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#soyrugbyGuadalajara

De hoje e por durante uma semana este blogueiro estará em Guadalajara, México, para acompanhar a Seleção Brasileira de Rugby Sevens nos Jogos Panamericanos. As partidas serão no sábado (29) e domingo (30).

Neste blog você terá informações e análises sobre o mundo do esporte mexicano.

Caso queira saber mais da Seleção Brasileira de Sevens, acompanhe no Rugby Brasil, do portal globoesporte.com

#soyrugbyGuadalajara

Questões Internacionais

Foram apontados como principais fatores para o futebol ser usado para crimes financeiros: amadorismo, fácil acesso à administração dos clubes, organogramas dos clubes são complexos e descumpridos, além da internacionalização do esporte. No entanto, um fator pode conduzir a outro.

A internacionalização do esporte contribui para a pressão por resultados, competitividade e lucro. Para potenciarem estes resultados, o esporte terá que ser profissional não apenas dentro de campo, mas também em sua gestão. Uma organização esportiva direcionada ao mercado, fará com que seus organogramas sejam mais bem definidos e sua estrutura, de difícil acesso e comprometida com normas e regulamentos, a fim de um resultado comum.

Assim acontece nas empresas privadas. A expansão dos mercados é uma tentativa para conseguir lucro. A Penalty tem feito isso e uma iniciativa foi a de patrocinar o goleiro Victor Valdés, do FC Barcelona (ESP). Assim fazem também as ligas europeias, cujas partidas são televisionadas pelo mundo todo e mais e mais crianças e adolescentes compram camisas e souvenirs de clubes ingleses, italianos, espanhóis e alemães. Eventos e torneios reconhecidos em todo o mundo, geradores de emprego e renda.

Um dia – quem sabe – as organizações esportivas no Brasil sejam mesmo orientadas pelo mercado. Dessa forma, geradores de riqueza para o País.

Toucas e Boas

Foi por pouco que Leonardo de Deus não perdeu a medalha de ouro nos Jogos Panamericanos. Isso porque Leonardo usava a marca da “Yakult” em sua touca.

Leonardo de Deus no Mundial de Natação (Getty Images)

Leonardo de Deus no Mundial de Natação (Getty Images)

Patrocinadores não são permitidos nos equipamentos esportivos tanto nos Jogos Olímpicos quanto no Pan, a não ser a marca da fornecedora dos equipamentos, como Olympikus, adidas, Reebok, Mitre e Nike. O handball joga sem a marca de seu banco patrocinador na camisa, tampouco o símbolo da CBHb. No entanto, é a Penalty, fornecedora da CBHb que faz os uniformes, só que para não associar a Penalty à CBHb, em lugar do distintivo da entidade, estará estampada a bandeira do Brasil. Da mesma maneira será a Topper com a Seleção Brasileira de Rugby Sevens. Ela fará os uniformes do Brasil para o Pan, mas em lugar do escudo da CBRu, irá a bandeira do Brasil. Símbolos do COB e do “Time Brasil” não podem, uma vez que apenas a fornecedora oficial do COB, a Olympikus, podem utilizá-los.

Caso semelhante ao de Leonardo de Deus passou o nadador Edvaldo Valério, quando da medalha de bronze do Brasil no revezamento 4x100m nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000), junto com Gustavo Borges, Fernando Scherer e Carlos Jayme. O nadador usava em seu traje o logo do antigo BANEB (Banco do Estado da Bahia), o que quase custou a desclassificação do quarteto. A “Yakult” é parceira da FINA (Federação Internacional de Natação). Mas foi considerado também que a touca era espécie de amuleto para o

No entanto é um risco por que não vale a pena correr.

Conexões Esportivas do 11 de Setembro

Não é sobre o ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, mas sim sobre o 1º “11 de Setembro”, o chileno, em 1973, do Golpe de Estado sobre o então Presidente, Salvador Allende.

Para entender: Allende tinha um governo de orientação socialista (Marxista), o que desagradava a elite chilena, a Igreja e Países que tinham negócios no Chile, que acabaram por apoiar uma Junta Militar para depô-lo. O líder desta Junta era o então General Augusto Pinochet. Em 11-09-1973 o Palácio da Moneda (sede do governo chileno) foi bombardeado e o Presidente Allende, encurralado, cometeu suicídio. Após o episódio a Junta Militar se estabeleceu no poder e, semanas mais tarde, nomeou Pinochet como Presidente do País.

Allende com o Colo-Colo, em 1973 (Revista Estádio)

Allende com o Colo-Colo, em 1973 (Revista Estádio)

O esporte está envolvido nesse golpe. À medida que o Colo-Colo (clube de futebol mais popular do Chile) avançava na Copa Libertadores da América daquele ano, mais o golpe de Estado era adiado. Inicialmente estava programado para Abril e Maio. Faz sentido, já que a equipe de futebol desviava a atenção da população para o esporte em detrimento da política. Mesmo não sendo fanático pelo jogo, diziam que Allende ficava mais tranquilo a cada vitória do Colo-Colo. Colocolino fanático, Pinochet e aliados sabiam que o golpe não teria adesão popular caso fosse executado durante a euforia popular pelo futebol. Segundo o jornalista Víctor Gómez, o futebol era, naquele momento, o único ponto de união de um País prestes a viver a pior crise de sua história.

O Colo-Colo perdeu a final da Libertadores para o Independiente, em Junho de 1973.  No mesmo ano, a Seleção Chilena passa pelo Peru nas Eliminatórias para o Mundial FIFA 1974. Passava a enfrentar, na repescagem, a União Soviética, País socialista e que diplomaticamente estava muito próximo do governo Allende. O golpe de Estado serviu para anular o socialismo que crescia no Chile. No primeiro jogo, em Moscou, em 26-09-1973 (15 dias após o Golpe de Estado), vitória chilena por 2 a 0. O jogo de volta estava marcado para Novembro daquele ano.  Temendo pela segurança da sua seleção, os soviéticos recusaram-se a viajar para o Chile. Perderam por W.O. (Walk-Over) e os chilenos se classificaram para a Copa do Mundo FIFA de 1974. Meses mais tarde o Estádio Nacional (onde seria o jogo contra a União Soviética) tornava-se presídio a céu aberto para perseguidos políticos.

Caszely

Caszely

Caszely, principal jogador do Colo-Colo e da Seleção Chilena, teve um familiar preso pela ditadura de Pinochet. Dizem que só jogou o Mundial de 1974 sob a condição de que soltassem seu parente. E assim foi.

E assim foi também outras vezes. Quatro anos mais tarde, o argentino Videla usava o Mundial FIFA de 1978 como ferramenta de promoção do governo. Essa relação é inevitável. O esporte age sobre as massas e governos trabalham diretamente com elas. Isso não vai acabar.

4 Anos

Este blog completou no último dia 30, 4 anos no ar. Durante este tempo, são até agora 260 textos e mais de 65 mil visitas. Além do blog, esta página também oferece as seções “Utilidade Pública” (informações em geral), “Ficha Técnica” (sobre o autor), “Quiz” (perguntas malucas sobre o esporte em geral), “de Letra” (célebres declarações de pessoas envolvidas com o esporte e “English Version” (para os gringos que visitam o site e querem entender algo do que ele se trata).

A proposta do blog é fazer uma ligação entre o esporte e o planeta no âmbito da sociedade, da economia, do meio-ambiente, da educação, cultura, da medicina, das relações internacionais, da gestão, do marketing e várias outras áreas afins. A frase “Veja longe, fale francamente e aja firmemente” é lema de Pierre de Coubertin, mentor do Movimento Olímpico moderno, compartilhada aqui por este blogueiro.

Estive ultimamente um tanto ausente em função das minhas atividades com o Blog Rugby Brasil.

Obrigado aqui por estes 4 anos em que pude dividir com vocês aquilo que acredito e amo. E que venham mais!

Mundial de Rugby

Acompanhe a Copa do Mundo de Rugby e tudo sobre a modalidade no Brasil no “Blog Rugby Brasil” do globoesporte.com: http://globoesporte.globo.com/platb/rugbybrasil/

Impressões Kiwis

Recentemente este blogueiro esteve na Nova Zelândia, para a Copa do Mundo de Rugby. É um País pequeno (tamanho do estado de São Paulo), com cerca de 5 milhões de habitantes, que recebeu o 3º maior evento esportivo do planeta.

De Auckland, extremo norte, onde desembarquei, até Invercargill, extremo sul (local de Argentina-Romênia), são 1700 kms. Nesses dias em que lá estive os voos não se atrasaram, havia vagas em hotéis e backpackers, voos não foram cancelados, o transporte público esteve impecável e a organização do evento, também. Éramos orientados nos estádios por voluntários munidos de megafones, que nos indicavam os portões de acesso e, à saída, onde pegávamos os ônibus, gratuitos, para onde queríamos voltar. Havia turistas por todos os cantos. Só não encontrávamos lugar nos pubs e restaurantes à hora dos jogos. Caso quiséssemos garantir lugares, tínhamos que chegar aproximadamente 3 horas antes dos jogos.

Acessos ao jogo França-Japão

Acessos ao jogo França-Japão

Outro ponto observado foi a quantidade de grupos de excursão, realizados através de agências especializadas em “turismo esportivo”, sobretudo grupos do Reino Unido. Era comum vermos agasalhos das agências de turismo com as inscrições: “Sports Travels” ou “Sports Tours”. É um segmento em que apenas uma empresa atua no Brasil, inexplorado e desconhecido no País, mas com um grande potencial em função do alto interesse dos Brasileiros pelos eventos esportivos.

Acessos internos do estádio de Wellington

Acessos internos do estádio de Wellington

Segurança, conforto, facilidade e respeito. Não é difícil tratar o torcedor como consumidor. No Brasil, o futebol não consegue fazer isso. O voleibol sim, consegue. O rúgbi no Brasil anda para a mesma direção do vôlei e tem totais condições de consolidar e ser caso de sucesso de bons exemplos de gestão esportiva no País. E está fazendo por onde.

Grande Clube Grande

“A big great club”

Hoje é aniversário de três clubes de futebol que conheço. Obviamente deve haver mais, mas cito aqui o Corinthians, o Noroeste e o Avaí. Dois deles foram fundados no mesmo ano inclusive: Noroeste e Corinthians, em 1910. O Avaí surgiu 13 anos mais tarde, em 1923. Não é difícil dizer qual destes clubes é maior, em palmarés e tamanho. Um possui alcance local (Noroeste), outro regional (Avaí) e o terceiro, nacional/mundial (Corinthians).

Foram fundados mais ou menos à mesma época, até no mesmo ano, mas que fatores podem ter contribuído para um se tornar maior que o outro? Apontarei aqui alguns fatores:

1) Cidade: São Paulo não era a principal cidade do País até os anos 60, mas era a que mais crescia em economia e população, além de ser a sede do governo estadual. Bauru também é importante, mas não tem a projeção de São Paulo. Florianópolis, é capital de estado, entretanto nem é a maior cidade de Santa Catarina, nem a segunda maior. Isso favorece em longo prazo o crescimento do número de torcedores e investimentos no clube, uma vez que os patrocínios e infra-estrutura dependerão bastante das atividades econômicas do município.

2) Resultados: grande parte da torcida Corinthiana no interior do estado e pelo Brasil surgiu após os torneios “Rio-São Paulo”, ou seja, a exposição da equipe em grandes competições para além das fronteiras da cidade e do estado, é potencial contribuinte para o aumento da base de torcedores. Assim não foi com o Avaí; assim também não foi com o Noroeste. Atualmente, os clubes do interior não tem tido resultados tão expressivos como são os dos clubes de capitais, o que tem levado a um desinteresse por parte de seus torcedores. Dos três clubes, o paulista é o que tem melhor palmarés. O Avaí ocupa uma posição intermediária, com títulos estaduais.

Torcidas do Noroeste, Avaí e Corinthians (fotomontagem)

Torcidas do Noroeste, Avaí e Corinthians (fotomontagem)

3) Identidade: os clubes representam uma identidade e os torcedores buscam torcer para uma equipe a fim de perceberem um sentimento de pertencimento a algo. Assim é o Palmeiras, que nos primórdios atraía a Colônia Italiana de São Paulo; o Vasco com a Colônia Portuguesa do Rio; o Inter é o clube do povo no Rio Grande do Sul, assim como são Corinthians e Flamengo. O Avaí é um dos representantes de Florianópolis, capital de Santa Catarina, cidade que é centro e referencial – pode não ser o econômico – para todo um estado. O Noroeste, é de Bauru, representa toda uma cidade. No entanto, São Paulo é maior em número de habitantes do que as outras duas cidades.

4) Ídolos: surgem em função da estrutura do clube. Se ele está em uma cidade de economia maior, a infra-estrutura da cidade e do clube acompanha este ritmo e atrai potenciais jogadores com habilidade para se destacarem na equipe principal. Se a população da cidade for maior, mais ele estará exposto à mídia, uma vez que o consumo será maior (jornais, internet, rádio, TV, publicidade). Ademais, a mídia dessa tal cidade maior terá projeção com alcance mais nacional do que em comparação com outra, de menor porte. Soma-se isso à disponibilidade de recursos humanos para surgir ídolos, em se considerando a região metropolitana: a de São Paulo tem mais habitantes que a de Florianópolis, que é maior que a cidade de Bauru. Portanto, a probabilidade de surgimento de ídolos torna-se alta no maior centro urbano. Já os ídolos atraem estes torcedores. Quanto maior a projeção do ídolo, mais torcedores ele será capaz de atrair. Surgem ídolos no interior, obviamente. No entanto, os clubes de lá não possuem projeção e não tem condições de aumentar os salários destes atletas, que acabam por serem transferidos a clubes de centros maiores.

Esta não é a fórmula mágica para um clube se tornar grande. Os três clubes são grandes, dentro do contexto de cada um – de cidade, de estado e de País – mas sobretudo porque contribuem à sua maneira e possibilidade, para o esporte brasileiro.

Ídolos

Algumas modalidades no Brasil recentemente têm enfrentado crises em termos de resultados expressivos e números de praticantes. Resultados também constituem fator que contribui para o número de praticantes. No entanto, estes resultados são gerados por expoentes em cada modalidade, em outras palavras, os ídolos.

Tomamos dois exemplos no Brasil: o basquetebol e o pugilismo. As grandes figuras do basquete nacional (masculino) atuam fora do país e possuem um historial recente de desentendimentos com Comissão Técnica e Corpo Diretivo da Seleção Brasileira, ou seja, pouco ou nada atuaram sob as cores nacionais, elemento necessário para a identificação torcedor/ídolo. O boxe atravessa um processo parecido. O último foi Popó Freitas, há alguns anos. Ao mesmo tempo que Popó se retirava dos ringues, os brasileiros se destacavam em outros esportes de luta, como o UFC, enquanto que não houve “substituição” de Popó. Com isso, parte do público do boxe passava a acompanhar essas outras lutas, enquanto que – com um produto bem trabalhado – conquistava outro em potencial.

Éder Jofre, referência do boxe nacional (idadecerta.com.br)

Éder Jofre, referência do boxe nacional (idadecerta.com.br)

O contrário aconteceu com o tênis e com a vela. Guga e Meligeni são claros exemplos de como os ídolos influenciam na repercussão da modalidade e no crescimento do número de praticantes. A vela também, com os irmãos Grael, com Robert Scheidt, Isabella Swan e Marcelo Ferreira. Obviamente velejadores não são vistos ao Brasil aos milhares, tampouco está perto de ser um esporte popular, porém, apesar de restrito, possui grande presença na mídia – em função de ter sido o esporte que mais deu medalhas de ouro ao Brasil nos Jogos Olímpicos – e progressivo aumento no número de atletas.

O mesmo caminho quer seguir – e está seguindo – o Rugby: criar ídolos e referências para gerações futuras, ao incentivá-los a serem como eles ou mesmo superá-los.

Ary Graça, hoje presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, dizia há 40 anos que, para o voleibol crescer, era preciso criar referências. E assim foi, com a “Geração de Prata”, vice-campeã do Mundial de 1982 e das Olimpíadas de 1984; depois vieram as medalhas de ouro e os campeonatos mundiais, juvenis e adultos. Exemplo a ser seguido.

Big Brother

Por “Big Brother” conhecemos a prática de monitoramento e vigilância de pessoas e seus hábitos, comportamentos e costumes. Remete ao livro “1984”, de George Orwell, e sua utilização se dá um programas de TV em que indivíduos ficam confinados em uma casa. Isso todos sabemos.

Um espetáculo esportivo também pode ser um “Big Brother”. Para onde olhamos durante um jogo de futebol? O nosso olhar e análise é diferente de acordo com a atividade profissional e paixão dos espectadores? Sim, é possível, haja vista como no Rugby os árbitros assistem e analisam os jogos. Talvez os mais apaixonados vejam a técnica e tática, assim como os colunistas de diários esportivos. Os profissionais da gestão do esporte talvez olhem para outro lado, bem como sociólogos e antropólogos: podem estar até mesmo infiltrados nas massas e de costas ao campo de jogo. Independentemente de estarem de costas, são, como espectadores, elementos do esporte.

Para onde olhamos? O “eye-tracking” é um aparelho muito utilizado em simuladores de voo e de condução de automóveis, treinamento esportivo, estudos cognitivos e pesquisas médicas. Detecta e monitora o ponto de visão das pessoas. Devido ao seu trabalho, podemos aplicá-lo no marketing esportivo, assim como já é e existem alguns estudos na área. Podemos olhar os jogos, a técnica, a tática, e podemos também reparar na publicidade no perímetro do campo, na camisa dos jogadores, em quando tempo dura um anúncio em uma placa de LED à beira do gramado e por quanto tempo reparamos na marca das luvas dos goleiros e na coleção das chuteiras do fulano ou beltrano.

Um aparelho de "eye-tracking" (foto: geekfuzion)

Um aparelho de "eye-tracking" (foto: geekfuzion)

O lugar para onde olhamos pode sim variar de acordo com o que realmente nos interessa em um espetáculo esportivo.


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