Archive for the 'Legado' Category



Missionários

No universo do marketing esportivo fala-se muito da digressão, da excursão de equipes esportivas para o exterior para fins comerciais. Na primeira metade do século XX elas aconteciam mas com finalidades mais ‘românticas’. As equipes de futebol da Inglaterra, da Itália e da Espanha vinham com frequência para a América do Sul. No entanto, não havia a lógica de mercado como existe hoje.

Atualmente essas equipes vão para a Ásia e a América do Norte: é comum ver Arsenal, Manchester United e Internazionale jogarem contra times da MLS (Major League Soccer). Por outro lado, franquias e ligas da América do Norte vão para a Europa e Ásia, como a NFL que organiza jogos em Londres e a NBA que tem o “Global Tour”. Iniciativas como esta posicionam a franquia, o jogo, a liga e o país, Estados Unidos (isso explica de as logos das ligas estadunidenses terem as cores branca, azul e vermelha). No século XIX o beisebol já fazia a política externa americana.

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Se na antiguidade as Cruzadas e as navegações tinham como um dos objetivos a catequização de outros povos. As digressões esportivas não deixam de ser diferentes, mas com outra religião.

Multinacional

Temos na história alguns casos de megaeventos esportivos multinacionais. As Copas do Mundo de Rugby de 1991 e de 2007 são exemplos, além da EURO 2000 (Bélgica e Holanda) e do Mundial FIFA de 2002 (Coreia do Sul e Japão).

No entanto a proposta para o campeonato europeu de seleções de futebol de 2020 é sem precedentes. Foram escolhidas 13 cidades por todo o continente para abrigarem jogos de todo o torneio. São elas: Londres (ING), Glasgow (ESC), Baku (AZE), Bruxelas (BEL), Copenhague (DIN), Munique (ALE), Budapeste (HUN), Bilbao (ESP), Bucareste (ROM), Roma (ITA), São Petersburgo (RUS), Amsterdã (HOL) e Dublin (IRL).

Isso só é possível graças a um nível de integração política, de transporte e telecomunicações que apenas a Europa possui. Excelente iniciativa, além de muito boas cidades as escolhidas (em minha opinião faltou alguma de Portugal e da Escandinávia).

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Baku, no mar Cáspio, capital do Azerbaijão

100 Mil

Obrigado pelas 100 mi visitas deste blog, atingidas ontem, 26 de Junho! Não divulgo tanto (100 mil visitas em quase 7 anos não é muito), mas são 408 textos além das curiosidades nas seções da barra acima, como: “Utilidade Pública”, “de Letra”, “Quiz” e “Anúncios de Graça”.

Mais uma vez obrigado,

Virgílio

A África do Sul, o Futebol e o pós-Apartheid

Maior economia da África, a República da África do Sul está fora do Mundial FIFA 2014. O estereótipo prevalece: um país com  população de maioria negra (em que os leigos dizem que preferem mais o futebol) não poderia ficar de fora.

Ora, os sul-africanos foram os anfitriões do último evento, mas o futebol por lá não dá grandes avanços. Não é a modalidade preferida deles. Lembro-me que quando lá estive, desembarquei no aeroporto de Joanesburgo (O. R. Tambo) durante um jogo. O aeroporto praticamente ‘parado’ com os olhos na TV. Não era futebol. Era jogo do antigo “Tri-Nations”, entre a Nova Zelândia e os Springboks.

Fish e Tovey

Fish e Tovey

Há mais negros hoje no rugby sul-africano de alto-rendimento do que brancos no futebol. E havia mais antes. Exemplos não faltam: Nos anos 1990, os dois craques dos Bafana-Bafana (montagem acima) eram brancos: Mark Fish e Neil Tovey (capitão da equipe campeã da Copa Africana de Nações de 1996). Hoje, as principais estrelas dos Springboks são negras: Cecil Afrika, Bryan Habana, por não falar em Tendai Mtawarira (montagem abaixo).

Afrika e Mtawarira

Afrika e Mtawarira

Uma equipe nacional multicultural representa muito – mas muito – mais os habitantes daquele país do que uma equipe apenas de brancos (como era a seleção de rugby/Springboks durante o Apartheid) ou de negros (como é a do futebol de hoje/Bafana-Bafana, pós-Apartheid).

Ademais, tudo isso teve o dedo de Mandela. Soube ele em 1995 trabalhar com o rugby ao transferir para a equipe nacional a representação da “Rainbow Nation” que ele propunha quando da sua eleição à presidência, em 1994 e, com isso, conferir ideia de nacionalidade, pertencimento e, consequentemente, integridade territorial, apesar de apenas Chester Williams ser o único não-branco da equipe. A vitória dos Springboks naquele mundial de rugby de 95 simbolicamente era a vitória do novo país, do sucesso de uma sociedade multiétnica e multicultural.

Não me surpreende o futebol da principal economia africana estar fora do Mundial. O esporte preferido deles, além de ser a manifestação desportiva do Estado-Nação da África do Sul – assim como falei do Brasil no texto anterior – é, sem dúvida alguma, o rugby.

O que a Copa do Mundo FIFA deixou de legado para o futebol da África do Sul? Até agora nada que se possa perceber. Talvez tenha influenciado geração cujos resultados serão apenas colhidos em quinze, vinte anos.

 

À Prova

Não dá pra levar a sério um país onde, em um jogo de futebol da primeira divisão de profissionais, do principal esporte do país, torcedor entra com uma barra com pregos na ponta para atingir torcedor da equipe adversária. Onde acontecem brigas de torcida, sem a presença de policiais.

E os organizadores se defendem: ‘ah, mas não quiseram polícia no contrato’.

Ora, não levam a vida humana a sério! É para esse tipo de gente que conferimos autoridade pública? Não devíamos.

Ontem um turista canadense foi morto em uma autoestrada no litoral de São Paulo. Hoje essa briga em Joinville. Neste momento em que vos escrevo converso com um amigo no whatsapp e ele diz que o que viu pela TV eram cenas de barbárie. E estamos no século XXI.

2013 foi um ano que passou a colocar o Brasil à prova. Se o Brasil quer ser uma grande nação e reconhecida como tal, é preciso agir para. Tudo isso a prazo contribui na construção do ‘Produto Brasil’, vendido mundo afora. Atualmente, o ‘Produto Brasil’ é: sexo, drogas, violência extrema, bunda, futebol, violência extrema no futebol, chinelo, preguiça, caipirinha e falta-de-compromisso.

Com tudo isso dou toda razão à Fernanda Lima, em sua declaração depois de apresentar a cerimônia do sorteio de grupos do Mundial FIFA 2014, perguntada se tentaria a carreira internacional:

“Bem que eu gostaria, mas tem a barreira da língua e a barreira cultural, que sempre existirá por mais que a gente tente.”

Língua não é barreira. Ela tem um inglês impecável!

Cultura sim. Olhem como os outros veem o nosso país.  

Justa Escolha

Tóquio foi escolhida no último sábado (7) a sede dos Jogos Olímpicos de 2020. O Japão portanto sediará dois dos eventos mais vistos do tokyo 2020planeta em dois anos: mundial de rugby (2019) e as Olimpíadas, no ano seguinte. Para acrescentar, o Extremo Oriente em três anos receberá 3 dos maiores e mais vistos eventos esportivos, um em cada ano: Jogos Olímpicos de 2018 em Peyongchang (Coreia do Sul) mais os dois citados antes. Duas Olimpíadas e um mundial de rugby.

Justa escolha. Não foram os protestos turcos nem o conflito na Síria que influenciaram o COI na decisão. Se fosse por isso Pequim não seria a escolhida porque faz fronteira com países em constante belicismo (Afeganistão, Paquistão e Coreia do Norte). Ou nem em Seul (1988), já que tecnicamente as duas coreias ainda estão em guerra desde 1953. Perderam Espanha e Turquia pelos recentes escândalos de doping, sobretudo com os espanhóis. E isso o princípio Olímpico não aceita. O Japão, alheio a tudo isso, passou limpo e foi escolhido.

As Olimpíadas agora voltam-se para o Extremo Oriente, berço de sociedades com ideais, princípios e valores que se encontram com aquilo que o Olimpismo prega. Vão os Olímpicos praquele lado do planeta a fim de restaurar e resgatar o espírito do esporte.

#Seedorf

A presença de Clarence Seedorf no cenário esportivo do Brasil tem sido excelente não apenas para o esporte dentro de campo, mas fora dele também. Impressiona o profissionalismo do atleta, clareza, sinceridade e objetividade nas ações e no discurso. É extremamente competitivo eseedorf1 preza pela concentração total no trabalho, quer seja dele, quer seja dos seus colegas de equipe. A reprimenda ao companheiro que reclamava com o árbitro no último jogo contra a Portuguesa de Desportos, é prova disso.

Tamanho profissionalismo enobrece o jogo e o esporte, vai contra todo o comportamento mesquinho da dissimulação, simulação e pequenez da sociedade. É o ‘fala muito’ do Tite. De falar muito e fazer pouco, da falta de atitude, da inércia e de tentar justificar o injustificável. Tudo isso reflete de maneira escrota e nojenta no nosso dia-a-dia: de jogar lixo nas ruas, da agressividade no trânsito, de levar vantagem na vida em prejuízo do próximo.

Obrigado Seedorf por estar por aqui e com pequenos gestos poder mostrar o que falta – e como podemos fazer – para o Brasil ser grande, de facto.



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