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Morte Súbita

60% do mercado consumidor brasileiro foi vítima ontem de uma morte súbita.

De repente, faltou energia eléctrica! A população ficou vulnerável, a indústria não produziu e o comércio deixou de vender. Por quase 3 horas. Milhões e milhões de reais desperdiçados.

Um país que vai sediar um Mundial FIFA e os Jogos Olímpicos jamais pode deixar isso acontecer. Nem mesmo se não recebesse estes eventos.

Da vitória, todos querem ser os pais. Mas a derrota é órfã. E não há responsáveis.

O Pantera Vieri

Reforço do Botafogo Futebol Clube, de Ribeirão Preto, para o Campeonato Paulista de 2010: Vieri, antigo internacional da seleção italiana!

Vieri (debico.wordpress.com)

Preciosíssimo material que o Botafogo FC tem em mãos. Atrairá público, certamente. O Botafogo poderá levar a cabo inúmeros projetos de gestão do clube com a presença dele, sem dúvida alguma. Vieri pode até tornar-se um consultor do clube, a trazer exemplos de onde passou. Inclusive a presença de Vieri poderá trazer mais investidores.

Há quem diga que o dinheiro está sendo pessimamente investido. Concordo em parte. Se bem trabalharem, o retorno para o Botafogo com Vieri pode ser imenso, uma vez que o resultado está ao alcance. Entretanto, quem está a investir em Vieri não arriscaria em um projeto em longo prazo, que, no caso do Botafogo, a possibilidade de retorno seria bem remota.

Infelizmente a seriedade e o compromisso poderão vir com o Vieri a jogar pelo Botafogo FC. E não a seriedade e o compromisso, obtidos em projetos de longo prazo, foram os motivos que trouxeram Vieri para cá.

Passado vs. Futuro

Há alguns dias conversava com um amigo sobre a reforma e construção de estádios para o Mundial FIFA 2014. Falávamos do Maracanã. Ele, contra a demolição. Eu, a favor.

É muito pertinente tudo o que se diz a favor da manutenção do estádio. Tradição, história e legado, é o que dizem.

Entretanto, se há a oportunidade de mudar? Por que não se muda? É sabido que o Maracanã possui um conceito ultrapassadíssimo em relação aos mais conceituados grandes estádios do planeta. Basta comparar os tempos de entrada e evacuação da multidão. Os assentos cobertos também.

A demolição do antigo estádio de Wembley (www.tribuneindia.com)

Se Wembley, que é Wembley, e significa muito mais para o futebol do que o Maracanã, foi demolido! Não entendo o porquê de não reconstruirem o estádio do Rio de Janeiro, apenas reformá-lo. Tradição, história e legado não atraem público.

Próximo Tema

Lembrar para não se esquecer: Reforma ou reconstrução dos estádios brasileiros para o Mundial FIFA 2014. Passado vs. Futuro.

Com Moral: Juvenal

Foi-se semana passada o último jogador titular da seleção brasileira no jogo contra o Uruguai, durante a final da Copa do Mundo de 1950, no Brasil, Juvenal. Foi-se esquecido. Antes dele, Friaça (autor do gol brasileiro naquele jogo) havia partido.

O que será que o esporte brasileiro ganhará com o legado que Juvenal deixou? Você aí deve estar a se perguntar se realmente deixou algum legado. Pois digo, deixou.  Foi aquela grande seleção a de 1950 que colocou o Brasil na vanguarda do futebol mundial. Que referência tinha o mundo do futebol brasileiro? Leônidas da Silva (o “Diamante Negro”), talvez. Mesmo tendo sido derrotada, o Brasil ali mostrou-se ao mundo, preparado para dar passos maiores.

Não é ilusão pensar que parte foi em honra aos jogadores da Copa de 50 que o Brasil saiu campeão da Copa de 1958, 62 e 1970, principalmente nos 3 a 1 contra o Uruguai em Guadalajara. Tampouco inocência pensar que corre na mente de cada futebolista que se incorpora a seleção brasileira a vontade de apagar a injustiça com que o povo e os desportistas brasileiros foram estereotipados após aquele jogo no Maracanã.

Brasil no Mundial FIFA, 1950. Juvenal é o 6º da esquerda para a direita. Fonte: CBF

Foi-se Juvenal, mas não se pode dele se esquecer. Assim como Bauer, Barbosa, Friaça, Zizinho, dentre outros. Se o futebol brasileiro é hoje reconhecido, devemos também à equipe de 1950.

Lembrar, para não se esquecer.

Contratempos

Winston Churchill, antigo Estadista Britânico dizia que o segredo para ele haver chegado aos 90 anos de idade se devia ao fato de ele nunca haver praticado quaisquer modalidades esportivas. Nesta semana, na Super Interessante, uma matéria chamou-me a atenção e dizia sobre como o esporte degenera o caráter.

Winston Churchill (tametheblackdog.wordpress.com)

Escuta-se tanto dizer e lê-se tanto sobre como o esporte traz e ressalta valores, o “espírito esportivo”. Entretanto, seguem os argumentos do autor baseados nos exemplos do doping de Ben Johnson e outros. Sobre a competitividade do sistema capitalista, sobre a evasão escolar nas escolas de Israel durante as competições esportivas.

Infelizmente a indústria do esporte atravessa uma acirrada competição, como se todos os esforços fossem catalisados unica e exclusivamente para os primeiros lugares, os mais interessantes. Este posicionamento renderia mais exposição, mais patrocínio, mais rendimentos. E, para isso, as pessoas são capazes desmedidamente de enganarem, de mentirem, de trairem, de trapacearem.

Ainda e ainda bem que existem alguns bolsões em que os reais valores do desporto, cujo precursor foi o Barão de Coubertin (1863-1937), operam. Valores estes que devem ser usados não apenas nos treinamentos, nas competições, mas fora do âmbito esportivo também, a fim de fazer grandes coisas, sempre a respeitar o próximo.

Já dizia Fernando Pessoa (1888-1935) que “navegar é preciso”. A “navegação” significa também em fazer grandes coisas, através de princípios socialmente aceitos e reconhecidos, como a transparência, a ética, o respeito e o trabalho: pequenas receitas para alguns contratempos.

Alegria em Tegucigolpe

“Uma desculpa para sermos felizes”, já dizia Jorge Valdano à altura da conquista do Mundial’86 pela Argentina.

Esta também deve ter sido a frase do Sr. Manuel Zelaya (presidente deposto refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital de Honduras) e a do Sr. Roberto Micheletti (presidente interino de Honduras). Micheletti até declarou feriado escolar no país hoje, 15 de outubro, devido à classificação hondurenha para o Mundial do próximo ano na África do Sul.

É a segunda vez que Honduras vai a um Mundial. A primeira vez foi em 1982, na Espanha, e até que fizeram boa campanha. Vale dizer que o futebol não vai resolver os problemas de Honduras! Sejam eles políticos, sociais e econômicos. Pode sim conferir um sentido de patriotismo e busca por um bem comum, independente da posição política. Entretanto isso será rápido e passageiro.

Jogadores de Honduras em comemoração (oleole.com)

Convém aos representantes dos Srs. Zelaya e Micheletti aproveitarem este clima de euforia da população hondurenha – que desvia a atenção do povo para o futebol – e logo chegarem a um acordo que colocariam um fim nas questões políticas do País.

Disse uma vez Juscelino Kubitschek em 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro mundial: “Quando é o próximo mundial de futebol? Mudei vários Ministros e ninguém falou nada!”.

Grandes Clássicos

Interessante saber o que torna um jogo um grande clássico do futebol. Existem os grandes clássicos entre clubes e entre seleções nacionais. Hoje é dia de um deles, entre equipes nacionais. É dia de Uruguai contra a Argentina, em Montevidéu. Os dados apontam que este confronto tem bastante história. Além da história, existem fatores que tornam um jogo entre seleções um “grande clássico”.

O primeiro fator, como citado, é o palmarés no futebol. Um duelo que tem mais de 100 anos (desde 1902), decidiu uma Olimpíada (1928) e o primeiro Mundial FIFA, em 1930, no mesmo estádio em que será disputada a partida de hoje (Estádio Centenário). Ademais, os dois países empatam em número de títulos mundiais: 2. Os uruguaios não querem ser ultrapassados.

O segundo fator, é o equilíbrio. Há um certo equilíbrio nos confrontos entre uruguaios e argentinos, mas são mais vitórias para os argentinos. Equilíbrio confere mais competitividade ao jogo, o que naturalmente leva a um maior interesse por parte das pessoas.

O terceiro fator é a história fora do campo. As histórias dos dois países são marcadas por guerras, alianças, tratados e traições. Acontecimentos que podem ser levados pelos jogadores para dentro das quatro linhas.

Existem vários jogos que podem ser incluídos nesta categoria de “grande clássico”, levando em consideração estes fatores: Inglaterra vs Argentina, Espanha vs Portugal, Brasil vs Argentina, Chile vs Peru, EUA vs México e Japão vs Coreia do Sul.

Entretanto, nenhum deles tem tanta história e tradição de um Uruguai e Argentina, seja do lado de lá ou de cá do rio da Prata, a 15 minutos de voo ou 1 hora de barco. A proximidade, a semelhança na cultura, no sotaque e nas origens (indígena, europeia e, no caso uruguaio, africana também) torna este jogo especial. É, portanto, muito mais que simplesmente um jogo.

Uruguai x Argentina, na decisão do Mundial de 1930 (Lafuente Photo)

Que seja realmente um grande jogo.

A Rainha

Ano passado havia escrito alguns textos sobre qual seria a cidade que receberia os Jogos Olímpicos de 2016. Pois bem, ela foi escolhida sexta-feira passada: o Rio de Janeiro. No início vi esta inciativa do Rio de Janeiro com desconfiança. Depois pensei ser mais difícil a escolha do Rio pelo facto do peso político dos EUA, de Obama e sua cidade, Chicago.

Minha opinião começou a mudar em Março de 2008, quando participei de um curso de Marketing Esportivo na Universidade de Salamanca, Espanha. Lá tive uma “aula” com um dos coordenadores da Campanha de Madrid 2016. Procurei por aqui mas não me lembrei do nome desta pessoa, infelizmente. Naquela altura ele já considerava o Rio como o principal adversário de Madrid e que para isso a candidatura espanhola havia criado um comitê de Relações Internacionais justamente para conquistar mais votos. Fiquei lá por mais de 3 horas a ouvir a “aula” desse senhor. Mais de 3 horas a ouvir falarem mal do meu País. Colapso urbano. Corrupção. Saúde, segurança e vários outros temas a respeito do Brasil, levantados por pessoas que sequer conheciam o meu País. Depois da “aula” dele, fiz 5 perguntas. Ele não soube responder 3 delas e lembro-me do embaraço causado quando fiz essas perguntas. Acredito que ele não esperava ver um Brazuca infiltrado naquele anfiteatro. Senti-me o agente secreto.

Jacques Rogge, presidente do COI (topnews.in)

Meses mais tarde encontro-me com o grande Professor Dr. Gustavo Pires, da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa. Uma das maiores autoridades mundiais em Estudos Olímpicos. Perguntei a ele o que achava da candidatura do Rio de Janeiro e da de Madrid. Vale dizer que Madrid julgava-se “herdeira” da vaga para 2016 por estar em uma sequência:

2008: China, país do idioma mais falado no mundo (mandarim) e Pequim como o centro da cultura Chinesa;

2012: Inglaterra, país do 2º idioma mais falado no mundo (inglês) e Londres o centro da cultura Anglo-Saxã;

2016: Espanha, país do 3º idioma mais falado no planeta (castelhano) e Madrid o centro da cultura Hispânica.

O Professor Gustavo Pires olhou-me e sem deixar prosseguir com a minha pergunta, respondeu-me em seu bom português:

– Ó, Virgílio, vai dar Rio de Janeiro, pá!

Depois desta fala, muito bem argumentou a sua opinião, baseada principalmente no que foi discursado por Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central do Brasil. Pois bem, se é o Professor Gustavo Pires que vislumbra os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, eu não vou contestá-lo. Acabei por ir na onda dele, mas que a principal adversária já não seria Madrid, mas sim Chicago.

E  por fim São Sebastião do Rio de Janeiro foi eleita a Rainha dentre as 4 cidades finalistas. Não tenho dúvidas de que o povos Carioca e Fluminense organizarão os maiores Jogos Olímpicos da História.

2 Anos

Olá pessoal!

Hoje este Blog comemora 2 anos online! Até agora contam-se 21113 visitas em 731 dias. Em média são 28,88 visualizações/dia. Resultado bem acima do esperado, 28x acima do previsto. Resultados impressionantes. Vamos então comemorar com uma sábia frase de Pelé, que está em Copenhague (Dinamarca) para a votação da cidade que receberá os Jogos Olímpicos de 2016:

“Chicago disse que vai trazer o Obama. Pela Espanha vem o Rei. O Brasil tem Pelé e Lula. 2 a 1 pra nós!”

E por aí vai!


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