São Paulo foi eliminada e não será sede da Expo’2020, espécie de ‘Feira Mundial’. Será Dubai. Que bom senso tem os jurados! Comparar Dubai a São Paulo? É comparar um Trabant com um Porsche.
Dubai tem mobilidade urbana, infra-estrutura, rede hoteleira e atrativos turísticos, ali ou próximos, com mobilidade urbana, infra-estrutura e rede hoteleira.
Ao mesmo tempo os EUA emitem alertas aos seus nacionais sobre perigos de arrastões nas praias cariocas. Jornal nova-iorquino relata o quanto Salvador está esquecida, pobre e perigosa. Outro jornal de lá fez no último domingo matéria sobre o jogo de várzea no Maranhão – no último mês de Junho – que terminou com o árbitro esquartejado, com a cabeça exposta em praça pública no vilarejo.
Em todo o país, ruas são pista de corrida e as cidades são construídas para os carros, não para as pessoas.
O que queremos para o futuro? Qual o legado que deixaremos?
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6)
O jogo mais ridículo que já existiu, só que nunca aconteceu.
A seleção chilena de futebol passou em 1973 para a repescagem na classificação ao Mundial FIFA de 1974. Enfrentaria a então União Soviética em dois jogos, dias 26 de Setembro, em Moscou, e dia 21 de Novembro, em Santiago.
Aos 11 de Setembro de 1973 um Golpe-de-Estado no Chile colocava fim ao governo de Salvador Allende, pró-socialista, alinhado aos soviéticos. Dias mais tarde chilenos e soviéticos empatavam em 0 a 0, em Moscou. Enquanto isso o Estádio Nacional servia de campo de concentração de opositores ao novo regime no país sul-americano.
Entretanto deixaram o mesmo estádio pronto para o jogo da volta. Os soviéticos alegaram que não viajariam por falta de condições de segurança e pelo fato de o local ter sido usado como centro de detenção e tortura.
Não viajaram mesmo. Os chilenos sim compareceram e representaram a classificação ao Mundial FIFA 1974 através das cenas abaixo:
O jogo mais ridículo que já existiu, só que nunca aconteceu.
Mundial 2014 de futebol com todas as seleções definidas, sem zebras, sem surpresas como os anteriores: Coreia do Norte (2010), Nova Zelândia (2010) ou Trinidad e Tobago (2006). Sem grandes ausências também. Há quem cite Sérvia, Polônia, Suécia, Turquia ou Paraguai. No entanto, com todo o respeito a esses países e suas seleções, não serão notadas. Todas as equipes são de alto nível, até mesmo a Bósnia e Herzegovina. Primeira participação dela, é verdade, mas com um plantel bastante experiente em nível internacional.
Dentro de campo, Brasil 2014 promete ser um torneio de ponta.
Em tempo: o portorriquenho Ricky Martin foi escolhido para cantar a música-tema do Mundial FIFA. Melhor escolha não há. Podem dizer que devia ser um artista brasileiro. Entretanto o evento é mundial, ou seja, para o mundo todo. Não há um brasileiro com esse alcance mundial. Brasileiros podem se apresentar nos EUA, na Europa, mas o público-alvo na maioria das vezes não é o norte-americano ou o europeu, mas os brasileiros que lá vivem. Ricky Martin encaixa-se neste aspecto, é um cantor internacionalmente muito mais conhecido que, por exemplo, Michel Teló.
Em tempo ainda: o sueco Ibrahimovic dizer que um mundial sem ele não merece ser visto? É muita marra! E como disse uma vez o jogador Giva, do Santos FC, “a marra é o início do fim“*. Depois dizem que Cristiano Ronaldo é marrento. Pelo contrário, o português é seguro do trabalho que ele faz. Não é marra, é segurança. Não fala aos ventos como o sueco. Prefere fazer.
Chapecoense na Série A do campeonato brasileiro de futebol em 2014. Acesso confirmado ontem, 16 de novembro. Isso só comprova que resultado em esporte de alto-rendimento só se faz com muito dinheiro. Mesmo Chapecó não tendo duzentos mil habitantes e sendo o Oeste Catarinense a segunda região mais isolada do país depois da Amazônia. Olhem abaixo quantos patrocinadores tem a “Chape”. O principal, a Aurora, é concorrente da Sadia – que é daquela região -, apoiadora da seleção nacional do Brasil.
Não basta apenas ter grana de patrocinadores. Clubes sem torcida duram, mas não sobrevivem: São Caetano, Bragantino, Atlético Goianiense, Marília e Noroeste são exemplos.
Boa parte do Brasil parece ainda viver no Velho Oeste. Para terem uma ideia, neste mesmo fim-de-semana os acusados do ‘Mensalão’ começaram a ser presos. A campanha presidencial se intensifica. A oposição se vale dessas prisões. Mas como não pensar que a situação não pode se beneficiar delas também? Impossível não relacionar.
Nesta mesma data o Chile realiza suas eleições para presidente. Pela primeira vez na história chilena, voto voluntário (para presidente). Aqui no Brasil, e agora, não daria certo.
Lição mesmo foi a deixada pela seleção de rugby do Brasil na derrota para Portugal, em amistoso de sexta-feira: é preciso trabalhar, trabalhar e trabalhar. Há muito pra aprender, o dobro pra se fazer.
A Espanha viajará até a Guiné Equatorial para amistoso de futebol, em alguns dias. Pra quem não sabe, é ex-colônia rica em recursos minerais. A população poderia desfrutar dessa riqueza, com distribuição de renda mais justa. No entanto é governada por um ditador que privilegia interesses pessoais.
Os equato-guineenses não figuram entre as melhores seleções do mundo. A viagem é desgastante, o gramado não é o melhor. A infra-estrutura não é a mesma que se encontra na Espanha. Declarar que o jogo serve pra fomentar o futebol naquele país, como fez um dirigente espanhol, é besteira. Não é pra isso. Não tem outra explicação a não ser: encher o bolso e na correria garantir um Diego Costa castelhano, contra qualquer adversário que aparecer.
A Real Federação Espanhola de Futebol está errada nisso? Não! É papel dela encher o bolso, obviamente, mas é papel dela defender e proteger seus futebolistas, além do futebol no país. Não é dessa maneira que farão isso.
* – na foto vista parcial de Malabo, na Ilha de Bioko, capital da Guiné Equatorial
“Este é o caminho do Atlético daqui para frente. Este é o marketing, o grande marketing do futebol. A bola entrar naquela casinha quadrada que tem uma rede. O melhor executivo de marketing que existe no mundo do futebol é quem coloca a bola na rede.”
Alexandre Kalil, Presidente do Clube Atlético Mineiro, em Julho/2013
Pra começar, o autor dessa frase tem toda a razão. O desafio do gestor do esporte são dois: 1) o resultado esportivo e 2) promover uma marca nos ene cenários possíveis. Veja o São Paulo: ingressos a dois reais não é equívoco. Qual o cenário? Se ele permite, então de acordo.
Fora outros tantos em tão diversos clubes, nas mais diversas modalidades.
Em se tratando de modalidades, Bernardinho – o do voleibol – vai candidatar-se ao governo do estado do Rio de Janeiro, em 2014. Pelo PSDB. Como tudo, ele tem 50% de chances de dar certo como gestor público. Vai ser o governador das Olimpíadas.
São ambientes completamente distintos, mas torço muito para que aplique seu estilo de comando dentro da política, e que aguente todas as redes de influência, favorecimentos e compromissos partidários. Oxalá a política não acabe com a personalidade e a saúde dele.
1º programa de rugby no rádio brasileiro – Estação Rugby Clube – pela REW radioestacaoweb.com.br – Todas as sextas a partir das 13:05h
Acompanho o tremendo esforço de torcedores de uma equipe de futebol do interior do Brasil para ajudarem o clube. Me incluo nessa. Tenho uma opinião sobre o futebol dos clubes pequenos, do romantismo das histórias, das lendas, como coisa do passado. Não volta. Logo abaixo explico o porquê. No entanto a paixão fala mais alto e eu ajudo, me emociono, me envolvo.
Esporte de alto-rendimento se faz com muito dinheiro. Futebol de alto-rendimento se faz com mais dinheiro ainda. Vender jogador traz renda, mas o jogador se desenvolve com infra-estrutura construída através de um rendimento financeiro. Esse rendimento financeiro em boa parte vem da torcida e pode ser representada através da equação: (torcida)² + ações de promoção e arrecadação = rendimentos + equipes competitivas = títulos + (torcida)³, que comparece aos estádios e que gasta mais dinheiro com o clube. O futebol do interior peca por não ter torcida, infelizmente. Inverta-se a equação acima e teremos o resultado.
O torcedor quer motivos pra torcer e um dos motivos é o palmarés. Não quer time que perde. Por isso os clubes de grandes centros abraçam-no. Futebol é caro, mas há de se encontrar a fórmula do futebol no interior!
Diego Costa já recusou atuar pela seleção brasileira, prefere a espanhola. Querem fazer polêmica disso, está mais que público que ele não quer o Brasil.
Deixem-no ser feliz, simples. Um infeliz na equipe não vai render o necessário e certamente vai interferir na produtividade. Caso parecido com as recusas dos atletas da NBA à seleção nacional de basquete. Direito à recusa. Para essas perguntas, duas respostas: sim ou não. Há quem aceita, há quem não aceita.
Quando da Guerra da Bósnia (1992-1995) eu tinha treze, quatorze anos. Era a segunda guerra que acompanhava. A primeira tinha sido do Iraque, em 1991. Tomahawk e Exocet tornaram-se infelizmente nomes comuns e lembro-me da cobertura da TV à época. Cobriam o conflito como se fosse esporte. Lembro-me bem, o apresentador dizia: “…e nesta batalha os EUA atuaram com: F-16…três mísseis…enquanto as tropas de Saddam combateram com tais e tais armamentos…”.
O conflito nos Bálcãs não parecia ter fim. Em função da declaração de independência da Bósnia (1992), todos os dias, ininterruptamente, Sarajevo (capital da Bósnia e Herzegovina) era bombardeada, ou então as cidades de Mostar ou Srebrenica. Não havia apenas bósnios que habitavam o país. Havia sérvios e croatas, que queriam a anexação do território bósnio às respectivas pátrias-mãe. Era um dia pior que o outro, perseguição étnica, genocídio. Tudo isso ali, acontecendo a mais ou menos 100 quilômetros da Itália, da Áustria, da Europa Ocidental, há muito pouco tempo, 20 anos.
Com o Tratado de Dayton (1995), pôs-se fim ao conflito e a integridade bósnia é mantida, com líderes sérvios, croatas e bosníacos. Milosevic (Slobodan, ex-presidente iugoslavo) ainda tentaria sustentar a Iugoslávia, mas perde poder e é julgado, dentro e fora do país. Nova geração de políticos, moderados, assume o poder em Belgrado. A província do Kosovo passa por processo de desmembramento, Montenegro conseguiu mais tarde uma independência pacífica que deu origem a dois novos países, o próprio Montenegro e a Sérvia, cuja capital continua sendo Belgrado.
Voltemos à Bósnia. Sarajevo fora sede das Olimpíadas de Inverno, de 1984. Entretanto, até hoje, quando vem-me o nome “Sarajevo” (saraievo), vem à mente edifícios destruídos e imagens de horror. Por pouquíssimas vezes a Bósnia e Herzegovina teve chances de mostrar-se ao mundo como país. Ou não teve.
Mas terá. Nesta última semana o país conquistou vaga para a fase final da Copa do Mundo FIFA que será disputada no Brasil, em 2014. O esporte simbolicamente explicita para a opinião pública internacional que a Bósnia é uma soberania e independente. Declarações de independência, reconhecimento de soberania por outros países e acordos de paz, não bastam.
O reconhecimento público dá-se apenas através de uma via, a do esporte, como se o(s) atleta(s) dissessem: “sim, existimos e somos um país”.
A fabricante de material esportivo Puma rompeu contrato com a Associação de Futebol da África do Sul (sigla SAFA em inglês). Motivo: de acordo com relatório da Federação Internacional de Futebol, o envolvimento da entidade em manipulação de resultados em amistosos contra Bulgária, Colômbia, Tailândia e Guatemala durante o processo de escolha do país em receber o Mundial FIFA de 2010. O contrato entre Puma e SAFA terminaria apenas em 2015.
Manipulação de resultados é assunto muito sério porque desrespeita o alvo de todo o espetáculo esportivo: o torcedor, que inocentemente frequenta o estádio, consome o produto esportivo sem saber que o resultado fora arranjado. Em sabendo disso, qual a motivação dele em voltar a consumi-lo? Nenhum. Obviamente, uma marca – cujo público-alvo é o torcedor – não quer estar associada a isso.