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O Preço da Seriedade

Michel Raspaud, um dos maiores sociólogos do esporte na França apontou o rigor fiscal como um dos fatores que fazem o futebol francês menos mediático entre os europeus.

Segundo ele, há uma comissão interdisciplinar que fiscaliza a saúde financeira dos clubes. Se há algo de errado, esta comissão tem o poder de solicitar o rebaixamento dos clubes, bem como a proibição de contratar jogadores ou serem ajudados por organismos privados (e.g.: bancos), sem antes terem seus problemas sanados. Dessa maneira perdem os clubes e a Liga Francesa em competitividade. Com menor competitividade, haverá também uma menor projeção do futebol daquele País, independentemente de jogarem brasileiros, argentinos ou portugueses (e.g.: Pauleta) por lá. Acontece justamente o contrário: muitos internacionais franceses atuam ou atuaram em boa parte no exterior: Henry, Ribéry, Zidane, Lizarazu e Platini.

J.M.Aulas, presidente do Lyon, com Karim Benzema, a comemorarem o heptacampeonato francês consecutivo do clube (www.karim-benzema.net)

J.M.Aulas, presidente do Lyon, com Karim Benzema, a comemorarem o heptacampeonato francês consecutivo do clube (www.karim-benzema.net)

Recentemente o Bordeaux foi considerado descumpridor de regulamentos fiscais e, por isso, rebaixado. Em 1993 o Olympique de Marselha venceu a Liga dos Campeões, mas foi impedido de jogar a Copa Toyota, contra o São Paulo, devido irregularidades financeiras.  

Ora, a Liga Brasileira (lê-se Campeonato Brasileiro organizado pela CBF + Clube dos 13) mundialmente não possui projeção alguma. Atitudes como esta não afetariam a projeção do campeonato local pelo mundo. Pelo contrário, seria um bom antídoto contra a irresponsabilidade fiscal dos clubes desportivos (em especial de futebol) do Brasil.

PS: No globoesporte.com, de 24 de Março, o relatório da Comissão Fiscal do Santos FC apontou uma dívida de R$177 milhões do clube durante o ano de 2009.

Marketing de Emboscada em Futebol

Recentemente temos acompanhado várias faixas nas bancadas de alguns jogos de futebol com nomes que não são alusivos a bairros e cidades de onde vêm grupos de torcedores (e.g.: “Jardim Primavera”, “São Carlos”, “Pouso Alegre”), de torcidas organizadas ou frases de incentivo (e.g.: “Sempre contigo”, “Sou louco por ti”, “Minha segunda pele”). Nestes jogos elas são estrategicamente colocadas nas grades, no campo de visão das câmeras de TV.
Marketing de Emboscada em futebol: Cerro x Corinthians, 17 Mar 2010, em Assunção. Notem que as faixas das marcas "Gangster", "Rat Boy" e "Jinur's" estão estrategicamente colocadas nas grades, próximas ao centro do campo. Não pagam pelos direitos comerciais do torneio, todavia estão lá. Um caso de marketing de emboscada.

Marketing de Emboscada em futebol: Cerro x Corinthians, 17 Mar 2010, em Assunção. Notem que as faixas das marcas "Gangster", "Rat Boy" e "Jinur's" estão estrategicamente colocadas nas grades, próximas ao centro do campo. Não pagam pelos direitos comerciais do torneio, todavia estão lá. Um caso de marketing de emboscada.

São marcas de artigos de vestuário, como na foto acima, por exemplo: “Trip Side”, “Gangster”, “Rat Boy” e “Jinur’s”. Seus nomes nas faixas são escritos como a sua logomarca. Não pagam direitos à Confederação Sulamericana ou à agência responsável pela parte comercial da Copa Santander Libertadores para serem divulgadas nos jogos promovidos pela entidade esportiva. Têm como custos a confecção da faixa e a contratação informal de alguém para colocarem-na. Isso se chama marketing de emboscada. Em uma definição mais formal, é quando uma empresa que não detém os direitos de publicidade de um evento ou de uma transmissão, realiza ações a fim de promovê-la. Justamente o que fizeram as três marcas, que certamente pertencem ao mesmo grupo.

A “Calçados Romão” fazia muito isso no fim da década de 80 e início da de 1990, no estádio do Morumbi. Posicionava uma faixa com a logomarca da sua empresa atrás da bandeira de escanteio, para que quando as câmeras da TV focalizassem o batedor do canto ou a jogada (cruzamento), focalizariam também o símbolo da rede de lojas.

Existem tipos de marketing e um deles é o de emboscada. Alguns casos são sutis, discretos e causam boa impressão. Outros –  esse – nem tanto e podem conferir uma má imagem à empresa, o que ela não deseja.

Ritmo Colombiano

A sincronia da dança do Armero ontem, durante a comemoração do 2º gol do Palmeiras contra o Santos era “perfeita”.

De Última Hora

Em cima da hora resolveram reformar uma das pistas da Marginal Tietê para determinados carros passarem a 300km/h durante uma etapa da Fórmula Indy.

Conseguiram fazer, São Paulo atraiu muitos turistas. Entretanto, a projeção da cidade foi péssima. Uma pista improvisada em pouco mais de cem dias podia ter levado a uma tragédia. A instabilidade dos carros era notória nas transmissões. Pelos improvisos, reformas e urgências, o custo da prova deve ter sido alta e oxalá os organizadores tenham contado com isso e não sejam surpreendidos com eventual prejuízo. 

Sambódromo do Anhembi, usado no traçado do circuito de São Paulo da F-Indy (www.band.com.br)

Sambódromo do Anhembi, usado no traçado do circuito de São Paulo da F-Indy (www.band.com.br)

É fundamental que tenham um projeto a longo prazo para a F-Indy em São Paulo. Os realizadores correram riscos que não eram precisos. A cidade bem podia esperar um ano mais para organizá-la, a fim de bem receberem os pilotos e a operar com princípios da gestão: com planejamento, prazos e metas, com o objetivo de minimizar os riscos.

Trinta Mil

Olá a todos!
Hoje o blog atingiu a marca de 30.000 visitas. Desde que foi colocado no ar, passaram-se já 893 dias, o que representa uma média de 33,6 visualizações/dia. Número quase 7x maior que a média esperada (5/dia). Obrigado!

Cevadada

Se cerveja fosse o problema, o futebol alemão seria uma merda!

Paradinhas

Cobrança de uma penalidade máxima: a bola é chutada a uma determinada distância da meta, pelo jogador de uma equipe que sofreu a infração. Durante a cobrança, a não ser pelas agressões verbais, não há demonstração de oposição por parte da equipe adversária. No lado oposto permanece o goleiro (guarda-redes) da equipe que cometeu a infração e que deve ficar posicionado sobre a linha que demarca o gol, a fazer movimentos laterais ou para trás, nada para frente. Pois bem.

Para o goleiro só há uma alternativa de evitar o gol: defender a cobrança.

“Paradinha”: segundos antes de executar o chute da penalidade máxima, o jogador para repentinamente o movimento, mantendo a perna no ar ou no solo, com o corpo encurvado ou não. O goleiro, por sua vez, ao observar o movimento do jogador, também executa o seu e acaba por saltar. Da mesma maneira que o chutador interrompe o movimento, o goleiro não tem como interromper o seu. O salto é frustrado. Quando o batedor resolve completar o chute, o goleiro já está vencido no solo, para o lado em que pulou, enquanto a bola beija a rede no outro canto.

Paradinha durante uma cobrança de penalidade máxima (estadao.com.br)

Paradinha durante uma cobrança de penalidade máxima (estadao.com.br)

O jogador engana o goleiro. Comete uma trapaça. Friamente, as trapaças não são bem vindas. Se o propósito do futebol é também a educação e difusão dos valores pelo esporte, então que o façam sem trapaças. E absurdamente há pessoas que defendem. Trapaça é enganação, é a contramão da evolução, do desenvolvimento. É levar vantagem da situação, coisas de um país subdesenvolvido – não digo que em outros países isso não exista, pode até existir, mas bem menos evidente. Trapaça não é valor algum para ensinar a juventude de um País que quer crescer. Dá uma paradinha pra pensar.

PS: Escrevo este post-scriptum mais ou menos 7 horas depois de haver escrito o texto. Certamente surgirá um comentário a dizer que driblar é enganar. Entretanto a situação do jogo é diferente, os dois jogadores em questão possuem a mesma vantagem competitiva. Diferentemente de uma penalidade máxima. Se vale o jogador cometer a paradinha, vale então o goleiro avançar.

“Football Money League”, Deloitte, 2010

Vá em “Utilidade Pública” e saiba quais são os 20 clubes mais ricos do planeta, de acordo com a Deloitte, através do relatório “Football Money League”.

Bridge, Terry e o Profissionalismo

Muitos de vocês devem saber do escândalo. Terry, futebolista do Chelsea, capitão da Inglaterra, casado, teve um caso com a esposa – à altura – do também jogador do Manchester City FC e da selecção inglesa, Bridge.

Quando Bridge soube disso, divorciou-se e recentemente pediu o seu afastamento da equipe inglesa. Obviamente o ambiente de trabalho na selecção nacional seria prejudicado com a presença dos dois. Consciente de ter menos carisma, palmarés e popularidade, Bridge recusou, portanto, a sua participação no Mundial FIFA de junho próximo, na África do Sul. Tudo isso em nome da Inglaterra. Atitude correta. Extremo profissionalismo.

Ontem Chelsea e Manchester City se enfrentaram pela Liga Inglesa Barclays. Bridge à entrada não cumprimentou Terry e o seu clube venceu por 4 a 2, mesmo fora-de-casa. Aqui salientamos o profissionalismo e o jogo limpo. Entretanto, cumprimentá-lo, depois do que houve, seria demais: Bridge já demonstrou profissionalismo e jogo limpo ao afastar-se da selecção nacional e haver atuado com fair-play na vitória do Man City, ontem.

Bridge e Terry pela selecção inglesa, antes do escândalo (thetimes.co.uk)

Bridge e Terry pela selecção inglesa, antes do escândalo (thetimes.co.uk)

Tão inconveniente quanto o adultério, foi o jornal “Daily Mail”, diante de todo este escândalo que envolveu Bridge, tê-lo chamado de “fraco”. Logo, pelos vistos, segundo a consideração deste jornal, cometer adultério, ser desonesto e imoral, é ser “forte”.

Não, isso não. Nem aqui, nem na Inglaterra e nem na China.

Fidel Castro é Nike

Antigo mandatário cubano rompeu com a adidas e assinou pela Nike. O anúncio foi feito ontem (24 Fev) durante a visita do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva à capital, Havana.

Presidente do Brasil e ex-Presidente de Cuba durante encontro em Havana. Fidel já posa com equipamentos da multinacional estadunidense (redebomdia.com.br)

Presidente do Brasil e ex-Presidente de Cuba durante encontro em Havana. Fidel já posa com equipamentos da multinacional estadunidense (redebomdia.com.br)

Anos antes, Fidel Castro aparecia nas fotos com roupas da adidas, fornecedora do Comitê Olímpico Cubano.

Fidel Castro e Luiz Inácio Lula da Silva, em Havana (granma.cu)

Fidel Castro e Luiz Inácio Lula da Silva, em Havana (granma.cu)

É claro que o título deste texto não passa de uma brincadeira. Mas acredito ser a primeira vez que a figura principal da Revolução Cubana de 1959 usa artigos da empresa estadunidense, que há décadas lidera um embargo econômico à ilha. Ademais, os irmãos Castro (Fidel e Raul, que ocupa a presidência) promovem em sua ilha uma propaganda ideológica contra um imperialismo por parte dos Estados Unidos, terra natal da Nike.

Talvez Fidel Castro, em fim de vida, esteja a rever seus conceitos.


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