O Brasil foi anunciado sede do Mundial FIFA 2014 em 30 de Outubro de 2007 (aniversário do Maradona e data da fundação do BH Rugby). Era para terem feito já alguma coisa. Sobram falatórios, seminários, abraços, apertos-de-mão e politicagem! Faltam iniciativas, planejamento e ação.
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Muito bem organizada a festa da final do Campeonato Paulista de 2010, diferentemente do ano passado. Foi mesmo um êxito, apesar da imensidade de pessoas envolvidas nisso tudo. Era impressionante: com exceção dos jornalistas, eram cerca de 100 pessoas em volta do campo de jogo.
Fora isso, o que chamou minha atenção foi a execução do Hino Nacional por uma Orquestra Sinfônica. A Orquestra é sensacional e – apesar de não entender de música – fez excelentes arranjos. Entretanto os espectadores, que mal sabem entoar a Canção Pátria, perderam-se nos retoques dados ao Hino pela Orquestra. Resultado: ninguém cantou.
Se a intenção dos responsáveis é o de cultivar o civismo através da execução do Hino Nacional, que façam isso de uma maneira apropriada, que aproxime-o da população e não o torne mais distante. Infelizmente uma Orquestra Sinfônica está distante da maioria do público que frequenta o futebol, público este que não vai entender os arranjos e retoques de uma Orquestra Sinfônica.
Mais valia o uso de um CD com o Hino: mais rápido, mais barato e eficiente.
Cech fez escola no futebol: Chivu com Rugby Cap nas semifinais da UCL!
Sinal dos tempos. Com o passar os anos e o avanço da tecnologia nas comunicações e o desenvolvimento da indústria esportiva, os investidores estão dando mais conta que o esporte aproxima as suas marcas do público e – mesmo que aos poucos – demonstram interesse em aplicar seus recursos neste setor.
Diariamente somos bombardeados por Copa do Mundo. “Promoção da Copa”; “Poupança da Copa”; “TV com garantia após a Copa 2014”; “Plano de saúde da Copa”; “Fórum de Futebol”; “Revista Copa”, são exemplos de iniciativas. “Empresa X patrocina equipe Y em busca de olho na Copa”; “Construtora Z arca com reforma do estádio “Relvado Sagrado” de olho nos Jogos Olímpicos”; “Empresa W investe em esporte de olho em seu nicho”. Esses são exemplos de investimentos no esporte que estão sendo verificados.
Entretanto cabe saber onde e em que serão feitos estes investimentos e quem fará a gestão destes investimentos. Muitos investidores desistiram devido à má impressão que antigos “gestores esportivos” causaram. Está mais que na hora de mudar, para o bem dos atletas e para o bem do País.
Incrível a procura no Brasil pelos cromos do Mundial FIFA 2010, a ponto de haver escassez de pacotes nas bancas de jornal. A falta deste produto no mercado espelha empiricamente o consumo do desporto, quer seja a partir da prática de uma modalidade, quer seja a partir dos produtos e serviços relacionados ao desporto. Temos 3 itens: prática, serviços e produtos do desporto.
Serão elencados agora possíveis fatores que podem nos dizer sobre o aumento da demanda pela prática, serviços e produtos do desporto. Qualidade de vida: há cada vez mais pessoas preocupadas com isso e procuram manter hábitos saudáveis através da prática esportiva. Pertencimento: para pertencer a um grupo, uma pessoa consome desporto (prática, produtos e serviços). Aumento populacional, aumento do poder aquisitivo da população e desenvolvimento das telecomunicações são também outros fatores que conduzem ao aumento da demanda por prática, produtos e serviços desportivos.
Vê-se com isso que a Indústria do Esporte pode se configurar como uma das maiores do País em um futuro próximo, geradora de empregos e rendimentos.
Outro dia conversavam sobre como seria o futebol daqui a 10 anos, em 2020. Não discutiam se o Brasil seria 8 vezes campeão mundial, mas sim como estaria a modalidade.
Disse aqui em textos anteriores que o futebol está longe de entrar em crise, bem longe mesmo. Entretanto, o futebol Sul-Americano sim. Se não tomarem cuidado, o futebol na Europa e na Ásia também entrarão. Na América do Sul não se respeita o árbitro de futebol, tampouco o adversário. Os estádios caem aos pedaços. O público é desrespeitado: falta de conforto e segurança. Os futebolistas exageram na maldade e deslealdade. Muitos não são exemplos como atletas ou como pessoas. Mal sabem falar e mesmo assim a opinião pública os venera, quer seja porque têm potentes bólidos, saem com as mulheres mais bonitas e conseguem trapacear (dentro e fora de campo).
Não venham com a estória de que esses jogadores tiveram origens humildes. Todos hoje têm acesso a educação e certamente eles tiveram estas condições. Não quiseram mesmo é aproveitá-la, uma vez que os valores da sociedade Sul-Americana estão invertidos: valoriza-se o carrão, a mulherada, o desrespeito à hierarquia, a trapaça e o dinheiro.
Para além disso, o câmbio é um fator que influencia para a crise por cá: chegam os gringos interessados em atletas e acabam por encher os bolsos de dirigentes que agem nos clubes por interesses próprios. Isso faz com que o futebol fora da América do Sul torne-se mais competitivo e referência na modalidade.
Hipócrita será dizer que há uma rivalidade entre Brasil e Argentina em futebol. Ora, isso acabou faz tempo! Brasileiros e argentinos não jogam mais às suas maneiras. Jogam à europeia, à russa, à turca e até à japonesa! Um já conhece o outro, sabem como jogam. Aí não tem graça: não há competitividade.
Se não tomarem uma atitude e se não houver uma mudança estrutural na organização desportiva, o futebol Sul-Americano em 2020 tornar-se-á menos competitivo ainda.
E haverá modalidades que vão conquistar mais espaço. Modalidades estas que cultivam os valores do esporte, sem desrespeito e trapaça. Modalidades que dão valor ao que o atleta é, e não o que ele tem.
Muito interessantes as colocações de pessoas do futebol sobre como a modalidade será daqui uns 10 anos. É pena que de uma maneira geral a opinião deles vale para o futebol europeu.
De uma maneira geral, o futebol não corre riscos de entrar em crise. Isso não vai acontecer mesmo! O número de seguidores não vai diminuir. Entretanto, o futebol Brasileiro e Sul-Americano sim, se não tomarem uma atitude èm relação ao desrespeito aos árbitros, aos adeptos, à violência relacionada ao espetáculo esportivo e à falta de profissionalismo dos jogadores, percebida por aqui, mas não verificada intensamente em outros lugares.

Campeonato Paulista de Full-Contact Coletivo sob Chuteiras em Relva: Corinthians x São Caetano. Ops! E ainda dizem que o Rugby é violento (www.lancenet.com.br)
Por isso que clubes de outros continentes (que já contam com futebolistas daqui em seus quadros) e outras modalidades conquistarão mais espaço e preferência.
O Rugby é uma destas modalidades, pelos valores e princípios que transmite, que devem ser reconduzidos ao seio da sociedade Brasileira, a fim de tornar o País melhor. Um País que dê valor ao trabalho, caráter e à seriedade, em vez da trapaça, da ameaça e das posses.
Para isso, certamente o caminho há de ser longo. Entretanto, o mais importante foi feito: começar. Já dizia Amyr Klink: “O pior naufrágio é não partir.”
Todos falam bastante da influência de um grande evento esportivo em um País. Juntamente com o futebol, surgiu também o Rugby, entretanto as duas modalidades seguiram caminhos diferentes. Uma desenvolveu-se em alguns lugares do mundo, enquanto a outra, em outras regiões. Depois da Copa do Mundo FIFA e dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de Rugby é a 3ª que atrai mais turistas ao País anfitrião.
Para além disso, os jogos da última Copa do Mundo de Rugby, em 2007 na França, tiveram uma assistência média de 94%, com um público médio de 47 mil espectadores. Diante desse quadro, é possível potenciar a atividade deste público a consumir material licenciado, alimentação e serviços de turismo. Segundo dados da Deloitte, o impacto econômico direto causado na França em 2007, por conta do evento, foi de £ 800mi.. Em 2003, na Austrália, este valor no PIB local foi de £ 122mi.. Outro dado interessante foi que 9% dos turistas que estiveram na Austrália durante o Mundial de 2003 manifestaram o desejo de retornar ao País.
Estes dados comprovam o crescimento do Rugby em nível mundial e o Brasil há de fazer parte disso. Há quem diz que ele é violento, com pouca regulamentação. Ledo engano. Opinar sobre algo que não se conhece, não é saudável. Todos têm acesso ao jogo e podem experimentar, em vez de formarem pré-conceitos.
Neste fim-de-semana que passou o Palmeiras foi mal em casa e empatou jogo contra um clube modesto. Parte dos torcedores pede o afastamento do atual presidente, Luiz Belluzzo. Diante de um desgaste que ocorre desde o Campeonato Nacional de futebol no ano passado, ele demonstra não cogitar a reeleição quando terminado o mandato.
“Futebol não é para pessoas sérias”, diz Belluzzo.
Entretanto, futebol é coisa séria e percebe-se – ainda em passos de tartaruga – uma movimentação a caminho do profissionalismo no esporte, em especial o futebol. Há torneios internacionais em que o Brasil será o anfitrião. Há uma tendência para ver o jogo de futebol como um produto. Há uma demanda em considerar o torcedor como um consumidor. Ademais, alguns clubes têm se tornado inviáveis diante das dívidas.
O esporte (futebol) gera rendimentos e emprego. Movimenta a economia de uma cidade e de um País. Deve ser tratado com seriedade. A declaração de Belluzzo não é de maneira alguma bem-vinda. Trata-se de um desabafo de um grande economista que procura – apesar de vários deslizes protocolares – agir com seriedade em sua gestão, seriedade esta que o ambiente corporativo, de onde veio, detém mais que o esportivo.
A declaração de Belluzzo retrata o péssimo ambiente do futebol, administrado em sua maioria por pessoas em busca de projeção pessoal e financeira, a fim de resultados imediatos.
Em “de Letra” uma pequena homenagem ao grande Armando Nogueira, falecido hoje.


