“Quando se vence, dá-se mais mérito ao talento, mas não se olha para a organização. Quando se perde, colocam culpa na falta de organização, mas não na falta de talento, e sempre será assim”. Esta frase é de Ricardo Teixeira, ex-Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, um dos cinco nomes mais falados do Brasil, que ocupava um dos cargos mais importantes do País, como presidente do organismo máximo da modalidade mais popular da nação e do planeta. Lidava aproximadamente com 200 milhões de apaixonados.
Sob denúncias de tráfico de influência, corrupção dentre outros escândalos, Ricardo Teixeira renunciou ontem à Presidência da CBF. Não falaremos aqui sobre estes temas, para isso já basta toda a imprensa. Ademais, é uma entidade privada, sem a necessidade de levar ao público a sua prestação de contas. Entretanto, falamos sobre o trabalho dele com a Seleção Brasileira de futebol, um dos produtos da CBF.
E realmente um produto. Na administração dele, o futebol brasileiro tornou-se definitivamente um produto e ganhou corpos do mundo inteiro que vestem a camisa do Brasil, quer seja em um Mundial de futebol, em encontro com amigos ou em uma balada. Obviamente, com contratos de patrocínio, o Brasil conseguiu uma maior projeção mundial. Em função disso, não convém mais fazer jogos no País: o estrangeiro é tão fanático quanto o brasileiro pela Seleção, menos contestador (o que sugere um ambiente menos hostil) e está disposto a pagar muito mais caro pelo ingresso do que um brasileiro comum.
Recebeu uma instituição falida em 1989 e a transfere financeiramente bem saudável. De títulos, só falta a medalha de ouro Olímpica. Seleções adulta e de base, com todo o suporte e infra-estrutura necessários para estarem nos lugares mais altos das competições. A CBF é sim exemplo de administração esportiva em como ela reverte os seus recursos em benefícios para atletas (em serviço da CBF) e funcionários, haja vista a antiga Granja Comary, a nova sede da instituição na Barra da Tijuca e o novo centro de alto-rendimento, no Rio de Janeiro.
Realmente quando se ganha, só se vê o talento dos jogadores, porque é só isso que é mostrado pela TV ou visto no estádio. Não se vê a organização/trabalho que faz com que o jogador seja colocado em campo, o ‘Lado B’. Realmente quando se perde, colocam culpa numa suposta falta de organização e não na ausência do talento. Para a ausência do talento, há a desculpa de haver ‘altos e baixos’








