Archive for the 'Esporte e Política' Category



Do Equador, com Eficiência

Se perguntássemos às pessoas sobre o que elas conhecem ou sabem sobre o Equador, é bem provável que saibam muito pouco. No entanto, se essa pergunta fosse feita àqueles que acompanham o esporte e especificamente o futebol, possivelmente diriam: “É o país da LDU”.

A LDU (Liga Deportiva Universitária), equipe profissional da capital, Quito, venceu a Santander Libertadores em 2008, a Nissan Sul-Americana em 2009 e é finalista em 2011. O esporte e o futebol do Equador nunca foram referência. Na última década conseguiram ir a dois mundiais (2002 e 2006), mas nada que desfizesse uma imagem de azarão na América do Sul. Nas questões políticas e econômicas, o país e extremamente instável, o que contribui para um baixo investimento externo e crescimento econômico, ao forçar centenas de milhares de equatorianos a imigrarem para os Estados Unidos e Espanha, principalmente.

Essa equipe de futebol mostra através da TV, um Equador eficiente, competitivo, detalhista e objetivo. O público em geral fica com boas impressões do futebol daquele país, mas sobretudo, do Equador. Entretanto sabemos que não acontece nada disso. Assim como Franco fez com o Real Madrid nos anos 1950, Rafael Correa (presidente do Equador) pode fazer o mesmo com a LDU hoje.

“Boom”

Uma das metas de governo do recém-eleito presidente da Guatemala, Otto Pérez, é levar o país para uma Copa do Mundo de futebol. Em termos de política e projeção internacional, justifica-se a meta. Até mesmo o período do mundial FIFA pode significar um aumento temporário do nível de emprego, haja vista a confecção de produtos com as cores nacionais da Guatemala e da quantidade de pessoas que serão necessárias em bares e restaurantes para servir à mesa. No entanto, tudo isso é muito temporário e, a longo prazo, tal meta não traria grandes resultados.

Longo prazo. Este termo é fundamental. Pela crise econômica da Europa se entende o “boom” dos negócios no futebol brasileiro. Repito, é um “boom”. Como todo “boom”, a poeira abaixa depois de um tempo. Por isso é preciso ter cuidado e para um crescimento ser sólido e constante, é necessário, planejamento. O Santos argumentou bem a manutenção de Neymar no plantel: o crescimento do número de torcedores. Número de torcedores = consumidores. Flamengo e Corinthians querem ser os maiores do mundo. E pode. As equipes europeias, cujas projeções são muito maiores, não tem o mesmo número de torcedores que eles. Para a projeção ser maior, basta tratar o esporte com mais profissionalismo. Já é bem profissional “dentro de campo”, setor em que os resultados saltam mais aos olhos. É preciso ser profissional também nos bastidores.
No Brasil tal fenômeno não é exclusivo do futebol. Outras modalidades passam pelo mesmo processo. Os Jogos Olímpicos constituem um fator para. Como todo “boom”, a poeira abaixa e um cenário de crise poderá vir. Quando – e se – vier, é preciso estar preparado para não se arrepender do que não foi feito.

O bom momento – não é o melhor – do esporte no Brasil não se explica somente pela crise em outros lugares do mundo. É sobretudo um aviso de uma chance para mudarmos em definitivo os rumos do esporte no país e projetá-lo internacionalmente pelos bons exemplos.

Conexões Esportivas do 11 de Setembro

Não é sobre o ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, mas sim sobre o 1º “11 de Setembro”, o chileno, em 1973, do Golpe de Estado sobre o então Presidente, Salvador Allende.

Para entender: Allende tinha um governo de orientação socialista (Marxista), o que desagradava a elite chilena, a Igreja e Países que tinham negócios no Chile, que acabaram por apoiar uma Junta Militar para depô-lo. O líder desta Junta era o então General Augusto Pinochet. Em 11-09-1973 o Palácio da Moneda (sede do governo chileno) foi bombardeado e o Presidente Allende, encurralado, cometeu suicídio. Após o episódio a Junta Militar se estabeleceu no poder e, semanas mais tarde, nomeou Pinochet como Presidente do País.

Allende com o Colo-Colo, em 1973 (Revista Estádio)

Allende com o Colo-Colo, em 1973 (Revista Estádio)

O esporte está envolvido nesse golpe. À medida que o Colo-Colo (clube de futebol mais popular do Chile) avançava na Copa Libertadores da América daquele ano, mais o golpe de Estado era adiado. Inicialmente estava programado para Abril e Maio. Faz sentido, já que a equipe de futebol desviava a atenção da população para o esporte em detrimento da política. Mesmo não sendo fanático pelo jogo, diziam que Allende ficava mais tranquilo a cada vitória do Colo-Colo. Colocolino fanático, Pinochet e aliados sabiam que o golpe não teria adesão popular caso fosse executado durante a euforia popular pelo futebol. Segundo o jornalista Víctor Gómez, o futebol era, naquele momento, o único ponto de união de um País prestes a viver a pior crise de sua história.

O Colo-Colo perdeu a final da Libertadores para o Independiente, em Junho de 1973.  No mesmo ano, a Seleção Chilena passa pelo Peru nas Eliminatórias para o Mundial FIFA 1974. Passava a enfrentar, na repescagem, a União Soviética, País socialista e que diplomaticamente estava muito próximo do governo Allende. O golpe de Estado serviu para anular o socialismo que crescia no Chile. No primeiro jogo, em Moscou, em 26-09-1973 (15 dias após o Golpe de Estado), vitória chilena por 2 a 0. O jogo de volta estava marcado para Novembro daquele ano.  Temendo pela segurança da sua seleção, os soviéticos recusaram-se a viajar para o Chile. Perderam por W.O. (Walk-Over) e os chilenos se classificaram para a Copa do Mundo FIFA de 1974. Meses mais tarde o Estádio Nacional (onde seria o jogo contra a União Soviética) tornava-se presídio a céu aberto para perseguidos políticos.

Caszely

Caszely

Caszely, principal jogador do Colo-Colo e da Seleção Chilena, teve um familiar preso pela ditadura de Pinochet. Dizem que só jogou o Mundial de 1974 sob a condição de que soltassem seu parente. E assim foi.

E assim foi também outras vezes. Quatro anos mais tarde, o argentino Videla usava o Mundial FIFA de 1978 como ferramenta de promoção do governo. Essa relação é inevitável. O esporte age sobre as massas e governos trabalham diretamente com elas. Isso não vai acabar.

Contos Greco-Lusitanos

A Grécia foi sede dos Jogos Olímpicos de 2004, Portugal foi anfitrião do EURO’2004. Nos diários econômicos os dois Países são muito comentados em função da instabilidade financeira e capacidade produtiva. É alto o risco de investimento nessas nações, há fuga de capitais, há alta dos impostos, não há geração de empregos e a dívida pública é crescente. A Irlanda passou pelo mesmo processo recentemente. Paga-se o preço de cumprir os requisitos de fazer parte da União Europeia. Oras, as economias grega e portuguesa não são a italiana, a alemã, a inglesa, holandesa ou espanhola.

E então, o que os eventos esportivos citados na primeira linha deste texto têm a ver com a situação econômica atual dos dois Países? Os gastos públicos que eles tiveram para recebê-los. As Olimpíadas de Atenas foram deficitárias e em termos de público e turismo, não foi um sucesso. Até hoje os portugueses buscam pelo legado deixado pelo Europeu de futebol. Deixaram mesmo estádios vazios e insustentáveis, com exceção dos dois de Lisboa, o do Porto, o de Braga e o de Guimarães. Aveiro, Faro, Leiria e Coimbra, por exemplo, estão sem solução. Quem sustenta todas estas obras é o poder público. Quem fornece os recursos ao poder público, é a população. Logo, o povo é quem mantém tudo isso. Se não há um ciclo de rendimentos (emprego-renda-consumo-mais emprego), a economia não cresce. Uma hora ou outra, “a bolha explode”. É o que está por acontecer em Atenas.

Devemos ficar – muito – de olho nisso, haja vista que o Brasil receberá grandes eventos esportivos e há urgência nas obras públicas para poder atender a grande demanda que haverá. O Parlamento Brasileiro já faz as suas podres manobras para acelerar o processo. Montréal (Canadá) foi sede das Olimpíadas de verão em 1976. Apenas em2007 adívida dos Jogos foi quitada de maneira integral.

Façamos diferente, com responsabilidade. Não se pode deixar a população vulnerável à instabilidade.

London Calling

Vou usar o nome desse icônico (!) álbum dos “The Clash” à iniciativa inglesa de adiar o processo de escolha para Presidente da FIFA. Isso faz me lembrar o histórico posicionamento inglês perante o desporto-rei: nos primórdios do jogo os britânicos não aderiram a entidade, fundada em 1904. O primeiro Mundial foi em 1930, no Uruguai, mas eles apenas resolveram disputá-lo a partir de 1950, no Brasil (foi nessa Copa que os EUA venceram a Inglaterra, no Estádio Independência, em BH). Segundo eles mesmos, agiam de tal maneira para preservarem a essência e espírito do futebol, in a British way.

Belíssima a iniciativa inglesa, de querer adiar a eleição. Logicamente querem isso porque foram os mais prejudicados com a escolha do Qatar ao Mundial FIFA 2022, uma vez que também concorriam. Em sã consciência, o que o Qatar oferece para sediar uma Copa do Mundo? Não vejo nada. No entanto os ingleses fazem isso – quero eu pensar assim – porque, como inventores deste jogo, têm que preservá-lo. Se assim o fazem dentro de campo, através da IFAB (International Football Association Board – Conselho Internacional de Futebol), que estabelece o regulamento da modalidade, assim também devem fazer fora dele: proteger e preservar a modalidade.

O Filósofo Desportivo Português, Professor Manuel Sérgio, sempre disse: “o futebol é um serviço público”, em função de toda a mobilização popular que existe em torno desse esporte. Infelizmente, não é.

A FIFA é uma entidade privada. Todos estes escândalos não vão resultar em uma reviravolta na entidade, situação próxima à do Dilema do Prisioneiro, quando todos vão se calar e agir como se nada tivesse acontecido.

A Turbulência usa Turbante

Cancelaram o GP do Bahrein. Muitos dizem que é um sinal de alívio para a Fórmula 1, diante da instabilidade política por que passam uns Países do mundo Árabe. Tunísia, Egito, Iêmen, Bahrein inclusive, e até a Líbia passam por momentos delicados. Estão preocupados com o Bahrein! Não convém.

Oras, Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen não são tão ricos quanto o Bahrein. Não são tão pequenos quanto o Bahrein, em área e número de habitantes. Não se dão ao luxo de não cobrarem impostos da população, com faz o governo Barenita. Oras, o regime daquele País, em função destes fatores, tem muito maior poder de manipulação do que outros Países, muito mais pobres e autoritários. Sem uma prestação de serviços adequada e pobreza que se destaca, é óbvio que estarão insatisfeitos, o suficiente para causar uma revolta popular.

Enfim, a Fórmula 1 e seus eventos são alheios a isso. Movimentos populares desta natureza não vão alcançar o “circo” da F1. Este é um evento global, com interesses locais, nacionais, regionais e mundiais. O evento respeita o calendário e tradições da Sociedade local, portanto, estão por fazer tempestade em copo d’água, ao dizerem que a turbulência deste momento veste turbante, afinal pode colocar em risco pilotos, equipes e fãs. Para os habitantes destes Países, a ameaça não é externa, mas sim interna.

A turbulência não usa turbante. A turbulência é o despotismo, a indiferença e o autoritarismo.

Algerian Girls

Não faz muito tempo que uma medalhista de ouro olímpica foi insultada e considerada traidora em seu país por haver corrido “quase nua”, de acordo com – deturpadas – tradições da sua pátria de origem. A atleta em questão é a argelina Hassiba Boulmerka, campeã dos 1500m nos Jogos de 1992. Quando do seu retorno à Argélia – com população majoritariamente muçulmana – após este triunfo, boa parte da opinião pública daquele país voltou-se contra ela, por haver corrido quase despida.

A "semi-nua" Hassiba Boulmerka, da Argélia, ouro nos Jogos de 92

A “semi-nua” Hassiba Boulmerka, da Argélia, ouro nos Jogos de 92

Dezesseis anos mais tarde, ou as tradições mudaram ou as jogadoras da seleção argelina de voleibol, presentes nos Jogos Olímpicos, querem desafiar os tradicionalistas de Argel. Diferentemente das egípcias nas Olimpíadas de Atenas (2004), elas jogaram com calções curtos, ou seja, com as pernas à vista. Sinais de mudança? Sim. O país é governado por um regime militar pró-ocidente e averso a um governo fundamentalista. Pode ser que os dirigentes até tenham apoiado esta iniciativa, mas as jogadoras não estão “quase nuas” e os uniformes são bem mais “comportados” que os das italianas, cubanas e brasileiras. Antes disso, o exagero em tudo é ruim e os considerados tradicionalistas devem se ocupar com outras coisas em vez de estarem atentos a grandes mulheres que estão a levar mundo afora o nome da Argélia. O islamismo certamente não está preocupado se elas estão ou não com as pernas descobertas. Independentemente de serem xiitas ou sunitas, vejam as turcas. Vejam as azeris.

 

Seleção Egípcia de voleibol feminino

Seleção Egípcia de voleibol feminino

Mesmo não tendo um determinado êxito nos Jogos, estas mulheres argelinas já servem de exemplo, que para respeitá-las não é preciso jogar com calças. Tal opinião pode ser considerada extremamente “ocidental”, porém intolerância também pode ser sinal de ignorância.

O Esporte como Mediador de Conflitos (?)

Nos próximos dias, semanas e quiçá meses, a opinião pública internacional falará muito bem, “babará o ovo” para Nicolas Sarkozy, Presidente da França, um dos responsáveis pelo fim do seqüestro de Ingrid Betancourt pelas FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular) e pela aproximação dos líderes Israelense e Palestino afim de chegarem a um acordo de paz que, segundo o Premiê de Jerusalém, “nunca esteve tão próximo”. Sarkozy, por estes atos, poderá ser visto como um líder compromissado com a paz mundial, um Chefe-de-Estado responsável e, pelos franceses, como aquele que está a reposicionar a França no cenário geopolítico mundial, como nos áureos tempos da Legião Estrangeira. Enfim, palmas a ele.

Recentemente a UEFA (União Européia de Associações de Futebol) tentou aproximar armênios e azeris – inimigos históricos – ao colocá-los no mesmo grupo de apuramento para o Europeu de Seleções de 2008. Não deu certo. Um país não aceitou jogar contra o outro. O esporte não serve como mediador de conflitos, apesar de muita gente pensar o contrário. O que pode haver é uma aproximação entre as duas partes, uma amenização do impasse, mas nunca o fim dele por completo. Neste blog já foi falado sobre a partida de pólo aquático entre húngaros e soviéticos pelas Olimpíadas de 1956, logo após a violenta supressão soviética à Revolução de Budapeste. Qual jogador magiar não entrou naquela piscina sem se lembrar deste fato? Obviamente que nenhum. E na Copa do Mundo de 1998, aquele jogo entre os EUA x Irã: não adiantaram as flores, as placas e demonstrações de amizade antes da partida quando, após seu final, com a vitória dos persas por 2 a 1, a TV estatal iraniana coloca o Aiatollah ao vivo, em uma mensagem a dizer que o povo do Irã é capaz de vencer o grande satã (os EUA).

Confraternização entre estadunidenses e iranianos em jogo da Copa de 98 (Fonte: AP)

Um dos sonhos de Havelange não cumpridos enquanto presidia a FIFA, foi o de realizar uma partida entre Israelenses e Palestinos. O esporte sim é um instrumento para a paz e confraternização dos povos, mas pensar que ele sozinho é capaz de pôr fim a anos, décadas e séculos de hostilidades, é inocência em demasia.

Tramas

Rosário, Argentina. Estádio Dr. Lisandro de la Torre (Gigante de Arroyito). 21 de junho de 1978, 18:40, horário local. Vestiário (balneário) alvi-celeste:

– Sr. Presidente, onde estão meus amigos? Cadê os meus amigos, Sr. Presidente? – diz Tarantini, entre seus longos cachos.

– Fecha essa sua boca! – diz irritado Héctor “Chocolate” Baley, goleiro (guarda-redes) reserva.

– Honrem a nobreza do homem argentino – diz o Presidente Videla a todos, ignorando o jogador.

Vestiário (balneário) do Peru:

– Manzo, bom jogo. Já sabe – diz Oblitas.

– Não se preocupe – responde o zagueiro (defesa).

Cabine da ATC (Argentina Televisora Color), acima dos vestiários (balneários) dos dois países:

– O Brasil venceu a Polônia nesta tarde por 3 a 1 – diz o apresentador;

– Para chegar à final, são necessários 4 gols. No mínimo! – replica o comentarista.

21 de junho é uma data importante para o futebol do Brasil. Era para eu escrever sobre o 38º aniversário da conquista da Copa do Mundo de 1970. Mas não. Isso muitos sabem. Aos 21 dias de junho de 1978, houve uma partida pela Copa na Argentina que levantou muitas suspeitas. Era para este jogo contra o Peru ser à tarde. Como visto, foi à noite. Como também visto, os argentinos precisavam ter uma diferença de quatro gols para avançar à final.

Kempes!

Tarantini!

Kempes!

Luque!

Houseman!

Luque!

6 a 0 Argentina. Dois a mais além dos 4 necessários, contra uma seleção peruana repleta de grandes jogadores, como Cubillas.

“Chora, Brasil. Chora”: manchete da “Crónica” de 22.06.1978.

Muito se especula se houve manipulação do resultado por parte dos militares argentinos, que governavam o país à época do Mundial 1978. Havia perseguição política – por isso de Tarantini haver perguntado ao Gral. Videla pelos seus amigos – e recessão econômica. Era preciso uma vitória como em uma Copa do Mundo para desviar a atenção do povo aos problemas do cotidiano. Conseguiram mudar o horário do jogo: sabia-se o resultado do jogo Brasil x Polônia. Dizem que Quiroga, o goleiro (guarda-redes) do Peru, era argentino. Manzo, o defesa acima referido, após o mundial obteve um bom contrato com o CA Rosário Central. Outro indício de cumplicidade com o resultado. A displicência peruana em algumas jogadas, também. Existem também denúncias de ajuda ao governo de Lima, bem como remessas de dinheiro disponibilizadas a alguns jogadores peruanos, bem como dirigentes da Federação do Peru. Nada ainda provado. Argumentam que isso tudo é uma estória brasileira, mas nem os próprios argentinos negam tal versão. Vejam então o início do clipe da música: “La Argentinidad Al Palo”, dos Bersuit:

Segundo Seoane e Muleiro, autores da biografia de Jorge Videla, presidente da Argentina entre 1976 e 1981, no momento do 4º gol alvi-celeste explodiu uma bomba na casa do Ministro do Interior. Eram os Montoneros, grupo guerrilheiro que atuou contra a ditadura. De uma forma ou outra, eles imaginavam este (grande) resultado.

Videla e os campeões do mundo de 1978: “tamojunto!”

Também de uma maneira ou outra, ao certo nunca se vai saber se este jogo fora ou não arranjado. Nada irá mudar também se algo for revelado. É mais uma história para apimentar a rivalidade entre brasileiros e argentinos. Ao final, venceram eles o mundial, graças a Tarantini, Houseman, Kempes e a trave à direita das cabines de TV do estádio do River, que evitou um gol holandês aos 44 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava empatado em 1 a 1. A ditadura? Durou até 1983. O povo viveu a vitória por muito tempo? Não, na outra semana já havia greve. Enfim, este texto é dedicado aos 30 anos desta trama.

País-Circuito

Neste fim-de-semana, mais precisamente neste exato momento, está ocorrendo o tradicional Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 (F1). A mais tradicional e charmosa prova do esporte motor, cercada de muito glamour em pleno coração da Riviera francesa. Mônaco também é conhecido pelos cassinos, pela marina, mas a maioria das pessoas só se lembra da existência deste Principado apenas na semana da realização do GP.

circuit-de-monaco-in-monte-carlo1

O Principado de Mônaco (com o circuito em linha branca/vermelha) visto do satélite

Mônaco, depois do Vaticano, é o menor país do mundo. Há mais de 700 anos que é governado pela família Grimaldi, cujo principal representante é o príncipe – esportista – Alberto II. Com cerca de 35 mil habitantes, tem 2 Km² (alguns quarteirões) de área, 3km de costa no mediterrâneo e 50km de ruas! Destes 50km, 3,34 são destinados ao GP. Boa parte do mundo pára para acompanhar este evento. É quando o mundo conhece Mônaco. É quando “cai a ficha” de que Mônaco não é apenas um paraíso fiscal, mas sim um país.

Loews

A curva Loews do GP de Mônaco de F1 em 1977

O GP de Mônaco sem dúvida alguma é incentivado pela família real monegasca, uma chance para promover o principado, não apenas em termos turísticos, mas como membro de um sistema de Estados independentes, atuante no cenário internacional. A própria presença da família real na cerimônia de entrega dos troféus aos 3 primeiros do Grande Prêmio, vista por bilhões de pessoas por todo o planeta, é uma maneira de demonstrar ao mundo a soberania do Principado. Analogicamente, os turcos criaram muita polêmica com a presença do Presidente da República Turca do Norte do Chipre (reconhecida apenas por Ankara) na entrega dos prêmios da corrida de Istambul. E tem gente que diz que o esporte e as Relações Internacionais não têm nada a ver. Muito pelo contrário. Hoje em dia são as competições esportivas internacionais os melhores cenários para promover um país. Vide os Jogos Olímpicos.

A Família Real de Mônaco (GP de 2007), atrás dos pilotos

Depois disso tudo, Mônaco, com todas as suas dimensões,  é um país-circuito. A cidade “vive” um ano todo em torno deste Grande Prêmio, que neste momento tem Hamilton em 1º, Massa em 2º e Kubica em 3º. Daqui a pouco vou à televisão ver a entrega dos prêmios, reconhecer a soberania monegasca e quem sabe a princesa Stéphanie!