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Valores em Crise

A bolha estourou. O futebol de alto desempenho no Brasil ficou caro de uma tal maneira que a sua sustentabilidade está inviável. Salários muito altos. De atletas. De membros da comissão técnica. Das comissões de terceiros. Ingressos caros para serviços mal prestados. Violência. Cultura de trabalho nem um pouco voltada para o mercado – a eleição de Eurico Miranda no CR Vasco da Gama é sinal dos tempos. Luís Fernandes, do Ministério do Esporte, ao falar que os estádios construídos para o mundial de futebol estão em plena utilização, é a constatação plena do desconhecimento do próprio ambiente de trabalho.

Parece que todos querem levar uma parte nas comissões, em patrocínio, demissões, contratações. Uma ganância sem precedentes. Os patrocinadores fogem em debandada: Emirates e Sony romperam o aporte à FIFA. No vôlei brasileiro, o Banco do Brasil suspendeu o patrocínio para a Confederação Brasileira de Voleibol depois da constatação de irregularidades no uso dos recursos repassados à entidade. A KIA Motors já não vê vantagem em associar-se ao futebol, em função do baixo retorno e da imagem negativa que a ela pode ser associada.

Essa crise é o reflexo da sociedade. Dos valores invertidos. Da sobrevalorização de quem ganha muito e faz pouco, de quem fala muito e faz muito menos. Dos que se valem de qualquer coisa para promoção pessoal. Do carro que não para na faixa de pedestres, do que usa a vaga para deficientes a fim de favorecimento próprio. Ganância. Da sociedade que não respeita e não se dá ao respeito, que faz com que um deficiente físico suba as escadas de acesso a um voo comercial sem o auxílio de equipamentos. E em pouco mais de um ano seremos sede dos Jogos Paralímpicos!

O futebol explica a sociedade.

Por outro lado, existe esperança. Através de exemplos de quem trabalha. O basquete brasileiro tem dado um grande salto nos últimos anos. Com o acordo entre a NBA e a LNB (Liga Nacional de Basquete), tenho muita esperança de que sejamos contaminados com a cultura de trabalho norte-americana, voltada para o mercado, com teto salarial e regulamentação de todos os agentes.

É preciso valorizar o trabalho. E quem produz. Trabalho e produção movem o mundo adiante.

O Rugby e o Empreendedorismo

10 Coisas que os Empreendedores podem aprender com o Rugby

Texto adaptado de Simon Hurry

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Nos meus tempos de estudante, eu não era muito diferente em relação aos meus alunos – eu aguardava pelo fim do dia, quando a prática esportiva começava. A melhor estação do ano, certamente, era o inverno, o que significava que eu treinaria rugby. Honestamente eu nunca gostei tanto assim de jogar rugby, mas sim ser treinador. Talvez seja por que eu frequentemente era ‘esmagado’ pelos joelhos dos adversários mais fortes e grandes. Eu e a dor nunca fomos bons amigos. Mais fácil motivar outra pessoa para isso do que eu.

Olhando para trás noto que há alguns fortes paralelos entre minha jornada como empreendedor e os meus dias de rugby (como jogador e como treinador). Gostaria de dividir alguns deles com vocês:

  1. Os negócios são uma queda de braço. Você tem que lutar pelo que quer e pelo que acredita. Nada vai ser dado para você. A chave aqui é que a vida consiste em andar 3 passos pra frente, 5 para trás, 10 pra frente, 2 pra trás. No final, quantas vezes você cruzou a linha do in goal?
  1. A paixão só vai ser útil nos primeiros 5 minutos. Paixão é uma emoção e uma vez que passados os discursos e as conversas táticas, o trabalho duro começa. E não há nada mais glorioso do que o trabalho duro. É suado, sangrento e ingrato, mas move montanhas.
  1. Vão te bater forte. E algumas vezes quando você não estiver olhando. Rugby é um jogo físico. Se você não gosta de ser tackleado, não jogue. O mesmo com o seu trabalho. Se você não gosta das pancadas fortes, caia fora.
  1. Bata ou seja batido. Se você é passivo no tackle, hesitante ou simplesmente abaixa a cabeça, você pode se colocar em sério perigo. Não evite problemas. Vá pra cima deles, se posicione bem e vai para o contato, e forte. Esteja certo de que eles foram para o chão, senão eles podem continuar.
  1. O rugby tem regras. Se você se incomoda em perceber as regras para usá-las ao seu favor, você poderá ser advertido e tomar um cartão amarelo ou um vermelho, e ficar fora do jogo. Não poderá culpar ninguém, senão a si próprio. As regras determinam o jogo e o tornam possível. Leve o tempo que for para entendê-las.
  1. Jogue o seu jogo. O rugby é imperdoável para a equipe que tenta jogar o jogo da outra equipe. Entenda o que a sua oposição faz, mas não a imite. Aprenda com eles, mas jogue o seu jogo.
  1. Proteja a bola a todo o custo. Se você não tem a bola, não tem como pontuar. Pior ainda, você vai ter que se defender, e isso é duro, muito desgastante. Então, qual é a sua bola? Em que você tem que estar agarrado a todo o custo? Se você perdê-la, estará em perigo.
  1. Diversidade é força. Rugby é jogado por 15 jogadores que possuem distintas funções cada um. Toda função é uma importante peça dentro de um quebra-cabeça gigantesco. Você não pode simplesmente trocar a posição. O que você prefere: cercar-se de pessoas iguais a você ou se preparar para saber quem você precisa e quando?
  1. O rumo da bola. Uma bola de rugby é peculiar porque tem uma quicada imprevisível. A vida é como uma bola de rugby. Um dia ela pode pingar para o lado a favor e você ganhar o jogo. No outro, pingar pro outro lado e você se perder todo. A mesma bola. A mesma circunstância. Se você não entender isso, vai se dar mal. Faça o que for necessário para controlar o quique da bola, mas não leve isso para o lado pessoal.
  1. Jogue dentro dos espaços. A chave no rugby é criar espaços, assim o jogador pode ganhar território. O mesmo com o seu negócio. Crie espaços e ocupe-os o mais rápido que puder.

Mas acima de tudo, não se esqueça de que você está jogando. E essa é a parte mais fácil. Por que você ama isso tudo.



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