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Se a Moda Pega!

O campeonato uruguaio de futebol da 1ª divisão corre o risco de ser interrompido por tempo indeterminado. Motivo: atraso no pagamento de jogadores de vários clubes. Essa situação não deve ser muito diferente da de vários clubes da primeira divisão do Brasil também. Lá os jogadores estão organizados, o público vê os jogadores como trabalhadores profissionais e a mídia pouco influente.

Por outro lado, talvez no Uruguai os jogadores ainda podem organizar uma greve. A economia é pequena, assim como a demanda pelo campeonato, tanto no estádio quanto pela televisão. Por isso os patrocinadores são poucos, certamente com baixo poder de barganha, assim como as emissoras de televisão. As “estrelas” uruguaias brilham em outras ligas de futebol. Se faltar um Nacional x Peñarol, um Montevideo Wanderers x Danubio, transmitem um Gimnasia x Estudiantes (campeonato argentino) ou Atlético de Madrid x La Corunha (campeonato espanhol).

Ai se a moda pega no Brasil! Imaginem se jogadores brasileiros entram em greve. Entretanto, isso no Brasil não acontece. Os patrocinadores são mais fortes e pagaram “muito” pelo espaço de publicidade que o jogo e o canal de televisão oferecem. E as emissoras de TV também pagaram “bastante”. Para não falar da influência de importantes terceiros nisso tudo.

Francescoli ergue o último título do Uruguai: a Copa América’95 (auf.org.uy)

Não haverá profundas transformações no futebol uruguaio em curto prazo. É triste. Há anos não tem a seleção renovada à altura de nomes como Francescoli, Nazassi, Castro, Cea, Schiaffino, Cubilla e Mazurkiewicz. Há anos não vê um clube seu ganhar uma Libertadores (o último foi o Nacional, em 1988). Com o objetivo de manterem competitividade, uma solução é a inclusão de grandes clubes uruguaios em ligas vizinhas, como a da Argentina ou do Brasil. Nacional e Peñarol jogando o campeonato gaúcho, já pensou?

Artigas deve estar irritado, com o mate bem amargo e com o doce-de-leite não tão doce assim.

Para Ser G-“Alguma Coisa”

Está na moda ser “G”, às vezes é bom ser “G”. G-8 para os países mais ricos do planeta; G-4 para quem quer se classificar para a Libertadores; G-77 para os países que se consideram “não-alinhados”; G-Magazine para outros interesses. A Deloitte recentemente divulgou uma lista dos G-20, os 20 maiores clubes de futebol do planeta em termos de rendimentos. Muitos clubes queriam fazer parte desta lista – aliás, está neste blog em “Utilidade Pública” -, outros não deviam fazer parte e outros ainda incrível e incompetentemente não fazem parte.

Desta lista todos os clubes são europeus, na maioria ingleses. Nenhum clube das Américas: nenhum mexicano, nem brasileiro, ou mesmo – um campeão de vendas – o Boca Juniors, de Buenos Aires. Chama a atenção na lista a inclusão de um clube turco, o Fenerbahçe, de Istambul (é com cedilha mesmo).

*temp*

Estádio do Fenerbahçe, em Istambul (fenerbahce.org/pt)

A economia brasileira é a 8ª do mundo, a turca a 15ª. O Fenerbahçe não tem o mesmo número de torcedores que têm Corinthians, Flamengo ou São Paulo. Que tem o Boca, América (México DF) ou Chivas de Guadalajara. A Turquia não tem o mesmo palmarés no futebol que tem a Argentina ou o Brasil. Mesmo assim o “Fener” – como é carinhosamente conhecido pelos torcedores – está lá, figurando entre os G-20 da Deloitte, listagem que a cada ano fica tão importante quanto ganhar um campeonato. É um motivo para aumentar a reputação e credibilidade da organização desportiva, que é um clube.

As receitas dos clubes dependem de 4 variáveis: direitos de transmissão pela TV, transferências de jogadores, bilheteria e comercialização (merchandising, publicidade e patrocínios).

O “Fener” está lá este ano porque no ano passado chegou às quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, o que rendeu ao clube dezenas de milhões de euros (€) (os benefícios com os direitos de transmissão são altíssimos). No ano passado alguns jogadores do clube de Istambul saíram para jogar em outras ligas europeias e asiáticas, o que rendeu alguns “trocados” ao clube. Entretanto o grande trunfo dos turcos está em adquirir jogadores da América do Sul – neste caso onde o preço do passe é menor devido ao câmbio, o famoso “bom e barato” -, o que torna a equipe mais competitiva e em contrapartida ganha mais mercado consumidor. Quantos brasileiros não passaram a acompanhar e comprar produtos relacionados ao Fenerbahçe depois que Zico, Alex, Edu Dracena e Lugano foram lá treinar e jogar? Eu, inclusive!

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Torcida do “Fener” (fener-fanatix.tr)

Bilheteria: não se vê jogos do Fenerbahçe com as bancadas vazias. Sempre lotadas, estádio seguro, viável e moderno. Alto índice de assistência, mesmo com os ingressos caros. Mas, claro, há um plano de compra antecipada, o popular “sócio-torcedor”. Mesmo assim, não é barato. O “Fener” tem um excelente plantel, com nomes que se destacam. Mantê-lo é caro. Certamente os torcedores sabem disso. Não se distribuem ingressos a determinados torcedores. Os responsáveis pelo clube seguem a seguinte equação:

Assento Preenchido = renda do ingresso + renda do consumo no estádio + renda com o merchandising

ou

Assento Preenchido + Vitória da Equipe = renda do ingresso + (renda do consumo no estádio)² + (renda com o merchandising)²

em longo prazo:

Assento Preenchido + Vitória da Equipe = (renda do ingresso)² + (renda do consumo no estádio)² + (renda com o merchandising)² + aumento dos direitos de transmissão pela TV + patrocínios (!!!)

Consequência disso: mais dinheiro para investir no plantel e aumentar a competitividade da equipe; para aumentar o conforto do estádio; para aproximar mais os torcedores ao clube. Em suma, satisfazer a torcida.

Quanto à comercialização, o “Fener” leva muito a sério o licenciamento dos seus produtos. Claro que os seus torcedores são conhecidos por serem muito fanáticos. Se fanatismo significasse renda, Boca Juniors e Corinthians seriam os clubes mais ricos do mundo. No Fenerbahçe existe planejamento de como vender e oferecer o clube para os torcedores, mesmo que o seu número não seja alto. O site oficial é oferecido em vários idiomas. Os produtos oficiais são caros, certamente, e por isso mesmo que os turcos têm uma marca própria de artigos oficiais licenciados que permite um preço mais em conta. E a gama de produtos é vasta. O adepto, quando compra, sabe que o dinheiro é revertido para o “Fener”. Isso sim é fidelidade e lealdade ao clube.

Enquanto isso, no Brasil, falta planejamento e profissionalismo dos clubes, salvo alguns. Câmbio desfavorável frente ao euro (€) não é desculpa para terem que vender logo cedo os craques para a Europa, Oriente Médio e Japão. Os clubes ainda são reféns de mal-negociados direitos de transmissão e o fato de o Campeonato Brasileiro e a Taça Libertadores estarem nas mãos de confederações e não serem Ligas independentes diminui a possibilidade de aumento dos rendimentos. Além disso, o “paternalismo” exercido por vários dirigentes de federações e dos clubes brasileiros é conivente com a distribuição dos ingressos (a baixo ou a nenhum custo), e conivente com a violência entre os torcedores. Isso causa o desinteresse nos demais torcedores em frequentarem os estádios: não há conforto e segurança. Mesmo com um ingresso caro, os serviços não estão à altura do preço. Não há respeito pelo torcedor, que, quer-queira-quer-não, é um cliente.

“Quanta oportunidade!” (farm3.static.flickr.com)

Somado a tudo isso, os produtos oficiais são caros e não há alternativas senão comprá-los no mercado informal, grotescamente não-oficiais, mas mais baratos. O combate à pirataria inexiste. Por outro lado, não existe profissionalismo por parte de quem vende e oferece o clube aos torcedores de futebol no Brasil. Se o torcedor verifica resultados no trabalho levado a cabo pelo clube, sem dúvida alguma que ele vai se sentir incentivado em adquirir os artigos oficiais, mesmo que mais caros em relação ao mercado informal. O futebol do Brasil é reconhecido e bem visto pelo mundo, e isso significa mais mercado consumidor. Por que não conquistar estes mercados ao contratar um jogador de lá? Como fez o Manchester United na Coreia do Sul, com o Park. Como faz o Boca Juniors em países como a Colômbia e o Uruguai.

Pensar que clubes como Flamengo e Corinthians têm mais torcida que muitos países do mundo e estão longe de estarem entre os maiores do mundo. Maiores em do mundo em número de torcedores? Desde quando isso significa ser o maior do mundo? Se pelo menos garantisse rendimentos, aí sim. Claro que em um país como o Brasil, que conta com quase 200 milhões de habitantes, é relativamente mais fácil um clube ter mais torcedores do que um clube em um país como a Espanha, com 40 milhões de habitantes. É tudo questão de vontade, iniciativa, planejamento, profissionalismo e visão. De querer servir em vez de “levar vantagem”. E não venha se desculpar pelo câmbio desfavorável!

Boa Briga

Boa briga entre Campo Grande e Cuiabá, para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014. Em textos anteriores coloquei que uma delas será a segunda cidade do Centro-Oeste do Brasil para o Mundial, depois de Brasília. Sem dúvida que a Capital Federal será escolhida, justa e simplesmente pelo fato de ser a Capital Federal.

Não sou sul-matogrossense, nem tenho nada contra Mato Grosso, mas conheço as duas cidades. Campo Grande dispõe de melhor infra-estrutura, melhores acessos e dá conexão a ricas regiões dos países que fazem fronteira com o seu estado: Santa Cruz (Bolívia) e Pedro Juan Caballero (Paraguai). Ademais, Campo Grande é porta de entrada para quem faz turismo naquela região, como o Pantanal e Bonito. O Mato Grosso do Sul não possui mesmo é palmarés no futebol brasileiro. O Operário de Campo Grande já não é mais aquele da 3ª colocação no Brasileirão’79.

Campo Grande (Fonte: delbianco.com.br)

Já os clubes de Cuiabá se destacam mais no cenário nacional: Mixto, Sinop e Operário de Várzea Grande. Entretanto, a economia mato-grossense concentra-se em cidades como Rondonópolis, Sorriso ou Lucas do Rio Verde. Isso vai jogar contra Cuiabá. No Mato Grosso do Sul a riqueza se concentra majoritariamente em Campo Grande. Em termos de turismo, quem entra pelo Pantanal, não vai por Cáceres (MT). Vai por Campo Grande. E a Chapada dos Guimarães está longe de ser tão visitada quanto Bonito e o Pantanal.

Cuiabá (cuiaba.mt.gov.br)

Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, não confirmou sua presença na sede da FIFA em Zurique, dia 20 de março, quando serão definidas as 12 cidades-sede do Mundial de 2014. André Puccinelli, governador de Mato Grosso do Sul, lá vai estar. Só isso já demonstra o quanto Campo Grande quer ser a escolhida. A não-confirmação de Maggi no evento evidencia a baixa probabilidade da capital mato-grossense em ser a eleita.

Em comparação com as atitudes tomadas por Campo Grande para ser cidade-sede, é uma pena verificar a apatia do governo de Mato Grosso nessa questão. Uma Copa do Mundo é capaz de alavancar vários setores naquela região. Uma pena.

Parvoíces e Tretas

Parvoíce do governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) ao não permitirem a entrada da tenista israelense Shahar Peer, que participaria do Aberto do Dubai. A razão para isso foram os ataques à faixa de Gaza, promovidos pelo governo de Jersusalém, em solidariedade à causa palestina.

Ora, é um tanto contraditório e confuso. Apesar de não haver relações diplomáticas entre os dois países, Israel é um dos maiores parceiros comerciais e investidores nos EAU. Dinheiro mesmo não tem pátria, tampouco religião. Essa solidariedade ao povo palestino promovida pelos EAU é outra treta!

Como consequência o Aberto do Dubai já perdeu patrocínios. O petróleo lá está acabando e cidades como o Dubai e Abu Dhabi estão investindo maciçamente no setor de serviços, já prevendo o breve fim deste recurso. E não vai ser uma atitude como esta que promoverá os EAU. Muito pelo contrário. Ficou feio para o país haver usado o esporte como discurso político. Aliás, discurso algum.

O Dia Seguinte

Vou escrever este texto em primeira pessoa mesmo e colocar as minhas impressões sobre o grande dérbi lisboeta (Sporting x Benfica), que tive a oportunidade de ver ontem, ao vivo, em Alvalade. Talvez seja o último enquanto morador do velho mundo. Ah, o título deste texto é o nome de um programa desportivo de TV que passa às segundas-feiras por aqui, nos moldes do “Terceiro Tempo” (Record) e do “Cartão Verde” (TV Cultura).

Foi realmente um dérbi em sua essência: duas equipes de enorme tradição e com grande número de – fanáticos – seguidores. A entrada foi confusa. Pensava que isso era típico da América do Sul, mas não. Em Madrid, no Atlético x Real também foi confuso. Mas ontem levei 1:30h na fila para entrar devido ao inadequado esquema de policiamento para a entrada dos torcedores visitantes e a demorada entrada destes torcedores visitantes. A área para eles reservada é ocupada em sua maioria pelos membros das torcidas organizadas (no caso os “Diabos Vermelhos” e os “No Name Boys”). Os adeptos (como se diz por cá) visitantes “comuns” misturam-se com os locais, mas sem dúvida alguma em muito menor número e muito mais reservados que os donos-da-casa.

Estádio José de Alvalade, do Sporting (Fonte: pontapedesaida.com)

Devido à intensa demora, houve muito empurra-empurra e à entrada viam-se discussões de torcedores com a polícia e os stewards. Uma briga logo foi contida pela segurança. A separação das torcidas aqui não é como no Brasil. Uma – frágil – grade separa os visitantes dos locais. Ao lado desta grade há uma fila de 3 tipos de força: os stewards, os spotters da polícia e a própria polícia. Os stewards contém, separam e procuram dissipar algum tumulto. Não sendo possível, atuam os spotters. Em último caso, age a polícia. Ao meu ver, um esquema de segurança frágil e delicado. Entre a torcida visitante e a torcida local, há apenas esta grade e a fila com as pessoas que fazem a segurança. Ou seja, entre os torcedores locais e visitantes, existe, no máximo, 1 metro. Se toda a massa resolver investir contra a grade e a segurança, o pior aconteceria. Fiquei na divisa entre as torcidas. Por analogia, era como se estivesse em um dos lados da fronteira entre Israel e a faixa de Gaza.

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Estávamos bem próximos aos torcedores visitantes (crédito: Felipe Corbellini)

E ontem o dérbi teve todos os ingredientes para essa segurança ir abaixo. Eram 45 mil pessoas.

A começar pela entrada. A revista foi aquém do esperado, pela cautela que um dérbi requer. Além disso a região destinada aos torcedores do Benfica parecia estar superlotada. Era muito fácil alvejar outros torcedores com copos ou sanduíches. Para piorar (ou melhorar), o jogo foi intenso, com a vitória do Sporting por 3-2. Um gol mais bonito que o outro. Tudo isso serviu de fator para início de tumulto e provocações. Ao final do jogo não faltaram cadeiras arrancadas, discussões, xingamentos, gritos-de-guerra e ameaças de derrubar aquela grade que citei acima. Eu inclusive não saí imune. Perguntem ao meu amigo Felipe, que esteve comigo lá ontem.

Sporting-Benfica, Grêmio-Inter, Atlético-Cruzeiro, Boca-River, Newell’s-Central, Roma-Lazio, XV de Jaú-Noroeste. Um dérbi é um dérbi, seja aqui, seja na China. Aqui realmente a violência é menor, muito o Brasil tem para aprender com o que se passa por aqui. Mas, que na Europa não há violência nos estádios, que não existem cambistas, batedores-de-carteira, flanelinhas no estacionamento e tudo é muito organizado, é uma treta!

Novos Olímpicos

Golfe, squash, beisebol, softbol, Rugby, caratê e patinação. São 7 as modalidades que querem se tornar olímpicas, mas o COI (Comitê Olímpico Internacional) abriu apenas 2 vagas. Existem vários critérios a serem levados em consideração pelo organismo, como o número de atletas federados e a quantidade de países em que a modalidade é praticada. A seguir uma breve análise sobre cada uma delas.

Golfe: um dos esportes que mais crescem, com cada vez mais praticantes. Tem um dos atletas mais bem pagos do mundo (Tiger Woods), porém restrito. O equipamento é caro, além de o recinto de jogo requerer amplo espaço e alto custo de manutenção. Ponto negativo: popularidade. Ponto positivo: praticantes “influentes”.

Golfe (Fonte: www.terravistabrasil.com.br)

Patinação: também atrai cada vez mais praticantes, mas não está organizado. Faltam federações para definir suas regras. Caso escolhido, que tipo de patinação seria? Patinação de velocidade, de habilidade ou simplesmente corrida? Ponto positivo: número de praticantes. Ponto negativo: organização.

Squash: pequeno espaço para a prática e baixo custo de manutenção, porém poucos praticantes fora dos países da comunidade britânica. Ponto positivo: espaço e custo. Ponto negativo: poucos praticantes.

Caratê: popular no mundo inteiro, grande frequência na realização de torneios internacionais, tema para vários filmes. Não vejo pontos negativos e é de surpreender que ainda não seja uma modalidade dos Jogos Olímpicos.

Quem não se lembra do “Karate Kid”? Sr. Miyagi e Daniel Sam? (Fonte: www.fast-rewind.com)

Beisebol e softbol: Popular em apenas 2 regiões do planeta (Japão e Caribe). A MLB (Major League Baseball) dos Estados Unidos possui apenas nome e está em crise, com jogos com assistência cada vez menor. Nem os Yankees de Nova Iorque escapam. Escândalos de dopagem também marcaram as modalidades nos últimos anos. Além disso, foram recentemente excluídos dos Jogos, o que faz com que o retorno seja demorado (se acontecer). Pontos negativos: dopagem, recém-excluídos, crise da modalidade. Ponto positivo: modalidade mais popular em uma parte do planeta economicamente importante, o Japão.

Rugby: modalidade que possui o campeonato do mundo mais rentável e lucrativo. Conhecidos patrocinadores, boa organização, extremamente popular (ainda falta conquistar países importantes como a China e o Brasil) e federação internacional com mais de 100 países filiados. Provavelmente, dentro do Rugby será escolhida a modalidade de “Seven”, menos demorada. Os torneios de Rugby XV demandam grande intervalo de dias entre uma partida e outra. Ponto negativo: muitos dizem ser violento; o torneio de Rugby XV é demorado. Ponto positivo: popularidade, países filiados e organização.

Para este blog, os favoritos são: caratê e Rugby (na modalidade de sevens). Em termos de praticantes esportivos e rendimentos com os patrocínios, o Comitê Olímpico Internacional só tem a ganhar com a entrada destes dois esportes.

É Pá e Bola!

Quem não se lembra do glorioso Elia Jr. quando dizia isso nos programas da TV Bandeirantes: “…não muda de canal não, é pá e bola…até já!”. Pá e bola em dois assuntos do mundo do futebol que chamaram a atenção.

Em primeiro lugar, a carga de ingressos para torcedores visitantes. Enquanto os estádios de futebol forem lugar para a manifestação de confusões em forma de violência física e verbal, menos bilhetes para a torcida visitante. Medida cabível para a redução da violência. Um estádio, como um recinto desportivo, precisa ser visto como um espaço de convívio entre os membros de uma sociedade, como um prestador de serviços. Se o espectador paga pelo ingresso, em contrapartida ele precisa usufruir dos benefícios que um estádio pode oferecer: no Brasil, ainda poucos.

Torcida do Schalke 04 (fonte: gazprom-sport.de)

Muitos dizem que a Inglaterra acabou com os hooligans devido ao policiamento e à punição aos responsáveis. Sem dúvida que a força pública teve parte nisso. Entretanto, ninguém vê que há 20 anos as classes sociais que frequentavam os estádios Britânicos eram as “C”, “D” e “E”. Atualmente, 90% da assistência pertence às classes “A” e “B”, ou seja, houve um aumento do preço dos ingressos. O preço de assistir uma partida na Itália há 15 anos não é o mesmo que hoje, em comparação com o salário mínimo. Mas, por outro lado, o Estado dá ao torcedor transporte público até o estádio, estacionamento (se for o caso), assento marcado, coberto, além da segurança na saída.

Outros muitos dizem que a menor presença das torcidas organizadas nos estádios tiraria o brilho dos jogos. Tiraria mesmo, sem dúvida alguma! A festa, as coreografias e os cânticos. Mas a coreografia e os cânticos não enchem o bolso, e os clubes precisam arranjar maneiras de aumentarem suas receitas.  A tendência é que os preços dos ingressos aumentem.

Mudando o assunto de pato para ganso, chamou a atenção a história do garoto que saiu da Guiné-Conacri (costa ocidental da África) escondido no porão de um navio para ser jogador de futebol no Brasil. Foi descoberto quando o navio parou em Salvador (BA). O que não faz um sonho com a gente!

Querer é Poder

Top 4 para os Jogos Olímpicos de 2016: Rio de Janeiro, Madri, Tóquio e Chicago. O site da Bwin (apostas) coloca os favoritos na seguinte ordem: Chicago, Tóquio, Rio e Madri. Para a capital nipônica e o Rio, os valores pagos são praticamente os mesmos (4,25 e 4,50, respectivamente). A capital espanhola vem muito atrás (pagam 11).

Com o “pé no chão” e “na real”, sabe-se que o favoritismo não está nesta ordem. O Brasil há de trabalhar muito para receber um evento como os Jogos Olímpicos. Acredito que muitos pensam que a escolha do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016 será o ponto-de-partida para a Cidade Maravilhosa voltar aos seus áureos tempos das décadas de 50 e 60 do século XX. Os que pensam assim estão equivocados.

Antes de se investir em infra-estrutura (de comunicações, transportes, turismo e esportes), segurança e saneamento básico para os outros (visitantes do mundo todo para os Jogos), é preciso trabalhar para a população carioca. Trabalhar em todos estes pontos para servir em primeiro lugar à população do Rio de Janeiro e Grande Rio. Caso todo este investimento e trabalho resulte, aí sim enxergar longe e preparar uma candidatura para receber eventos como os Jogos Olímpicos. Em outras palavras, o poder público obter o reconhecimento da opinião pública nacional e internacional. Tornar-se referência no país, no continente e no mundo. Se o poder público servir (e é este o seu dever) à população de maneira ordenada e satisfatória, a cidade está capacitada para uma candidatura. Caso contrário, não.

Daqui até outubro – quando a cidade-sede para os Jogos Olímpicos de 2016 será divulgada -, veremos como o processo de escolha vai decorrer. Infelizmente, na atual conjuntura política do país e vontade daqueles que representam o poder público, talvez apenas manifestar o interesse de receber as Olimpíadas seja a saída para uma mudança. Aquela máxima do Barão de Coubertin aplica-se a esta situação: “Ver longe (uma candidatura para os Jogos), agir firmemente (definir prioridades para a população local e trabalhar por ela) e falar francamente (transparência política)”. Isso pode resultar porque querer é poder.

As 12 Rainhas

Durante os últimos dias o mundo – por que não? – acompanhou de perto a babação de ovo de 17 cidades brasileiras para a comitiva da FIFA/CBF/Ministério do Esporte, com o objetivo de serem escolhidas como cidades-sede do Mundial de Futebol de 2014. A cada cidade visitada, uma surpresa: um mimo, uma dança, enfim. Beirava o ridículo. São as 17 cidades que concorrem a 12 vagas de cidades-sede: Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba; São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte; Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Brasília; Rio Branco, Manaus, Belém; Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. O que será que é preciso para ser sede?

Mais que influência política e pujança econômica, claro. Se tivermos como base a Copa da Alemanha de 2006, Rostock e Dresden foram as únicas grandes cidades que ficaram de fora. Nos EUA durante o Mundial de 1994, lembro-me de Atlanta, Seattle e Denver, como grandes cidades que foram deixadas de lado (mesmo Atlanta sendo sede da Coca-Cola, principal patrocinador da FIFA).

Por enquanto o mundial do Brasil está muito incipiente, com projetos baseados em maquetes e em desenhos. Se pelo menos cerca de 60% daquilo que foi planejado e desenhado sair dos papéis, já vai ser uma vitória.

Complexo viário da Cidade do Cabo (www.development.co.za)

Faltam 5 anos para 2014. São apenas 5 anos. São 5 anos para o país investir em transportes, comunicações, turismo, segurança, educação, turismo e emprego. Muito será preciso ser feito para o país ter condições de receber o segundo maior evento do planeta. É aquilo mesmo dos 50 anos em 5 de JK. Pior ainda, talvez 100 anos em 5.

Pelo visto, vários estádios serão reformados. Discordo disso pelos gastos excessivos. É mais barato construir um novo do que reformar um antigo. Se querem saber como se constrói um estádio, que conheçam o trabalho feito por Portugal para a Euro’2004. Para potenciar o uso de um estádio, que saibam como este trabalho é conduzido nos EUA e no Canadá. Se o Brasil quiser potenciar a incorporação de um estádio dentro do espaço urbano, conjugado com os transportes e as comunicações, é preciso aprender com o Japão. Assim sendo, de que adianta um estádio com 40000 pessoas em uma cidade em que até o fuso horário atrapalha? Para que fazer sede a capital de um estado que não possui posição de destaque no cenário sócio-econômico nacional? 

Para uma cidade ser sede de um mundial é preciso levar em conta, em primeiro lugar, a sua acessibilidade. Depois levamos em consideração itens como importância econômica, indicadores sociais e potencial turístico. Em último lugar – mas não menos importante -, a importância dos clubes locais para o futebol nacional.

manaus

A cidade de Manaus, capital do Amazonas (manaus.am.gov.br)

Levando em linha de conta estas variáveis, vejamos as três capitais do Norte que concorrem: Rio Branco, Manaus e Belém. Manaus supera as outras duas, apesar de não ter contado recentemente com clubes na primeira divisão nacional. Com relação às capitais do Centro-Oeste (Goiânia, Brasília, Cuiabá e Campo Grande), provavelmente serão duas as escolhidas, que serão Brasília (pelo fato de ser a Capital Federal) e Campo Grande (mais fácil acesso, porta de entrada do Pantanal e fronteira com 2 países, potenciando o turismo).

No Nordeste a concorrência é forte. Fortaleza, Recife e Salvador são as capitais dos 3 principais estados daquela região. Natal, portanto, está em desvantagem. No sul e no sudeste, todas as cidades postulantes estão adequadas principalmente às variáveis de acessibilidade e palmarés desportivo e, portanto, serão certamente escolhidas.

Projeto do estádio do Mineirão para a Copa de 2014 (ademg.mg.gov.br)

Com isso, na opinião deste blogueiro, analisadas e levadas em consideração todas as variáveis, as 12 rainhas escolhidas para 2014 serão: São Paulo (onde provavelmente será o jogo de abertura), Rio de Janeiro (onde será a final*), Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Campo Grande e Brasília.

Será interessante saber como será o processo de escolha. Que os membros da comitiva saibam realmente escolher as cidades-sede e que as escolhidas façam o melhor. Porque um evento como a Copa do Mundo pode mudar um país.

* – item que será tema para outros textos

Gaelia

Quando vinculamos modalidades esportivas aos seus países de origem, pensamos no futebol americano aos EUA. O rúgbi e o futebol à Inglaterra. O sumô ao Japão. A bocha à Itália. E por aí vai. Neste caminho, nada tão irlandês quanto o futebol gaélico.

O futebol gaélico (fonte: www.gaa.ie)

Jogado praticamente apenas na ilha da Irlanda – República da Irlanda (Eire) e Irlanda do Norte (Ulster) – e em lugares do mundo em que a presença de irlandeses é forte (Nova Iorque), o futebol gaélico é uma mistura do futebol com o rúgbi, com o hóquei em campo e também com o handebol. À primeira vista parece confuso. Mas não, é apaixonante.

Durante o domínio britânico naquela ilha e a diáspora irlandesa (que fez a população da ilha cair de 10 para 3 milhões de habitantes), a modalidade quase foi extinta. No final do século XIX um empresário nacionalista de Dublin financiou um campeonato para incentivar a sua prática entre os mais jovens. A popularidade do esporte era, com isso, reconquistada.

No início da década de 1920, durante a guerra de independência da Irlanda, soldados ingleses – em resposta a um atentado contra oficiais de inteligência do exército britânico –  entram no estádio de Croke Park, em Dublin, durante um jogo de futebol gaélico. Resultado: foram mortos 13 torcedores e 1 jogador da equipe local, episódio que ficou conhecido como o “Bloody Sunday” (não confundam com a canção do U2). Desde então, nenhuma outra modalidade – ainda mais inglesa – poderia ser jogada naquele estádio.

O “Bloody Sunday” só viria a aumentar a paixão do irlandês pelo seu futebol, o gaélico.

É um esporte praticado apenas por amadores, muito longe de se tornar profissional. A Federação conta com o apoio de empresários e do governo da República da Irlanda. O estádio de Croke Park é um dos maiores e mais modernos do mundo. A sua arquitetura combina vanguarda ao passado da Irlanda, ao não cobrir e assentar um dos setores do estádio, conhecido por “Hill 16”, em memória aos caídos do levante popular da Páscoa de 1916, durante a 1ª Guerra.

O “Hill 16” repleto de torcedores do Dublin (fonte: longford.gaa.ie)

Quanta história, hein? Apesar de ser amador, o futebol gaélico é a modalidade mais popular da Irlanda, motivo de orgulho para todos e gerador de milhares de empregos. É exemplo de resultado obtido pelo trabalho executado quando feito com orgulho e paixão.


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