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Antes Tarde do que Nunca

Tardia porém excelente a ideia do Comtê Organizador da Copa Africana de Nações (CAN) em promover o torneio mundo afora. Até lá serão 8 meses para chamar a atenção do globo àquele continente antes mesmo da realização da Copa do Mundo, na África do Sul, em junho de 2010.

A CAN será disputada em Angola, um dos países que mais crescem no planeta, sustentada pelo petróleo e pelas riquezas minerais, como os diamantes. Assolada por décadas de guerra civil, o país quer mostrar ao mundo não apenas o crescimento marcado pela desigualdade social, tampouco no âmbito desportivo – em termos de África – como referência no basquetebol e hóquei sobre patins. Angola, a sua riqueza e seu poder político também querem fazer parte do mundo do futebol. Eles participaram do Mundial de 2006 na Alemanha; serão os anfitriões da CAN’2010; têm dinheiro e falam português: um diferencial no mundo do futebol, com o Brasil como grande exponente e Portugal com o maior jogador na atualidade. É o idioma que mais sabe jogar bola.

Luanda, capital de Angola (angolar.blogs.sapo.pt)

Para isso Angola convidou L.F. Scolari para ser o mister (treinador) de sua seleção. Assim sendo, mais chances de sucesso para o futebol angolano e mais imagem para o torneio continental africano, com Scolari o promovendo na Europa (através de Portugal), nas Américas (através do Brasil) e na Ásia (através do Japão, onde foi campeão mundial em 2002).

Manucho, Gilberto e Flávio, alguns dos “Palancas Negras”, como é conhecida a seleção de futebol de Angola (primeirotoque.pt)

Angola é um país com um enorme potencial. Infelizmente este potencial está concentrado nas mãos de poucos. Enfim, eles foram espertos ao convidar Scolari, que é capaz de revolucionar o futebol por lá. Mas a ideia e o convite vieram tarde, não por Felipão ter treinado o Chelsea FC, ou indeciso com o futuro. Um país rico, que fala português, que há anos sabe que organizará a CAN , que quer fazer parte do “clube do futebol”, mas que só agora percebe tudo isso, significa perder grandes oportunidades. Há muito devia haver um intercâmbio desportivo com Brasil ou Portugal. Não apenas no futebol. Mais oportunidades de negócio para angolanos, brasileiros e portugueses. Entretanto, pelo que parece, infelizmente não falamos a mesma língua.

Mantorras, angolano do SL Benfica (eusebiomais10.blogspot.com)

Antes de terminar, um recado para o Scolari, se assumir a seleção dos Palancas Negras: “Deixe o Mantorras jogar!”

Boleiro do Mundo

O treinador sérvio Velibor “Bora” Milutinovic merece um prêmio! Ele já levou 5 seleções diferentes para as fases finais de uma Copa do Mundo: a do México em 1986, a da Costa Rica em 1990, a dos EUA em 1994, a da Nigéria em 1998 e a da China em 2002.

Bora Milutinovic, novo técnico do Iraque (3bp.blogspot.com)

O mister Milutinovic foi anunciado como o novo treinador da seleção iraquiana de futebol, que vai disputar a Copa das Confederações, no meio do ano. Antes de assumir, Milutinovic estava na Jamaica e ainda antes tentou levar Honduras ao mundial da Alemanha, em 2006. O Iraque já não mais tem chances de ir ao Mundial da África do Sul, mas isso não tira o mérito do sérvio, talvez o mais internacional dos boleiros.

Previsão Equivocada

Em um encontro de amigos no sábado passado, falávamos sobre a possibilidade do ex-jogador Leonardo Araújo (hoje na direção do AC Milan) assumir a presidência do CR Flamengo. Possibilidade muito bem-vinda levando em conta a constância, postura e as propostas do ex-jogador para o clube, não apenas o futebol.

Bom, levantei a questão de Leonardo querer tornar o Flamengo uma instituição tão mundial quanto o Manchester United, AC Milan ou Real Madrid. Bom, para isso eu disse que não era conveniente para o CR Flamengo romper com a Nike, uma vez que a empresa contribuiria para isso. A Nike possui muito mais presença internacional que a Olympikus (que a partir de julho fará os equipamentos do clube carioca), ou seja, a Nike ajudaria a levar o CR Flamengo para os  4 cantos do mundo. Claro, jamais seria a única responsável, já que futebol é resultado dentro e fora de campo.

Equipamento 2 do CR Flamengo, ainda com o patrocínio da Petrobras (flaboutique.com.br)

Assim sendo, eu disse que o CR Flamengo não romperia com o pessoal de Beaverton (sede da Nike, nos EUA). Porém hoje foi oficializado o fornecimento de artigos esportivos pela Olympikus a partir de julho. Previsão equivocada! 

A Olympikus faz os equipamentos das seleções de voleibol do Brasil (olympikus.com.br)

Pode ser também uma estratégia da empresa em tornar-se internacionalmente conhecida. Mas para isso, não adianta nada o CR Flamengo continuar ganhando campeonatos cariocas.

E a Crise segue Culpada

Um baque. Foi assim que todos por cá receberam a notícia do fim do Finasa, tradicional equipe de voleibol de Osasco, cidade da região metropolitana de São Paulo.

Treino do Finasa/Osasco (estadao.com.br)

R$12 milhões/ano eram os gastos do banco (Finasa) com o clube. Os responsáveis alegaram a ruptura devido à crise porque passa o mundo. Não é só isso, obviamente. O principal objetivo de um patrocinador/sponsor é o resultado. No caso de um banco, ter mais clientes, estar em evidência, ser falado, comentado e unânime em termos de eficiência e outras características que se esperam de um banco. Estar associado à conquistas. E recentemente o Finasa foi “freguês” do Rexona, do Rio de Janeiro.

Poucas instituições financeiras privadas são sponsors de equipes de modalidades coletivas e populares. Sim, o leitor vai me dizer da equipe de vôlei masculino que o Banco Santander patrocina; do Gama (de Brasília), que era patrocinado pelo BRB; do Banrisul com o Grêmio e Inter; do BMG com o Vasco da Gama. São casos pontuais (o BMG pulou fora do Vasco depois que o Romário marcou o 1000º gol) e regionais! Onde aí se encaixam Itaú/Unibanco ou Bradesco? Em nada! O Santander sim, mas com cautela. Vamos voltar para a Copa de 2006 e toda aquela campanha publicitária que o banco espanhol fez com jogadores da seleção brasileira. Aquela Copa é lembrada pelo desempenho pífio do Brasil. E o Banco Santander acabou no ridículo.

Talvez seja por isso que atualmente o Banco Santander investe tanto na carreira do Bruno Senna, com valores mais altos que quaisquer equipes de voleibol ou 3, 4 jogadores de futebol. A instituição quer estar ao lado de um atleta com carreira promissora, sem dúvida. No caso de Bruno Senna, ainda mais: além da competência na condução, o nome dele significa boas entradas nas grandes equipes de F1 e, com isso, boas chances de obtenção de um título mundial. O retorno e o resultado porque esperam o Banco Santander: ser nº1 do mundo com Bruno Senna em um futuro próximo e ao mesmo tempo ser o banco nº1 no Brasil.

Bruno Senna (jovempan.uol.com.br)

Por falar em Senna, quando nos lembramos do Ayrton, nos lembramos também daquele boné azul que ele usava com a inscrição: “Nacional”, banco que nem existe mais, mas que sempre esteve associado ao piloto e à imagem de excelência, bom desempenho e constância que Ayrton transmitia. Por consequência, o banco a grosso modo também era assim visto.

O boné azul que Ayrton Senna usava (maranellomerchandise.com)

É muito simples e evasivo culpar a falta de investimentos no esporte por conta da crise. O objetivo final de toda empresa é o lucro. Convém saber se o esporte fornece às empresas patrocinadoras o resultado esperado e se trabalha para isso.

Rotações por Milhões (R.P.M.)

Ontem em uma conversa de família perguntaram-me porque a Stock Car Brasil é tão divulgada e conhecida, ao contrário de outras provas do automobilismo brasileiro. Poucos sabem que a Stock passa por um momento delicado e muitas poderiam ser minhas respostas, umas evasivas, outras não.

Optei por responder que a categoria possui apoio da Rede Globo de Televisão, por isso ela tem tamanha repercussão. Inocência pensar o contrário. A participação de Ingo Hoffmann, Chico Serra ou Duda Pamplona, além dos pilotos “paitrocinados” chamarão a atenção, claro. Vão também atrair as montadoras, que vão querer ver seus bólidos nas mãos de grandes pilotos a fim de testarem-nos.

A(s) montadora(s) vai(ão) despertar interesse nas Organizações Globo. Elas anunciam lá e a Globo possui estrutura na transmissão de eventos esportivos. É interessante para a montadora ter um carro vencedor mostrado ao Brasil inteiro. É interessante para a televisão, para fidelizar o anunciante.

Nasce portanto uma grande categoria de automobilismo. No vácuo vêm os patrocinadores. De peso, por sinal. Entretanto, com todo este circo, a televisão é quem conduz o evento ao país inteiro. O marketing realizado pelos patrocinadores é consequência da repercussão por que a TV é responsável. Não o contrário.

“Basta, mi Fermo”*

* – já chega, vou parar

Adriano pela seleção do Brasil (GazetaWeb)

O pronunciamento de Adriano é a consequência do que se tornou a carreira de um jogador, do mercado do futebol: desmedido e desregulado.

Assim como o Estado precisa intervir na economia de um país, os organismos reguladores de cada modalidade também precisam. É o que Platini quer fazer dentro da UEFA, uma iniciativa louvável.

Em 1990 a transferência mais cara do futebol tinha sido de US$ 5 milhões. Hoje já mais nem sei, perdi as contas. O dinheiro e o glamour cada vez mais seduz jovens de origens menos favorecidas, não apenas o futebol. Jovens com 13, 14 anos deixam suas casas e seus países à procura de riqueza, fama e reconhecimento. Não que eles não tenham o direito disso, pelo contrário. Mas cabe a questão se isso realmente convém para eles. Sem dúvida que devem existir inúmeros “adrianos” que desejam encerrar as carreiras e voltarem às suas origens. Por não falar naqueles que não tiveram a coragem de tomar esta atitude e perderam-se por aí.

A circulação das riquezas dentro do futebol está desregulada e desgovernada. É necessário, para o bem da modalidade, intervir de alguma maneira. Inocente é aquele acredita que o circo da bola está imune à crise. O futebol não pode ser imaculado, como propõe Eduardo Galeano. Entretanto, como todo mercado e negócio, ele precisa ser regulado.

Primeiras Impressões

Há alguns anos este blogueiro desempregado dizia: 2014 está aí, 2016 está aí! O Brasil não pode fraquejar se quiser ser uma “potência” no esporte e organizar à altura eventos como o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos. O que eu vi atá agora por aqui é incipiente e seria imaturo tirar quaisquer conclusões.

Cheguei em uma semana agitada para os bastidores do esporte. Jogo da seleção brasileira para o apuramento ao Mundial de 2010, a consolidação mais vigorosa do Beira-Rio como o estádio gaúcho para a Copa’14, o Centenário do SC Internacional, de Porto Alegre e, por fim, a presença de Lula na campanha do Rio à sede das Olimpíadas de 2016. Isto sim repercutiu mundialmente.

Pdte. Lula ao receber a camisa do SC Internacional (Fonte: Abril)

Parabéns ao Comitê Organizador Rio’2016, que aproveitou a cimeira do G20 em Londres para divulgar a campanha carioca na cidade que será a anfitriã dos próximos Jogos Olímpicos. Parabéns ao SC Internacional, não apenas pelo centenário, mas pela campanha criada em cima deste evento e todas as comemorações relacionadas ao 100 anos. Nos meios de comunicação não havia quem não falasse do centenário colorado.

Ou encontrei tudo muito diferente daquilo que estava ou já vejo isso tudo com outros olhos. Mas que mudou, mudou. Infelizmente as cunhas seguem e a politicagem ainda existe. Porém, o blogueiro acredita que o futuro reserva muito trabalho.

Trabalho, fica tranquilo porque você será bem-vindo! Desenvolvimento, venha junto, hein? Faremos por isso!

Homenagem a Ayrton Senna

Se estivesse vivo, Senna teria completado 49 anos ontem, 21 de março. Abaixo um vídeo para relembrá-lo:

O Mundo, o Esporte e a Crise

Pelos vistos, para tudo agora a culpa é da crise. Falta de investimentos, falta de iniciativa e pobreza, a causadora é a crise. Culpada mesmo a crise é pelo comodismo e pessimismo gerado nas pessoas. Diz um anônimo que devemos deixar de lado estas notícias sobre a crise e trabalhar. Os resultados deste trabalho virão e ficaremos surpreendidos positivamente com eles. O anônimo tem absoluta razão.

O esporte é meio para ultrapassar a crise. Não digo pelos salários exagerados pagos a alguns jogadores e treinadores, ou ao volume de dinheiro gerado pelas transações de futebolistas entre os clubes. Longe disso. Neste quesito, Platini tem razão e em textos futuros abordarei sobre o seu pronunciamento.

Muitos empregos podem ser gerados através do esporte, é isso que quero dizer. Desde o profissional que forma o atleta até o atendente da mesa do restaurante que transmite pela TV, aos seus clientes, a transmissão ao vivo do evento esportivo. Apenas um exemplo: o cliente deste restaurante verá na TV o seu ídolo com determinado equipamento esportivo e decidirá adquiri-lo no dia seguinte = venda para a loja + comissão para o funcionário da loja. É a renda em circulação, é a economia a crescer.

O Brasil tem grande potencial para isso tudo, e não apenas no universo esportivo. Um mercado gigantesco, ainda não bem explorado e por isso capaz de gerar milhares de empregos. A crescente profissionalização dos organismos que regulam os esportes no Brasil tem muito a contribuir com isso tudo, além da percepção do esporte como negócio (gerador de emprego e renda!). E tem a Copa do Mundo em 2014, que abrirá grandes oportunidades. Coubertin já dizia: visão, ação e franqueza. Com essas máximas a crise passa longe.

The Batsman

Depois do atentado à delegação de Israel nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, o ataque desta semana à seleção cingalesa de críquete foi o primeiro. Sri Lanka há décadas passa por problemas internos, com a insurgência de movimentos separatistas. O críquete por lá é tão popular quanto o futebol é na América do Sul. Por analogia, é como se fizessem um ataque à seleção de futebol do Brasil.

O batsman e o wicketkeeper, posições de um jogo de críquete (yellowcab.com.au)

A modalidade – parecida com o nosso taco/bets/bente altas que jogamos na rua – é uma das que mais crescem no mundo e o International Cricket Council (organismo máximo do críquete) tem trabalhado intensamente no marketing esportivo, para conquistar mais praticantes e fidelizá-los. E tem obtido excelentes resultados. Fora a Copa do Mundo – uma das mais rentáveis em termos de público e patrocínios -, os jogos internacionais são cada vez mais frequentes e recentemente foi criada uma liga internacional de clubes: há críquete o ano todo!

O ataque não significa um entrave para o desenvolvimento do críquete. Muito pelo contrário. Certamente que esta não é a melhor maneira para conseguir projeção, mas o atentado aos atletas de Sri Lanka deixou a modalidade mais conhecida pelo mundo afora.


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