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Outra Arte

A narração esportiva é uma arte. É maneira única de passar para o ouvinte ou telespectador aquilo que se passa em um ambiente esportivo. A partir da narração criamos imagens, visualizamos jogadas, conferimos mais emoção ao esporte. Se não fosse pelos narradores, o cruzado do Éder Jofre não seria o mesmo; faltaria fôlego para a arrancada de Pelé; as vitórias do Senna não teriam graça alguma.

Existem diferenças entre os narradores do rádio e da televisão, obviamente. Entretanto, independente do veículo, eles marcam o nosso cotidiano e muitas vezes pegamo-nos dizendo frases que eles criaram, seja por brincadeira ou não: “Sinistro, muito sinistro” (Januário de Oliveira); “queimou o filme” (Sílvio Luiz); “haja coração” (Galvão Bueno); “tá no filó” (Fernando Sasso); “afundou!” (Álvaro José). Se somos tão apaixonados pelo esporte, a paixão chega até nós através das palavras deles. Amaremos mais, sofreremos mais, a vitória será mais alegre e a derrota, mais dolorida, de acordo com as palavras que eles usarem. Se hoje o esporte preenche parte importante das nossas vidas, muito se deve aos narradores esportivos.

Na infância, acompanhei os da minha cidade, como Mazziero e Mantovanelli, verdadeiros artistas com as palavras. Com o tempo conheci os das rádios de São Paulo, depois ouvi muito a impecável equipe da Itatiaia, de Belo Horizonte; os grandes nomes da Rádio Gaúcha (referência para o Brasil) e em Portugal e na Espanha, percebi que lá é como cá, tanto a narração (“relato” para os Lusitanos), quanto as músicas que marcam as transmissões esportivas (quem acompanha sabe que músicas são, aqueles sinais de emissão).

Um bem-haja a todos os narradores esportivos e a todos aqueles que trabalham nas transmissões! Apesar de não ter citado vários no texto, não me esqueci de ninguém! Não mesmo!

Se o esporte é uma manifestação da arte e o espectador do esporte, é elemento do esporte, logo, o interlocutor (narrador) deve fazer do seu papel, uma arte. Sem eles nada seria o mesmo.

PS: vá em “Anúncios de Graça” e perceba como um narrador pode colocar emoção em um jogo aparentemente ruim.

Especulações

São prato-cheio para a imprensa durante uma pré-temporada. Todos buscam a notícia, as informações mais precisas. O que foi dito, o que não foi dito, o que pensaram e o que não pensaram. O gesto feito e o gesto que deixou de ser feito, além da mínima palavra que muda todo o sentido de um discurso.

A ida de Ronaldinho Gaúcho para o CR Flamengo foi repleta de especulações e polêmicas. E nada melhor que uma polêmica para que os meios de comunicação sejam “consumidos” pelo público – faminto por bola -, como se os mesmos meios tivessem a certeza do que aconteceria. Ora, mais cedo ou mais tarde tudo seria definido. O procurador-irmão do jogador fez gato-e-sapato da imprensa, através de especulações e uma coletiva-circo de imprensa. Ao final ele conseguiu render muito espaço na mídia, em excelentes horários. Prato-cheio também para depois, na hora de buscar patrocinadores para o jogador. Afinal, patrocinador quer retorno de mídia, estatísticas disso, quer números, para viabilizar um patrocínio. O jogador e seu irmão os terão.

De pato pra ganso – não, não é uma tabela entre craques da bola -, não me lembrei de outro piloto de F1 a ser usado como “instrumento para a Revolução” (no caso específico, a Bolivariana) como Pastor Maldonado, venezuelano, que vai correr para a Williams em 2011. É interesse de Chávez nisso, para que o mundo veja a Venezuela com “outros olhos”, que através de uma imagem Maldonado simbolicamente representará. Enfim, apenas mais outra especulação.

O Árbitro e o Rugby

De um árbitro:

“Treino Forte por que sempre quero progredir. Às vezes não basta fazê-lo de terça-feira e quinta-feira no clube, e por isso eu coloquei mais um dia. A chave sempre é treinar. O rugby é cada dia mais rapido e temos de estar constantemente em cima da jogada para que todos possam jogar e se divertir. Porque mesmo que tudo mude, o rugby é feito para passar bons momentos com os amigos. Em dias de jogos arrumo a mala com tempo, tentando não esquecer nada. Chego cedo ao vestiário e me troco em silêncio, tentando me concentrar. Há jogos e jogos. Alguns muito bons e outros nem tanto, mas eu sempre tento ajudar o jogo e melhorar. Após o jogo, eu gosto de relaxar alguns minutos no vestiário, assim chego melhor ao terceiro tempo, que é sem dúvida um desses  lugares que dão sentido a tudo isso”.

Árbitros jogam e sentem o Rugby.

Respeitando-os, respeitamos a nossa essência.

Fonte: União de Rugby de Buenos Aires – URBA / União de Rugby da Escócia

Ano de Copa

Antes de começar, um ótimo 2011 a todos vocês – pacientes – leitores!

Para quem pensava que Copa do Mundo ficou em 2010, ledo engano. Em 2011 haverá também e, nada mais, nada menos que o 3º maior evento esportivo do planeta, atrás dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo FIFA. Escrevo da Copa do Mundo de Rugby, nos meses de Setembro e Outubro, na Nova Zelândia.

Além de ser o terceiro maior evento esportivo do mundo, o Rugby é uma das modalidades mais praticadas e imaginar o Brasil fora deste mapa nos leva a refletir o porquê disso. Entretanto, antes de levantarmos estes porquês, os responsáveis pela modalidade aqui no País tem trabalhado bastante para reverter este quadro.

Para terem uma ideia do que é uma Copa do Mundo de Rugby, o evento tem uma das maiores taxas de ocupação dos estádios. Na última edição, em 2007, na França, ela foi de 94%.  Os jogos são transmitidos para mais de 200 Países e o impacto econômico direto está estimado em 800 milhões de Libras Esterlinas. De impactos indiretos são calculados aproximadamente 1 bilhão de Libras. Para além destes dados, é o 3º evento em número de visitantes; ademais é a competição esportiva em que os visitantes tem maior poder de consumo, mais que aqueles que vão aos Jogos Olímpicos e às Copas do Mundo FIFA.

Ainda que poucas, são informações que impressionam, de uma modalidade que vai cada vez mais conquistar o País. Com o tempo vamos nos preparando para o evento, com textos, dados e mais informações.  Vão à seção “Anúncios de Graça” e curtam o promo video sobre a Copa.

Bom ano 2011 a todos, sempre perto das pessoas que você mais gosta.

O Código do Bom Espectador

Aplauda as boas jogadas da sua equipe e as do adversário também.

Mostre respeito pelos adversários da sua equipe, sem eles não haveria jogo.

Condene o uso da violência em todas as suas formas.

Respeite as decisões do árbitro.

Respeite o silêncio necessário para a concentração dos jogadores das duas equipes.

Mostre respeito pelos torcedores da equipe adversária, afinal eles são os convidados do seu clube.

Estas frases fazem alusão aos jogos de Rugby e estavam em um quadro no Club Tacurú, em Posadas, Argentina. Isso é o Rugby!

O Produto Esportivo

São produtos esportivos: a NBA (Associação Nacional de Basquete-EUA), a Liga dos Campeões da UEFA (União Europeia de Futebol), a J-League (Liga Japonesa de Futebol), a Heineken Cup (principal torneio de equipes de Rugby na Europa) e o “6 Nações” (renomada competição de seleções de Rugby), por exemplo.

Não são produtos esportivos: o Campeonato Brasileiro de Futebol e a Copa Santander Libertadores. Nas duas competições são poucos os atrativos: não há organização, os estádios são péssimos. Nos jogos à noite, a iluminação é precária. O trabalho da imprensa é dificultado. Na transmissão das partidas, os microfones instalados à beira do campo reproduzem palavrões infindáveis. O ouvido do telespectador não precisa sujeitar-se a isso. Para não falar dos sites, sem quaisquer estatísticas ou informações.

Levando tudo isso em linha de conta, qual o apelo comercial destes torneios? Jogo bonito? Raça argentina, garra uruguaia? Enganaram-se. Poderia ter, certamente, mas as instituições esportivas organizadoras destas competições não a desenvolvem para tal. Faz-se um excelente evento que foi o sorteio dos grupos para a Copa Santander Libertadores, mas a CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) permite os clubes jogarem em estádios com capacidade para dez mil pessoas.

Como diz Zico, ex-futebolista: “Troca-se uma lâmpada. Queimam outras quatro.”

Levar a Taça pra Casa

Levar uma Taça pra casa. Todos os clubes do planeta trabalham o ano todo para ter a Taça “em casa”, no clube. Não pode ser qualquer troféu, há de ser “a” Taça.

Dentre os fatores que tornam uma determinada Taça (notem que escrevo com letra maiúscula) o objetivo de um clube, podemos elencar: competitividade do torneio, número de equipes, número de jogos, duração do campeonato, clima e atmosfera. São fatores como estes que fazem da Taça da Copa Santander Libertadores, algo tão sonhado entre os clubes. Ter um pequeno pedaço de metal com o nome do teu clube, não tem preço. Crescer a ver

Ter esta Taça abaixo (que Francescoli e Pelé já levantaram) por uma tarde lá em casa é o não ter preço elevado ao cubo, quarta, quinta ou sexta potência. Não limparei – tão cedo – a superfície de onde esteve.

Nobre visita

Nobre visita

Clubes Migrantes

Nos Estados Unidos, o regulamento das ligas como NBA (basquete), NFL (futebol americano) permite que as equipes, conhecidas como franquias, mudem de cidade. Aqui no Brasil, no futebol daqui (o de 11), não há instrumento que impeça, mas não é uma prática comum. A cultura desportiva Estadunidense aceita tal mudança, a Brasileira, herança da Europeia, já não.

Primeiramente os clubes aqui tem muita ligação com o lugar de origem. Salvo exceções, nos EUA as equipes que possuem identidade com o lugar são as de “high school” e as universitárias. As exceções são, nomeadamente, os NY Yankees (beisebol), os NY Giants, os SF 49ers (ambos no futebol americano) e os LA Lakers (basquetebol). Atualmente, os Grizzlies, no basquetebol, de Memphis, já foram de Vancouver. No futebol americano, os Raiders, antes de Los Angeles, são de Oakland. Essas equipes, ao proporcionarem bons jogos, ao conquistarem resultados e ao tratarem o público como consumidores, registram rendimentos. Entretanto, estas franquias não se mudam para quaisquer cidades.

No Brasil, o GR Barueri foi para Presidente Prudente. O Guaratinguetá está a caminho de Americana, casa do tradicional Rio Branco EC. O Votoraty por pouco não foi para Ribeirão Preto, sob o nome do Comercial FC.

Oras, o GR Barueri saiu de um grande centro para uma cidade de economia bem menor e muito distante. Fatores estes que custarão (custam e custaram) na preparação da equipe para os campeonatos. O campeonato em questão é o Brasileiro da Série A. Hoje eles ocupam a última colocação e estão quase rebaixados à divisão inferior.

O Guaratinguetá vai para Americana. Obviamente, mudará de nome. Entretanto, qual o vínculo deste novo clube com a cidade? Nenhum. Há espaço para mais um, se já existe o Rio Branco? Não. Qual o interesse da Prefeitura daquela cidade com o novo clube? Por que então não direcionaram os investimentos para o Rio Branco? Afinal, todos que acompanhamos o futebol sabemos que o Rio Branco é de Americana. Quero saber até quando isso vai durar.

E os torcedores do Guaratinguetá, como ficarão? Órfãos! 

Desde já isso mostra que o futebol exige muito mais recursos financeiros para a manutenção dos pequenos clubes, uma vez que alega-se a mudança do Guaratinguetá para Americana em função da falta de ajuda do poder público local. É por isso que a disparidade entre os clubes da capital e do interior, em todo o Brasil, está absurda. Antes, várias equipes faziam frente aos grandes. Hoje, já nem tanto.

Outra constatação é que os clubes “migrantes” necessitam urgentemente fazer um estudo de mercado para poderem escolher as cidades onde poderão morar. 

Torcedor do Votoraty, clube que, por problemas financeiros, desistiu de disputar o Paulista 2011. Foto: Gilson Hanashiro, Agência Bom Dia

Torcedor do Votoraty, agora órfão, depois que, por problemas financeiros, o clube desistiu de disputar o Paulista 2011. Foto: Gilson Hanashiro, Agência Bom Dia

Há alguns anos o argentino Racing Club esteve por fechar. Lembro-me de haver lido em uma revista que, para o torcedor do Racing, o problema não era o clube acabar, mas sim, para quem torcer a partir de então.

Ser Rugbier

É entender que o respeito é inegociável. É viver com paixão cada momento da vida. É superar a adversidade. É perceber que o esforço é o único recurso para se alcançar algo. É escutar os maiores, porque por algum motivo eles são maiores. É se “acabar” no campo, nunca se acabar fora do campo. É imitar os bons gestos que nos cercam. É pensar antes de agir. É compartilhar. É saber que o árbitro sempre tem a razão, mesmo que se equivoque. É ter a humildade de aprender e, logo, a mesma humildade para ensinar. É dizer não à violência, é fazer amigos todos os sábados e domingos. É compartilhar o terceiro tempo até o seu final. É assumir um compromisso. É sonhar o tempo todo. É ensinar com o exemplo. É ganhar mesmo com a derrota. É cuidar do seu clube. É caminhar com a cabeça erguida para sempre. É saber que o compromisso, a disciplina e todos os valores do Rugby vão para mais além do campo e do clube, e que devem ser difundidos para todos os ambientes da vida*.

* – Extraído de cartaz

3 anos

Boas! Hoje este blog completa 3 anos! 1096 dias com 49.852 visitas até este momento (30 Set 2010 / 9h50 / GMT -3h). Para os que gostam de estatísticas: 45,49 visualizações/dia. Número surpreendente para a 1 visita/dia esperada pelo blog em seu início de “vida”.
Pela paciência, grato.


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