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Madiba, Invictus e os Patrocinadores

Acredito que muitos tenham visto o filme “Invictus”, em que Morgan Freeman faz o papel do ex-presidente Nelson Mandela e Matt Damon o de François Pienaar durante a Copa do Mundo de Rugby de 1995, em uma África do Sul recém saída do Apartheid.

África do Sul x Austrália - IRB World Cup 1995 - itelegraph.co.uk

África do Sul x Austrália - IRB World Cup 1995 - itelegraph.co.uk

Repararam por acaso nos patrocinadores que aparecem naqueles jogos reproduzidos nas cenas do filme? Foram impecáveis nestes detalhes, a não ser pela atualização das logomarcas: a Xerox em 1995 não tinha a mesma logo que atualmente. Entretanto, a Xerox esteve nas filmagens, bem como a South African Airways, a Heineken, enfim. Entretanto, qual a efetividade de um patrocínio esportivo “on site”.

Em 1995 fizeram esta pesquisa na África do Sul e, à saída do estádio, após um jogo, a “taxa de lembrança” de um patrocinador no estádio foi a seguinte (em outras palavras, a porcentagem da amostra que lembrou-se das marcas):

Heineken, 75%; South African Airways (SAA), 45%; Cellnet, 28%; Sony, 26%; Coca-Cola, 25%; Citizen (relógios), 24%; Famous Grouse (whisky), 21%; Xerox, 16%; Toyota, 13%.

Fonte: TSMS

Devido ao caráter histórico do torneio, que valeu até um filme, estes patrocinadores estarão sempre associados ao evento e sua particularidade, fatores que agregarão valor às suas marcas.

Protocolos

A Federação Japonesa de Natação proibiu seus atletas de usarem roupas extravagantes, terem unhas ou cabelos coloridos. Agem certo. Estes nadadores representam o País, logo, serão formadores de opinião no estrangeiro, onde vão representá-lo. Serão a imagem do país. Vide exemplos Brasileiros: mulheres, festa, vida mansa e bandidagem.

Jogos de Poder

A Argentina em 2010 comemora 200 anos da Revolução de Maio. López será o primeito argentino em 10 anos na Fórmula 1, em honra de Fangio e Reutemann. Cristina Kirchner, atual presidente, encontra baixos índices de popularidade. A transmissão do futebol é responsabilidade do Estado desde o ano passado. Internacionalmente, a Argentina obteve o apoio Latino-Americano para a soberania das Ilhas Malvinas.

Em comemoração ao bicentenário do 25 de Maio, dizem ser necessário recuperar a argentinidade a partir das raízes da Pátria. Em meio a tantas crises porque a Argentina passa, é mais uma manobra de poder em o Estado patrocinar um piloto local na Fórmula 1; em tornar a transmissão da principal liga de futebol do país em uma questão pública; em obter apoio do Grupo do Rio para uma tão delicada questão que é a soberania das Malvinas.

O Poder e o Futebol (klepsidra.com)

Qualquer semelhança é mera coincidência para uma situação de 25, 30 anos atrás. O futebol possui grande aceitação entre as massas e o Mundial FIFA está por vir. Nada impede que o utilizem a fim de resgatar a argentinidade.

Direitos do Consumidor

Nível de Obediência Civil (NOC). Certamente no último jogo do Corinthians da Copa Santander Libertadores o NOC foi nulo. Corinthians x River Plate (ARG). À medida dos gols argentinos, uma parte dos corinthianos que lotavam o Pacaembu revoltou-se com a equipe e reagiu com violência. Queria invadir o campo e agredir jogadores, quer sejam locais, quer sejam visitantes.

E todos os dias vemos equipes perderem e suas torcidas não reagirem assim. Está aí o porquê do NOC.

O tal grupo de torcedores foi hostil. Vandalizou as instalações. A força pública reagiu à altura e atingiu alguns torcedores, sendo eles inocentes ou não. Agora processam o clube. Agem corretamente. O clube, como prestador de serviços (o futebol) devia pensar na segurança dos torcedores (clientes/consumidores).

E foi o que não aconteceu. Sem segurança e sem NOC, a confusão se instalou. O NOC nos estádios de futebol começará a aumentar a partir do momento que o torcedor for bem tratado nos estádios, quando o bilhete valer o quanto se paga por ele.

Pitacos Técnicos Morumbísticos

Está na página 9 da regulamentação da FIFA (Federação Internacional de Futebol) sobre construção e regulamentação dos estádios: “o estádio deve estar situado em localização suficientemente larga que forneça espaços públicos para a circulação de pessoas, bem como para evacuação”.

Ainda na página 9: “…para que um controle pré-entrada seja realizado com o intuito de evitar que as catracas de entrada fiquem congestionadas e confusões à saída, sabendo-se que ao fim de um jogo, todos quererão sair simultaneamente. Não é uma situação desejada que os estádios estejam localizados em uma área densamente habitada”. O Morumbi está em uma área muito povoada e engolido pela urbe.

Tudo isso é suficiente para encerrar a polêmica sobre o estádio do Morumbi. Ora, está na regulamentação da FIFA. Ou começam a agir, quer seja o São Paulo Futebol Clube, quer seja o governo estadual ou federal, ou São Paulo não terá um estádio para o Mundial FIFA 2014. O estádio não preenche os requisitos para abrigar um evento deste porte. O organismo máximo do futebol não está disposto em ter o seu evento “avacalhado” por interesses particulares.

Que seja construído um outro, fora da cidade de São Paulo e que seja um terminal multimodal, para facilitar o acesso, deslocamento, segurança e conforto do público, consumidor do produto “futebol”.

Vancouverianas

Ops! O título era para ser outro, mas podiam acusar-me de uso indevido da palavra, como foi com a Professora Katia Rubio. “Vancouverianas” em alusão às Olimpíadas de Inverno em Vancouver, Colúmbia Britânica, no Canadá.

Alguns comentários sobre os Jogos.

“Sustentabilidade” e “preservação”. Duas palavras que fazem parte do nosso dia-a-dia fazem parte agora dos eventos esportivos. Afinal, são certamente consideradas como legado. É aquilo que os Jogos trazem à cidade, ao País e ao mundo. Sustentabilidade e preservação não apenas do meio-ambiente, mas da cultura e dos hábitos dos povos locais, em que se baseia o trabalho de Vancouver. Que estes valores estejam presentes no Comitê Organizador Rio’2016, afinal o Brasil – a não ser pelos nomes das localidades – nunca soube preservar com eficiência a cultura indígena; e se não fosse por ela, o carioca não seria “carioca”. Vancouver, para quem vê de fora, respeita isso até em sua logomarca.

Logo dos Jogos Olímpicos de Vancouver (besttraveltips.com)

Um Ilanaaq, símbolo do povo Innuit para “amizade e boas-vindas” (cbc.ca)

De pato pra ganso, uma poucas letras. Atenção à indumentária da equipe de curling da Noruega! Bem diferente.

Noruega no Curling em Vancouver'2010. Atenção nas calças!

Mais “vancouverianas” em breve!

Don’t Go Home!

Ontem torcedores brasileiros do Arsenal FC reuniram-se em São Paulo para verem o jogo da Liga dos Campeões UEFA, contra o FC Porto (POR). Todos vestiam as camisas do clube, acessórios licenciados e outros artigos em referência ao clube londrino. Eram cerca de 20, 30. Ligação com a Inglaterra? Nenhuma. Um ou dois eram ingleses. Outros tinham lá visitado, passado uma época. Entretanto, antes disso, eram torcedores. Diferente da penya barcelonista de São Paulo. 

Em um primeiro momento, a reação foi: “Somos 5 vezes campeões mundiais, a América do Sul é campeoníssima nos mundiais interclubes, mesmo sem jogadores de renome. O que se passa para torcerem a clubes gringos? Gunners, go home!”

Apesar de a América do Sul apresentar uma vanguarda em resultados desportivos mesmo sem tantos recursos, o fator principal que faz com que cada vez mais jovens interessem-se pelo futebol europeu é a prestação de serviços. Se perguntassem para que clube torce uma sala de aula, alguns responderão por clubes que não são brasileiros. Ora, veja bem: um garoto talvez nunca poderá ir até lá para ver um jogo, mas quando for, será bem recebido. Comprará o bilhete em seu país, sentará em um assento numerado, entrará sem maiores complicações, sem constrangimentos, usará instalações limpas e adequadas, não enfrentará tumulto no bar ao comprar um lanche.

Mesmo que não vá, ele, o garoto, em seu país Natal acessará o site oficial do clube, terá todas as informações necessárias em sua língua-pátria e sentir-se-á mais próximo do clube se houver um conterrâneo em suas fileiras.

A diferença está na qualidade do serviço e na atmosfera oferecida ao torcedor. No Brasil não há nada disso ainda. E os clubes que propõem-se a isso tem obtido bastante sucesso. Para além disso, vemos um futebol falado de maneira vulgar e nada inteligente: seja pelas entrevistas de muitos dirigentes, treinadores, jogadores e torcedores; pelos empurrões e cotoveladas nas entrevistas aos jogadores à saída do campo; pelos microfones instalados à beira do relvado a captarem tudo o que dizem e o que não dizem. Não se pode ouvir isso. Aliás, pelo conteúdo, muito do que foi citado deveria ser proibido, porque futebol é programação que as crianças acompanham. Bom, certamente um virá para dizer: “mas é a realidade do futebol!”. A realidade é que o futebol, se é profissional, deve ser tratado com profissionalismo. Logo, em ambientes profissionais, aquilo que é impróprio deve ser proibido.

Pois bem, o resultado desportivo de um clube é importante, sem dúvida alguma. Tão importante quanto é o torcedor, consumidor do serviço produzido pelo clube.

Enquanto isso não for levado a sério, quero mesmo que mais Arsenals, Chelseas, Barcelonas, Portos, Milans e Bayerns tenham torcedores no Brasil, por falta de opção local! “Don’t go home!”*

“Tá tudo pronto aqui é só vir pegar; negócio bom assim ninguém nunca viu.” (Raul Seixas)

*Não vão para casa

Consumidores do Futebol

Em 2008 o Marília Atlético Clube (MAC) à última da hora alterou o mando de um jogo contra o Corinthians, de Marília para Londrina (PR), tendo levado em consideração os fatores estádio (o de Londrina é maior) e torcida (no Norte do Paraná há muito mais corinthianos que o Centro-Oeste paulista.

Um torcedor do MAC não recebeu com agrado tal iniciativa e entrou na justiça contra o clube, sob a alegação de que a instituição prejudicou os torcedores que compraram o pacote de jogos para a época toda, sem saberem que haveria a possibilidade da transferência do jogo. Ademais, a atitude do clube fere o Código de Defesa do Consumidor.

Torcida do Cruzeiro sofre para entrar no Mineirão

Torcedores/consumidores são  frequentemente destratados (Alfieri Photo)

Eis que a Justiça de Marília condenou o clube ao pagamento de uma multa. Beto de Mayo, presidente do MAC, disse que naquela ocasião, uma van levaria os torcedores para Londrina, com todas as despesas pagas.

Ponto positivo ao torcedor que entrou na Justiça. Ponto positivo à Justiça de Marília. O clube não pode destratar o torcedor, agir em proveito da sua paixão, sem nada oferecer além de prováveis resultados esportivos positivos. Desta forma não há como um torcedor sentir-se motivado em comparecer ao estádio. De nada adianta ter uma van disponível e as despesas pagas: o torcedor quer ver o seu clube em sua cidade; para poder levar o amigo ou a família com mais comodidade. Quer estar logo de volta em casa, quer conforto.

É uma relação de consumo: o torcedor quando compra o bilhete, paga por um serviço, que é espetáculo desportivo. Neste caso, um jogo de futebol. O serviço no desporto é marcado pela incerteza, ou seja, o torcedor pode ou não ter a sua expectativa satisfeita. Entretanto, o desconforto gerado pela incerteza pode ser amenizado pelo conforto, segurança e acessibilidade oferecidos.

Ay, Celeste Regalame un Sol!

Dentre os convocados da seleção uruguaia para o amistoso contra a Suíça no início de março, nenhum atua em um clube do país. Todos gringos. Antes fosse isso devido aos decisivos compromissos de Nacional e Peñarol pela Copa Libertadores!

Marginal a 300

Em menos de 1 mês São Paulo receberá a primeira etapa da Fórmula Indy de 2010. Era para isso ter sido escrito há mais tempo por ser um tema delicado. Diante da recusa de algumas cidades, a capital paulista topou receber esta prova. Ela não será disputada em Interlagos, mas sim em um circuito de rua improvisado, a passar por parte da Marginal Tietê e do sambódromo do Anhembi.

Visualizem uma balança com dois pratos, como aquelas da Filizola. A balança é a cidade de São Paulo, representada pela Prefeitura Muncipal. Em um dos pratos, estão juntos: o oportunismo e a irresponsabilidade. No outro prato estão: a visibilidade e a geração de empregos.

Oportunismo porque São Paulo tirou proveito da situação em dado momento em benefício de seus interesses, aliado a irresponsabilidade de o dinheiro investido nesta corrida poder ser direcionado a questões mais urgentes do município. A pavimentação da Marginal Tietê não é nenhum exemplo, e parte do recurso público será aplicado para a recuperação da pista em benefício de apenas algumas centenas de metros, e não toda a extensão da via. Irresponsabilidade devido ao verão extremamente chuvoso e caótico por que passa a cidade, em conjunto com a falta de educação de parte dos cidadãos, que deixam diariamente toneladas de lixo nas ruas, o que torna mais complicado o serviço municipal de coleta: já não há lugar para tanto entulho. Vem a chuva, que sobrecarrega córregos, rios e leva o lixo junto. Já o lixo entope a galeria. A água não flui e vêm as enchentes. É um ciclo em que o político sempre leva a culpa. Pois bem, a culpa também é do cidadão nem um pouco educado. No entanto, o político podia incentivar através de investimentos públicos a coleta seletiva e as boas maneiras dos cidadãos.

Um parêntesis aqui: parece que já vi esse filme! Pouco antes das Olimpíadas de Pequim em 2008, o governo local fez uma campanha contra o hábito chinês de cuspir e urinar em vias públicas, em nome das boas maneiras. Em nome da convivência, melhor! No Rio já estão a prender gente que faz isso.

Falou-se apenas de coisas ruins, mas há o lado bom da vinda dessa prova ao Brasil e a São Paulo, principalmente: visibilidade é uma delas. São Paulo será mais vista na imprensa internacional, muito se falará dela, o que pode gerar investimentos futuros na cidade. Em segundo lugar, a geração de empregos e circulação de riquezas que esta etapa da F-Indy trará, principalmente no setor da prestação de serviços, como o hospitality da prova, o setor hoteleiro, de restaurantes e de transportes.

Percurso da F-Indy SP300

Percurso da F-Indy SP300

Obviamente, faltou planejamento ao firmar o compromisso de receber esta etapa de tão importante categoria. Tudo podia ter sido melhor organizado, sem tanta pressa, como se vê. Um evento esportivo – como todos -, para ser bem sucedido, é necessário fazer com antecedência, com planejamento. Ademais, é saber envolver toda a população da cidade, para que a maioria a veja com agrado. Planejar para que as pessoas se preparem em não pegar a Marginal Tietê durante a sua realização; que se preparem em não utilizar algum serviço que envolva o evento, a fim de evitar constrangimentos, tumultos e dores-de-cabeça. Infelizmente não era para escrever dessa forma. Os serviços devem ser prestados para todos, independentemente de participarem ou não do evento. No entanto, faz-se necessário: o Brasil não atingiu ainda um nível de obediência civil, educação e respeito ao próximo capazes de fazer com que o bem público seja bem administrado – pelo poder e pelos utentes – com o único e principal interesse de bem servir à população.

Ser contra a prova? Ficar contra a sua realização – isso significa ficar em contra a todos os benefícios por ela criados? Não. É preciso fazê-la e trabalhar para que em 2011 não sejam cometidos os erros de 2010 e que todos os paulistanos ganhem com esta prova.


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