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O Consumo do Desporto

Incrível a procura no Brasil pelos cromos do Mundial FIFA 2010, a ponto de haver escassez de pacotes nas bancas de jornal. A falta deste produto no mercado espelha empiricamente o consumo do desporto, quer seja a partir da prática de uma modalidade, quer seja a partir dos produtos e serviços relacionados ao desporto. Temos 3 itens: prática, serviços e produtos do desporto.

Serão elencados agora possíveis fatores que podem nos dizer sobre o aumento da demanda pela prática, serviços e produtos do desporto. Qualidade de vida: há cada vez mais pessoas preocupadas com isso e procuram manter hábitos saudáveis através da prática esportiva. Pertencimento: para pertencer a um grupo, uma pessoa consome desporto (prática, produtos e serviços). Aumento populacional, aumento do poder aquisitivo da população e desenvolvimento das telecomunicações são também outros fatores que conduzem ao aumento da demanda por prática, produtos e serviços desportivos.

Vê-se com isso que a Indústria do Esporte pode se configurar como uma das maiores do País em um futuro próximo, geradora de empregos e rendimentos.

Previsão dos Tempos

Outro dia conversavam sobre como seria o futebol daqui a 10 anos, em 2020. Não discutiam se o Brasil seria 8 vezes campeão mundial, mas sim como estaria a modalidade.

Disse aqui em textos anteriores que o futebol está longe de entrar em crise, bem longe mesmo. Entretanto, o futebol Sul-Americano sim. Se não tomarem cuidado, o futebol na Europa e na Ásia também entrarão. Na América do Sul não se respeita o árbitro de futebol, tampouco o adversário. Os estádios caem aos pedaços. O público é desrespeitado: falta de conforto e segurança. Os futebolistas exageram na maldade e deslealdade. Muitos não são exemplos como atletas ou como pessoas. Mal sabem falar e mesmo assim a opinião pública os venera, quer seja porque têm potentes bólidos, saem com as mulheres mais bonitas e conseguem trapacear (dentro e fora de campo).

Não venham com a estória de que esses jogadores tiveram origens humildes. Todos hoje têm acesso a educação e certamente eles tiveram estas condições. Não quiseram mesmo é aproveitá-la, uma vez que os valores da sociedade Sul-Americana estão invertidos: valoriza-se o carrão, a mulherada, o desrespeito à hierarquia, a trapaça e o dinheiro.

Para além disso, o câmbio é um fator que influencia para a crise por cá: chegam os gringos interessados em atletas e acabam por encher os bolsos de dirigentes que agem nos clubes por interesses próprios. Isso faz com que o futebol fora da América do Sul torne-se mais competitivo e referência na modalidade.

Hipócrita será dizer que há uma rivalidade entre Brasil e Argentina em futebol. Ora, isso acabou faz tempo! Brasileiros e argentinos não jogam mais às suas maneiras. Jogam à europeia, à russa, à turca e até à japonesa! Um já conhece o outro, sabem como jogam. Aí não tem graça: não há competitividade.

Se não tomarem uma atitude e se não houver uma mudança estrutural na organização desportiva, o futebol Sul-Americano em 2020 tornar-se-á menos competitivo ainda.

E haverá modalidades que vão conquistar mais espaço. Modalidades estas que cultivam os valores do esporte, sem desrespeito e trapaça. Modalidades que dão valor ao que o atleta é, e não o que ele tem.

Questão de Valores

Muito interessantes as colocações de pessoas do futebol sobre como a modalidade será daqui uns 10 anos. É pena que de uma maneira geral a opinião deles vale para o futebol europeu.

De uma maneira geral, o futebol não corre riscos de entrar em crise. Isso não vai acontecer mesmo! O número de seguidores não vai diminuir. Entretanto, o futebol Brasileiro e Sul-Americano sim, se não tomarem uma atitude èm relação ao desrespeito aos árbitros, aos adeptos, à violência relacionada ao espetáculo esportivo e à falta de profissionalismo dos jogadores, percebida por aqui, mas não verificada intensamente em outros lugares.

Campeonato Paulista de Full-Contact Coletivo sob Chuteiras em Relva: Corinthians x São Caetano. Ops! E ainda dizem que o Rugby é violento (www.lancenet.com.br)

Campeonato Paulista de Full-Contact Coletivo sob Chuteiras em Relva: Corinthians x São Caetano. Ops! E ainda dizem que o Rugby é violento (www.lancenet.com.br)

Por isso que clubes de outros continentes (que já contam com futebolistas daqui em seus quadros) e outras modalidades conquistarão mais espaço e preferência.

O Rugby é uma destas modalidades, pelos valores e princípios que transmite, que devem ser reconduzidos ao seio da sociedade Brasileira, a fim de tornar o País melhor. Um País que dê valor ao trabalho, caráter e à seriedade, em vez da trapaça, da ameaça e das posses.

Para isso, certamente o caminho há de ser longo. Entretanto, o mais importante foi feito: começar. Já dizia Amyr Klink: “O pior naufrágio é não partir.”

Rugbynomics

Todos falam bastante da influência de um grande evento esportivo em um País. Juntamente com o futebol, surgiu também o Rugby, entretanto as duas modalidades seguiram caminhos diferentes. Uma desenvolveu-se em alguns lugares do mundo, enquanto a outra, em outras regiões. Depois da Copa do Mundo FIFA e dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de Rugby é a 3ª que atrai mais turistas ao País anfitrião.

África do Sul: Campeã Mundial de Rugby em 2007, na França (commentary.co.za)

África do Sul: Campeã Mundial de Rugby em 2007, na França (commentary.co.za)

Para além disso, os jogos da última Copa do Mundo de Rugby, em 2007 na França, tiveram uma assistência média de 94%, com um público médio de 47 mil espectadores. Diante desse quadro, é possível potenciar a atividade deste público a consumir material licenciado, alimentação e serviços de turismo. Segundo dados da Deloitte, o impacto econômico direto causado na França em 2007, por conta do evento, foi de £ 800mi.. Em 2003, na Austrália, este valor no PIB local foi de £ 122mi.. Outro dado interessante foi que 9% dos turistas que estiveram na Austrália durante o Mundial de 2003 manifestaram o desejo de retornar ao País.

Estes dados comprovam o crescimento do Rugby em nível mundial e o Brasil há de fazer parte disso. Há quem diz que ele é violento, com pouca regulamentação. Ledo engano. Opinar sobre algo que não se conhece, não é saudável.  Todos têm acesso ao jogo e podem experimentar, em vez de formarem pré-conceitos.

Coisa Séria

Neste fim-de-semana que passou o Palmeiras foi mal em casa e empatou jogo contra um clube modesto. Parte dos torcedores pede o afastamento do atual presidente, Luiz Belluzzo. Diante de um desgaste que ocorre desde o Campeonato Nacional de futebol no ano passado, ele demonstra não cogitar a reeleição quando terminado o mandato.

“Futebol não é para pessoas sérias”, diz Belluzzo.

Entretanto, futebol é coisa séria e percebe-se – ainda em passos de tartaruga – uma movimentação a caminho do profissionalismo no esporte, em especial o futebol. Há torneios internacionais em que o Brasil será o anfitrião. Há uma tendência para ver o jogo de futebol como um produto. Há uma demanda em considerar o torcedor como um consumidor. Ademais, alguns clubes têm se tornado inviáveis diante das dívidas.

Luiz Belluzzo, presidente da SE Palmeiras (estadao.com.br)

Luiz Belluzzo, presidente da SE Palmeiras (estadao.com.br)

O esporte (futebol) gera rendimentos e emprego. Movimenta a economia de uma cidade e de um País. Deve ser tratado com seriedade. A declaração de Belluzzo não é de maneira alguma bem-vinda. Trata-se de um desabafo de um grande economista que procura – apesar de vários deslizes protocolares – agir com seriedade em sua gestão, seriedade esta que o ambiente corporativo, de onde veio, detém mais que o esportivo.

A declaração de Belluzzo retrata o péssimo ambiente do futebol, administrado em sua maioria por pessoas em busca de projeção pessoal e financeira, a fim de resultados imediatos.

Em “de Letra” uma pequena homenagem ao grande Armando Nogueira, falecido hoje.

O Preço da Seriedade

Michel Raspaud, um dos maiores sociólogos do esporte na França apontou o rigor fiscal como um dos fatores que fazem o futebol francês menos mediático entre os europeus.

Segundo ele, há uma comissão interdisciplinar que fiscaliza a saúde financeira dos clubes. Se há algo de errado, esta comissão tem o poder de solicitar o rebaixamento dos clubes, bem como a proibição de contratar jogadores ou serem ajudados por organismos privados (e.g.: bancos), sem antes terem seus problemas sanados. Dessa maneira perdem os clubes e a Liga Francesa em competitividade. Com menor competitividade, haverá também uma menor projeção do futebol daquele País, independentemente de jogarem brasileiros, argentinos ou portugueses (e.g.: Pauleta) por lá. Acontece justamente o contrário: muitos internacionais franceses atuam ou atuaram em boa parte no exterior: Henry, Ribéry, Zidane, Lizarazu e Platini.

J.M.Aulas, presidente do Lyon, com Karim Benzema, a comemorarem o heptacampeonato francês consecutivo do clube (www.karim-benzema.net)

J.M.Aulas, presidente do Lyon, com Karim Benzema, a comemorarem o heptacampeonato francês consecutivo do clube (www.karim-benzema.net)

Recentemente o Bordeaux foi considerado descumpridor de regulamentos fiscais e, por isso, rebaixado. Em 1993 o Olympique de Marselha venceu a Liga dos Campeões, mas foi impedido de jogar a Copa Toyota, contra o São Paulo, devido irregularidades financeiras.  

Ora, a Liga Brasileira (lê-se Campeonato Brasileiro organizado pela CBF + Clube dos 13) mundialmente não possui projeção alguma. Atitudes como esta não afetariam a projeção do campeonato local pelo mundo. Pelo contrário, seria um bom antídoto contra a irresponsabilidade fiscal dos clubes desportivos (em especial de futebol) do Brasil.

PS: No globoesporte.com, de 24 de Março, o relatório da Comissão Fiscal do Santos FC apontou uma dívida de R$177 milhões do clube durante o ano de 2009.

Marketing de Emboscada em Futebol

Recentemente temos acompanhado várias faixas nas bancadas de alguns jogos de futebol com nomes que não são alusivos a bairros e cidades de onde vêm grupos de torcedores (e.g.: “Jardim Primavera”, “São Carlos”, “Pouso Alegre”), de torcidas organizadas ou frases de incentivo (e.g.: “Sempre contigo”, “Sou louco por ti”, “Minha segunda pele”). Nestes jogos elas são estrategicamente colocadas nas grades, no campo de visão das câmeras de TV.
Marketing de Emboscada em futebol: Cerro x Corinthians, 17 Mar 2010, em Assunção. Notem que as faixas das marcas "Gangster", "Rat Boy" e "Jinur's" estão estrategicamente colocadas nas grades, próximas ao centro do campo. Não pagam pelos direitos comerciais do torneio, todavia estão lá. Um caso de marketing de emboscada.

Marketing de Emboscada em futebol: Cerro x Corinthians, 17 Mar 2010, em Assunção. Notem que as faixas das marcas "Gangster", "Rat Boy" e "Jinur's" estão estrategicamente colocadas nas grades, próximas ao centro do campo. Não pagam pelos direitos comerciais do torneio, todavia estão lá. Um caso de marketing de emboscada.

São marcas de artigos de vestuário, como na foto acima, por exemplo: “Trip Side”, “Gangster”, “Rat Boy” e “Jinur’s”. Seus nomes nas faixas são escritos como a sua logomarca. Não pagam direitos à Confederação Sulamericana ou à agência responsável pela parte comercial da Copa Santander Libertadores para serem divulgadas nos jogos promovidos pela entidade esportiva. Têm como custos a confecção da faixa e a contratação informal de alguém para colocarem-na. Isso se chama marketing de emboscada. Em uma definição mais formal, é quando uma empresa que não detém os direitos de publicidade de um evento ou de uma transmissão, realiza ações a fim de promovê-la. Justamente o que fizeram as três marcas, que certamente pertencem ao mesmo grupo.

A “Calçados Romão” fazia muito isso no fim da década de 80 e início da de 1990, no estádio do Morumbi. Posicionava uma faixa com a logomarca da sua empresa atrás da bandeira de escanteio, para que quando as câmeras da TV focalizassem o batedor do canto ou a jogada (cruzamento), focalizariam também o símbolo da rede de lojas.

Existem tipos de marketing e um deles é o de emboscada. Alguns casos são sutis, discretos e causam boa impressão. Outros –  esse – nem tanto e podem conferir uma má imagem à empresa, o que ela não deseja.

Ritmo Colombiano

A sincronia da dança do Armero ontem, durante a comemoração do 2º gol do Palmeiras contra o Santos era “perfeita”.

De Última Hora

Em cima da hora resolveram reformar uma das pistas da Marginal Tietê para determinados carros passarem a 300km/h durante uma etapa da Fórmula Indy.

Conseguiram fazer, São Paulo atraiu muitos turistas. Entretanto, a projeção da cidade foi péssima. Uma pista improvisada em pouco mais de cem dias podia ter levado a uma tragédia. A instabilidade dos carros era notória nas transmissões. Pelos improvisos, reformas e urgências, o custo da prova deve ter sido alta e oxalá os organizadores tenham contado com isso e não sejam surpreendidos com eventual prejuízo. 

Sambódromo do Anhembi, usado no traçado do circuito de São Paulo da F-Indy (www.band.com.br)

Sambódromo do Anhembi, usado no traçado do circuito de São Paulo da F-Indy (www.band.com.br)

É fundamental que tenham um projeto a longo prazo para a F-Indy em São Paulo. Os realizadores correram riscos que não eram precisos. A cidade bem podia esperar um ano mais para organizá-la, a fim de bem receberem os pilotos e a operar com princípios da gestão: com planejamento, prazos e metas, com o objetivo de minimizar os riscos.


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