Archive for the 'Ídolos' Category



Imbróglios

Esta última semana ficou marcada pela renúncia de Alexandre ‘Sandro’ Rosell à presidência do FC Barcelona, acusado de apropriação indevida de recursos quando da recente compra dos trabalhos de Neymar. Isso não é novidade. Na Alemanha, Uli Hoeness – dirigente do Bayern de Munique – será julgado em Março por sonegação de impostos, mas o caso não levou a deixar o cargo que ocupa.

No mesmo dia do imbróglio blaugrana, Neymar posta uma foto sorrindo. A compra dele – e não ele – foi o pivô disso tudo. Além disso, vazam um vídeo íntimo de um zagueiro brasileiro. Obviamente o clube o dispensa – e não o demite – para tratar do assunto. Correta atitude, com bom senso, envolve a vida pessoal do funcionário. Em outras circunstâncias, caberia a demissão.

São centenas de polêmicas no mundo do esporte a cada semana.

Lição disso é a de que a indústria do esporte deve se proteger para preservar 1) o atleta, centro dessa indústria e o 2) torcedor/consumidor, o público-alvo dessa indústria. Há diversas formas de se proteger, é só estabelecer no contrato. Se – como acontece em inúmeras modalidades de alto-rendimento – o atleta/funcionário não pode andar de motocicleta ou esquiar (risco de lesão muito alto e isso acaba por interferir no resultado do produto esportivo), poderia também não postar qualquer parvoíce textual ou visual em rede social.

Quanto aos dirigentes, sugiro lembrar Raphaël Ibañez, antigo capitão da seleção francesa de rugby: ‘como queremos ser lembrados pela sociedade? As pessoas nos têm como exemplos. Sejamos os exemplos!

Money Talks

Ando intrigado por duas coisas, mas acredito ter as respostas!

1) Qual é a do Rodman em visitar com frequência a Coreia do Norte? Sem dúvida alguma é pra satisfazer as extravagâncias de Kim Jong-Un. Se não for por isso, não tem explicação.

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2) E o Botafogo FR celebrou contrato com a TelexFree, no Brasil relacionada ao esquema de pirâmide financeira, como foi o Santos FC, nos anos 90, com o patrocínio com a ‘AlphaClub’. Já escrevi aqui sobre associação a patrocínios, o quanto um pode valorizar o outro, ou o contrário, ou vice-versa.

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Amigos, a grana fala mais alto! A grana grita!

Sr Hélio

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O Brasil deve muito ao Sr Hélio Gracie, cujo centenário de nascimento acontece hoje, 1/10/2013. Graças a um trabalho na área que começou com ele, o país é visto como um celeiro de grandes atletas das artes marciais, mas, antes disso, de desportividade. Em meio a falsas e equivocadas impressões que os estrangeiros têm do Brasil – e até mesmo de nós mesmos -, o país é admirado e muito respeitado por quem no mínimo tem conhecimento de quem ele foi e o legado que ele deixou dentro e fora dos tatames.

Obrigado Sr Hélio por haver pensado muito adiante. Obrigado pelo exemplo.

Na seção ‘de Letra’, uma frase de Hélio Gracie

Museosportabilidade

Experiência. É o que um museu transmite aos frequentadores. Experiência de adentrar na história e reviver épocas. Um museu esportivo além disso, resgata os valores e a identidade de uma instituição e como ela foi sendo construída ao longo do tempo, a fim de cativar e fidelizar seguidores e simpatizantes.

O museu do FC Barcelona é o mais visitado daquela cidade, assim como o do futebol, em São Paulo. O memorial do Santos FC também. Os da União de Rugby da Nova Zelândia (NZRU), do Estádio Azteca e do futebol sul-americano, existem, possuem grande potencial, mas são pouco explorados. O esporte e as organizações esportivas fazem parte de contextos político-sócio-econômicos de uma sociedade e, associados à formação de uma identidade local, nada mais conveniente do que ganharem forma através de museus. Já dizia Marcel Mauss: ‘o futebol é um fato social total’.

Fisicamente ou não, cada apaixonado pelo esporte guarda um museu repleto de recordações. Essas recordações nos remetem a emoções positivas e dá mais magia ao ele, que se abastece de fatos dia a dia.

Veja como o Sport Lisboa e Benfica sabe bem utilizar a paixão de cada um dos seus adeptos e façam o quiz abaixo do video:

 

 

 

Sobre o Tempo

O drop de Wilkinson ao final do segundo tempo da prorrogação da final da Copa do Mundo de 2003.

O gol de Romarinho em uma La Bombonera repleta.

O gol de Gabiru pelo SC Internacional, contra um Barcelona tido como imbatível, em 2006.

Instantes que consagram ídolos. Que distinguem os herois das pessoas comuns, que correm o risco da desonra pública por algo maior. E conseguem. Essas pessoas cujas origens (social, política e econômica) são as mais desfavoráveis. A ascensão social no menor espaço de tempo e imprevisibilidade, tornando-os espelhos para uma juventude inteira. Eles provocam tensão, espelham o conflito, representam a ansiedade. A evidente meritocracia: talvez o esporte (algumas modalidades, pelo menos) seja um dos poucos ambientes em que mesmo o melhor faz parte das seleções nacionais, das equipes, ou seja, se alguém faz parte de uma elite, é porque merece.

O gol de Viola na decisão do Paulista de 1988.

O gol de Maurício, pelo Botafogo, na decisão do Carioca de 1989.

A cesta de Belov, nos centésimos de segundos finais da decisão Olímpica de 1972.

abaixo, o drop de Wilkinson, na final do Mundial de rúgbi de 2003:

Foto: a cesta de Belov na decisão do basquete nos Jogos Olímpicos de 1972

Além de Palavras

#300

Em todos os idiomas, toda palavra possui a sua origem e tem um significado. Quando a pronunciamos, no entanto, o homem é capaz de conferir a ela um significado completamente distinto. Quando se conta um fato, por exemplo. Mais ainda quando se vive este fato. Contar estes fatos, ao vivê-los, é uma arte. Processar milhares de informações que estão a disposição em um determinado momento e, no menor espaço de tempo,  transformar tudo isso em palavras, que devem ser ditas o mais rápido possível, para não perder as outras milhares de informações que vêm a seguir, é para poucos. São magos desta arte.

Comecei a admirá-los quando criança, quando ainda passava na TV Cultura, nos sábados à tarde, o programa ‘Grandes Momentos do Esporte’. Tudo bem, o futebol era mais lento, cadenciado, mas a arte de narrar, a mesma. Me encantava com as narrações do Luiz Noriega, quando depois dos gols, ele repetia: “Esporte também é Cultura” (e é isso mesmo, por isso o considero um visionário):

Mas é esta narração que consegue me deixar feliz e infeliz ao mesmo tempo:

Infeliz porque é um passado que não volta e eu não vivi nada daquilo. Porém, muito mais feliz, por que é o XV! Imaginar esses gols sem os relatos de Noriega não teriam absolutamente a mesma graça.

O narrador esportivo lida com a paixão o tempo todo e está sob constante avaliação de milhões de pessoas pelo mundo. É difícil agradar a todos, saber exatamente todas as informações, acertar todos os detalhes. Não, não se agrada a todos os ouvidos, não se sabe exatamente todas as informações e os detalhes passam desapercebidos quando ele deve prestar atenção a milhares de tantos outros detalhes. Vejam só este video, com Grant Fox, minha referência no rúgbi:

Vasculhei pelo YouTube inúmeras narrações, vários bons exemplos que podia citar aqui. Mas todos eles são muito bons! Esqueçam a equipe para quem eles puxam, esqueçam os erros (todos nós erramos), atentem-se aos fatos. Narrador ruim é aquele que não ama o que faz. E narrador bom, não é bom sozinho. Tem que haver um ótimo comentarista e uma grande equipe em campo e fora dele, responsáveis pelo infarto, ou melhor, emoção que você vai sentir em casa, no carro, onde quer que seja. Afinal, você procura o esporte para fugir da rotina, viver a tensão e o conflito entre opostos. Por isso mesmo que eles, os cronistas, são elementos do esporte. Fiquem com Jorge Perestrelo, de Portugal:

Para eles, um tiro-de-meta é muito mais que uma reposição de bola em jogo; uma falta é um crime; um escanteio contra, uma ameaça bélica; uma defesa a favor, digna da máxima condecoração nacional; um cartão amarelo ou vermelho, conspirações; um gol a favor transforma-se em orgasmo. Orgasmo público! E é o esporte talvez o único meio em que você pode demonstrar publicamente suas emoções, sem ser julgado pela sociedade.

Este texto – que por sinal é o número 300 deste blog – é dedicado a eles, no dia em que me tornei habilitado a desempenhar esta função. Estou longe de ser locutor, me especializei nisso para ajudar na minha atuação como comentarista, para, pelo menos, acompanhá-los mais de perto.

Legado à Cubana

Teófilo Stevenson (à direita)

Teófilo Stevenson (à direita)

O cubano Teófilo Stevenson foi o maior pugilista não-profissional de todos os tempos. Faleceu ontem, aos 60 anos. Só não foi tetracampeão Olímpico porque Cuba boicotou os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Das 321 lutas que disputou, venceu 301 e nunca perdeu por nocaute.

Grande atleta, sem dúvida alguma. Também grande em seus valores e princípios. Por muitas vezes tentaram levá-lo para fora de Cuba, por milhões de dólares. Não conseguiram. Leal aos seus princípios, Stevenson continuou a viver na ilha e transmitir o boxe para milhares de crianças. Ele dizia: “fora daqui eu não serei feliz”, e por lá ficou. Vários podem dizer que foi colaborador do regime de Fidel Castro, por isso da sua permanência em Cuba, mas esta é outra história. Importante é que ele foi leal aos seus ideais – algo muito difícil atualmente – e passou adiante todo o seu conhecimento em benefício da juventude, em benefício de seu País.

Em suma, Teófilo Stevenson deixou um legado. Dinheiro, fama, imprensa, patrocinadores, seduzem. Vejam bem, não há nada de errado em aceitar uma vida assim, desde que os valores do esporte se mantenham. Entretanto, na maioria das vezes, isso não acontece. Mesmo assim, Stevenson não se deixou levar. Exemplo de compromisso com a sociedade.


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Esses Dias na História

20 de Novembro

1994 – O governo de Angola (MPLA) e os rebeldes (UNITA) assinam o protocolo de Lusaka, no Zâmbia, e colocam fim a 19 anos de Guerra Civil

21 de Novembro

1902 – O Philadelphia Football Athletics derrota o Kanaweola Athletic Club de Elmira/NY por 39 a 0, no primeiro jogo profissional do Futebol Americano jogado à noite

22 de Novembro

1975 – Juan Carlos é declarado Rei da Espanha, após a morte do Gral. Franco

23 de Novembro

1971 – A República Popular da China ganha a vaga da República da China no Conselho de Segurança da ONU

24 de Novembro

1973 – É imposto limite de velocidade nas “AutoBahns” alemãs em função da crise do petróleo. Esta imposição dura apenas 4 meses.

25 de Novembro

1966 – Primeiro link de TV entre o Reino Unido e a Austrália

26 de Novembro

1917 – Formação da National Hockey League/Liga Nacional de Hóquei (NHL) com as seguintes equipes (todas canadenses): Montréal Canadiens, Montréal Wanderers, Ottawa Senators, Québec Bulldogs e Toronto Arenas

27 de Novembro

***Dia de São Virgílio***

1971 – O programa espacial soviético comemora a chegada do módulo “Mars 2”, o primeiro objeto produzido pelo homem a atingir a superfície do planeta Marte

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