Boas! Hoje este blog completa 3 anos! 1096 dias com 49.852 visitas até este momento (30 Set 2010 / 9h50 / GMT -3h). Para os que gostam de estatísticas: 45,49 visualizações/dia. Número surpreendente para a 1 visita/dia esperada pelo blog em seu início de “vida”.
Pela paciência, grato.
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O lançamento – há alguns dias – de anúncio da Topper sobre o Rugby levantou várias discussões. Uma delas trata do porquê a modalidade não haver se desenvolvido no País, a ponto de figurar com o basquete e o voleibol entre as modalidades mais populares, uma vez que, de acordo com a história, Charles Miller (precursor do futebol no Brasil) trouxe consigo a bola de Rugby também.
Até agora existem hipóteses que podem nos direcionar nestas discussões, entretanto, poucas convincentes. Ademais, existem aquelas hipóteses “sociológicas”, de que o futebol se adapta melhor ao estilo de vida Brasileiro, de improviso, de imprevisibilidade. Que a trapaça/enganação faz parte do cotidiano do Brasileiro, por isso o não-contato e o desenvolvimento do drible no futebol.
Veja bem, é bastante difícil definir um Brasileiro, afinal, existem Brasileiros de vários lugares do País. No Rugby, assim como em qualquer modalidade esportiva, é necessário improvisar e ser criativo: obviamente há espaço para o drible e existe o drible, uma maneira de “trapaça” esportivamente aceitável. Querem mais imprevisibilidade do que a direção de uma bola de Rugby depois de tocar o solo?
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Passado sábado (18) a primeira transmissão oficial de uma emissora de TV no Brasil completou 60 anos. O Brasil não seria o Brasil se não fosse o esporte; o esporte seria menos sem a TV; e o Brasil também não seria o Brasil se não fosse a TV.
O esporte apresenta-se como um dos poucos fatores de integração nacional, através das seleções nacionais. A TV integra todos os quase 9 milhões de km² do País e mostra, inclusive, as conquistas destas seleções nacionais, quer seja do futebol ou do voleibol; em nível individual: do automobilismo e do tênis. Faz, de certa maneira, os Brasileiros dos 4 cantos sentirem-se mais Brasileiros, ao mostrar – em um País com vários países – algo em comum entre eles.
A TV forma ídolos e referências no esporte. Talvez sem a TV não teríamos registros das grandezas que estes esportistas realizam/realizaram. Talvez o ídolo não seria assim tão ídolo, a velocidade de Usain Bolt não seria a mais rápida, a ultrapassagem de Senna não seria a mais arrojada, a “mão-de-Deus” de Maradona seria uma fábula e os golpes de Mike Tyson não seriam tão potentes; os neozelandeses do Rugby não passariam de contos.
O Brasil precisa do esporte e o esporte precisa da TV. O Brasil não seria o mesmo sem a TV, assim como o esporte. Afinal, o esporte precisa de divulgação; e a TV, de conteúdo para a audiência. O esporte gera emoções, quebra a rotina, providencia conflitos. O ser humano tem certas e imediatas necessidades que a TV resolve.
Existe no cotidiano do Brasil uma rivalidade tonta com a Argentina e em menor escala naquele País com o Brasil. Como se um fosse uma ameaça para o outro, como antes, nas Guerras do Prata ou da Província Cisplatina. Isso já era há muito tempo. Muitos deles vieram pra cá e contribuíram para a construção e grandeza do Brasil. Nomeamos? Pois bem: Hector Babenco, Irma Alvarez, Carybé. Nos esportes: Sebastian Cuattrin e Fernando Meligeni.
Nos esportes, sugiro vermos nossos vizinhos com bastante respeito e admiração. A cultura poliesportiva argentina nos dá a impressão de aquele País possuir números como os de países com altos níveis sócio-econômicos. Em quaisquer modalidades os vemos em destaque: tênis, golfe, basquete, voleibol (seleção juvenil atual campeã sulamericana), pugilismo, automobilismo (TC 2000 como uma das principais competições no mundo) e hóquei no campo.
Se o Brasil quer ser uma potência Olímpica (e, por consequência, em vários desportos), deve olhar logo ao lado. E já começaram. Grandes exemplos disso são o Rugby e o basquete. Nesta modalidade, Rubén Magnano – campeão Olímpico em 2004 – foi trazido para resgatar os dias gloriosos basquetebol Brasileiro. No Rugby, Toto Camardón tem levado as Seleções Brasileiras para níveis cada vez mais altos.
Quando indagados o por que de gostarem de trabalhar no Brasil com estas modalidades, respondem: “profissionalismo”. Ora, se sem profissionalismo a Argentina alcança bons resultados no esporte, imaginem então se houvesse. Para estas duas modalidades, é preciso mais ainda trabalharem para a difusão de uma cultura de muitos esportes no País.
Muita gente – nos esportes – não valoriza o que é estrangeiro, sobretudo argentino. Isso é característica de pessoas pequenas e medíocres. É preciso repensar estes conceitos, temos sempre muito para aprender: ver realmente quem está ao lado – literalmente e em sentido figurado – do Brasil.
Assim como no anúncio da rede de televisão argentina TyC (está na seção “Anúncios de Graça”), a briga entre os jogadores após a decisão da Copa Santander Libertadores pode ser classificada por muitos como “cultural”.
Oras, de “cultural” nisso não há nada. Quem disser que isso faz parte do futebol latino-americano é, no mínimo, desconhecedor do jogo-limpo e do profissionalismo. Ambientes profissionais – como em qualquer outro – não admitem tais comportamentos, assim como deve ser também nos esportes. Em textos anteriores falamos do profissionalismo do Chivas Guadalajara: o que se vê fora de campo não se viu dentro dele nesta final.
Ou o futebol da América do Sul/Latina muda, ou acaba. Nada cultural.
As marcas no esporte comunicam-se com o público, à maneira que melhor acharem. Em se tratando de marcas de artigos esportivos, vê-se que a Nike possui uma comunicação que reforça o lado individual, as estrelas e o desempenho. A Adidas, por outro lado, trabalha no sentido de o esporte como divertimento. A Le Coq Sportif no esporte como um estilo de vida.
Independente do direcionamento da comunicação das marcas no esporte – quer seja de equipamentos ou de uma modalidade -, ela só será efetiva diante de 3 aspectos:
Produto contagiante: o nome já diz, é preciso ser um produto que satisfaça as necessidades do consumidor e que esteja acima das expectativas dele;
Comunicação contagiante: recursos audio-visuais, utilização de referências podem fazer com que o consumidor se identifique com o produto;
Relacionamento contagiante: a possibilidade de interagir com o produto pode fazer com que o consumidor se sinta pertencente à comunidade de quem usa este produto.
Isso não é segredo algum, tampouco novidade. É aplicado em diversos setores da economia e precisa ser aplicado no esporte, especificamente no Brasil.
Procurem um caso agora de uma marca esportiva com uma excelente comunicação, aplicável à figura acima. São vários.
Lá do México vem o exemplo, especicifamente do Club Deportivo Guadalajara Sociedad Anónima de Capital Variable , popularmente conhecido como “Chivas”. Não, não são os naming rights do renomado uísque.

O "Chivas" de Guadalajara-MEX: exemplo de gestão no futebol, pouco reconhecido no mundo (mediotiempo.com.mx)
Exemplo porque estão na final da Copa Santander Libertadores, possuem uma taxa de ocupação no Estádio Jalisco de 90%, uma torcida apaixonada, consumidora e consomem todos os produtos do clube. Uma gestão profissional que oferece aos torcedores uma excelente prestação de serviços; os rendimentos obtidos com os patrocínios, com a venda de produtos licenciados e bilhetes, são revertidos no clube, quer seja nas categorias de base, quer seja no plantel principal (a fim de montarem uma equipe competitiva e que esteja sempre na disputa pelos títulos), quer seja na infra-estrutura da organização. Isso tudo para bem receberem seus torcedores e fornecer aos atletas as condições necessárias para a realização de um bom trabalho, que, em longo prazo poderão resultar em títulos, nesta situação:
Tudo parece ser muito simples ou talvez o quadro acima não signifique nenhum segredo. Entretanto é preciso vontade para fazer isso e que a gestão dos projetos de implementação de políticas para o clube/modalidade seja exímia.
O Chivas representa isso tudo e assim como outros clubes mexicanos, servem de exemplo para clubes de países da América do Sul, afinal México e a América do Sul possuem muitos pontos semelhantes. Ou isso ocorre naquele País em função da proximidade com os EUA e os exemplos que vêm mais de cima ainda? Certamente é um fator que contribui bastante.
Nada contra SC Internacional ou São Paulo FC, nada contra o crescente profissionalismo dos dois clubes, mas também nada mal que o Chivas vença a Santander Libertadores.
Dá a uma peça de comunicação a expectativa de gerar uma resposta imediata e não apenas a memorização. Deve ter “força” e meios para resposta: telefone, site, e-mail. Se esta peça puder ter um item tangível, melhor ainda.
No esporte, a “força” se dá através da presença do atleta ou de algo tangível, como uma bola ou camisa. Atletas a convidarem os torcedores a comparecerem aos jogos, distribuindo autógrafos e a explicarem do clube e do jogo. Resposta pode ser percebida pelo aumento da frequência no site, no envio de e-mails e, em longo prazo, procura pelo clube e modalidade.
Muitos que lerão o texto abaixo vão achar-me maluco, mas vamos a isso.
Ontem reencontrei com meu grande amigo Guilherme Casarões no caminho de volta pra casa. Conversávamos sobre esporte. Dizíamos que o futebol estava mais nas páginas policiais que nas esportivas dos diários. Vide o antigo goleiro do CR Flamengo; a confusão de treinador e jogadores recentemente em Salvador; as novas aprovações do Estatuto do Torcedor, que pune o adepto que fala palavrões; jogadores que agridem árbitros, que desrespeitam autoridades, quebram a hierarquia e ferem a disciplina de organização esportiva: clube, liga, Federação.
Com isso são colocados em risco os valores do esporte. Uma criança ou um jovem, postos diante disso tudo estarão sujeitos a pensar que o futebol é uma modalidade em que os valores estão inversos e com isso deixar de acompanhar ou praticá-lo. Se os reguladores do futebol neste País não tomarem iniciativas a fim de protegê-lo, o futebol entrará numa crise em longo prazo.
A cada dia se perde mais no futebol os valores do esporte. Existem bons exemplos, claro. Entretanto menos mediáticos que os polêmicos.




