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FuteNobel

João Havelange será indicado pela Academia Brasileira de Filosofia (ABF) para receber o Prêmio Nobel da Paz. Havelange foi por muitos anos presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Participou dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. O Nobel da Paz é dos cinco prêmios Nobel, destinado a pessoas que contribuíram com a paz no mundo. Entre os seus premiados estão Martin Luther King, Nelson Mandela e Ramos-Horta.

Havelange será indicado em meio a acusações e denúncias de corrupção e tráfico de influência enquanto presidente da FIFA, entre 1974 e 1998. Acredito que a escolha deva levar em consideração a idoneidade. Há quem diga: Kissinger promoveu tantas guerras e recebeu o Nobel da Paz. Se observarmos exclusivamente o trabalho do dirigente para a promoção do esporte, realmente ele fez por onde para ser indicado a receber tal prêmio. Ele conseguiu fazer com que a entidade tivesse mais membros que a Organização das Nações Unidas (ONU). Mas não só isso, é notável o trabalho imenso no combate ao racismo, à dopagem e também promoveu a integração mundial. Não há dúvidas disso.

Infelizmente a governança deste sistema deu-se na base do tráfico de influência, na barganha, chantagem, corrupção e manutenção do poder.

E ainda há quem possa perguntar: “de que interessa a corrupção da FIFA na escolha do premiado, se até Kissinger foi escolhido”?

Já dizia Manuel Sérgio: “futebol é um serviço público”!

Conto Chinês

Muito boa a ideia de o Corinthians trazer o chinês Chen Zhi Zhao para o seu plantel. Se ele jogar bem, excelente. Agora, com que propósito o clube traz  um jogador de um país sem tradição no futebol? O futebol? Não, duvido. Para isso formam na base. Mercado consumidor? Ou seja, um chinês no Corinthians levaria a comunidade chinesa no Brasil e os chineses na China e no mundo a acompanharem mais a equipe e os campeonatos locais. É mais pertinente. No entanto, ninguém vê o futebol brasileiro. Nem mesmo o chinês.

Se o campeonato brasileiro é pouquíssimo visto, não vai ser o chinês que vai atrair os olhos do planeta pra cá. Nem mesmo a China, que acompanha os torneios da Inglaterra e Espanha. Motivo principal: antecedentes históricos, as relações comerciais entre Inglaterra, Espanha e o Extremo Oriente. Por que acompanhamos a Liga Portuguesa? Motivos mais que óbvios! Por que a Colômbia segue o futebol argentino e as atividades dos clubes locais? A resposta disso está nos anos 40 e o “Eldorado do Futebol” que foi a Colômbia – que por não ser filiada à FIFA na época, não seguia determinados estatutos que restringiam os compromissos financeiros de um futebolista profissional -, que atraiu jogadores como Adolfo Pedernera e Di Stefano.

Portanto, se os campeonatos locais do Brasil mal são vistos, neste momento o Chen Zhi Zhao não vai ser capaz, sozinho, de mudar esse cenário. No entanto, com planejamento de longo prazo e confiança, o chinês pode ser um marco para a internacionalização do futebol brasileiro.

De Visita

O jornal inglês “Daily Telegraph” elegeu os 5 estádios de futebol mais “hostis” do mundo. Ou seja, aqueles mais capazes de intimidar a equipe visitante. Apenas um brasileiro. Nenhum argentino! Nenhum chileno!! Nenhum paraguaio!!!
Torcida Verde

Torcida Verde

Eles lá colocaram o estádio do Borussia Dortmund (Signal Iduna Park) como o primeiro. Em seguida, o San Paolo, do Nápoli, da Itália. Em terceiro, o Ali Sami Yen, do Galatasaray (Turquia). A quarta e a quinta posições estão para o Mestalla (Valência) e o São Januário (Vasco), respectivamente.

Bem podíamos saber o critério e método utilizados para a escolha. Os do Nápoles,   do Galatasaray e do Vasco, tudo bem. São mesmo ambientes inacreditáveis. Entretanto observem abaixo quem o diário deixa de fora.

A Argentina possui vários exemplos e estádios que podem ser considerados como mais “hostis”. Levo em consideração que a tal “hostilidade” dá-se apenas através de cânticos de incentivo e vibração dos torcedores. Pode até ser uma visão romântica dessa situação. Nomeio o Parque Independência, do Newell’s Old Boys, o La Bombonera, do Boca e o Alfredo Beranger, do Temperley, como referências. Na Polônia, o campo do Legia Varsóvia. Em Portugal, o Alvalade, estádio do Sporting, repleto, é realmente um ambiente fantástico.

La Bombonera

La Bombonera

No Brasil, inúmeras torcidas se fazem valer de local, como a do Corinthians, Ponte Preta e Atlético Mineiro. A do Bahia está em primeiro em vibração desde o hino do clube. A reportagem não deixa claro quais são os fatores considerados para considerar o estádio “hostil”. Se levássemos em conta a informação que o repórter utilizou, o Hillsborough (onde morreram 96 torcedores do Liverpool em 1989) e o Heysel (Bélgica, final da Liga dos Campeões da Europa de 1985) poderiam ser considerados também. Não foram.

Estudar o ambiente e universo das torcidas é bastante interessante, desde que elas unicamente cumpram o papel de torcer pela equipe. A seguir um anúncio de TV na Argentina que promove as partidas da 2ª Divisão local. E não deixe de responder a enquete abaixo do vídeo!

Um Fica, Dez Vão

“Se for para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!” (S.M.I. Dom Pedro I, aos 9-01-1822, o “Dia do Fico”)

Tivemos recentemente outro dia do Fico, quando Neymar anunciou sua permanência no futebol brasileiro, até 2014. Muito bem pensada decisão, tanto do lado do atleta, quando da instituição esportiva, no caso o Santos. É um futebolista fundamental para atrair novos torcedores. E torcedores são consumidores. Há quem festeja a sua decisão em ficar no Brasil, que é a vez do futebol no Brasil contra os europeus sempre exploradores e corruptores que tiram grandes esportistas daqui para lá levarem e, deles, fazerem fortunas.

Lamento informá-los de que continuarão fazendo isso bastante. Neymar é apenas exceção e não representa o cenário do esporte no Brasil. A atividade de empresários e agentes continua e jogadores não tão midiáticos e prodigiosos como o atleta santista continuam sendo transferidos para os mais diversos mercados. Não adianta pensar e comemorar que o futebol brasileiro vive um bom momento. A grande maioria dos futebolistas profissionais do Brasil não ganham o que ganham atletas da primeira divisão. Na primeira chance que tiverem de ganharem mais, e fora do país (em terra de cego, caolho é rei), irão.

E isso irá acontecer até o dia em que o dólar e o euro valerem menos que o real. Difícil.

Grande Clube Grande

“A big great club”

Hoje é aniversário de três clubes de futebol que conheço. Obviamente deve haver mais, mas cito aqui o Corinthians, o Noroeste e o Avaí. Dois deles foram fundados no mesmo ano inclusive: Noroeste e Corinthians, em 1910. O Avaí surgiu 13 anos mais tarde, em 1923. Não é difícil dizer qual destes clubes é maior, em palmarés e tamanho. Um possui alcance local (Noroeste), outro regional (Avaí) e o terceiro, nacional/mundial (Corinthians).

Foram fundados mais ou menos à mesma época, até no mesmo ano, mas que fatores podem ter contribuído para um se tornar maior que o outro? Apontarei aqui alguns fatores:

1) Cidade: São Paulo não era a principal cidade do País até os anos 60, mas era a que mais crescia em economia e população, além de ser a sede do governo estadual. Bauru também é importante, mas não tem a projeção de São Paulo. Florianópolis, é capital de estado, entretanto nem é a maior cidade de Santa Catarina, nem a segunda maior. Isso favorece em longo prazo o crescimento do número de torcedores e investimentos no clube, uma vez que os patrocínios e infra-estrutura dependerão bastante das atividades econômicas do município.

2) Resultados: grande parte da torcida Corinthiana no interior do estado e pelo Brasil surgiu após os torneios “Rio-São Paulo”, ou seja, a exposição da equipe em grandes competições para além das fronteiras da cidade e do estado, é potencial contribuinte para o aumento da base de torcedores. Assim não foi com o Avaí; assim também não foi com o Noroeste. Atualmente, os clubes do interior não tem tido resultados tão expressivos como são os dos clubes de capitais, o que tem levado a um desinteresse por parte de seus torcedores. Dos três clubes, o paulista é o que tem melhor palmarés. O Avaí ocupa uma posição intermediária, com títulos estaduais.

Torcidas do Noroeste, Avaí e Corinthians (fotomontagem)

Torcidas do Noroeste, Avaí e Corinthians (fotomontagem)

3) Identidade: os clubes representam uma identidade e os torcedores buscam torcer para uma equipe a fim de perceberem um sentimento de pertencimento a algo. Assim é o Palmeiras, que nos primórdios atraía a Colônia Italiana de São Paulo; o Vasco com a Colônia Portuguesa do Rio; o Inter é o clube do povo no Rio Grande do Sul, assim como são Corinthians e Flamengo. O Avaí é um dos representantes de Florianópolis, capital de Santa Catarina, cidade que é centro e referencial – pode não ser o econômico – para todo um estado. O Noroeste, é de Bauru, representa toda uma cidade. No entanto, São Paulo é maior em número de habitantes do que as outras duas cidades.

4) Ídolos: surgem em função da estrutura do clube. Se ele está em uma cidade de economia maior, a infra-estrutura da cidade e do clube acompanha este ritmo e atrai potenciais jogadores com habilidade para se destacarem na equipe principal. Se a população da cidade for maior, mais ele estará exposto à mídia, uma vez que o consumo será maior (jornais, internet, rádio, TV, publicidade). Ademais, a mídia dessa tal cidade maior terá projeção com alcance mais nacional do que em comparação com outra, de menor porte. Soma-se isso à disponibilidade de recursos humanos para surgir ídolos, em se considerando a região metropolitana: a de São Paulo tem mais habitantes que a de Florianópolis, que é maior que a cidade de Bauru. Portanto, a probabilidade de surgimento de ídolos torna-se alta no maior centro urbano. Já os ídolos atraem estes torcedores. Quanto maior a projeção do ídolo, mais torcedores ele será capaz de atrair. Surgem ídolos no interior, obviamente. No entanto, os clubes de lá não possuem projeção e não tem condições de aumentar os salários destes atletas, que acabam por serem transferidos a clubes de centros maiores.

Esta não é a fórmula mágica para um clube se tornar grande. Os três clubes são grandes, dentro do contexto de cada um – de cidade, de estado e de País – mas sobretudo porque contribuem à sua maneira e possibilidade, para o esporte brasileiro.

Soy Loco por Ti

Recentemente vi no Lance! um anúncio da Traffic, organizadora da Copa América, que agradecia aos patrocinadores pela melhor Copa América da história. Ao contrário do que a grande imprensa vem dizendo, tem sido realmente a melhor edição do torneio, tanto em termos desportivos quanto de negócios.

Cá entre nós, não há tantos jogos na Copa América. Quatro cidades da Argentina – no máximo – seriam suficientes para todo o torneio. De cara contamos estas 3 cidades: Buenos Aires, Rosário, Córdoba e La Plata. No entanto, fizeram diferente: colocaram jogos em Salta, Jujuy, San Juan, Mendoza e Santa Fé, para incentivar o turismo local, modernizar em nível local o parque esportivo e de infra-estrutura em geral e deixar um legado para as próximas gerações.

A Copa América (foto: mediotiempo.com)

A Copa América (foto: mediotiempo.com)

No plano do futebol, é inegável que a ausência de Argentina, Brasil e Chile tire bastante a atratividade do torneio, venda menos bilhetes (afinal, Argentina e Brasil são os Países mais populosos da região) e diminua o interesse da TV em transmitir os jogos. Por outro lado, a Copa América conquista de vez o mercado – antes virgem – da Venezuela e traz em evidência o futebol peruano novamente. Haja vista que o Peru foi, em 2010, um dos Países que mais cresceu em termos de PIB  e de renda individual. Isso significa mercado consumidor para patrocinadores, televisão e anunciantes.

Dessa maneira pode-se dizer que há equilíbrio desportivo e comercial nestas semi-finais. No lado desportivo, Uruguai e Paraguai. No plano comercial, Peru e Venezuela. Tem razão a Traffic em considerar esta edição, a melhor Copa América da história.

Em tempo: a Taça Ouro (CONCACAF) pode se juntar à Copa América (CONMEBOL) na próxima edição, em 2015, no Brasil. Com isso, seriam 16 Seleções ao todo (obviamente nem todos os Países da CONCACAF participariam da nova Copa América).

Mercoturismodesportivo

É pouca coisa, mas é o começo. Já estão no metrô de São Paulo cartazes promocionais da Copa América do próximo mês de Julho, na Argentina. Não é visualmente atraente, tampouco possui a logomarca oficial da competição, mas é o começo. A primeira vez que uma ação como essas é feita em torneios como este, o continental mais antigo do planeta. Ou da vez passada você viu outdoors pela cidade: “Conheça a Venezuela” ? Não.

Cartaz da Copa América no metrô de SP (fonte: @heloribeiro)

Cartaz da Copa América no metrô de SP (fonte: @heloribeiro)

Pois bem, não vou repetir aqui o que sempre digo, que faltam ações conjuntas da entidade organizadora do torneio com os comitês locais de turismo para promover a visitação nos locais do evento. Parece que não pensam nisso. Vivemos em um momento que – apesar de pouco se falar em Mercosul – nunca houve integração tão grande entre os Países do Cone Sul. O esporte, mesmo com as rivalidades, é um dos principais fatores desta integração. Haja vista a quantidade de argentinos, uruguaios e paraguaios no esporte nacional. Um dos principais nomes da SE Palmeiras é Chileno. Os dois patrocinadores do CA River Plate, são Brasileiros.

Oras, Copa América é turismo esportivo, assim como são os Jogos Olímpicos e o Mundial FIFA. Turismo é geração de empregos, renda e riqueza.

Se pensamos em integração desses Países, vamos começar pelo que há de mais óbvio entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai: a bola. No entanto, pensar além deste óbvio.

Link para acessar a foto: http://twitpic.com/5fmd2o

Fazer Diferente

Vasco da Gama e Coritiba decidiram na última quarta-feira a Copa do Brasil. Independente da vitória do Vasco, quem venceu foi acima de tudo o futebol e o profissionalismo no esporte que tanto propomos.

O clube do Rio de Janeiro, depois de todo o seu histórico de administrações controversas e repletas de incógnitas, à época de Eurico Miranda; o Coritiba, depois de haver sido rebaixado à segunda divisão e ter tido seu campo de jogo invadido por torcedores – da sua própria equipe – vândalos que confrontaram a força pública e que cuja punição entrou para a história como a mais severa da Justiça Desportiva.

Após estas experiências os dois clubes passaram por reformas que os deixaram mais profissionais e permitiram formar planteis com orçamentos, mesmo que modestos, mas que alcançassem bons rendimentos dentro do campo. Se tiveram que fazer mais, melhor e com menos, tiveram que fazer diferente; optaram portanto por fazer com profissionalismo, com planejamento e organização, a fugir exclusivamente da alta competição – cujos resultados saltam mais aos olhos – e indo para a gestão da instituição esportiva. 

Duas organizações que há 2 ou 3 anos estavam desacreditadas, hoje comemoram colher os primeiros resultados desde que optaram por seguir o processo inverso. Que sirvam de exemplo para outras instituições.

London Calling

Vou usar o nome desse icônico (!) álbum dos “The Clash” à iniciativa inglesa de adiar o processo de escolha para Presidente da FIFA. Isso faz me lembrar o histórico posicionamento inglês perante o desporto-rei: nos primórdios do jogo os britânicos não aderiram a entidade, fundada em 1904. O primeiro Mundial foi em 1930, no Uruguai, mas eles apenas resolveram disputá-lo a partir de 1950, no Brasil (foi nessa Copa que os EUA venceram a Inglaterra, no Estádio Independência, em BH). Segundo eles mesmos, agiam de tal maneira para preservarem a essência e espírito do futebol, in a British way.

Belíssima a iniciativa inglesa, de querer adiar a eleição. Logicamente querem isso porque foram os mais prejudicados com a escolha do Qatar ao Mundial FIFA 2022, uma vez que também concorriam. Em sã consciência, o que o Qatar oferece para sediar uma Copa do Mundo? Não vejo nada. No entanto os ingleses fazem isso – quero eu pensar assim – porque, como inventores deste jogo, têm que preservá-lo. Se assim o fazem dentro de campo, através da IFAB (International Football Association Board – Conselho Internacional de Futebol), que estabelece o regulamento da modalidade, assim também devem fazer fora dele: proteger e preservar a modalidade.

O Filósofo Desportivo Português, Professor Manuel Sérgio, sempre disse: “o futebol é um serviço público”, em função de toda a mobilização popular que existe em torno desse esporte. Infelizmente, não é.

A FIFA é uma entidade privada. Todos estes escândalos não vão resultar em uma reviravolta na entidade, situação próxima à do Dilema do Prisioneiro, quando todos vão se calar e agir como se nada tivesse acontecido.

Cidades Sul-Americanas do Futebol

Na Europa, com a exceção de Madrid e há algum tempo Amsterdã e Lisboa, os clubes campeões das Liga dos Campeões da Europa são de cidades que não são capitais de Países. Na América do Sul o processo é inverso. Alguns vão me dizer: São Paulo , Belo Horizonte , Porto Alegre não são capitais de Países. Entretanto o Brasil é exceção em função da dimensão territorial, o que aumenta a descentralização e algumas capitais estaduais serem tão ou mais importantes que a Capital Federal, Brasília.

Levando isso em linha de conta, qual portanto na América do Sul são os únicos clubes campeões da Taça Libertadores da América que são do interior do País? Colômbia, duas vezes: a primeira com o Atlético Nacional, de Medellín, em 1989 e a segunda vez com o Once Caldas, de Mañizales, em 2004. Santos é muito próxima a São Paulo (como se fosse Região Metropolitana) e não a consideraremos como sendo do “interior”, mesmo porque a cidade é litorânea. Avellaneda, na Argentina, cidade de Racing e Independiente, é parte da Grande Buenos Aires, e por isso também não a consideramos como sendo interior.

No Chile, o Colo-Colo, da capital Santiago, já foi campeão. Em Buenos Aires, são vários os campeões, com ou sem Racing e Independiente, ambos de Avellaneda. No Equador, a LDU, campeã em 2008, é da capital Quito. Os clubes montevideanos Nacional e Peñarol representam o Uruguai. Em Assunção, Paraguai, temos o Olímpia tricampeão. Todos de capitais de Países. Clubes do interior que chegaram mais próximos foram Newell’s Old Boys (Rosário/ARG), América e Deportivo (Cáli/COL) e Cobreloa (Calama/CHI). Clubes do interior, campeões da Libertadores, apenas os 2 supracitados. No entanto suas cidades não são menos importantes (Medellín e Mañizales).

Atlético Nacional de Medellín, Campeão da Libertadores em 1989 (elespectador.com)

Atlético Nacional de Medellín, Campeão da Libertadores em 1989 (elespectador.com)

Entender por que isso acontece de maneira inversa à da Europa é compreender a história desses Países. Na América do Sul, o crescimento destes Países já se deu em período da revolução industrial (aproximadamente 1850-1900), quando a cidade mais importante do País concentrava a elite política (por isso de ser a capital), econômica e com potencial de investimento em fábricas que originariam os clubes (ferrovias, companhias de gás, tecelagem). Na Europa, a revolução industrial e outros períodos de surto industrial, que originaram vários clubes de futebol deu-se além das capitais (que já abrigavam a elite política), como é o caso da Inglaterra (Manchester, Birmingham), Espanha (Barcelona, Valência), Itália (Milão e Turim) e Alemanha (Munique e Dortmund).

Uma hipótese que faz da Colômbia, mesmo sendo bem menor que o Brasil, mas com campeões da Libertadores de cidades que não são a capital, Bogotá, é a de que os Andes – onde está a grande maioria da economia colombiana – dificultam a integração nacional colombiana e com isso o favorecimento à descentralização. O resultado disso é o desenvolvimento de capitais regionais, como Cáli, Medellín, Barranquilla e Cartagena.

Com o desenvolvimento do interior dos Países da América do Sul a tendência é que este quadro mude? Não. Muitas destas novas equipes não possuem torcida e a grande maioria das pessoas levam no coração as equipes das capitais – nacionais ou regionais. Na verdade o futebol do interior corre um sério risco em função da abissal diferença com equipes mais populares, em consequência, mais competitivas.