, entidades internacionais de administração do esporte, como a FIFA (futebol), FIBA (basquete) e o COI (Comitê Olímpico Internacional) reúnem muito mais países e conseguem atuar em lugares que a ONU não consegue.

Para finalizar, repito. Um país recém-independente, para ser reconhecido formal e informalmente, toma duas atitudes: filia-se à ONU e participa dos Jogos Olímpicos, respectivamente. Nesta última, uma forma de dizer ao mundo: “Olá, eu existo.”

Interior e Interiores

Este blog se propõe a falar de assuntos do esporte e do mundo, mas gosto de falar do esporte de alto-rendimento distante dos grandes centros do Brasil, sobretudo do futebol.

Há alguns dias o Ituano foi campeão paulista de futebol. Cento e noventa quilômetros dali o XV de Jaú, clube da minha cidade (um pouco menor que Itu), amarga péssima campanha na última divisão estadual. A equipe não é boa, pois não há dinheiro. Não há dinheiro porque não há bons jogos que atraiam torcedores, nem televisão para chamar atenção dos patrocinadores.

Vou aqui apontar alguns fatores que explicam o êxito do Ituano e o insucesso de equipes como o Noroeste, o XV de Jaú e o América (Rio Preto). Em primeiro lugar, gestores em uma escala hierárquica que vivem o dia-a-dia do alto-rendimento. Em segundo lugar, o orçamento (gasta o que se pode). Em terceiro lugar, um grande patrocinador que confia neste gestor e tem o retorno esperado. Em quarto lugar a continuidade do trabalho: o sucesso do CA Ituano não surgiu da noite pro dia. Juninho Paulista há anos está no clube da sua cidade natal. O mesmo destino terá o Mogi Mirim E. C. daqui alguns anos.

As equipes que citei no parágrafo acima e que não tiveram sucesso, perderam uma grande chance, como o Noroeste e o América, de Rio Preto, que tiveram grandes patrocinadores locais. Não é o caso do XV, cuja solução mais imediata é licenciar-se, fazer um balanço e retomar as atividades quando houver planejamento.


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