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Ovaladas

O lançamento – há alguns dias – de anúncio da Topper sobre o Rugby levantou várias discussões. Uma delas trata do porquê a modalidade não haver se desenvolvido no País, a ponto de figurar com o basquete e o voleibol entre as modalidades mais populares, uma vez que, de acordo com a história, Charles Miller (precursor do futebol no Brasil) trouxe consigo a bola de Rugby também.

Até agora existem hipóteses que podem nos direcionar nestas discussões, entretanto, poucas convincentes. Ademais, existem aquelas hipóteses “sociológicas”, de que o futebol se adapta melhor ao estilo de vida Brasileiro, de improviso, de imprevisibilidade. Que a trapaça/enganação faz parte do cotidiano do Brasileiro, por isso o não-contato e o desenvolvimento do drible no futebol.

Veja bem, é bastante difícil definir um Brasileiro, afinal, existem Brasileiros de vários lugares do País. No Rugby, assim como em qualquer modalidade esportiva, é necessário improvisar e ser criativo: obviamente há espaço para o drible e existe o drible, uma maneira de “trapaça” esportivamente aceitável. Querem mais imprevisibilidade do que a direção de uma bola de Rugby depois de tocar o solo?

São José x Desterro - Brasileiro de Rugby 2010 - Foto: Sylvia Diez

São José x Desterro - Brasileiro de Rugby 2010 - Foto: Sylvia Diez

A argumentação sociológica para explicar o sucesso do futebol e a falta de popularidade do Rugby é evasiva e sem quaisquer fundamentos. Em futuros textos, discutiremos a argumentação “técnica”.

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Já há um vencedor: Felipe Corbellini, de Campinas do Sul/RS, respondeu corretamente e receberá o prêmio. Concurso contou com auditoria da KCW Kratus Consultancy Worldwide

A TV, o Esporte e o Brasil

Passado sábado (18) a primeira transmissão oficial de uma emissora de TV no Brasil completou 60 anos. O Brasil não seria o Brasil se não fosse o esporte; o esporte seria menos sem a TV; e o Brasil também não seria o Brasil se não fosse a TV.

O esporte apresenta-se como um dos poucos fatores de integração nacional, através das seleções nacionais. A TV integra todos os quase 9 milhões de km² do País e mostra, inclusive, as conquistas destas seleções nacionais, quer seja do futebol ou do voleibol; em nível individual: do automobilismo e do tênis. Faz, de certa maneira, os Brasileiros dos 4 cantos sentirem-se mais Brasileiros, ao mostrar – em um País com vários países – algo em comum entre eles.

A TV forma ídolos e referências no esporte. Talvez sem a TV não teríamos registros das grandezas que estes esportistas realizam/realizaram. Talvez o ídolo não seria assim tão ídolo, a velocidade de Usain Bolt não seria a mais rápida, a ultrapassagem de Senna não seria a mais arrojada, a “mão-de-Deus” de Maradona seria uma fábula e os golpes de Mike Tyson não seriam tão potentes; os neozelandeses do Rugby não passariam de contos.

Câmera no jogo Uruguai-Alemanha, pelo Mundial FIFA 2010

Câmera no jogo Uruguai-Alemanha, pelo Mundial FIFA 2010

O Brasil precisa do esporte e o esporte precisa da TV. O Brasil não seria o mesmo sem a TV, assim como o esporte. Afinal, o esporte precisa de divulgação; e a TV, de conteúdo para a audiência. O esporte gera emoções, quebra a rotina, providencia conflitos. O ser humano tem certas e imediatas necessidades que a TV resolve.

“Argentinidad”

Existe no cotidiano do Brasil uma rivalidade tonta com a Argentina e em menor escala naquele País com o Brasil. Como se um fosse uma ameaça para o outro, como antes, nas Guerras do Prata ou da Província Cisplatina. Isso já era há muito tempo. Muitos deles vieram pra cá e contribuíram para a construção e grandeza do Brasil. Nomeamos? Pois bem:  Hector Babenco, Irma Alvarez, Carybé. Nos esportes: Sebastian Cuattrin e Fernando Meligeni.

Nos esportes, sugiro vermos nossos vizinhos com bastante respeito e admiração. A cultura poliesportiva argentina nos dá a impressão de aquele País possuir números como os de países com altos níveis sócio-econômicos. Em quaisquer modalidades os vemos em destaque: tênis, golfe, basquete, voleibol (seleção juvenil atual campeã sulamericana), pugilismo, automobilismo (TC 2000 como uma das principais competições no mundo) e hóquei no campo.

Se o Brasil quer ser uma potência Olímpica (e, por consequência, em vários desportos), deve olhar logo ao lado. E já começaram. Grandes exemplos disso são o Rugby e o basquete. Nesta modalidade, Rubén Magnano – campeão Olímpico em 2004 – foi trazido para resgatar os dias gloriosos basquetebol Brasileiro. No Rugby, Toto Camardón tem levado as Seleções Brasileiras para níveis cada vez mais altos.

Ramiro "Mocho" Mina (capitão da Seleção Brasileira de Rugby) e Toto Camardon. Foto: Rafael Silva

Ramiro "Mocho" Mina (capitão da Seleção Brasileira de Rugby) e Toto Camardon. Foto: Rafael Silva

Quando indagados o por que de gostarem de trabalhar no Brasil com estas modalidades, respondem: “profissionalismo”. Ora, se sem profissionalismo a Argentina alcança bons resultados no esporte, imaginem então se houvesse. Para estas duas modalidades, é preciso mais ainda trabalharem para a difusão de uma cultura de muitos esportes no País.

Muita gente – nos esportes – não valoriza o que é estrangeiro, sobretudo argentino. Isso é característica de pessoas pequenas e medíocres. É preciso repensar estes conceitos, temos sempre muito para aprender: ver realmente quem está ao lado – literalmente e em sentido figurado – do Brasil.

“É cultural”

Assim como no anúncio da rede de televisão argentina TyC (está na seção “Anúncios de Graça”), a briga entre os jogadores após a decisão da Copa Santander Libertadores pode ser classificada por muitos como “cultural”.

Oras, de “cultural” nisso não há nada. Quem disser que isso faz parte do futebol latino-americano é, no mínimo, desconhecedor do jogo-limpo e do profissionalismo. Ambientes profissionais – como em qualquer outro – não admitem tais comportamentos, assim como deve ser também nos esportes. Em textos anteriores falamos do profissionalismo do Chivas Guadalajara: o que se vê fora de campo não se viu dentro dele nesta final.

Ou o futebol da América do Sul/Latina muda, ou acaba. Nada cultural.

Quando a Marca se Comunica

As marcas no esporte comunicam-se com o público, à maneira que melhor acharem. Em se tratando de marcas de artigos esportivos, vê-se que a Nike possui uma comunicação que reforça o lado individual, as estrelas e o desempenho. A Adidas, por outro lado, trabalha no sentido de o esporte como divertimento. A Le Coq Sportif no esporte como um estilo de vida.

Independente do direcionamento da comunicação das marcas no esporte – quer seja de equipamentos ou de uma modalidade -, ela só será efetiva diante de 3 aspectos:

A efetividade da comunicação de uma marca esportiva (Fernández-Catelli, 2008)

A efetividade da comunicação de uma marca esportiva (Fernández-Catelli, 2008)

Produto contagiante: o nome já diz, é preciso ser um produto que satisfaça as necessidades do consumidor e que esteja acima das expectativas dele;

Comunicação contagiante: recursos audio-visuais, utilização de referências podem fazer com que o consumidor se identifique com o produto;

Relacionamento contagiante: a possibilidade de interagir com o produto pode fazer com que o consumidor se sinta pertencente à comunidade de quem usa este produto.

Isso não é segredo algum, tampouco novidade. É aplicado em diversos setores da economia e precisa ser aplicado no esporte, especificamente no Brasil.

Procurem um caso agora de uma marca esportiva com uma excelente comunicação, aplicável à figura acima. São vários.

O Exemplo vem de Cima

Lá do México vem o exemplo, especicifamente do Club Deportivo Guadalajara Sociedad Anónima de Capital Variable , popularmente conhecido como “Chivas”. Não, não são os naming rights do renomado uísque.

CD Guadalajara SA de CV - "Chivas"

O "Chivas" de Guadalajara-MEX: exemplo de gestão no futebol, pouco reconhecido no mundo (mediotiempo.com.mx)

Exemplo porque estão na final da Copa Santander Libertadores, possuem uma taxa de ocupação no Estádio Jalisco de 90%, uma torcida apaixonada, consumidora e consomem todos os produtos do clube. Uma gestão profissional que oferece aos torcedores uma excelente prestação de serviços; os rendimentos obtidos com os patrocínios, com a venda de produtos licenciados e bilhetes, são revertidos no clube, quer seja nas categorias de base, quer seja no plantel principal (a fim de montarem uma equipe competitiva e que esteja sempre na disputa pelos títulos), quer seja na infra-estrutura da organização. Isso tudo para bem receberem seus torcedores e fornecer aos atletas as condições necessárias para a realização de um bom trabalho, que, em longo prazo poderão resultar em títulos, nesta situação:

Investimentos em uma Organização Esportiva

Investimentos em uma Organização Esportiva

Tudo parece ser muito simples ou talvez o quadro acima não signifique nenhum segredo. Entretanto é preciso vontade para fazer isso e que a gestão dos projetos de implementação de políticas para o clube/modalidade seja exímia.

O Chivas representa isso tudo e assim como outros clubes mexicanos, servem de exemplo para clubes de países da América do Sul, afinal México e a América do Sul possuem muitos pontos semelhantes. Ou isso ocorre naquele País em função da proximidade com os EUA e os exemplos que vêm mais de cima ainda? Certamente é um fator que contribui bastante.

Nada contra SC Internacional ou São Paulo FC, nada contra o crescente profissionalismo dos dois clubes, mas também nada mal que o Chivas vença a Santander Libertadores.

“Call to Action” no Esporte

Dá a uma peça de comunicação a expectativa de gerar uma resposta imediata e não apenas a memorização. Deve ter “força” e meios para resposta: telefone, site, e-mail. Se esta peça puder ter um item tangível, melhor ainda.

No esporte, a “força” se dá através da presença do atleta ou de algo tangível, como uma bola ou camisa. Atletas a convidarem os torcedores a comparecerem aos jogos, distribuindo autógrafos e a explicarem do clube e do jogo. Resposta pode ser percebida pelo aumento da frequência no site, no envio de e-mails e, em longo prazo, procura pelo clube e modalidade.

Questão de Valores

Muitos que lerão o texto abaixo vão achar-me maluco, mas vamos a isso.

Ontem reencontrei com meu grande amigo Guilherme Casarões no caminho de volta pra casa. Conversávamos sobre esporte. Dizíamos que o futebol estava mais nas páginas policiais que nas esportivas dos diários. Vide o antigo goleiro do CR Flamengo; a confusão de treinador e jogadores recentemente em Salvador; as novas aprovações do Estatuto do Torcedor, que pune o adepto que fala palavrões; jogadores que agridem árbitros, que desrespeitam autoridades, quebram a hierarquia e ferem a disciplina de organização esportiva: clube, liga, Federação.

Com isso são colocados em risco os valores do esporte. Uma criança ou um jovem, postos diante disso tudo estarão sujeitos a pensar que o futebol é uma modalidade em que os valores estão inversos e com isso deixar de acompanhar ou praticá-lo. Se os reguladores do futebol neste País não tomarem iniciativas a fim de protegê-lo, o futebol entrará numa crise em longo prazo.

A cada dia se perde mais no futebol os valores do esporte. Existem bons exemplos, claro. Entretanto menos mediáticos que os polêmicos.

Consumidores do Esporte

A paixão pelos Springboks (Seleção de Rugby da África do Sul) e pelos Lions (equipe de Rugby de Joanesburgo) é tanta que a casa de família Sul-Africana e o escritório da empresa desta família mais pareciam mini-museus, tamanha a quantidade presente de artigos de memorabilia.

Nenhum membro da família joga ou jogou Rugby, mas todos são grandes entusiastas da modalidade: pai, mãe, os filhos e suas namoradas. Compram bilhetes para toda a época e consomem muito daquilo relativo à equipe para que torcem e aos Springboks.

Ao fazer uma analogia ao Brasil, boa parte dos torcedores de futebol daqui nunca jogou futebol de alta competição, mas são consumidores de futebol e participam de todas as discussões futebolísticas por aqui. Entretanto, ter jogado Rugby tem sido condição sine qua non no Brasil para fazer parte do Rugby brasileiro. Não pode ser assim.

Admiradores da modalidade, mesmo sem haver jogado, não podem ser excluídos deste universo. Afinal são eles também entusiastas, e serão eles que cativarão outros, que também nunca jogaram ou jogarão, a gostarem de Rugby. Com os tempos mais e mais pessoas serão atraídas pelo esporte, passarão a divulgar e “consumir” Rugby, derrubar preconceitos e vencer estereótipos. De certa maneira e, em longo prazo, popularizá-lo.

Com isso, percebe-se outro fator para o crescimento do Rugby no País: o aumento da base de admiradores da modalidade, consumidores, independente de terem ou não praticado o esporte.


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