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Pitacos Técnicos Morumbísticos

Está na página 9 da regulamentação da FIFA (Federação Internacional de Futebol) sobre construção e regulamentação dos estádios: “o estádio deve estar situado em localização suficientemente larga que forneça espaços públicos para a circulação de pessoas, bem como para evacuação”.

Ainda na página 9: “…para que um controle pré-entrada seja realizado com o intuito de evitar que as catracas de entrada fiquem congestionadas e confusões à saída, sabendo-se que ao fim de um jogo, todos quererão sair simultaneamente. Não é uma situação desejada que os estádios estejam localizados em uma área densamente habitada”. O Morumbi está em uma área muito povoada e engolido pela urbe.

Tudo isso é suficiente para encerrar a polêmica sobre o estádio do Morumbi. Ora, está na regulamentação da FIFA. Ou começam a agir, quer seja o São Paulo Futebol Clube, quer seja o governo estadual ou federal, ou São Paulo não terá um estádio para o Mundial FIFA 2014. O estádio não preenche os requisitos para abrigar um evento deste porte. O organismo máximo do futebol não está disposto em ter o seu evento “avacalhado” por interesses particulares.

Que seja construído um outro, fora da cidade de São Paulo e que seja um terminal multimodal, para facilitar o acesso, deslocamento, segurança e conforto do público, consumidor do produto “futebol”.

Vancouverianas

Ops! O título era para ser outro, mas podiam acusar-me de uso indevido da palavra, como foi com a Professora Katia Rubio. “Vancouverianas” em alusão às Olimpíadas de Inverno em Vancouver, Colúmbia Britânica, no Canadá.

Alguns comentários sobre os Jogos.

“Sustentabilidade” e “preservação”. Duas palavras que fazem parte do nosso dia-a-dia fazem parte agora dos eventos esportivos. Afinal, são certamente consideradas como legado. É aquilo que os Jogos trazem à cidade, ao País e ao mundo. Sustentabilidade e preservação não apenas do meio-ambiente, mas da cultura e dos hábitos dos povos locais, em que se baseia o trabalho de Vancouver. Que estes valores estejam presentes no Comitê Organizador Rio’2016, afinal o Brasil – a não ser pelos nomes das localidades – nunca soube preservar com eficiência a cultura indígena; e se não fosse por ela, o carioca não seria “carioca”. Vancouver, para quem vê de fora, respeita isso até em sua logomarca.

Logo dos Jogos Olímpicos de Vancouver (besttraveltips.com)

Um Ilanaaq, símbolo do povo Innuit para “amizade e boas-vindas” (cbc.ca)

De pato pra ganso, uma poucas letras. Atenção à indumentária da equipe de curling da Noruega! Bem diferente.

Noruega no Curling em Vancouver'2010. Atenção nas calças!

Mais “vancouverianas” em breve!

Don’t Go Home!

Ontem torcedores brasileiros do Arsenal FC reuniram-se em São Paulo para verem o jogo da Liga dos Campeões UEFA, contra o FC Porto (POR). Todos vestiam as camisas do clube, acessórios licenciados e outros artigos em referência ao clube londrino. Eram cerca de 20, 30. Ligação com a Inglaterra? Nenhuma. Um ou dois eram ingleses. Outros tinham lá visitado, passado uma época. Entretanto, antes disso, eram torcedores. Diferente da penya barcelonista de São Paulo. 

Em um primeiro momento, a reação foi: “Somos 5 vezes campeões mundiais, a América do Sul é campeoníssima nos mundiais interclubes, mesmo sem jogadores de renome. O que se passa para torcerem a clubes gringos? Gunners, go home!”

Apesar de a América do Sul apresentar uma vanguarda em resultados desportivos mesmo sem tantos recursos, o fator principal que faz com que cada vez mais jovens interessem-se pelo futebol europeu é a prestação de serviços. Se perguntassem para que clube torce uma sala de aula, alguns responderão por clubes que não são brasileiros. Ora, veja bem: um garoto talvez nunca poderá ir até lá para ver um jogo, mas quando for, será bem recebido. Comprará o bilhete em seu país, sentará em um assento numerado, entrará sem maiores complicações, sem constrangimentos, usará instalações limpas e adequadas, não enfrentará tumulto no bar ao comprar um lanche.

Mesmo que não vá, ele, o garoto, em seu país Natal acessará o site oficial do clube, terá todas as informações necessárias em sua língua-pátria e sentir-se-á mais próximo do clube se houver um conterrâneo em suas fileiras.

A diferença está na qualidade do serviço e na atmosfera oferecida ao torcedor. No Brasil não há nada disso ainda. E os clubes que propõem-se a isso tem obtido bastante sucesso. Para além disso, vemos um futebol falado de maneira vulgar e nada inteligente: seja pelas entrevistas de muitos dirigentes, treinadores, jogadores e torcedores; pelos empurrões e cotoveladas nas entrevistas aos jogadores à saída do campo; pelos microfones instalados à beira do relvado a captarem tudo o que dizem e o que não dizem. Não se pode ouvir isso. Aliás, pelo conteúdo, muito do que foi citado deveria ser proibido, porque futebol é programação que as crianças acompanham. Bom, certamente um virá para dizer: “mas é a realidade do futebol!”. A realidade é que o futebol, se é profissional, deve ser tratado com profissionalismo. Logo, em ambientes profissionais, aquilo que é impróprio deve ser proibido.

Pois bem, o resultado desportivo de um clube é importante, sem dúvida alguma. Tão importante quanto é o torcedor, consumidor do serviço produzido pelo clube.

Enquanto isso não for levado a sério, quero mesmo que mais Arsenals, Chelseas, Barcelonas, Portos, Milans e Bayerns tenham torcedores no Brasil, por falta de opção local! “Don’t go home!”*

“Tá tudo pronto aqui é só vir pegar; negócio bom assim ninguém nunca viu.” (Raul Seixas)

*Não vão para casa

Consumidores do Futebol

Em 2008 o Marília Atlético Clube (MAC) à última da hora alterou o mando de um jogo contra o Corinthians, de Marília para Londrina (PR), tendo levado em consideração os fatores estádio (o de Londrina é maior) e torcida (no Norte do Paraná há muito mais corinthianos que o Centro-Oeste paulista.

Um torcedor do MAC não recebeu com agrado tal iniciativa e entrou na justiça contra o clube, sob a alegação de que a instituição prejudicou os torcedores que compraram o pacote de jogos para a época toda, sem saberem que haveria a possibilidade da transferência do jogo. Ademais, a atitude do clube fere o Código de Defesa do Consumidor.

Torcida do Cruzeiro sofre para entrar no Mineirão

Torcedores/consumidores são  frequentemente destratados (Alfieri Photo)

Eis que a Justiça de Marília condenou o clube ao pagamento de uma multa. Beto de Mayo, presidente do MAC, disse que naquela ocasião, uma van levaria os torcedores para Londrina, com todas as despesas pagas.

Ponto positivo ao torcedor que entrou na Justiça. Ponto positivo à Justiça de Marília. O clube não pode destratar o torcedor, agir em proveito da sua paixão, sem nada oferecer além de prováveis resultados esportivos positivos. Desta forma não há como um torcedor sentir-se motivado em comparecer ao estádio. De nada adianta ter uma van disponível e as despesas pagas: o torcedor quer ver o seu clube em sua cidade; para poder levar o amigo ou a família com mais comodidade. Quer estar logo de volta em casa, quer conforto.

É uma relação de consumo: o torcedor quando compra o bilhete, paga por um serviço, que é espetáculo desportivo. Neste caso, um jogo de futebol. O serviço no desporto é marcado pela incerteza, ou seja, o torcedor pode ou não ter a sua expectativa satisfeita. Entretanto, o desconforto gerado pela incerteza pode ser amenizado pelo conforto, segurança e acessibilidade oferecidos.

Ay, Celeste Regalame un Sol!

Dentre os convocados da seleção uruguaia para o amistoso contra a Suíça no início de março, nenhum atua em um clube do país. Todos gringos. Antes fosse isso devido aos decisivos compromissos de Nacional e Peñarol pela Copa Libertadores!

Marginal a 300

Em menos de 1 mês São Paulo receberá a primeira etapa da Fórmula Indy de 2010. Era para isso ter sido escrito há mais tempo por ser um tema delicado. Diante da recusa de algumas cidades, a capital paulista topou receber esta prova. Ela não será disputada em Interlagos, mas sim em um circuito de rua improvisado, a passar por parte da Marginal Tietê e do sambódromo do Anhembi.

Visualizem uma balança com dois pratos, como aquelas da Filizola. A balança é a cidade de São Paulo, representada pela Prefeitura Muncipal. Em um dos pratos, estão juntos: o oportunismo e a irresponsabilidade. No outro prato estão: a visibilidade e a geração de empregos.

Oportunismo porque São Paulo tirou proveito da situação em dado momento em benefício de seus interesses, aliado a irresponsabilidade de o dinheiro investido nesta corrida poder ser direcionado a questões mais urgentes do município. A pavimentação da Marginal Tietê não é nenhum exemplo, e parte do recurso público será aplicado para a recuperação da pista em benefício de apenas algumas centenas de metros, e não toda a extensão da via. Irresponsabilidade devido ao verão extremamente chuvoso e caótico por que passa a cidade, em conjunto com a falta de educação de parte dos cidadãos, que deixam diariamente toneladas de lixo nas ruas, o que torna mais complicado o serviço municipal de coleta: já não há lugar para tanto entulho. Vem a chuva, que sobrecarrega córregos, rios e leva o lixo junto. Já o lixo entope a galeria. A água não flui e vêm as enchentes. É um ciclo em que o político sempre leva a culpa. Pois bem, a culpa também é do cidadão nem um pouco educado. No entanto, o político podia incentivar através de investimentos públicos a coleta seletiva e as boas maneiras dos cidadãos.

Um parêntesis aqui: parece que já vi esse filme! Pouco antes das Olimpíadas de Pequim em 2008, o governo local fez uma campanha contra o hábito chinês de cuspir e urinar em vias públicas, em nome das boas maneiras. Em nome da convivência, melhor! No Rio já estão a prender gente que faz isso.

Falou-se apenas de coisas ruins, mas há o lado bom da vinda dessa prova ao Brasil e a São Paulo, principalmente: visibilidade é uma delas. São Paulo será mais vista na imprensa internacional, muito se falará dela, o que pode gerar investimentos futuros na cidade. Em segundo lugar, a geração de empregos e circulação de riquezas que esta etapa da F-Indy trará, principalmente no setor da prestação de serviços, como o hospitality da prova, o setor hoteleiro, de restaurantes e de transportes.

Percurso da F-Indy SP300

Percurso da F-Indy SP300

Obviamente, faltou planejamento ao firmar o compromisso de receber esta etapa de tão importante categoria. Tudo podia ter sido melhor organizado, sem tanta pressa, como se vê. Um evento esportivo – como todos -, para ser bem sucedido, é necessário fazer com antecedência, com planejamento. Ademais, é saber envolver toda a população da cidade, para que a maioria a veja com agrado. Planejar para que as pessoas se preparem em não pegar a Marginal Tietê durante a sua realização; que se preparem em não utilizar algum serviço que envolva o evento, a fim de evitar constrangimentos, tumultos e dores-de-cabeça. Infelizmente não era para escrever dessa forma. Os serviços devem ser prestados para todos, independentemente de participarem ou não do evento. No entanto, faz-se necessário: o Brasil não atingiu ainda um nível de obediência civil, educação e respeito ao próximo capazes de fazer com que o bem público seja bem administrado – pelo poder e pelos utentes – com o único e principal interesse de bem servir à população.

Ser contra a prova? Ficar contra a sua realização – isso significa ficar em contra a todos os benefícios por ela criados? Não. É preciso fazê-la e trabalhar para que em 2011 não sejam cometidos os erros de 2010 e que todos os paulistanos ganhem com esta prova.

Sinta-se em Casa!

Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Mundiais de diversas modalidades, torneios continentais, nacionais ou mesmo regionais. Muitas cidades querem receber eventos esportivos. Algumas concorrem, poucas podem, outras poucas que podem nem concorrem, muito poucas conseguem.

Certamente receber grandes eventos esportivos exigem muito das finanças públicas e quem acaba por arcar com estes gastos é a população, quer seja da cidade, quer seja do país. Para todos os gastos e investimentos, é necessário planejamento.

Por exemplo, dizem que o grande problema do Brasil para o Mundial FIFA 2014, Copa FIFA das Confederações 2013 e Jogos Olímpicos 2016 são os aeroportos. É um item que tem se mostrado bastante sensível nos últimos anos. Entretanto, um aeroporto não deve ser pensado apenas em termos de volume de passageiros. Os eventos vêm para o País, sem dúvida, mas eles acabam. Quando acabam, estes passageiros não voltam na mesma proporção. É por isso que é preciso pensar no aeroporto como sendo um porto seco, com o intuito de gerar rendimentos não somente a partir da movimentação de viajantes. O aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, ilustra esta situação.

A fim de mobilizar a população local, a iniciativa pública deve trabalhar dois grandes conceitos: mobilizar, mexer com o orgulho local e explorar as oportunidades econômicas advindas do grande evento. Trabalhar com o orgulho local é mostrar ao próprio habitante, ao país e ao mundo o legado da cidade; os valores que ela preserva, suas conquistas e vanguarda. Explorar o potencial econômico é deixar claro aos cidadãos que apesar de serem feitos muitos gastos, eles atrairão muito mais recursos.

Obviamente tudo isso deve ser feito com planejamento e responsabilidade, para que a cidade possa manter todo o investimento público realizado.

Estádio Moses Mabhida, em Durban, na África do Sul. Construído ao lado da linha férrea: exemplo de mobilidade urbana! (brillianttrrips.com)

Factores que devem ser prioridades à cidade, ao receberem grandes eventos desportivos – também não precisam sê-los: segurança, proteção, bem-estar, educação, limpeza, asseio, mobilidade urbana e, claro, planejamento em todas estas áreas. Assim profissionais e turistas poderão se sentir em casa. Um grande evento esportivo é um legado à cidade e ao País. Angola provavelmente não pensou nisso ao receber a Orange CAN’2010. Mas este é tema para outro texto.

Ver longe, já dizia Coubertin.

Que Rei Sou Eu?

Eu era garoto e passava uma telenovela com esse título. Pois bem, você não acessou o blog da TV. Estamos a tratar do desporto e da sua profissionalização.

Era uma vez, no interior do País, um clube importante de uma cidade importante, cujo rival, da mesma cidade, também era importante. Era o clube da elite da cidade, enquanto o rival era mais humilde. A valerem da abundância de recursos e da paixão de seus torcedores, muitos dos dirigentes deste clube de origem rica aproveitaram-se da situação e apropriaram-se das suas receitas e patrimônio. Enquanto isso, o outro clube, de origem mais humilde, manteve os pés no chão, investiu em infra-estrutura e nas categorias de base. Em termos de resultados desportivos, enquanto um declinava o outro alcançava as metas estabelecidas.

Eis que atualmente o clube da elite está em um escalão do futebol duas vezes menor que o rival, que está no principal. Este, realiza um bom torneio; aquele, um péssimo.

De repente surge um investidor, capaz de sanar as finanças da instituição outrora roubada e investir no clube. “Vai ser a salvação!”, todos pensam. Será a salvação certamente se houver bom ambiente de trabalho, se houver sintonia entre a equipe do investidor e o presidente e conselheiros do clube. O investidor não pode parecer-se como tal, tampouco fazer as vezes. Deve investir, indicar e direcionar os investimentos, obviamente, assessorado por uma equipe profissional. Cabe ao presidente de facto representar o clube e auxiliar este investidor em questões internas.

O presidente também não pode ter ciúmes do investidor. Não pode ser o técnico da equipe. Tampouco o presidente pode. Aliás, para isso em um clube existe o departamento desportivo, departamento de futebol: para quem entende de desporto; para quem entende de futebol. Sem dar palpites, sugestões e com isso atrapalhar o trabalho do seu colega de clube, seja no âmbito desportivo quanto gerencial. Isso é profissionalismo.

Como diz a gíria, “cada macaco no seu galho”. Sem picuinhas e disputas de poder, por isso do título deste texto. Todos sabem a função de cada um e seu papel, seja em uma empresa ou em um clube desportivo. O que acontece fora do campo interfere dentro e, consequentemente, nos resultados.

Cada um em seu lugar, com seus direitos e deveres, pelo bem da organização. Tudo isso em nome do profissionalismo.

Globalização

É só dar uma olhada nas convocatórias do Brasil e da Argentina e observar que nos dois países, mais de 95% dos escalados atuam no futebol europeu. Jogam, portanto, à maneira europeia.

Este blogueiro nada entende de futebol, mas o jeito europeu é diferente do sul-americano. Certamente dentro da maneira europeia existem variantes: latina (Portugal e Espanha), alemã, italiana, britânica, nórdica e do leste (Sérvia, Rússia e Polônia). Na América do Sul, o jogo brasileiro, argentino e uruguaio. Talvez, o colombiano. E olha lá!

Discutia com um amigo sobre as últimos jogos entre Brasil e Argentina. O Brasil tem se saído melhor sobre os vizinhos. Claro que há competência para os brasileiros. No entanto aponto como outro factor a questão de a maioria dos jogadores das duas selecções estarem em clubes da Europa, a jogarem no estilo europeu, não o sul-americano. Não o Brasileiro, não o Argentino. Deveríamos experimentar um amistoso entre os dois países com convocados apenas dos clubes locais. O resultado certamente seria diferente.

Blatter (presidente da FIFA) disse temer um dia o Mundial da entidade contar com mais de 50% de jogadores brasileiros e argentinos. Esta situação só mudará a partir do momento em que as Federações locais priorizarem o desenvolvimento do futebol em seus países. É muito mais barato naturalizar um gringo ou aproveitar um descendente do que investir na formação do jogador. Há a situação também de muitos jogadores que atuavam em outros continentes voltarem à América do Sul (Verón e Adriano são exemplos). Obtiveram sucesso em seus retornos e podem tornar-se em exemplo para muitos que estão fora e queiram voltar. Aliás, muitos quererão voltar a partir do momento que perceberem seriedade e comprometimento na administração do desporto nesses países.

Bom, vou seguir com o meu 6 Nações por aqui. Amanhã tem XV x Palmeiras B no Parque Antarctica! Claro que vou!!!

Ranking Brasileiro de Clubes

Há algumas semanas recebi do Biá, pai de um grande amigo, um ranking dos clubes de futebol do Brasil de acordo com a participação em Campeonatos Brasileiros, desde 1971, quando houve a primeira edição. Já existe um ranking que a CBF divulga, que leva em consideração: as competições promovidas pela Confederação, clubes que participam de mais competições e clubes mais bem colocados nas maiores competições, também desde 1971.

Os dois rankings (o do Biá e o da CBF) são polêmicos, como todos. As mudanças de regulamento e a quantidade de equipes (no Campeonato Brasileiro de 1979 eram 96 equipes) acabam por interferir nos resultados do ranking. Exemplo disso é o SC Internacional, de Porto Alegre. No certame de 77, ele ficou na 25ª posição, com 61,5% de aproveitamento, mais que na edição de 2005, quando terminou em 3º. É bom também dizer que a CBF considera também a Copa do Brasil: Santo André e Paulista, campeões da Copa em 2004 e 2005, respectivamente, receberam bem menos pontos que um clube que foi mal nesse torneio, mas que se deu bem no Campeonato Brasileiro, por pontos corridos.

Entretanto, chama a atenção o fato de o Biá usar como critério de desempate, o Índice Sonnenborn-Berger (ISB), usado pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez). Justo. A entender: soma-se os pontos obtidos pelos adversários derrotados, somada à metade dos pontos conseguidos pelos adversários com os quais a equipe tenha empatado.

Desta maneira, compare o Ranking da CBF com o Ranking do BIÁ:

 

 

  Ranking CBF Ranking BIÁ
Grêmio FBPA São Paulo FC
SC Corinthians Paulista SE Palmeiras
CR Flamengo SC Internacional
CR Vasco da Gama CR Flamengo
São Paulo FC Santos FC
Atlético-MG Cruzeiro EC
SE Palmeiras SC Corinthians Paulista
SC Internacional Atlético-MG
Cruzeiro EC Grêmio FBPA
10º Santos FC CR Vasco da Gama

Como o próprio Índice Sonnenborn-Berger considera, o Biá deu importância ao número de pontos conquistados e os confrontos diretos, seus critérios definidores. É mais justo porque valoriza as equipes mais-bem colocadas ao longo de todas as edições e o desempate dá-se pelo desempenho direto dos clubes com quem a equipe jogou. No entanto, o Ranking do Biá não considera a Copa do Brasil, Copa dos Campeões (que levou o Paysandu SC à Copa Toyota Libertadores’04), Rio-São Paulo, Sul-Minas, dentre outros. Para além disso, é preciso fazer um outro levantamento via Sonnenborn-Berger (e também via método CBF) a partir de 2003, quando o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos. Desde então as mudanças de regulamento foram mínimas. Situações – como as que aconteciam – em que um clube terminava em 1º lugar na primeira fase, mas que era logo eliminado nos play-offs e o que terminava em 8º, mas acabava campeão, decidir pelo critério de pontuação era difícil e polêmico.

 Ranking Biá, que usa o Índice Sonnenborn-Berger (IBS) como critério desempate

Biá, não me leve a mal. Eu fico com o Ranking da CBF. Nele o XV de Jaú está em 133º. No seu, em 134º.


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