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A Little Box of Surprises / Una Caixeta de Sorpreses*

* – “Uma Caixinha de Surpresas”, em inglês e catalão 

Jogaço o de hoje pela Liga dos Campeões da UEFA. O gol de Iniesta nos descontos provou mais do que nunca que o jogo só termina quando acaba. Naquela altura do gol todos tinham o Barcelona como morto. Messi desnorteado. Dani Alves desconcentrado.

Iniesta, autor do gol do FC Barcelona sobre o Chelsea FC (esporte.ig.com.br)

Eis que a partir de uma defesa de Valdés surge um contra-ataque, sem grandes pretensões, mas que dá em gol. E em questão de segundos – assim  como na vida – tudo muda. Em questão de segundos o torcedor do Chelsea não mais precisa pensar em planejar a viagem que faria à Roma para ver a final. A polícia precisará repensar o plano de evacuação dos torcedores, já que sairão irritados. Hiddink não precisa mais se preocupar tanto em conciliar a seleção russa com o clube londrino. Abramovich chora os milhões de euros que deixam de entrar nos cofres da equipe.

Já dizem por aí que a final da Liga Europeia de clubes já tem um placar: Nike 2 x 0 adidas. Capaz! É claro, é óbvio e indiscutível que a marca americana vai prevalecer no jogo, visto que faz o uniforme dos dois finalistas e segundo pesquisas, é a forma de patrocínio mais eficiente.

Se considerarmos a bola do jogo, o placar fica 2 x 1 Nike, já que é adidas. 2 x 2 se o Anderson (Man Utd) fizer um golaço, arrancar a camisa e mostrar o tech-fit da empresa alemã. Se o C. Ronaldo perder um pênalti e escorregar na cobrança, 2 x 1 adidas. Afinal, vocês se lembram do Terry na final da Liga dos Campeões da Europa no ano passado? Que marca ficou em evidência na escorregadela? A Umbro da chuteira de Terry. Se Messi fizer um gol de carrinho, no último segundo e selar a conquista do título, ponto para adidas.

O estádio Olímpico de Roma, onde será a final da UCL’2009 (aboutroma.com)

Enfim, a decisão do próximo 27 de maio vai ser um prato cheio para a ação das empresas na busca de que suas marcas sejam vistas. Não só Nike e adidas. A primeira marca está em vantagem, entretanto o jogo só termina quando acaba e enquanto a bola for redonda, tudo pode acontecer.

Olho Gordo

Há cerca de 1 ano este blog aqui colocou que Madri considera o Rio de Janeiro como a principal concorrente para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A cidade brasileira seria capaz de atrair os votos dos seus países vizinhos, cujos imigrantes são excelentemente tratados (?!) na capital espanhola.

Logos das cidades candidatas aos Jogos Olímpicos de 2016 (lazeresportes.com)

Existe uma suspeita de espionagem por parte da candidatura madrilenha durante a visita da comitiva do COI no Rio de Janeiro, no início deste mês. Os organizadores da postulação fluminense já disseram que vão levar este caso ao COI.

Madri se considera favorita a ser sede dos jogos de 2016, por ser o coração do 3º idioma mais falado no mundo, o castelhano. Pequim foi sede em 2008, centro da cultura chinesa e do mandarim, a língua com mais falantes; Londres será em 2012, centro da cultura anglo-saxônica e do 2º idioma mais falado no planeta. Madri, portanto, estaria na sequência.

Olho gordo, disputa acirrada. Briga de cachorro grande. Gostaria que fosse o Rio, mas na onda da “Obamamania”, vai dar Chicago!

Questão de Bom Senso

Não, não é o slogan antigo de uma marca de cigarros! Em sua coletiva após o jogo, Ronaldo reclamou da desorganização que foi a cerimônia de encerramento do campeonato paulista. “Microfonadas” e “fogo”, enquanto ele queria comemorar com os companheiros e a torcida.

O que aconteceu é espelho da organização da direção do futebol brasileiro. A imprensa que, competitiva e na ânsia da informação, quer ser a primeira a registrar a felicidade (ou não do atleta). Dirigentes que estão ali no campo sem motivo aparente – apenas pelos motivos deles mesmos – e, por terem influência, seus parentes e amigos estão ali também. Ridículo.

Para quem trabalha por mais bom senso na gestão do esporte, ninguém melhor que Ronaldo – um perito na questão, por tudo que conquistou e exemplos que viveu – para questionar os organizadores. Organização é questão de bom senso: respeito aos jogadores, aos torcedores, aos patrocinadores (ninguém quer ter a sua marca associada à confusão), aos veículos de comunicação (todos querem a notícia e no fim eles têm) e aos telespectadores (em um domingo com a família e amigos, também ninguém quer ver tragédia pela TV).

Disse ele ainda que não queria consertar nada ou “botar ordem”. Querendo ou não, ele botou.

Taça Quente

Excelente o campeonato paulista de 2009. Boas equipes, estrelas, competitividade, mas que sempre ganha um clube da capital. Bom, este é um outro papo.

O campeonato paulista foi tão quente que a cerimônia de entrega da Taça na verdade foi um show pirotécnico. Os fogos misturados aos papelitos branco e preto provocaram chamas que atingiram o elevador em que estavam o Secretário dos Esportes de São Paulo, o Ministro do Esporte, o representante da Federação Paulista, o presidente do Corinthians (?) e o capitão alvi-negro, com a taça. Muito bem organizada e rápida a cerimônia até o elevador e o fogo.

Qual o motivo de colocarem um elevador lá? Algumas ideias são ótimas, muito bem-vindas, mas a de colocar um elevador, não. 

Ademais, o que o presidente do Corinthians estava fazendo lá? Ele comprou o clube? Ele entrou em campo, literalmente? Não fica bem para alguém que propunha uma atitude diferente da de “cartolas” como Eurico Miranda e Dualib.

Como foi dito, a cerimônia estava correndo muito bem. O episódio do elevador (o fogo foi consequência) pegou mal. A ausência daquela antiga taça da fachada do Palácio dos Bandeirantes também.

SE Palmeiras campeão em 1993, com a taça do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista) (palestrinos.uol.com.br)

Em tempo: “O título é bom para atrair patrocínios e rendimentos, e com eles melhorarmos as condições de treinamentos e melhorarmos a equipe” (Mano Menezes, logo após o jogo). Sensato, no mínimo!

Campeões

SC Corinthians Paulista, campeão estadual de São Paulo’2009. Como sempre, a fornecedora de material esportivo do clube (Nike) confeccionou camisas alusivas à conquista para os jogadores vestirem-nas quando do recebimento da taça.

Felipe, goleiro (guarda-redes) corinthiano, patrocinado pela adidas, não vestiu a camisa e permaneceu com o tech-fit da empresa alemã que utilizou durante o jogo, por baixo do uniforme.

Parabéns aos campeões do Corinthians, 26 vezes campeão paulista!

Lembrar é Preciso

O futebol ocupa um grande espaço na mídia, sem dúvida. Como consequência, outras modalidades ficam em segundo plano. O basquete, atualmente, nem se fala. Quem faz parte da seleção? Há alguns anos sabíamos quem era quem, quem jogava onde e por aí vai. Quiçá apenas a feminina. Campeonato nacional nem ouvimos falar.

É a taça da Copa do Mundo de futebol que vem, são os 50 anos da conquista da Copa de 58 na Suécia. Tudo muito bem lembrado e celebrado. Merecidamente lembrado e celebrado! Também poderia ser os 50 anos da conquista do mundial de basquete em 1959, no Chile. Em uma época em que o basquetebol (bola ao cesto, como diria o meu avô) brasileiro atravessa por um período de vacas magras, nada melhor que lembrar e tomar como exemplo herois como Amaury, Bispo, Wlamir.

Selecção brasileira de basquete, campeã mundial de 1959, no Chile (cbb.com.br)

É preciso lembrar para resgatar o orgulho, quebrar este paradigma atual, trabalhar e crescer. O basquete do Brasil é grande, bicampeão mundial, repleta de gente com muito talento, mas sem perspectivas porque a sua organização está na mesma.

O que Não Tem Preço

Impagável o Colo-Colo x Palmeiras de ontem, em Santiago. Jogo digno de Libertadores: campo lotado, pressão, papelitos, cânticos ensurdecedores, faixas e coreografias. Bom jogo tanto do lado chileno quanto do paulista.

Palmeiras x Colo-Colo, quando foi no Palestra (borgesluciano.blogs.terra.com.br)

Antes de tudo, boa organização e jogo limpo, apesar do atraso na entrada da equipe palmeirense e da expulsão de Marcão. Os patrocinadores que não eram do torneio estavam cobertos e não havia faixas penduradas nos alambrados, a não ser aquelas com as cores do clube, que atravessam o anel do estádio.

Ao final do jogo, uma aparente tranquilidade. Vitória da equipe brasileira por 1 a 0. Os chilenos reuniram-se no meio do campo, conversaram por uns instantes. Os paulistas foram cumprimentá-los – depois de comemorarem a vitória – e os dois clubes saudaram os 30 mil espectadores.

Qualidade, organização e respeito: quem dera todos os jogos da Libertadores serem assim!

Aqui Não, Violão!

Os exemplos de Juan com Maicosuel no CR Flamengo vs. Botafogo e o de Germano e Chicão no Santos FC vs. SC Corinthians de ontem refletem o nível atual das relações humanas na sociedade. Dentre as inúmeras características, destaco a competitividade, o individualismo, o oportunismo desmedido, a provocação. As pessoas vítimas disso tudo cansaram-se. Não havendo para quem reclamar e solicitar pela punição, a reação só poderia ser uma: a violência.

No jogo paulista Chicão tentou de todos os modos passar por cima de Germano que, querendo acabar com o desejo do oponente de “levar a vantagem em tudo” (popularmente conhecida pela lei de Gérson), acerta um uppercut no corinthiano, levando-o a nocaute.

No Maracanã Maicosuel tentou driblar Juan, comprometendo a reputação do flamenguista diante de dezenas de milhares de pessoas, de milhões de lares, de dezenas de potenciais patrocinadores, alguns olheiros de clubes internacionais e de membros da comissão técnica da seleção brasileira, que provavelmente estiveram lá. O drible faz parte do futebol, obviamente! Mas está cada vez mais raro. Ou você é entortado por uma sumidade no mundo da bola e fica quieto, ou você quebra – literalmente – o seu adversário. No receio de ser quebrado e tornar-se alvo fácil de todos os adversários, poucos arriscam-se a driblar.

Foi o que Juan resolveu fazer. Quebrar o adversário e depois provocá-lo verbalmente, para mais ainda intimidá-lo. Tudo isso faz parte do futebol porque também faz parte da vida. Dunning já dizia isso, que o futebol é o reflexo da sociedade. Gramsci, que “uma partida de futebol é o modelo da sociedade individualista”.

A Promessa e o Bullying

Thomas Daley, atleta dos saltos ornamentais: 14 anos, uma Olimpíada no currículo, promessa no esporte, mas vítima.

Thomas Daley (theindependent.co.uk)

Não pelo assédio da imprensa, da pressão pelos resultados ou da repentina – porém conveniente – fama, afinal, com tal idade e a figurar entre os melhores do mundo, é para poucos. Isso pode ter causado mal-estar entre os colegas de escola, que fizeram de Thomas Daley alvo de brincadeiras de mal gosto, conhecidas por “bullying”. Os “colegas” ameaçaram cortar-lhe as pernas.

Assustado e com o consentimento dos pais, Daley vai se mudar para os EUA  para prosseguir os treinamentos com mais tranqulidade.

E os EUA devem ser os campeões mundiais em “bullying”! Por lá muitas das vítimas vingam-se praticando chacinas dentro dos colégios. Ponto negativo para a sociedade – o “bullying” é comum no mundo inteiro -, para a escola de Daley e para o Comitê Olímpico do Reino Unido. Esse fato pode comprometer a carreira do jovem saltador e, se querem torná-lo campeão, devem fornecer as condições necessárias para ser, não apenas em treinamento mas também na formação da pessoa (corpo são em mente sã).

Ensaio do Brasil!

Neste fim-de-semana o Brasil começa a última fase para alcançar o Mundial de Rugby na Nova Zelândia, em 2011. É um torneio triangular com o Chile e o Uruguai. O primeiro jogo é contra os Condores (Chile), em Viña del Mar.

Diz a história que Charles Miller – aquele mesmo que trouxe o futebol para o Brasil – também trouxe em suas bagagens bolas ovais (Rugby). Infelizmente a bola oval desta modalidade tão empolgante não tornou-se tão conhecida por aqui. Está sendo agora, alavancada por uma nobre iniciativa da seleção feminina do Brasil.

Seleção Brasileira de Rugby, depois de haver vencido o Sul-Americano B, sobre o Paraguai (www.irb.com)

Dizem por aí que o Rugby é violento. É porque nunca jogaram. São pessoas que preferem opinar sobre algo sem conhecê-lo. Vão ao menos jogar uma vez para saber se realmente é, em vez de ficar no reduzido mundo do “achismo”.

Indo ou não para o Mundial’2011, o Brasil ano a ano dá passos cada vez maiores no Rugby. É um ensaio (essai) do Brasil para 2015, 2019, 2023…! Estamos com vocês!


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