Archive for the 'Esporte e Política' Category



Malvinas / Falklands

Detalhe da camisa do Ferro Carril no jogo contra o River Plate, no dia 30 de Março

Detalhe da camisa do Ferro Carril no jogo contra o River Plate, no dia 30 de Março

Hoje faz 30 anos do início da tentativa argentina, por meio militar, para a retomada das Ilhas Malvinas – sob domínio britânico -, arquipélago com mais de 700 ilhas no Atlântico Sul, que os ingleses chamam de Falklands.

Ao fim de pouco mais de 2 meses a guerra termina com a vitória britânica. Thatcher fortalecida no Reino Unido, cujo governo duraria até o final daquela década de 80. Regime Militar enfraquecido na Argentina, que terminaria em dezembro do ano seguinte, 1983. Rompimento de relações diplomáticas entre Reino Unido e Argentina. Ódio. Desconfiança. Apesar do seu término, a guerra continuava no plano político e esportivo. Uma vitória Argentina simbolicamente representa(va) um retorno Sul-Americano às Ilhas. Uma vitória britânica (sobretudo inglesa) simbolicamente representa(va) a manutenção do arquipélago como Falklands.

Isso aconteceu em algumas modalidades. No fim dos anos 80, quando Inglaterra e Argentina voltaram a se enfrentar no rúgbi, os jogos eram marcados pelas lembranças à guerra de 1982. Entretanto, exemplos mais conhecidos são os do futebol: Osvaldo ‘Ossie’ Ardiles atuava pelo Tottenham quando Galtieri (presidente da Argentina à época) ordenou a retomada das Malvinas. No dia seguinte, em jogo contra o Leicester, a torcida adversária o hostilizava, mas a do Tottenham gritava: “Ossie, Ossie, Ossie…Argentina!”. Ademais, Ardiles não conseguiu terminar a temporada de 1982 em função do clima hostil entre os dois países, além de ter tido um primo morto naquela guerra. ‘Ossie’ ainda voltou para o Tottenham em 1984, ajudando o clube na campanha para a conquista da Copa da UEFA (atual Liga Europa) de 1984.

No entanto, não há melhor exemplo do que o Inglaterra-Argentina do Mundial FIFA 1986 e a vitória alvi-celeste por 2 a 1, com 2 gols de Maradona. Um, de mão. O outro, não há palavras para descrever. Apenas veja e sinta o significado desta rivalidade através da narração de Victor Hugo Morales:

Enquanto na política, na economia e na diplomacia houver diferenças, o esporte sempre será instrumento – simbólico – que poderá representar a superioridade do dominado sobre o dominador.

Contra-Ataque

Beckenbauer. Platini. Leonardo. Hortência. Marcus Vinicius Freire. Nuzman. Em comum, todos eles são gestores esportivos. Todos possuem um compromisso com a organização esportiva que representam, todos possuem uma formação e, ex-atletas ou não, são os que mais trabalham e menos saltam aos olhos da imprensa quando o assunto é a política do esporte. Claro. O negócio deles é o esporte, é trabalho. Não é política.

Quando falamos da política no esporte, lembramo-nos de, por exemplo, Romário, cujo mandato se baseia no ataque a Ricardo Teixeira, que recentemente renunciou à presidência da CBF. Para chamar a atenção, nada melhor do que bater de frente com uma pessoa com alto índice de rejeição. No entanto, projetos para o esporte, de autoria do Deputado Romário, não chegam ao grande público.

Ronaldo, o ‘Fenômeno’, declarou sobre a possibilidade de presidir a CBF. Muitos poderão achar que ele resolverá os problemas do futebol brasileiro. Alguns outros desejam que um ex-atleta deva ser o Ministro dos Esportes. Ora, se estes cargos são apenas figurativos, nenhum problema. Entretanto, são postos executivos, necessitam formação e dedicação integral de seus ocupantes. Se estiverem preparados para desempenhar tais funções, será ótimo. Caso contrário, a falta de iniciativa, método e execução, comuns no esporte brasileiro, continuarão como sempre foram.

A reação de conhecidos ex-atletas como Ronaldo ‘Fenômeno’, Romário, dentre outros, pode ser considerado um ataque da classe à lacuna deixada com a renúncia de Ricardo Teixeira, que culmina agora com o grave estado de saúde de seu ex-sogro, João Havelange.

Por outro lado é uma chance para o gestor esportivo em mostrar que uma estrutura profissional, com base nos resultados financeiros e esportivos (não apenas esportivos) são o caminho para o sucesso do esporte no Brasil dentro e fora de campo. A cada dia surgem mais exemplos que evidenciam isso: o rúgbi brasileiro, o Red Bull Brasil, os Audax (SP e RJ), o judô e o vôlei nacionais. Há a chance de o gestor esportivo desenvolver um contra-ataque em benefício exclusivo de quem faz o espetáculo (atleta) e  de quem o consome (torcedor).

O Discurso do Príncipe

Não é Rei, como no filme “O Discurso do Rei”, mas é Monarca e prega um discurso comum e universal: o esporte. É através dele que o Reino Unido procura se aproximar com o planeta, representada pela sua Família Real.

Nada melhor como instrumento para fazer isso, afinal o esporte é uma linguagem universal, integradora, de fácil entendimento e politicamente ‘neutro’. 2012 é ano de Jogos Olímpicos, Londres receberá o evento. Mais um fator para o esporte servir de motivo para os Britânicos lançarem-se ao mundo novamente, assim como foi durante o século XIX. Não há como negar: se não fossem eles, não jogaríamos futebol, rúgbi ou críquete. Talvez o conceito de esporte moderno seria outro, afinal, caso o Império Russo fosse predominante à época, dificilmente jogaríamos o hóquei-no-gelo por 2 motivos: 1) o clima, óbvio; 2) o hóquei-no-gelo é uma variante do hóquei-na-grama, surgido na Inglaterra. Ou seja, se não houvesse o hóquei-na-grama, não haveria o hóquei-no-gelo.

Harry, o Príncipe que veio ao Brasil há alguns dias para promover o seu Reino, jogou bolas (a oval e a redonda) e pólo, representa muito bem a imagem que se quer passar da Grã-Bretanha para o planeta: juventude, humanismo, versatilidade e dinamismo.

2012 is Great Britain (um dos lemas da campanha de divulgação do Reino Unido pelo mundo; 2012 é ano de Olimpíadas, ou seja, um grande ano, ‘Great’, e aproveita para completar o nome do País, com, ‘Britain’, grande como é o ano).

Diferentemente das últimas décadas, em que o Reino Unido manteve-se em confortável situação sócio-econômica, os últimos anos mostraram que ‘olhar’ apenas para a Europa e suas ex-colônias não é iniciativa sustentável em longo prazo em termos econômicos e diplomáticos. Para isso, a maneira menos agressiva de se aproximar desses países, é o esporte. Ao se aproveitar dos Jogos Olímpicos e por ter sido lá onde o esporte moderno surgiu, os Britânicos fazem muito bem em usar o esporte como instrumento para se promoverem.

Em princípio essa política não sustenta um regime político baseado no autoritarismo e na ausência de direitos humanos. Por isso, não podemos dizer que é errado o Reino Unido usar o esporte para tal. O Brasil fez o mesmo, em 2004, no Jogo da Paz, no Haiti.

Panáthina, Episkiros e a Grécia

 

Torcida do Panathinaikos

Torcida do Panathinaikos

A crise por que a Grécia vem passando é reflexo dos grandes gastos do governo grego ao longo da última década e com poucas receitas. Em 2004 Atenas recebeu os Jogos Olímpicos de verão e para recebê-la, o governo do País foi displicente com os cofres públicos. Muitas reformas de infra-estrutura, modernizações das instalações esportivas e de transporte, mas nenhum legado. Contribuição nenhuma para a população grega, salvo pagar a conta disso tudo.

A Grécia nunca foi referência no esporte, infelizmente, ao contrário dos seus antepassados de Olímpia. No futebol, um – estranho – campeonato europeu de seleções em 2004, um vice-campeonato do Panathinaikos no Europeu de clubes no início dos anos 70, mas hoje um campeonato falido, de salários atrasados e com alguns clubes impedidos de seguirem em competições continentais em função do atraso nos salários. Atualmente, no mundo, o futebol que fala grego é cipriota, com o APOEL, sensação na Liga dos Campeões da UEFA.

Sem indústrias e mercado consumidor (10 milhões de habitantes), as saídas para a Grécia dessa crise econômica são cada vez menores, mas existem sim. Não convém aqui discutir tais saídas, mas no plano esportivo, por pior que seja, que o legado grego seja a da responsabilidade fiscal: gastos planejados e responsáveis, adequado ao mercado consumidor local. Com o exemplo helênico, é tudo o que a Grécia pode nos ensinar. Hoje.

 

Zâmbia no Mapa

Recolocaram a Zâmbia no mapa! Claro, ela já lá estava, mas havia pouquíssimo espaço para este país da África meridional envolto por vizinhos mais famosos, turbulentos ou não, como o Zimbábue, a África do Sul e a República Democrática do Congo. A Zâmbia, por ali, é uma das nações mais estáveis, política e economicamente. Portanto, pouco sabe-se de lá.

Lusaka, capital da Zâmbia

Lusaka, capital da Zâmbia

O esporte tratou por colocar este país no mapa e, por isso, sabermos um pouco mais dele. Quase 19 anos atrás, tentaram colocá-lo, mas um desastre aéreo no Gabão impediu isso e matou 18 jogadores da seleção de futebol que disputava o apuramento para o Mundial FIFA de 1994 nos EUA. A próxima geração de jogadores demorou até 2012 para aparecer com mais destaque e vencer a Copa Africana de Nações.

O futebol, dizia Mauss, é o fato social total. Através do jogo se entende a sociedade de um país. Com a Zâmbia não é diferente: país estável, de pouca população e com boas impressões no cenário internacional. Quase duas décadas de espera e a Zâmbia está de novo em evidência, mas desta vez por terem conquistado a Copa Africana de Nações, através de muita paciência e com base em resultados de longo prazo, assim como tem sido com o crescimento da sua economia e condução política.

Parabéns, Zâmbia!

Como o Futebol explica o Egito

Tragédia de Hillsborough em 1989

Tragédia de Hillsborough em 1989

Uma das maiores tragédias do esporte aconteceu no Egito, ontem, após o encerramento da partida entre os locais do Al-Masry e o Al-Ahly, em Porto Saïd, com a vitória dos donos-da-casa por 2 a 1. Setenta e quatro mortos até agora e aproximadamente 150 feridos.

Em pleno século XXI, com toda a tecnologia de conforto e segurança de recintos esportivos que existe, com toda a consciência na preservação de vidas humanas – que se achava haver -, dezenas de mortos em o que deveria ser um jogo de futebol. E pensar que na Inglaterra, há 23 anos, em 1989, Hillsborough contava 96 mortos na semifinal da Taça da Clubes entre Liverpool e Nottingham Forest.  Desta vez, no Egito, um dos clubes envolvidos era o Al-Ahly, que é comum vê-lo em grandes disputas internacionais. Está longe de ser considerado um grande clube como os europeus e os sul-americanos, mas é um dos principais, levando em consideração cada continente, no caso, o africano. Sobretudo por ser do Egito e pela tragédia haver acontecido lá, País que tem o maior número de títulos na África.

do Egito vamos lembrar o que há de bom

do Egito vamos lembrar o que há de bom

O que aconteceu ontem é um espelho do atual cenário político e social do Egito. Não faz tempo a população destituiu um Presidente, Hosni Mubarak. Desde então, não conseguiram se organizar em um novo governo. Como consequência, não há lá um Estado de Direito, que coloque deveres e direitos aos cidadãos. Cada um faz o que bem entende. A Força Pública não tem mais autoridade: não conseguiram conter uma revolta popular, que teve resultado ao derrubar um Presidente, quanto mais qualquer mobilização menor.

E isso se deu, infelizmente, no esporte. Oras, já é um ambiente de o espectador (torcedor) fugir da rotina, de vivenciar o conflito e a tensão, a experiência. Não há qualquer explicação para tal barbárie. Explicação sim há em o futebol, infelizmente neste caso, espelhar as falidas instituições que o Egito possui. Por haver vencido os campeões nacionais, de virada, os torcedores do Al-Masry ficaram mais hostis aos adversários do Al-Ahly e impuseram essa agressividade – sem qualquer fundamento – nos torcedores da outra equipe, além de invadirem o campo e agredirem os atletas. Resultado: dezenas de mortos e feridos.

Cada um faz, portanto, o que bem entender. E salve-se quem puder.

Além Fronteiras

Novos mercados. É isso que quer o esporte brasileiro, em especial o futebol. Estrangeiros que consumam o futebol nacional para além da seleção brasileira. Não é verdade que a CBF não queira que os clubes procurem por novas oportunidades fora do país. Ela não tem nada a perder com isso, pelo contrário.

Internacionalizar uma marca esportiva, que é um clube de futebol, ou uma modalidade, ou uma liga, não é contratar um jogador de São Tomé e Príncipe, outro do Sri Lanka, ou um da Etiópia. Quantos seriam os tomeenses, cingaleses ou etíopes que assistiriam os jogos do Campeonato Brasileiro, ou comprariam as camisas oficiais da equipe? Nenhuma.

A internacionalização da marca esportiva deve seguir, por exemplo, as diretrizes da Política Externa Brasileira. Saber onde e como o Brasil mais atua, quem são seus principais parceiros e quais poderão ser, para, com a ajuda da diplomacia construir uma base sólida para a marca esportiva a fim de obter uma relação duradoura. O futebol brasileiro poderia fazer melhor isso. A indústria da moda faz muito bem, a Osklen é exemplo. Além disso, é muito comum vermos chinelos, camisetas e blusas com bandeiras do Brasil, vestindo todas as nacionalidades.

Atualmente as marcas esportivas consideradas internacionais (Barcelona, NFL, NBA, Real Madrid, Chelsea) colhem os frutos plantados em um primeiro momento pelas políticas externas de seus países de origem: o colonialismo espanhol, o Império Britânico e a expansão estadunidense (“big stick”). Quando forem contratar alguém de algum país, para chamar a atenção, considere 4 fatores:

– Adesão dos nacionais daquele país pela modalidade em questão

– Tamanho do mercado consumidor

– Poder de consumo

– Historial de relacionamento com o Brasil

Que chamem um árabe, um coreano, um russo ou um mexicano. Para tudo isso é preciso planejamento e conhecimento, ter uma base bem feita para poder trabalhar livremente. Saber, antes de tudo, onde se quer chegar. Não basta apenas contratar gringos e assinar contratos com marcas mundiais. Elas ajudam, mas não mantêm.

FuteNobel

João Havelange será indicado pela Academia Brasileira de Filosofia (ABF) para receber o Prêmio Nobel da Paz. Havelange foi por muitos anos presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Participou dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. O Nobel da Paz é dos cinco prêmios Nobel, destinado a pessoas que contribuíram com a paz no mundo. Entre os seus premiados estão Martin Luther King, Nelson Mandela e Ramos-Horta.

Havelange será indicado em meio a acusações e denúncias de corrupção e tráfico de influência enquanto presidente da FIFA, entre 1974 e 1998. Acredito que a escolha deva levar em consideração a idoneidade. Há quem diga: Kissinger promoveu tantas guerras e recebeu o Nobel da Paz. Se observarmos exclusivamente o trabalho do dirigente para a promoção do esporte, realmente ele fez por onde para ser indicado a receber tal prêmio. Ele conseguiu fazer com que a entidade tivesse mais membros que a Organização das Nações Unidas (ONU). Mas não só isso, é notável o trabalho imenso no combate ao racismo, à dopagem e também promoveu a integração mundial. Não há dúvidas disso.

Infelizmente a governança deste sistema deu-se na base do tráfico de influência, na barganha, chantagem, corrupção e manutenção do poder.

E ainda há quem possa perguntar: “de que interessa a corrupção da FIFA na escolha do premiado, se até Kissinger foi escolhido”?

Já dizia Manuel Sérgio: “futebol é um serviço público”!

Dois Mil e Dúzia

Ano de Jogos Olímpicos, de Europeu de Futebol, de inúmeros eventos esportivos mundiais. O ano reserva grandes acontecimentos, recordes, alegrias e algumas decepções.

Veremos muitos aspectos em que poderemos entender o planeta através do esporte. As Olimpíadas, para isso, são prato cheio. Ao resgatar um exemplo recente, percebemos a incógnita que é a Coreia do Norte com a morte de seu ex-presidente, Kim Jong-Il. Em 2010, já fazíamos (o Brasil) ideia disso quando do jogo da Copa do Mundo FIFA na África do Sul: a partida não foi transmitida ao vivo para Pyongyang e os torcedores norte-coreanos no estádio nada mais eram que atores chineses contratados.

Poderemos entender a África através da Copa Africana de Nações, que tem início no próximo dia 21, no Gabão e na Guiné Equatorial. Ora, onde ficam esses dois países? O Brasil esteve no Gabão ano passado. A Guiné Equatorial, mesmo com o espanhol como língua oficial, faz parte da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Gabão tem petróleo, a Guiné Equatorial também. Se somados os territórios dos dois países, são ainda menores que a metade do estado de São Paulo. Se somadas suas populações, a cidade de Porto Alegre ainda é maior. Obviamente querem com isso projeção internacional ao sediar um torneio como a Copa Africana de Nações. Certamente querem andar ao lado de grandes mercados consumidores, como são os países de língua portuguesa.

Mais um ano para analisarmos tendências, fatos; contarmos histórias, publicarmos devaneios e disparates. Que seja um grande ano, de muito trabalho e ótimos resultados para todos.

Divisórias

No fim-de-semana que passou o estado do Pará realizou Plebiscito a fim dividirem ou não o estado em 3 outros: um Pará (menos de 1/3 do território atual), Tapajós (Santarém) e Carajás (Marabá). Em termos de esportes, a questão não seria afetada: em mais de 100 anos de história, só em 2011 um clube de fora de Belém (o Independente de Marabá) levou o estadual.

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

No entanto e pensando em outros lugares, se algumas divisões e separações acontecessem, poderiam ser sócio-economicamente viáveis. No entanto não em termos esportivos, sobretudo de alto-rendimento. Vamos imaginar amanhã que Catalunha e País Basco conseguem a independência. Vislumbrem portanto uma nova configuração geográfica da Liga Espanhola sem Barcelona, Espanyol, Real Sociedad, Osasuna e Athletic de Bilbao, ao levarem consigo milhões de consumidores. Pobre. A Liga Espanhola empobreceria em nível técnico e econômico. Não haveria, portanto, nem Real-Barça como houve sábado passado.

O esporte dos Bálcãs perdeu em competitividade com o fim da Iugoslávia. Dínamo Zagreb, Partizan e Estrela Vermelha não jogam o mesmo campeonato, salvo em torneios europeus.

Por outro lado, os casos de integração são pouco comuns. Caso das duas Alemanhas, quando em 1992 uniram seus campeonatos esportivos. Em pouquíssimas modalidades observamos instituições esportivas do leste (Alemanha Oriental) na principal divisão. Situação diferente poderia ser encontrada com – imaginemos – Celtic e Rangers disputando a Barclays Premier League da Inglaterra, assim como o galês Swansea faz.

Exemplos de sucesso são as ligas profissionais norte-americanas. Já não é possível pensar nos campeonatos de hóquei-no-gelo e beisebol com as franquias separadas pelos países. O chamariz de muitos jogos baseia-se na rivalidade entre os EUA e Canadá. Agora o “soccer” entra na onda, com o anúncio da entrada de Montréal na MLS.

Dividir custa caro. Além do peso político e econômico, há o peso social. Se as separações mesmo acontecem (como nos casos da Espanha e dos EUA), o motivo da graça – o sentido do confronto, da polêmica, da oposição – é perdido também. Em termos esportivos!