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Os 40 Anos do Jogo que não Existiu

O jogo mais ridículo que já existiu, só que nunca aconteceu.

A seleção chilena de futebol passou em 1973 para a repescagem na classificação ao Mundial FIFA de 1974. Enfrentaria a então União Soviética em dois jogos, dias 26 de Setembro, em Moscou, e dia 21 de Novembro, em Santiago.

Aos 11 de Setembro de 1973 um Golpe-de-Estado no Chile colocava fim ao governo de Salvador Allende, pró-socialista, alinhado aos soviéticos. Dias mais tarde chilenos e soviéticos empatavam em 0 a 0, em Moscou. Enquanto isso o Estádio Nacional servia de campo de concentração de opositores ao novo regime no país sul-americano.

Entretanto deixaram o mesmo estádio pronto para o jogo da volta. Os soviéticos alegaram que não viajariam por falta de condições de segurança e pelo fato de o local ter sido usado como centro de detenção e tortura.

Não viajaram mesmo. Os chilenos sim compareceram e representaram a classificação ao Mundial FIFA 1974 através das cenas abaixo:

 

O jogo mais ridículo que já existiu, só que nunca aconteceu.

O Topo do Mundo Top

Mundial 2014 de futebol com todas as seleções definidas, sem zebras, sem surpresas como os anteriores: Coreia do Norte (2010), Nova Zelândia (2010) ou Trinidad e Tobago (2006). Sem grandes ausências também. Há quem cite Sérvia, Polônia, Suécia, Turquia ou Paraguai. No entanto, com todo o respeito a esses países e suas seleções, não serão notadas. Todas as equipes são de alto nível, até mesmo a Bósnia e Herzegovina. Primeira participação dela, é verdade, mas com um plantel bastante experiente em nível internacional.

Dentro de campo, Brasil 2014 promete ser um torneio de ponta.

Em tempo: o portorriquenho Ricky Martin foi escolhido para cantar a música-tema do Mundial FIFA. Melhor escolha não há. Podem dizer que devia ser um artista brasileiro. Entretanto o evento é mundial, ou seja, para o mundo todo. Não há um brasileiro com esse alcance mundial. Brasileiros podem se apresentar nos EUA, na Europa, mas o público-alvo na maioria das vezes não é o norte-americano ou o europeu, mas os brasileiros que lá vivem. Ricky Martin encaixa-se neste aspecto, é um cantor internacionalmente muito mais conhecido que, por exemplo, Michel Teló.

Em tempo ainda: o sueco Ibrahimovic dizer que um mundial sem ele não merece ser visto? É muita marra! E como disse uma vez o jogador Giva, do Santos FC, “a marra é o início do fim“*. Depois dizem que Cristiano Ronaldo é marrento. Pelo contrário, o português é seguro do trabalho que ele faz. Não é marra, é segurança. Não fala aos ventos como o sueco. Prefere fazer.

* – Fonte: seção ‘De Letra’ deste blog

Velho Oeste

Chapecoense na Série A do campeonato brasileiro de futebol em 2014. Acesso confirmado ontem, 16 de novembro. Isso só comprova que resultado em esporte de alto-rendimento só se faz com muito dinheiro. Mesmo Chapecó não tendo duzentos mil habitantes e sendo o Oeste Catarinense a segunda região mais isolada do país depois da Amazônia. Olhem abaixo quantos patrocinadores tem a “Chape”. O principal, a Aurora, é concorrente da Sadia – que é daquela região -, apoiadora da seleção nacional do Brasil.

2_CAMISAS-CHAPECOENSE-OFICIAL

Não basta apenas ter grana de patrocinadores. Clubes sem torcida duram, mas não sobrevivem: São Caetano, Bragantino, Atlético Goianiense, Marília e Noroeste são exemplos.

Boa parte do Brasil parece ainda viver no Velho Oeste. Para terem uma ideia, neste mesmo fim-de-semana os acusados do ‘Mensalão’ começaram a ser presos. A campanha presidencial se intensifica. A oposição se vale dessas prisões. Mas como não pensar que a situação não pode se beneficiar delas também? Impossível não relacionar.

Nesta mesma data o Chile realiza suas eleições para presidente. Pela primeira vez na história chilena, voto voluntário (para presidente). Aqui no Brasil, e agora, não daria certo.

Lição mesmo foi a deixada pela seleção de rugby do Brasil na derrota para Portugal, em amistoso de sexta-feira: é preciso trabalhar, trabalhar e trabalhar. Há muito pra aprender, o dobro pra se fazer.

Entre os Trópicos

MalaboA Espanha viajará até a Guiné Equatorial para amistoso de futebol, em alguns dias. Pra quem não sabe, é ex-colônia rica em recursos minerais. A população poderia desfrutar dessa riqueza, com distribuição de renda mais justa. No entanto é governada por um ditador que privilegia interesses pessoais.

Os equato-guineenses não figuram entre as melhores seleções do mundo. A viagem é desgastante, o gramado não é o melhor. A infra-estrutura não é a mesma que se encontra na Espanha. Declarar que o jogo serve pra fomentar o futebol naquele país, como fez um dirigente espanhol, é besteira. Não é pra isso. Não tem outra explicação a não ser: encher o bolso e na correria garantir um Diego Costa castelhano, contra qualquer adversário que aparecer.

A Real Federação Espanhola de Futebol está errada nisso? Não! É papel dela encher o bolso, obviamente, mas é papel dela defender e proteger seus futebolistas, além do futebol no país. Não é dessa maneira que farão isso.

* – na foto vista parcial de Malabo, na Ilha de Bioko, capital da Guiné Equatorial

Politiquices

“Este é o caminho do Atlético daqui para frente. Este é o marketing, o grande marketing do futebol. A bola entrar naquela casinha quadrada que tem uma rede. O melhor executivo de marketing que existe no mundo do futebol é quem coloca a bola na rede.” 

Alexandre Kalil, Presidente do Clube Atlético Mineiro, em Julho/2013

Pra começar, o autor dessa frase tem toda a razão. O desafio do gestor do esporte são dois: 1) o resultado esportivo e 2) promover uma marca nos ene cenários possíveis. Veja o São Paulo: ingressos a dois reais não é equívoco. Qual o cenário? Se ele permite, então de acordo.

Fora outros tantos em tão diversos clubes, nas mais diversas modalidades.

Em se tratando de modalidades, Bernardinho – o do voleibol – vai candidatar-se ao governo do estado do Rio de Janeiro, em 2014. Pelo PSDB. Como tudo, ele tem 50% de chances de dar certo como gestor público. Vai ser o governador das Olimpíadas.

São ambientes completamente distintos, mas torço muito para que aplique seu estilo de comando dentro da política, e que aguente todas as redes de influência, favorecimentos e compromissos partidários. Oxalá a política não acabe com a personalidade e a saúde dele.

1º programa de rugby no rádio brasileiro – Estação Rugby Clube – pela REW radioestacaoweb.com.br – Todas as sextas a partir das 13:05h

Futebol do Interior

Acompanho o tremendo esforço de torcedores de uma equipe de futebol do interior do Brasil para ajudarem o clube. Me incluo nessa. Tenho uma opinião sobre o futebol dos clubes pequenos, do romantismo das histórias, das lendas, como coisa do passado. Não volta. Logo abaixo explico o porquê. No entanto a paixão fala mais alto e eu ajudo, me emociono, me envolvo.

Esporte de alto-rendimento se faz com muito dinheiro. Futebol de alto-rendimento se faz com mais dinheiro ainda. Vender jogador traz renda, mas o jogador se desenvolve com infra-estrutura construída através de um rendimento financeiro. Esse rendimento financeiro em boa parte vem da torcida e pode ser representada através da equação: (torcida)² + ações de promoção e arrecadação = rendimentos + equipes competitivas = títulos + (torcida)³, que comparece aos estádios e que gasta mais dinheiro com o clube. O futebol do interior peca por não ter torcida, infelizmente. Inverta-se a equação acima e teremos o resultado.

O torcedor quer motivos pra torcer e um dos motivos é o palmarés. Não quer time que perde. Por isso os clubes de grandes centros abraçam-no. Futebol é caro, mas há de se encontrar a fórmula do futebol no interior!

Em tempo: estamos no caminho!

¿Brasil? ¡No, Gracias!

Diego Costa já recusou atuar pela seleção brasileira, prefere a espanhola. Querem fazer polêmica disso, está mais que público que ele não quer o Brasil.

Deixem-no ser feliz, simples. Um infeliz na equipe não vai render o necessário e certamente vai interferir na produtividade. Caso parecido com as recusas dos atletas da NBA à seleção nacional de basquete. Direito à recusa. Para essas perguntas, duas respostas: sim ou não. Há quem aceita, há quem não aceita.

Ele disse “¡no, gracias!”

A Guerra, a Bósnia, a Copa e o Reconhecimento

Quando da Guerra da Bósnia (1992-1995) eu tinha treze, quatorze anos. Era a segunda guerra que acompanhava. A primeira tinha sido do Iraque, em 1991. Tomahawk e Exocet tornaram-se infelizmente nomes comuns e lembro-me da cobertura da TV à época. Cobriam o conflito como se fosse esporte. Lembro-me bem, o apresentador dizia: “…e nesta batalha os EUA atuaram com: F-16…três mísseis…enquanto as tropas de Saddam combateram com tais e tais armamentos…”.

sarajevo

O conflito nos Bálcãs não parecia ter fim. Em função da declaração de independência da Bósnia (1992), todos os dias, ininterruptamente, Sarajevo (capital da Bósnia e Herzegovina) era bombardeada, ou então as cidades de Mostar ou Srebrenica. Não havia apenas bósnios que habitavam o país. Havia sérvios e croatas, que queriam a anexação do território bósnio às respectivas pátrias-mãe. Era um dia pior que o outro, perseguição étnica, genocídio. Tudo isso ali, acontecendo a mais ou menos 100 quilômetros da Itália, da Áustria, da Europa Ocidental, há muito pouco tempo, 20 anos.

Com o Tratado de Dayton (1995), pôs-se fim ao conflito e a integridade bósnia é mantida, com líderes sérvios, croatas e bosníacos. Milosevic (Slobodan, ex-presidente iugoslavo) ainda tentaria sustentar a Iugoslávia, mas perde poder e é julgado, dentro e fora do país. Nova geração de políticos, moderados, assume o poder em Belgrado. A província do Kosovo passa por processo de desmembramento, Montenegro conseguiu mais tarde uma independência pacífica que deu origem a dois novos países, o próprio Montenegro e a Sérvia, cuja capital continua sendo Belgrado.

Voltemos à Bósnia. Sarajevo fora sede das Olimpíadas de Inverno, de 1984. Entretanto, até hoje, quando vem-me o nome “Sarajevo” (saraievo), vem à mente edifícios destruídos e imagens de horror. Por pouquíssimas vezes a Bósnia e Herzegovina teve chances de mostrar-se ao mundo como país. Ou não teve.

Mas terá. Nesta última semana o país conquistou vaga para a fase final da Copa do Mundo FIFA que será disputada no Brasil, em 2014. O esporte simbolicamente explicita para a opinião pública internacional que a Bósnia é uma soberania e independente. Declarações de independência, reconhecimento de soberania por outros países e acordos de paz, não bastam.

Bosnia soccer national team fans celebrate their 2014 World Cup qualifying match victory over Lithuania, in Sarajevo

O reconhecimento público dá-se apenas através de uma via, a do esporte, como se o(s) atleta(s) dissessem: “sim, existimos e somos um país”.

A Arte da Recusa II

A fabricante de material esportivo Puma rompeu contrato com a Associação de Futebol da África do Sul (sigla SAFA em inglês). Motivo: de acordo com relatório da Federação Internacional de Futebol, o envolvimento da entidade em manipulação de resultados em amistosos contra Bulgária, Colômbia, Tailândia e Guatemala durante o processo de escolha do país em receber o Mundial FIFA de 2010. O contrato entre Puma e SAFA terminaria apenas em 2015.

Manipulação de resultados é assunto muito sério porque desrespeita o alvo de todo o espetáculo esportivo: o torcedor, que inocentemente frequenta o estádio, consome o produto esportivo sem saber que o resultado fora arranjado. Em sabendo disso, qual a motivação dele em voltar a consumi-lo? Nenhum. Obviamente, uma marca – cujo público-alvo é o torcedor – não quer estar associada a isso.

Fez muito bem a Puma em romper com a entidade.

Toda sexta às 13:05 – ‘Estação Rugby Clube’ – pela REW radioestacaoweb.com.br

A Arte da Recusa

Oscar Schmidt tem recentemente feito um desserviço ao esporte brasileiro, em especial ao basquetebol. É publicamente contra atletas que se recusam atuar pela seleção de basquete, sobretudo a masculina. A ‘detonação’ é pública. Oscar é formador de opinião em função do seu palmarés e serviço ao esporte nacional. Entretanto ultimamente o que tem feito é o contrário.

Cria intrigas, gera picuinha e coloca boa parte das pessoas contra atletas que também prestam um enorme serviço ao Brasil em jogar por grandes ligas mundo afora. Se ele não quer atuar pela equipe nacional, há motivos para isso. Seleção não paga salário, tira as férias do atleta que já sofre imensa pressão durante a temporada. Jogar pela seleção não é ser mais ou menos patriota. Já estão sendo e muito ao serem profissionais e por darem exemplos como cidadãos. Cabe ao atleta saber o que é melhor pra ele e a relação custo – benefício.

Não confundam isso com deserção a uma guerra. É um outro contexto que desconhecemos. Temos uma visão muito romântica e inocente de guerra.

Aos que criticam, menos. Vocês não são atletas, não conhecem o outro lado.

Toda sexta às 13:05h, ‘Estação Rugby Clube’, o primeiro programa do rádio brasileiro sobre o esporte pela REW radioestacaoweb.com.br 


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